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Diferenças do racismo entre Brasil e EUA

Uma das palavras que mais provoca reações controversas é racismo! Se alguém nos chama de racista, nos sentimos mortalmente ofendidos, mas será que lá no fundo essa sementinha maligna não habita o nosso ser?

Convido a todos que estiverem lendo esse texto, despirem-se de suas máscaras para alcançarmos um caminho transformador: abolir o racismo de nossas vidas!

Assim como o machismo, atribuo ao racismo, a responsabilidade de ser um dos maiores causadores de danos sociais e morais. Um verdadeiro câncer da nossa humanidade!

Eu, sempre me considerei acima desse mal. Jamais admiti para mim mesma que pudesse ser racista. Mas será que isso é verdade?

Vamos lá! Enquanto fazia parte da maioria privilegiada e branca do meu país, não dava a menor atenção para esse assunto. Foi no momento em que entrei para o grupo das minorias (latina e imigrante) nos EUA,  que passei a ter uma visão mais atenta.

Leia aqui: Empatia- a grande lição de ser imigrante

Primeiro gostaria de estabelecer as diferenças entre racismo nos EUA e no Brasil. Aqui, na América, a questão racial está profundamente arraigada à questão da cor e da tonalidade da pele. Ser ligeiramente moreno, ou bronzeado, já te exclui do grupo de caucasianos. (Atenção amigos e parentes brasileiros, a grande maioria de vocês, seriam considerados pretos aqui na terra do tio Sam. Aceitem!)

Atletas, artistas e pessoas famosas e ricas norte-americanas, não estão a salvo de críticas e manifestações de ódio, pelo simples fato de serem negras. Quem se lembra da trágica história de Michael Jackson, sabe a que extremos esses ataques podem levar. Apesar de ter sido o maior astro pop do seu tempo, a depressão e a obsessão em “ser branco” acabaram por matá-lo.

Outro exemplo ainda mais contundente:  o ex-presidente Barack Obama, que foi por 8 anos, o homem mais poderoso e influente do mundo, sofria ataques constantes relacionado à sua raça. Sua esposa, Michelle Obama e suas filhas sofreram provocações horrorosas e xingamentos abomináveis, de grande parte da população branca e conservadora do país. Uma rápida pesquisa no Google, poderá mostrar esses absurdos, que me recuso a reproduzir aqui.

A sociedade americana não é misturada como a brasileira. Com exceção dos grandes centros urbanos, das costas leste e oeste, ainda é raro ver casamentos inter-raciais. Assim a população miscigenada aqui, é menor que no Brasil.

Leia aqui mais sobre racismo nos EUA

Já no Brasil, o racismo implica em condição sócio econômica. O preconceito se dá muito mais pelo montante da sua conta bancária, do que pela sua cor, propriamente dita. Contudo, a grande maioria de pobres brasileiros são negros. Por que será?

Mas, nós brasileiros, somos considerados simpáticos, amigáveis e tolerantes certo? Não! Errado! Ainda que a população seja mais “misturada”, as oportunidades são absolutamente distantes entre brancos e pretos. Eu cresci estudando em escolas particulares de São Paulo. Não havia negros nas minhas classes, ainda que fossem classes com mais de 40 alunos. O mesmo aconteceu durante os anos que minhas filhas estudaram no Brasil, uma geração seguinte! Nada evoluiu nesse quesito…

Cheguei à faculdade pública e ainda assim, nada de negros entre os meus colegas…

Não me lembro de ter tido um médico, dentista, advogado ou engenheiro negro durante a minha vida no Brasil. Sejamos francos e honestos: nossa sociedade não dá chances a essa grande parcela da população! No meu país, infelizmente, o sucesso da população negra está constantemente ligado ao esporte e às carreiras artísticas… Atribuo essa responsabilidade a todos nós, brancos, que nos calamos perante essa discrepância social.

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar nos EUA

Os padrões de beleza brasileiros também evidenciam essa crueldade. Desde a infância, meninas já são induzidas aos alisamentos capilares. Mulheres se sujeitam uma vida inteira a procedimentos químicos e altamente danosos à saúde, somente para terem seus cabelos alisados, no estilo caucasiano de ser.

Até a beleza da mulher negra, está sempre ligada à sensualidade e sexualização. Quem não se lembra da Globeleza, tendo a sua nudez explorada durante o dia inteiro na programação da televisão?

Pior ainda, são comentários típicos como, “ah, mas a Camila Pitanga e a Taís Araújo são tão lindas, têm traços “delicados”! Sério? Existe racismo maior do que o embutido nessa frase? A beleza só existe quando lembra padrões brancos europeus?

Chego à conclusão que o racismo no Brasil é estrutural, disfarçado de simpatia, mas que na verdade, é mais cruel. Muitos de nós somos racistas e nem sequer nos damos conta disso!

