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Selvbetjening e a cultura do faça você mesmo na Dinamarca

Autonomia é uma palavra muito adequada para identificar um traço bastante apreciado da personalidade dinamarquesa. Portanto, é de se esperar que no país exista uma cultura muito forte do ‘faça você mesmo’ em praticamente todos os setores da vida, algo que se espera também de quem venha morar na Dinamarca. O cidadão é responsável por coisas desde as menos complicadas, como separar seu próprio lixo e o depositar nos coletores adequados, a coisas mais complicadas, como calcular, verificar e informar à Receita Federal local (SKAT) se o imposto que está pagando está correto ou se tem que pagar a mais, ou se tem dinheiro a receber de volta.

A Escandinávia e países do norte europeu em geral possuem esse laço que os une, essa cultura do faça você mesmo que faz com que a gente se torne pedreiro, marceneiro, contador, decorador, especialista em tecnologia, gerente de banco, cabeleireiro, doméstica, tudo em uma só pessoa. Essa cultura também agrega um fator muito importante: a proatividade, ou seja, você tomando as responsabilidades para si, fazendo o que tem que ser feito sem esperar que alguém faça por você. Isso se reflete em todos os aspectos da vida na Dinamarca – no trabalho, na vida social e em família.

Praticamente todos os serviços no país possuem autoatendimento (o selvbetjening de que trata o título), e toda a comunicação pública entre o cidadão e o governo é feita de maneira eletrônica; ou seja, ninguém deve ir ao escritório da prefeitura ou outros órgãos públicos para emissão de certos documentos como o cartão de saúde, por exemplo. O autoatendimento online nesse setor é obrigatório por lei, conforme se pode ler no site dos serviços públicos daqui, o Borger.dk.

E não pára por aí. Nas bibliotecas públicas as pessoas emprestam livros em sistema de autoatendimento, utilizando o seu cartão de saúde para registrar a saída do livro e seu retorno, quando devolvido. O correio, por sua vez, igualmente possui centrais de autoatendimento para envio e recebimento de correspondências e encomendas.

Portanto, se vier morar na Dinamarca prepare-se para o fato de que pode ser você mesmo fazendo o que no Brasil seria, muitas vezes, feito por terceiros.

Vou tentar detalhar um pouco pra vocês entenderem melhor sobre o que estou falando.

Sistema bancário 

Fila de banco, por aqui, é coisa do passado. Poucas e raras são as vezes em que se vai aos bancos. Para o pagamento de contas, tudo é feito eletronicamente: as pessoas pagam pelo banco eletrônico, direto do seu computador em casa, usando o código do boleto (girokort). Contas mensais como aluguel e contas de despesa (energia, aquecimento) normalmente são debitadas automaticamente do salário depositado na sua conta bancária, usando-se uma conta ‘budget‘ que pode ser aberta pelo seu gerente de conta mediante sua solicitação. Você ainda pode contratar no banco um serviço onde é possível visualizar os gastos por ano, semestre, trimestre ou mensalmente e verificar o quanto você gasta de acordo com o tipo de despesa, planejando melhor seu orçamento. Com a conta ‘budget‘ o risco de inadimplência diminui e você fica descansado com o vencimento das contas, já que tudo é debitado automaticamente.

Reformas e consertos em casa

O país apresenta uma das mais altas taxas tributárias do mundo, que se reflete também no preço dos serviços. Contratar um pedreiro, encanador, eletricista, marceneiro ou outro profissional especializado sai bem caro, especialmente porque esses profissionais têm de frequentar cursos de qualificação antes de exercerem sua profissão e tudo é regulamentado, praticamente inexistindo trabalho informal no setor. A regulamentação e especialização dos profissionais consequentemente encarece o serviço e, por conta disso, muita gente acaba arregaçando as mangas para dar conta de serviços como instalação de lustres, pintura das paredes, uma reforma no piso e montagem de móveis, por exemplo. É muito comum e ninguém se sente menor por botar a mão na massa, havendo ainda quem transforme as reformas e consertos num passatempo. Tem até programa de tevê onde os participantes devem reformar uma casa, que é dada como prêmio para a dupla de construtores amadores mais votada.

