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Reconhecimento de diploma e mercado de trabalho em Galicia

Mais uma das preocupações que temos ao decidir se vamos ou não morar fora é como conseguiremos pagar as contas e, uma das saídas (a mais óbvia delas) é conseguir um emprego na nova cidade, que pode ter a ver com a sua formação ou não. Tudo depende dos seus planos e não existe melhor ou pior opção.

No texto de hoje, falarei sobre o reconhecimento do diploma pelo governo espanhol, e também como procurar emprego em A Coruña, e o que esperar do mercado de trabalho.

Reconhecimento do Diploma

Caso você seja uma pessoa que deseja seguir trabalhando na sua área de formação, uma das medidas que podem te ajudar a conseguir um emprego é o reconhecimento do seu diploma pelo governo espanhol – algumas universidades exigem o reconhecimento para a realização de matrícula em seus cursos de mestrado também. Ele é feito mediante homologação, ou equivalência do título. E qual a diferença?

A homologação é mais completa que a equivalência e, por isso, tem mais exigências. Além de todo processo, ela normalmente exige que o indivíduo faça mais alguns anos de faculdade aqui. Quando fui me informar, disseram que apenas Direito e Arquitetura teriam essa obrigação, mas não conheço nenhum estrangeiro (psicólogo, engenheiro, advogado, médico) que tenha conseguido homologar sem essa exigência.

A equivalência, por sua vez, é mais simples mas te dá apenas uma “titulação universitária”, ou seja, existe o reconhecimento de que você tem um título superior mas não especifica a área de formação. Se seu objetivo é prestar concurso público, por exemplo, a equivalência é o suficiente. Já se pretende trabalhar em uma empresa, apesar de ajudar, não é garantia de contratação (e a falta de homologação pode ser um impedimento). Apesar das desvantagens desse processo, essa foi minha opção.

O processo de equivalência costuma demorar bastante (pelo menos um ano), mas pode ser feito ainda no Brasil (através do site do Ministerio de Educación y Formación Profesional da Espanha).

No caso de preferir iniciar o trâmite via internet, deve-se juntar cópia autenticada da documentação exigida (não basta apenas escanear). Já para o caso de fazer diretamente aqui na Espanha, uma cópia simples basta (desde que se leve a documentação original no momento de dar entrada no processo).

 A documentação básica a ser apresentada é:

  • Documento que acredite a identidade do solicitante. No caso de brasileiro, deverá ser o passaporte. Agora, se você tiver a nacionalidade espanhola, pode ser o DNI (RG espanhol), ou passaporte, não tem diferença.
  • Diploma do solicitante (universitário, de mestrado, etc), acompanhado de tradução juramentada e apostilado (apostila de Haya);
  • Histórico Acadêmico, onde deverá constar (i) as matérias cursadas, (ii) o conteúdo e a carga horária de cada uma das matérias, (iii) a nota do aluno durante todo o curso, e (iv) o tempo do curso em anos. O histórico acadêmico também deve ser traduzido e apostilado.

Leia também: O que é a apostila de Haia, onde e como fazê-la

Apesar de essa ser a documentação exigida oficialmente, o governo poderá pedir outros documentos, como por exemplo o DELE (título de proficiência no idioma). Uma das dicas que posso dar é: junte o maior número de “papelada” possível. Nesse caso, é melhor pecar pelo excesso do que atrasar o processo.

Além de apresentar tudo isso que foi dito aí em cima, é preciso pagar uma taxa no valor de 163,22 €, no caso de títulos universitários. Para outros títulos, os valores podem variar. 

Depois de apresentar os documentos, preencher o formulário e pagar a taxa, é só esperar. E a espera, como eu já disse, é longa! Eu, por exemplo, dei entrada no processo em abril de 2018 e até agora não tive nenhuma notícia. Além disso, o governo pode ou não reconhecer seus estudos (dar entrada não é garantia de sucesso), então tenha muita paciência e fé de que tudo vai dar certo!

Procurando emprego na Galícia e A Coruña

Como já dito em textos anteriores, A Coruña é uma cidade bem pequena se comparada com Madrid e Barcelona, por exemplo e, como não poderia deixar de ser, a quantidade de vagas e salários também acompanha essa diferença.

As comunidades autônomas com média salarial mais alta são Madrid e País Vasco, com 1.930 €/bruto ao mês, enquanto Galícia tem uma média de 1.431 €/bruto ao mês. Depois de todas as retenções (que não são poucas por aqui), o saldo é de 357 € a mais nas grandes regiões.

Apesar da diferença salarial entre uma e outra comunidade autônoma, não sei até que ponto isso influencia no dia-a-dia, já que o custo de vida galego é bem mais tranquilo: além dos alugueis não serem tão altos, não existe a menor necessidade de se ter um carro, já que é possível fazer 90% das coisas caminhando (pelo menos em A Coruña).

Mas se a diferença de salário não assusta, a coisa muda de figura quando o tema é quantidade de vagas oferecidas: enquanto em Madrid existem 11.759 vagas de trabalho disponíveis, na região da Coruña esse número cai para nada mais nada menos que 846.

Dessas 846 vagas, a grande maioria está localizada na cidade de A Coruña e em Santiago de Compostela, e o maior número de ofertas é para vendas, tecnologia (TI) e ofícios diversos (que vai desde garçom, passando por atendente de loja e terminando em encanador). 

Para procurar emprego há diversos sites, mas os mais conhecidos por aqui são o infojobs, infoempleo e LinkedIn. Tirando o LinkedIn, que funciona como uma rede social, os demais sites trabalham da mesma maneira: você cadastra seu Curriculum, seleciona as vagas que tem interesse e eles te mandam e-mails periódicos dizendo quais empresas buscam perfis como o seu.

Além disso, existe aqui na Galicia a Oficina de Emprego, órgão público que te ajuda a conseguir trabalho. Para ser considerado candidato a alguma vaga publicada por eles (que não são para trabalhar na administração pública, que fique claro), você só precisa ir até uma das oficinas, se cadastrar e falar o tipo de trabalho que quer. Os trabalhos oferecidos, normalmente, são mais “básicos”, como eletricista, para trabalhar em armazéns, limpeza e afins.

Por fim, existem os concursos públicos, que podem ser prestados por qualquer pessoa nacional ou estrangeira que resida legalmente na Espanha, e atenda aos requisitos de cada um dos editais publicados. Na Galicia é pré-requisito básico ter proficiência no idioma galego, CELGA III (prova de proficiência, como o DELE) na maioria deles, mas se o concurso for nacional essa necessidade desaparece.

Mais uma vez, é preciso ter paciência e resiliência. Como a oferta de trabalho é mais baixa do que em outras regiões, você receberá alguns “não” antes do tão sonhado “venha trabalhar conosco!”, mas se seu objetivo é ficar por aqui e desfrutar da paz galega, vale a pena insistir!

Leia também: Tudo que você precisa saber para morar na Espanha

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