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Quando sabemos que é hora de mudar?

Quando sabemos que é hora de mudar?

Agora em setembro de 2018, faz 8 anos que me mudei para Barcelona. Saí do Rio de Janeiro para fazer um mestrado e voltar um ano depois  tinha certeza absoluta que voltaria! Naquele primeiro ano, além de terminar o mestrado, me apaixonei pela cidade, conheci o meu futuro marido e encontrei um trabalho que me motivava muito! Assim, resolvi que valia a pena ficar “um pouco” mais e ver no que ia dar… e fui ficando! Atualmente, olhando para trás e pensando que se passaram 8 anos, é incrível ver como não podemos prever ou antecipar as coisas que acontecem em nossas vidas! Mas como sabemos quando é a hora de mudar?

Durante esse tempo, me mudei muitas vezes: vivi em Barcelona, em Sant Cugat de Valles, na Alemanha (em duas cidades!) e voltei para a Catalunha há dois anos com vontade de parar quieta por um tempo. Tive uma casa por ano, fiz mudança a pé, de carro, de caminhão e de avião. Arrumei muita caixa, mas fiz as malas com muito mais frequência do que gostaria, indo e vindo ao Brasil e a Barcelona sempre que possível. Cada vez, e em cada destino, você conhece mais gente, faz mais amigos, cria raízes e cresce um pouco mais. A cada destino você ganha um pouco mais por dentro, e também deixa um pouco de você para trás quando vai embora depois. É uma mistura de expansão e perda constantes, onde a sensação de ser completo outra vez parece mais e mais distante.

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Nesta semana, pensando nostalgicamente em tudo que passou desde que tomei essa decisão, comecei a tentar lembrar e entender o início da história. O porquê que me levou a essa aventura infinita e tão completa. Comecei a pensar na sensação e nos sentimentos que me fizeram dar esse salto, que abriram as portas para as milhões de experiências e acontecimentos que vieram depois. E são esses sentimentos que quero compartilhar aqui hoje, principalmente para saber a opinião de vocês que passaram, passarão ou estão passando por experiências similares!

Foto: Anastasia Petrova – Unsplash

Um pouco antes de vir, lembro-me que um dia estava tentando explicar a um amigo os motivos pelos quais queria mudar a minha vida naquele momento, ou seja, porque, de uma hora para outra, resolvi passar um ano fora do Brasil. Falei a ele sobre esse vazio que às vezes aparece, sobre a insatisfação genérica e sem alvo que estava sentido, sobre como o meu mundo, de repente, parecia não ser mais suficiente para mim… e como a tal “saudade de tudo que eu ainda não vi”, da música do Renato Russo, começou a crescer sem parar dentro de mim. E perguntei se ele me entendia. Na verdade, quando li sua resposta, entendi que ela traduzia exatamente o que eu estava sentindo. Ele me disse: “É claro que entendo, eu não entendo é quem fica”.

Sabe aquele momento onde o mundo à sua volta começa a parecer sem sentido? Essa é definitivamente uma pergunta retórica, pois não consigo imaginar que alguém possa nunca ter tido essa sensação em algum momento da vida. É uma mistura de tédio com cansaço. De uma inércia absurda com vontade de sair do lugar imediatamente. Ela traz, ao mesmo tempo, vontade de correr, de gritar, de querer mais, e um vazio absoluto e incurável. Pelo menos é a impressão que eu tinha naquela época: um vazio que não tinha cura, pois estava cheio de si mesmo. Isso faz sentido? Claro que não, mas tenho certeza de a maioria das pessoas já sentiram isso alguma vez e sabem exatamente do que eu estou falando.

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Não me entendam errado: isso nada tinha a ver com a tal da felicidade. Não vinha de  nenhuma desilusão amorosa. Não era como uma rota de fuga ou um plano B para um momento desastroso. Eu gostava da minha vida exatamente como ela era. Gostava de quem fazia parte dela e de como tinha construído o meu castelo ao meu redor. Mas tinha a impressão que tinha chegado a um momento no qual os muros começavam a parecer próximos demais, quase como que sufocando alguém que queria crescer mais do que eles. E é nessa hora que senti que precisava quebrar os limites, passar das fronteiras preestabelecidas por mim mesma e me permitir enxergar nos cantinhos escuros para onde não costumava olhar com muita frequência.

Chega uma hora em que a busca se torna o mais importante, o que te faz vivo. E você deve estar se perguntando: mas busca pelo que, afinal? A busca pelo novo, pelo desconhecido. A busca pelo que esteve sempre dentro de você, pela origem. A busca pelo que você já sabe e pelo que quer aprender. Simplesmente, a busca. Afinal, fiz como escreveu o falecido mestre português: “a Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.”  Recomendo o Conto da Ilha Desconhecida, do Saramago, para todos que têm esses sentimentos brotando dentro de si e que estão tentado entendê-los como foi o meu caso. E depois, o resto é aventura pura!

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