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Quando decidimos partir

Quando decidimos partir.

Começo a escrever este texto no fim de outubro, momentos antes das eleições de segundo turno no Brasil. Sinto que o clima anda bastante tenso, mesmo estando longe. É uma piada no grupo de WhatsApp da minha família, uma indireta que vem através de um amigo, ou os comentários que recebo no post 10 motivos para viver na Argentina.

O post mais visto e comentado que escrevi neste site é esse, e o que me diz isso? Que as pessoas estão preocupadas com o futuro próximo, e por isso estão querendo sair do Brasil. Entendo, mas como alguém que saiu do Brasil, sinto que devo dizer “não vai ser fácil” e também “pode ser que não resolva os seus problemas”.

Calma, não quero desanimar, ao contrário, quero abrir seus olhos e fazer você parar um momento para respirar… colocar os pensamentos em ordem… e sair do Brasil consciente do que está fazendo.

Leia também: Por que muitos brasileiros querem sair do Brasil?

Estamos em movimento

O ser humano é um imigrante por natureza. Se olhamos para trás, não houve um só momento na história em que pessoas não fossem de um lado a outro em busca de uma vida melhor.

Estamos em movimento, e não há nada de errado nisso.

Somos una especie en viaje (Somos uma espécie em viagem)

No tenemos pertenencias, sino equipaje (Não temos pertences, se não malas de viagem)

Vamos con el polen en el viento (Vamos com o pólen no vento)

Estamos vivos por que estamos en movimiento (Estamos vivos porque estamos em movimento)

Como canta, lindamente, o cantor uruguaio Jorge Drexler, na música Movimiento.

Diferenças, Preconceito, Racismo e Xenofobia

Sim, estamos em movimento, vamos e mudamos desde que estamos neste mundo. No entanto, as circunstâncias foram nos fazendo aos poucos uns diferentes dos outros. E as diferenças, muitas vezes desconhecidas, geraram medo; e o medo, sentimentos mais obscuros.

Primeiro, o preconceito. Isso não se encaixa no que “eu” considero como normal ou certo, pronto, está mal, “eu” ignoro. Depois o racismo e a xenofobia, onde “eu” condeno, castigo, recrimino, humilho e fecho fronteiras.

Contra tudo isso há um só remédio: educação.

Curiosidades Culturais I

Antes de mudar para Buenos Aires, já contei que vivia em Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil. Não tinha contado, ainda, que fui parar lá por causa do trabalho.

Resumindo a história toda que é bem longa, estava eu terminando a faculdade de engenharia química – e o estágio acabando. Não havia perspectiva de continuar onde estava. A única vaga, para mim, se eu quisesse, estava na planta de Fortaleza.

Na dúvida sobre ir ou não para lá (na época eu morava no Vale do Paraíba, interior de SP), comecei a participar de um monte de processos de “trainee”. Num deles, saí para almoçar com gente de Recife, Belém, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e…. Fortaleza.

Leia também: O Brasil Visto de Fora

Fiquei encantada com a riqueza da nossa conversa. Eram tantas histórias diferentes e apaixonantes que não tive dúvida, virei para o lado e perguntei à companheira de Fortaleza: “se você tivesse uma vaga aqui em SP ou Fortaleza, onde você trabalharia?” E ela me respondeu: “mas, mulher, claro que em Fortaleza!” E ainda me disse quando eu expliquei que tinha uma possível vaga, lá, para mim: “mulher, vai-te embora, o que você está esperando?”

Nada! No mesmo dia, abandonei tudo quanto foi processo, fiz minhas malas, avisei minha família e decidi: vou para Fortaleza.

Curiosidades Culturais II

Meus pais e minhas irmãs ficaram com o coração apertado de saudades, mas na mesma hora me apoiaram totalmente.

Foi apenas de alguns conhecidos do trabalho e da faculdade que ouvi: “nossa, você vai mudar para o Nordeste? Tem certeza?” Naquela hora, não entendi muito bem e falei: “vou e estou super feliz!”

E a verdade é que fui muito feliz nos anos em que morei lá. Fiz amigos incríveis, trabalhei pra caramba, ganhei muita experiência, viajei e conheci praias paradisíacas, comi muito cuscuz com manteiga derretendo, aprendi a dançar forró, salsa e samba de gafieira.

Tive meus perrengues… óbvio, mas nada diferente dos que eu teria se estivesse em outro lugar. E isso me fez pensar em por que tantos brasileiros têm preconceito com o Nordeste? Um região tão rica, tão linda e de cultura e gastronomia tão apaixonantes? Né?

Eu tenho planos de voltar para lá… quando me aposentar volto, só ainda não sei se para o Ceará (que vive no meu coração) ou para a Bahia (outra paixão antiga e muito bem correspondida).

Curiosidades Culturais III

Infelizmente acabou-se o que era doce e eu tive que mudar mais uma vez. Mas, desta vez, como já contei em outro post, por amor. E desde então cá estou em Buenos Aires, só que agora preparando mais uma mudança.

Leia também: Como vim parar na Argentina

O destino agora será a cidade de Corrientes, na província de Corrientes, na região – adivinhem qual? – Nordeste da Argentina. Estou super feliz! E novamente escuto de alguns conhecidos: “nossa, mas você vai mudar para lá?” E eu respondo, já escaldada: “sim, e estou super feliz”.

Pelo visto, aqui também rola o preconceito com a região Nordeste… e olha que essa região aqui da Argentina faz fronteira com a região Sul do Brasil, ou seja, está no norte para os argentinos, mas está no sul para os brasileiros… percebem a confusão? Gente mais doida essa, num é não?

Como termina isso?

Eu só sei que eu sigo minha vida, não dando muita bola pra doido, não. Vou para onde ninguém quer ir, mudo para aqueles lugares que todos dizem para não morar, viajo para onde não deveria visitar. E sou muito feliz, assim!

Que venham mais Nordestes na minha vida e que venham mais aventuras para poder contar para vocês!

Próximo post já estarei em Corrientes e provavelmente curtindo o verão na beira do Rio Paraná… ah, e caminhar pela praia de lá*, à noite, me fez lembrar quando eu ia aos shows do Monobloco na Praia do Futuro… a mesma brisa… o mesmo calor… ô, vida boa!

* é praia de rio, não de mar, mas tudo bem

Anotem, por favor, deveria ser obrigatório ao menos uma vez na vida passar uns dias em Fortaleza e ir a um show do Monobloco. Depois me contem se esse é ou não é o segredo da felicidade?

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