Autoatendimento nos supermercados, lojas e aeroportos

A rede Dansk Supermarked lançou há algum tempo caixas com autoatendimento nos supermercados Bilka, Føtex e Netto. Nesses terminais o próprio cliente registra suas compras e paga usando o cartão de crédito, débito ou um sistema chamado MobilePay, que permite fazer pagamentos eletrônicos e transferências bancárias através do celular. Tanto compras grandes quanto pequenas podem ser registradas e pagas nesses caixas e há sempre um atendente por perto para socorrer em caso de algum erro das máquinas, falta de código do produto ou simplesmente para auxiliar o cliente a se habituar com o sistema. Também se pode pagar com dinheiro em espécie nesses caixas. A rede sueca IKEA também apresenta caixas com autoatendimento em suas lojas na Dinamarca. Pouco a pouco vemos que a tendência é que mais e mais lojas adotem esse sistema, inclusive companhias aéreas. No aeroporto de Kastrup em Copenhague, por exemplo, já é possível se beneficiar do sistema de autoatendimento nos terminais de embarque.

Terminal de autoatendimento no supermercado Føtex. Foto: www.b.dk
Terminal de autoatendimento no supermercado Føtex. Foto: www.b.dk

Serviços de estética e cuidados pessoais

Estes também são serviços caros e embora haja profissionais (inclusive brasileiros) atendendo bem nesse setor, é bastante comum que as pessoas façam em casa a depilação, tintura, sobrancelha, manicure e pedicure. Alguns até se arriscam a cortar o próprio cabelo, como eu. Cuidar do próprio cabelo, mãos e pés representa uma grande economia no orçamento mensal, pois um corte de cabelo ou uma ida à manicure custa cerca de 300 coroas. Na manicure, se for somente para pintar as unhas, o valor fica entre 100 e 150 coroas.

Exames preventivos, consultas e receita de remédios online

Não existe uma difusão da cultura de prevenção de doenças na Dinamarca como existe no Brasil. As pessoas por aqui costumam procurar o médico somente quando não dão mais conta da dor ou do sofrimento, ou mesmo porque em muitos casos o exame é superficial e o paciente vai pra casa medicado com paracetamol e só. Se você faz parte de algum grupo de risco para determinadas doenças, pode pedir exames preventivos ao seu médico de família, porém o pedido terá que partir de você, pois o médico não sugerirá espontaneamente, mesmo conhecendo os fatores de risco. Exames como papanicolau e preventivos de câncer do colo do útero devem ser solicitados ao seu médico, que irá avaliar o caso e encaminhar a solicitação ao hospital onde será feito o exame. Exames de diagnóstico simples são executados no próprio consultório, como mencionado no meu artigo sobre saúde. É possível se consultar, fazer perguntas, solicitar prescrições de remédios e agendar consultas online, bastando para isso acessar o portal da clínica onde você é atendido.

Declaração do imposto de renda 

É geralmente feita pelo próprio cidadão, seja pessoa física ou jurídica. São poucas as pessoas que usam os serviços de um contador; o fator preço é sempre uma constante que compele a autossuficiência do indivíduo a declarar, ratificar e/ou retificar a declaração.

Serviços domésticos

Na Dinamarca a grande maioria das pessoas limpa a própria casa, cozinha e lava as próprias roupas. Em alguns casos, os mais idosos podem optar pelos serviços de uma diarista quinzenal, subsidiado pelo governo. Contudo, esse serviço para idosos parece estar com os dias contados, já que o governo que tomou posse em junho de 2015 começou a impor mais dificuldades para o acesso ao serviço. Hoje em dia, somente idosos julgados incapacitados de fazer serviços domésticos é que podem solicitar essa ajuda, ou têm que pagar a diarista do próprio bolso.

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24 comentários

Thais Cunha Abril 10, 2016 at 2:41 am

Engraçado ver a diferença de pensamento! Aqui no Qatar é totalmente o oposto. Chega ao absurdo de ter um funcionário no banheiro pra te dar papel pra você secar a mão. Empregados no aeroporto para te dar o carrinho de mala ( e outros que recolhem). Tem funcionário pra tudo! Me sinto incomodada!