Creio então que a sociedade americana está um pouco mais à frente da brasileira. Apesar dos esforços constantes do atual presidente Trump –  de marginalizar as minorias – os negros por aqui, têm  mais acessos e iclusão social.  Lembrando que  o melhor presidente da história americana é negro!

Isso acontece devido à força e organização dos movimentos negros, sobretudo depois da segunda guerra mundial. O movimento dos direitos civis de 1964, foi um dos grandes responsáveis por esse avanço. A comunidade afro-americana se organiza e  luta para conquistar seu lugar.  Os afro-descendentes americanos se reconhecem como tal e têm orgulho de sua raça e origem.

Noto no Brasil, uma tentativa constante de se esquivar dessa origem. Mesmo em típicas famílias com heranças genéticas africanas, há um esforço constante em se definir como brancos.

Acho cruel, acho feio, acho triste, que em pleno ano de 2019, ainda estamos presos nesse círculo de preconceito racial. Uma sociedade mais justa começa quando se torna mais humana, e não há nada – e nunca haverá – em nenhum artigo científico ou médico, que diga que uma raça é superior à outra.

Ainda que em estágios diferentes, EUA e Brasil estão vergonhosamente longe de terem eliminado esse absurdo.

Por tudo isso defendo que devemos lutar por políticas públicas de inclusão e acesso para todos. Devemos banir as piadinhas e os comentários desnecessários. Devemos avançar a luta em prol do respeito e não retrocedermos através de ações preconceituosas que definem esse movimento como “mimimi”. Chega!

Por mais humanidade e menos hipocrisia.

Até a próxima!

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9 comentários

Laila Hansen Fevereiro 16, 2019 at 5:18 pm

Melhor texto do site. Morei nos Eua e como negra concordo 100 por cento.

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Gabriela Albuquerque Fevereiro 19, 2019 at 6:08 pm

Obrigada! 🙂

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Gabriela Albuquerque Fevereiro 19, 2019 at 6:31 pm

Obrigada!! 🙂

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Ane Fevereiro 16, 2019 at 8:24 pm

Muito bom seu texto, Gabriela. Dificil ler algo tão claro de uma Brasileira.

Se me permitir, gostaria de construir, ou colocar alguns tijolinhos a mais, em cima de seu ótimo texto:

– Nao somente no Brasil, mas no mundo inteiro, inclusive em Moçambique, Angola e Cabo Verde, países com populações em sua maioria negra, está necessidade de se aproximar do padrão Europeu de beleza é notória, aberta e constante. A própria população negra se discrima entre si mesma, pela negritude da pele. Quanto mais clara a pele, e mais distante daquele lindo tom negro, melhor. Triste realidade.

– Ainda não encontramos no Brasil, o nosso modelo de inclusão. Precisamos evoluir neste ponto. Simplismente copiar o modelo americano de cotas não funcionou e não funciona. Precisamos sim evoluir inclusive nisto, em encontrar nosso caminho. O racismo Brasileiro como voce mesma ressalta é diferente. E a cura para tal tambem precisa ser diferente, precisa ser nossa, precisa ser Brasileira.

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Gabriela Albuquerque Fevereiro 19, 2019 at 6:33 pm

Perfeito seu comentário Ane. Cada país tem suas próprias divergências e estruturas culturais e não haverá um modelo básico para todos. Mas acho que o respeito e inclusão tem que ser sempre o primeiro passo em qualquer lugar e qualquer situação. Beijos! 🙂

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Jaqueline Cruz Fevereiro 17, 2019 at 5:05 pm

Oi Gaby o texto é bem coerente, concordo com tudo, só peço pra se for possível trocar esse termo mulato pq é extremamente ofensivo, procure mais a respeito da história dessa palavra, parabéns pelo texto. Um abraço

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Gabriela Albuquerque Fevereiro 19, 2019 at 6:06 pm

Muito obrigada pelo toque! Vou pesquisar e trocar agora mesmo. A gente tem sempre o que aprender.. Beijos! 🙂

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Roberta Fevereiro 18, 2019 at 8:47 pm

Gabriela, me desculpe, mas seu artigo, apesar de você dizer que acha triste o cenário racial brasileiro, você pouco sabe desse assunto. Me sinto super insultada com sua opinião. Por favor, escreva algo mais profundo, com mais embasamento teórico, cientifico.

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Gabriela Albuquerque Fevereiro 19, 2019 at 6:13 pm

Olá Roberta. Essa plataforma não permite textos científicos e teóricos, pelo tamanho e também pela proposta. São impressões pessoais baseadas nas vivências de cada colunista, o que relato vêm da minha observação pessoal e não de estudos científicos. Me desculpe, sinceramente se te insultei, mas gostaria de entender porquê, até para rever certos conceitos equivocados que eu possa ter. Aguardo sua resposta. Obrigada!! 🙂

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