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Primeiras impressões da Guatemala

Primeiras impressões da Guatemala.

Completando três meses vivendo na Cidade da Guatemala, a capital do país, trago aqui as primeiras impressões de como é viver na Guatemala e também de seu povo, os chapíns, como são chamados os Guatemaltecos.

Desde que soube que viria para cá, fiquei bem feliz. Feliz por estar mais próxima à minha cultura e ao meu idioma. Guatemala, o país da eterna primavera, com seu clima ameno, tem sido de fácil adaptação, com algumas surpresas e fatos inesperados.

Bom, é impossível falarmos de qualquer país sem um contexto que nos dê uma ideia mais ampla da história e condições de vida de um país. Começo descrevendo a Guatemala com alguns dados para que de maneira geral, se tenha uma noção de como é a vida da grande parte da população por aqui.

Leia também: Dicas para estudar espanhol na Guatemala

Um retrato da Guatemala em poucas linhas

O país possui 16 milhões de habitantes e em torno de 40% são indígenas Maias.

A cidade da Guatemala é a capital mais populosa de toda a América Central e 60% da população da Guatemala vive na pobreza, especialmente nas áreas rurais. Falta de acesso à educação faz com que a grande maioria dos jovens com menos de 15 anos não saibam ler ou escrever.

Poucas famílias detêm o poder econômico no país. Por exemplo, segundo a revista Forbes de junho deste ano, o empresário Mario Lopéz Estrada detêm 52% do mercado de telefonia móvel do país. O mesmo se repete em praticamente todos os demais setores da economia da Guatemala, que é 85% privada.

Entre 1960 e 1996 o país esteve em guerra civil. Nesse período a história da Guatemala é descrita por golpes de estado e guerrilhas. Fase em que se registra mais de 140 mil mortos e mais 40 mil desaparecidos, sendo os indígenas maias as maiores vítimas desse massacre.

A moeda da Guatemala é o Quetzal, que é uma espécie de pássaro (foto abaixo), símbolo da Guatemala: 1 quetzal equivale a aproximadamente USD7.5 ou R$0.50

A Guatemala é considerada o coração da civilização Maia, e é possível conhecer mais da cultura da civilização Maia através dos diversos museus, ruínas e sítios arqueológicos ou então as tradições ainda presentes em muitas comunidades e vilas do país.

Algumas impressões pessoais que se destacaram ao chegar na Guatemala:

A religiosidade e conservadorismo das pessoas me surpreendeu

A Guatemala é, em geral, católica fervorosa, mas muito diferente do Brasil. Há uma grande mistura do cristianismo, trazido pelos colonizadores espanhóis, com as tradições locais maias.

Me surpreendi com o tradicionalismo e com os simbolismos trazidos pelos espanhóis e em prática até os dias de hoje, especialmente nas datas comemorativas. São rituais, procissões, simbologias na vestimenta e objetos que nunca havia visto na prática do catolicismo do Brasil. Dá para ter uma ideia pela foto. Os guatemaltecos me pareceram super tradicionais e devotos.

A maior festividade religiosa acontece na semana santa, quando acontece uma enorme procissão, onde a imagem gigante de Jesus crucificado é carregada durante 12 horas pelas ruas de várias cidades, por dezenas de quilômetros, por fiéis que revezam para carregar as imagens que pesam algumas centenas de quilos ou toneladas.

Detalhe: para ser uma das pessoas que carrega as imagens durante as longas horas de procissão é preciso ter descendência. O lugar é passado de geração a geração, desde a época da colonização espanhola ou então é preciso pagar um alto valor para ter, o que é considerado um privilégio, de levar a imagem durante a procissão.

A Guatemala tem um enorme número de estrangeiros que estão aqui como missionários. Diversas nacionalidades, entre eles brasileiros, vêm para cá com o objetivo de evangelizar e com isso o número de pessoas que se tornam protestantes vem crescendo.

E sem dúvida a Guatemala é um pais conservador. Para exemplificar, recentemente uma banda de rock sueca teve sua entrada negada na Guatemala por ser considerada satânica e não corresponder aos valores do seu povo.