Resposta
Cristiane Leme Abril 10, 2016 at 9:05 pm

Thais, no Brasil também tem isso nos metrôs e terminais de ônibus; lembro de já ter visto em vários lugares em SP, como no terminal Barra Funda e Jabaquara, tinha gente no banheiro distribuindo papel, mas era para contenção de despesas, porque o povo acha que pode desperdiçar só porque é público. Os banheiros públicos no Qatar são pagos como alguns no Brasil? Por falar em banheiro, em geral nos banheiros públicos na Dinamarca não tem papel para secar as mãos – é só o secador de mãos; se quiser secar as mãos com papel, tem de usar o do sanitário.
Eu também me sinto incomodada se tem gente toda hora querendo me servir em tempo integral. No Brasil eu achava extremamente irritante o comportamento das vendedoras em algumas lojas, que ficavam no seu rastro mesmo você tendo dito que está só olhando… É como um tipo de assédio, não sei explicar. Gosto principalmente do fato de aqui a gente poder resolver tudo online, até com o gerente da minha conta no banco.

Resposta
Elias Abril 10, 2016 at 6:05 pm

Olá Cristiane! Muito bom o seu post. Fico pensando justamente nisso quando fico numa longa fila de banco ou serviço de correio, rs. As vezes isso é inevitável, principalmente serviços de correio (como envio de correspondências), que por aqui não há opção “self-service” e feito somente em um lugar só. Tudo fica mais fácil e cômodo quando nós mesmos podemos fazer isso, o que não é impossível. Muito obrigado, foi muito bom saber de tudo isso!

Resposta
Cristiane Leme Abril 10, 2016 at 8:56 pm

Eu é que agradeço pela leitura e pelo comentário!

Resposta
Regina Oki Abril 10, 2016 at 8:21 pm

Muito interessante e instrutivo o texto. Em determinados momentos, salvo pela moeda e pelos nomes, parecia que eu estava lendo sobre a Holanda. Aqui, também, a cultura do “faça você mesmo” é altamente difundida. Meu vizinho (aposentado) atrasou uma viagem por uma semana para poder instalar o piso da casa da filha, que acabara de se mudar. Tenho um amigo médico que, certa vez, pediu ao meu marido que fosse ajudá-lo na instalação de um piso laminado. São muitos os exemplos de profissionais bem sucedidos que se sentem orgulhosos de “colocar a mão na massa”. Um grande abraço!

Resposta
Cristiane Leme Abril 10, 2016 at 9:19 pm

Obrigada por ler e comentar, Regina! Realmente a Holanda e a Dinamarca têm muito em comum, já comentamos, Cintia e eu, uma vez 🙂
Por esses lados não existe a frescura de ‘eu sou dotô’ ou posição social para justificar supostos privilégios; acho fantástico!

Abraços

Resposta
Elisa Abril 11, 2016 at 6:10 pm

Acho que essa cultura do faça você mesmo está muito relacionada aos países de primeiro mundo. Moro aqui no Canadá e o DO IT YOURSELF está impregnado em todos os setores, assim como na Dinamarca.
No começo foi meio estranho, mas a gente se acostuma, fica independente e descobre dons que não sabíamos que tinhamos.
Hoje eu já virei manicure, cabeleleira e maquiadora profissional, Aprendi a cozinhar pratos super inusitados, passo roupa como ninguém e sem falar nos milhares de pequenos consertos domésticos que eu já fiz hahaha

Resposta
Cristiane Leme Abril 14, 2016 at 7:37 am

Oi, Elisa, e obrigada por ler e comentar.
Eu prefiro dizer que a cultura do faça você mesmo é mais difundida em países desenvolvidos do que nos emergentes ou em desenvolvimento. A expressão ‘país de primeiro mundo’ me soa antiquada, excludente e inadequada para o mundo em que vivemos atualmente. Mas, olha, tem gente que mesmo morando em países emergentes é adepto do ‘faça você mesmo’: eu sou um exemplo, e tem outro comentário aqui de uma pessoa que também mora no Brasil e segue a mesma “filosofia”, hahaha!
Acho que quando a gente aprende a botar a mão na massa, começa a valorizar mais os profissionais que nos atendem, mesmo que venhamos a ser até melhores que eles – pelo menos, é minha impressão pessoal.

Espero que continue acompanhando as publicações sobre a Dinamarca e bem-vinda ao time 🙂

Resposta
Francisco Nobre Abril 12, 2016 at 7:39 pm

Excelente isso. Apesar de viver no Brasil, sempre fui adepto desse “faça você mesmo”. Sempre instalei meus móveis, pintei minha casa, troquei lâmpadas e chuveiros e quase que se relacione a eletricidade e hidráulica. Sempre fiz minha declaração de renda (e de minha família), cuidei de meus filhos e tudo o mais. Somente lamento a questão de não incentivar a medicina preventiva. Alguns povos, me parece que temem ser chamados de fracos se optarem por um checkup anual ou bianual, pelo menos. Para mim, isso é essencial. Muito sofrimento seria evitado com tal prática.

