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Roteiro de 7 dias na Escócia

Roteiro de 7 dias nas Highlands da Escócia

Quem me conhece, sabe o quanto eu sou apaixonada pela Escócia. Além de toda a riqueza na sua história, mitos, música e até tradições esportivas (o golfe foi criado por lá, por exemplo), a minha parte favorita são as Highlands: a parte norte do país.

Essa foi a minha quarta visita, e finalmente pude fazer um trecho da rota de carro que está transformando essa região: a NC500. Essa rota na verdade é uma junção de várias estradas que já existiam, mas agora “marketizadas”, elas formam um circuito por toda a extensão das Highlands. A qualidade da pista e manutenção eram excelentes. Como é comum aqui na Inglaterra, muitas vezes as vias só têm uma faixa, o que significa que você precisa dar uma “estacionada” na lateral da pista para deixar o outro carro passar. Em todo o trajeto, a pelo menos cada 100m tinha uma área designada a essa passagem.

Leia também: Dez motivos para a Escócia ser o país mais bonito do mundo

Não se engane, apesar de estar ficando cada vez mais popular, essa área da Escócia ainda é extremamente remota. Sinal de celular é raro, e postos de gasolina também. Supermercados se resumem a pequenas lojinhas locais, apenas com itens essenciais. Mas, obviamente, sempre tem um pub! E vale a pena frequenta-los, pois é possível perceber a intimidade que os locais possuem com esses lugares. Eles vão para ler livros, conversar com os vizinhos, passear com os cachorros. Vai muito além de fish and chips e um pint.

Como eu tinha apenas seis dias, e muitas pessoas recomendaram que, apesar de serem apenas 500 milhas, a rota deve ser vista com calma, eu acabei fazendo praticamente metade dela, e inclui a região do Glen Affric que não faz parte da rota original.

Hospedagem

Decidimos acampar para poder aproveitar ao máximo a natureza incrível da região, e também para economizar. Uma noite para duas pessoas e uma tenda girava em torno de 18 libras. As facilidades dos acampamentos eram boas: banheiros, chuveiros com água quente, e principalmente excelente localizações. Na última noite, nos demos ao luxo de ficar em uma casa do século XIX, ao sul do Lago Ness. Apesar de incrível e impecável, esse tipo de quarto custa mais de 100 libras (a noite com café da manhã).

Camping Glen Affric / Camping Ullapool / Camping Durness /Casa Lago Ness

Foto: Arquivo pessoal

Roteiro

Dia 1

Voo para Inverness + Alugar carro.

Ida para Glen Affric (1h dirigindo, incluindo passar pelo centro de Inverness e também pelo Lago Ness). Montamos a barraca e jantamos em um pub local cheio de cachorros fofíssimos.

Dia 2

Fizemos uma caminhada de 5 horas por toda a volta do lago Affric. A paisagem é super bonita, e a caminhada tranquila (sem muita subida ou descida), porém tivemos azar com o tempo e pegamos garoa durante quase todo o percurso. Também existem opções de caminhada mais curtas para quem preferir.

Leia também: Custo de vida na Escócia

Dia 3

Ida para Ullapool, mas no caminho paramos no vilarejo Beauly. Ele tem esse nome pois, segundo o que contam, a rainha Mary (Queen of Scots) disse “beau lieu” quando chegou nessa área, que em francês significa “bonito lugar”. A estrada até esse trecho é super fofa. Vários cottages antigos, muito florida e arborizada. Ainda não se tem a visão das cadeias de montanhas que terá mais perto de Ullapool, mas vale a pena.

Chegando em Ullapool, o vilarejo era bem menor do que eu esperava. Tem apenas uma ruazinha principal, uns três pubs e alguns restaurantes. De lá é possível fazer alguns passeios de barco pela ilhas próximas. Infelizmente, durante os dias que esteavamos lá, as empresas não estavam funcionando por problema nos barcos. Também dá pra fazer algumas caminhadas de curta e média duração, para apreciar a beleza da vista do oceano com as montanhas ao fundo.

Dia 4

Reservamos esse dia para escalar um pico chamado Stac Pollaidh, com mais de 500m de altitude. Para chegar lá é preciso dirigir cerca de 30 minutos de Ullapool, e para mim foi o trecho da estrada favorito. Cheio de curvas que cortam as montanhas, essa parte da estrada é conhecida como “wee mad road” ou estrada louca.

Escalar não foi tão difícil quanto imaginei e eu sou super inexperiente. Foram 3h no total, considerando uma pausa pra lanchinho e fotos lá no topo. A vista lá de cima é de cair o queixo, e para mim é o que representa as Highlands: montanhas, vales, lagos e mar, sem cidades, sem interferência humana, apenas a natureza mostrando a sua mais bela forma.

No caminho, inclusive cruzamos com um veado selvagem, que pastava por ali. Na estrada, as ovelhas dominam a paisagem, andando pela estrada sem medo de serem atropeladas.

Após a escalada, seguimos em direção às praias, e paramos em um pequeno café com vista para o mar, na região de Polglass.

Dia 5

Estrada novamente, agora em direção ao extremo norte, Durness. No livro-guia que tínhamos, dizia ser o trecho mais bonito de dirigir, e realmente foi. As cadeias de montanhas seguem por todo o caminho, em meio a lagos e pinheiros. Existem praias lindas nessa região, e até cogitamos acampar em alguma, já que na Escócia o “wild camping” é permitido. Porém, o camping que linkei acima e fiquei em Durness, é exatamente em um penhasco, de frente ao mar. Decidimos que um banho quente e acesso a banheiros eram mais importante que nos aventurar em uma praia gelada.

Em Durness, os principais pontos de parada são: caverna Smoo , cujo guia adorou visitar o Brasil na Copa do Mundo, e disse que sua parte favorita da viagem foram os restaurantes self-service! E uma fábrica de chocolate que diz ter o melhor chocolate quente do mundo! Em comparação com o país do chocolate, Bélgica, eu sinceramente preferi a versão escocesa.

Dia 6

Hora de voltar para a região de Inverness. Aproximadamente 3 horas dirigindo. Por lá, decidimos fazer um tour de speed-boat para ver golfinhos e focas. Os lagos e rios da região são ricos em salmão, e os golfinhos vão para lá para se alimentar. Infelizmente os guias disseram que a população está decrescendo a cada ano. Tivemos sorte de ver dois golfinhos e mais de trinta focas banhando-se ao sol. Outro ponto alto do passeio foi o piloto do barco nos deixar dirigi-lo, não sei se é algo comum aqui, mas nas duas vezes que fiz passeios de barco no Reino Unido, eles oferecem essa opção.

Dia 7

Como falei no começo, nos demos ao luxo de uma excelente hospedagem para finalizar a viagem. O quarto tinha vista para o lago Ness, e pela manhã fizemos uma caminhada na região sul do lago. Passando por uma famosa cachoeira chamada Falls of Foyer, que inspirou poteas e artistas como Robert Burns. Como já havia visitado o Castelo Urquhart anteriormente, optei por não fazê-lo novamente, mas totalmente recomendo para quem nunca foi. Hora de voltar para Londres, em um curto voo de 1h e meia.

Eu sempre irei recomendar uma viagem para as Highlands. A sensação de estar remoto em meio à natureza, faz você focar no presente. Algo que deveríamos fazer todos os dias, mas que a rotina acaba nos consumindo. Ir para a Escócia faz me sentir em paz, e relembrar a simplicidade da vida.

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