 

Falta de estrutura do país

Enviar um cartão postal quando vier à Guatemala não é uma opção. O país não conta com sistema de correios. Se eu desejar enviar ou receber alguma coisa do exterior por exemplo, preciso contratar serviços de cargo particular, como da empresa DHL, que custam uma pequena fortuna.

O transporte público é bastante limitado e, há pouco tempo, o Uber chegou por aqui para facilitar a vida dos guatemaltecos.

O transporte mais utilizado são os chamados chicken bus, que são ônibus escolares norte-americanos, velhos demais para circular por lá, vêm parar na Guatemala e outros países da região. São ônibus particulares, coloridos, que dão uma graça extra para a cidade, exceto pela fumaça preta que emitem ou quando o estado de conservação é péssimo.

Muitos afirmam que os chicken buses são perigosos em diversos sentidos, e não recomendável, especialmente para mulheres, e no período da noite. Mas eles estão sempre cheios de pessoas locais, homens, mulheres e crianças, que não possuem outro meio de transporte. Meu professor de espanhol, um chapin autêntico, diz que se sente inseguro ter que usá-los à noite.

Na capital, existe o metrobus, que custa somente 1 quetzal. Descobri que o sistema de transporte foi baseado no funcionamento do transporte da minha cidade natal, Curitiba. Os ônibus também são brasileiros. É uma opção considerada segura, eu já usei várias vezes, mas sua rota é bem limitada, circulando por poucas regiões da cidade.

Essa situação com a falta de transporte é uma das razões do trânsito caótico da capital. Não se vê muitas pessoas andando pelas ruas, especialmente em bairros com maior poder econômico.

É comum famílias terem 3 ou 4 carros, apesar da cidade não ter estrutura para suportar tamanho tráfego de veículos, por isso é normal que na capital da Guatemala as pessoas passem longas horas no trânsito diariamente.

Descriminação e desigualdade social foi o que mais me chocou

As classes sociais são muito distintas. Algumas famílias possuem muito dinheiro, mas a grande maioria nada. Alguns exemplos  pessoas de acontecimentos comuns por aqui:

Ao procurar por local para morar, em uma dos apartamentos que visitamos havia uma pessoa realizando a limpeza. Eu a cumprimentei mas ela não tirou o olho da vassoura, de cabeça baixa, em grande demonstração de submissão. Além disso, as casas possuem banheiro separado para os empregados. 

Dias atrás, vi uma comerciante borrifar um produto de limpeza no chão, ao lado de fora da loja (já na rua na verdade), após um morador de rua parar por alguns segundos em frente à sua porta.

Apesar de 40% da população da Guatemala ser indígena, a palavra índio na Guatemala é palavrão. São eles que mais sofrem discriminação e possuem pouco ou nenhum acesso à saúde, alimentação e educação.

A exploração da época da colonização acabou teoricamente há muito tempo, mas são os indigenas que continuam a trabalhar para “servir os brancos”, que são em grande maioria descendentes europeus, ladinos como são chamados aqui.

Tenho um colega guatemalteco, de classe média, que tem cozinheiro duas vezes por semana, empregada doméstica diariamente e jardineiro. Mão de obra por aqui é muito barata e não é preciso ser rico para poder pagar por tais serviços. Além disso o salário mínimo não é respeitado e as pessoas precisam se sujeitar a situações de exploração ou mal tratos.

Em contrapartida, mulheres fazendo compras ou em salão de beleza com vários seguranças particulares e motorista não é uma cena incomum de se ver pelas boutiques da cidade ou em shoppings de classe A.

Essas foram os principais impressões iniciais e apesar da Guatemala ter diversos pontos aparentemente negativos, a vida por aqui está sendo muito boa.

O país é rico em belezas naturais, com dezenas de vulcões, história e ruínas da civilização Maia, clima agradável, pessoas muito simpáticas e de fácil convívio.

Os chapins são extremamente sociáveis e amigáveis. Sem dúvida o melhor da Guatemala são seus moradores. Descobrir mais da Guatemala tem sido um grato presente.

 Fotos: Girosolviagens e Flirckr

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