Resposta
Cristiane Leme Abril 14, 2016 at 7:20 am

Oi Francisco, e muito obrigada por ler e comentar.
Também sou dessas pessoas que são adeptas do ‘faça você mesmo’ desde o Brasil. Sobre a prevenção aqui na Dinamarca, concordo que algo deveria ser feito a respeito, ainda mais por conta do envelhecimento populacional, isso provavelmente pouparia gastos no futuro a longo prazo para o sistema público de saúde dinamarquês. Entretanto, as pessoas são um pouco desconfiadas em relação à prevenção. Entre 2014 e o ano passado foi feita uma campanha de vacinação preventiva de meninas adolescentes contra o vírus HPV e 422 mil meninas ficaram doentes depois da vacinação, porque pelo que li, a vacina não era comprovadamente segura contra efeitos colaterais. Mas a questão da prevenção também está diretamente ligada ao faça você mesmo, por aqui; se a pessoa desejar ela pode pedir todos os exames preventivos ao seu médico. A premissa é: sua vida, sua saúde, seu interesse.

Continue nos acompanhando, abraços!

Resposta
Diego Abril 19, 2016 at 5:35 pm

Que bacana, No Brasil essas coisas ainda são bem limitadas. Eu mesmo tive que ir umas 3 ou 4 vezes ao banco so para poder trocar uma senha e desbloquear meu cartão.

Resposta
Cristiane Leme Abril 20, 2016 at 10:54 pm

Por aqui a gente praticamente só vai ao banco para abrir a conta. A senha nos é enviada pelo correio e trocamos, em casa, pelo netbank, por uma senha de nossa preferência.

Resposta
Jefferson Trindade Abril 20, 2016 at 2:14 am

Olá Cristiane!

Conheci o blog hoje mesmo e a maioria dos posts que gostei foram os seus. Você escreve muito bem, parabéns!

A respeito deste post, acho incrível toda essa possibilidade das pessoas terem a liberdade e facilidade para resolver as coisas, mesmo sendo no supermercado! Espero que haja toda, ou maior parte, dessa postura de autonomia aqui no Brasil!

Cris, a respeito da Dinamarca, não encontrei posts que se referiam a cultura LGBT no país. Sei que as pessoas tem uma mente muito aberta quanto a isso e a liberdade de gênero, mas, se possível, por gentileza, poderia relatar essa questão em algum post futuro?

Creio que toda essa informação seria muito útil para este público, principalmente se você conseguisse nos relatar pensamentos de alguns dinamarqueses que são héteros ou não em relação a cultura LGBT e como o mesmo se sente sendo ele mesmo, seja em Copenhague ou nas demais cidades.

Li seu post “Dinamarqueses e o amor” e fiquei muito intrigado se o cenário de casais gays é o mesmo que de héteros e de que forma a sociedade convive com isso.

Ficaria muito grato se isto acontecesse.

Espero ver cada vez mais posts seus aqui! 🙂

Abraços,
Jefferson

Resposta
Cristiane Leme Abril 20, 2016 at 10:49 pm

Olá, Jefferson, e muito obrigada por ler minha coluna no Brasileiras Pelo Mundo, a qual espero continuar escrevendo pelo tempo que puder!
A sua sugestão é muito importante e embora eu tenha pincelado algo sobre a comunidade LGBTT em alguns dos textos, concordo que está mais do que na hora de preparar um artigo a respeito do assunto. Obrigada pela ótima sugestão!
Para dar alguma informação a você de imediato a respeito, o que posso dizer é que conheço e tenho amizade com casais homoafetivos (tanto homens quanto mulheres) e não os vejo sendo tratados de forma diferente na sociedade. Todos trabalham, estudam, têm suas vidas, seus filhos, seus animais de estimação; alguns são casados, outros, são namorados, e não os vejo sendo questionados sobre sua orientação sexual. Porém isso é a minha visão dos fatos. Vou conversar com eles e inclusive com dinamarqueses héteros para saber o que pensam. Os dinamarqueses héteros que eu conheço e com quem convivo não têm problema nenhum em conviver, trabalhar e ter amizade com pessoas de orientação homoafetiva.

Mais uma vez agradeço a leitura, a sugestão e os elogios. Muito obrigada por comentar e continue nos acompanhando!
Abraços primaveris pra você 🙂

Resposta
Maria de Fátima Cruz Aaen Maio 9, 2016 at 2:19 pm

Cristiane,

Fui casada com dinamarquês e morei na Dinamarca, entretanto estou divorciada, na Dinamarca desde 1999, Como não queria mais casar, nunca me divorciei no Brasil, mas agora isso está causando muitos problemas na minha vida civil. Sou também Bacharel em Direito.

Perdi o contato com o meu ex marido dinamarquês e gostaria de saber se existe algum site dinamarquês que me possibilite saber se ele ainda está vivo (atualmente tem 65 anos). Já procurei no facebook sem sucesso. Por gentileza, me ajude.

Um abraço,

Fátima

Resposta
Cristiane Leme Maio 9, 2016 at 3:40 pm

Fátima, obrigada por ler o Brasileiras Pelo Mundo.
Desconheço algum site dinamarquês onde se possa obter tal informação. Minha sugestão é que você consulte o http://www.krak.dk com o nome completo dele para ver se consegue alguma informação como endereço ou número de telefone. Como há muitos homônimos, pode ser que não encontre na primeira busca, mas é um caminho pra começar. Outro caminho seria consultando na prefeitura da cidade onde ele morava (ou de onde você tem o último endereço dele). Pelo nome completo, data e local de nascimento é possível encontrar o CPR da pessoa e como no seu caso acredito que o esteja procurando para resolver o divórcio, creio que fornecerão as informações de que precisa.
Não sou advogada mas acredito que em casos como o seu é possível entrar com pedido de divórcio no Brasil mesmo sem saber o paradeiro do cônjuge, dado o fato de que já está divorciada na Dinamarca. Para isso seria necessária uma carta de averbação do divórcio na Dinamarca.
Espero ter podido ajudar.
Abraços e boa sorte!

Resposta
Elias Maio 9, 2016 at 6:02 pm

Respondendo a Maria, hoje é possível entrar com ação de divórcio litigioso, mesmo não sabendo o paradeiro da outra parte (neste caso, do seu ex-marido). Só não sei como isso vai funcionar com um estrangeiro, pois se ele fosse brasileiro ele iria ser “citado por edital” (quando for esgotada todas as tentativas de localizar a parte). Se tiver todas as informações pessoais dele (que vai constar em sua certidão de casamento), mesmo sem saber o endereço, é possível fazer esse pedido. Se tiver a documentação do divórcio feito na Dinamarca, melhor ainda. Um advogado (ou defensor público, no caso de você ser hipossuficiente) pode te orientar melhor sobre isso, mas que é possível divorciar sem a necessidade de localizar e ouvir a outra parte, isso eu tenho certeza. Nossa legislação atual reconhece que uma pessoa não é obrigada a manter um matrimônio que, de fato, foi desfeito há muito tempo. Espero ter te ajudado.

Resposta
Cristiane Leme Maio 11, 2016 at 11:14 pm

Fátima, existe uma ferramenta online paga chamada Spokeo que pode lhe ajudar a encontrar a pessoa que procura. Procure na Internet por essa ferramenta.

Resposta
Giselle Junho 18, 2016 at 12:09 am

Ay…da ate um gelo quando vejo a maquininha do auto atendimento no Fotex…a primeira vez que usei aquilo, meu filho encostava, apitava, tira tudo de volta da sacola e comeca tudo de novo…foram umas tres vezes…eu, meu filho e meu marido. Foi muito pra minha cabeca…encostava, apitava, comeca tudo de novo, traumatizei…hahaha. Adoro seus textos sobre a Dinamarca. Tenho umas historinhas engracadas tbm sobre o lixo, carteiro e neve, celular em cima da mesa esquecido. Sao coisas pequenas que fazem o todo parecer tao diferente. Mas no fundo me sinto em Curitiba, so nao com tantas “diferenciacoes,” mas o povo eh igualzinho. E o que me assustou na Dinamarca porque ja tem no DNA, foi o tal do jeitinho, esquece ne…nao tem jeitinho pra nada, ou eh ou nao eh. A sinceridade absurda eu acho genial, mas tbm me assusta um pouco, a maneira como eles conseguem ser sinceros, as vezes me lembra as criancas. De tao natural que eh. Obrigada pelo site Cris. Adoro te ler. Bjoks.

Resposta
Cristiane Leme Junho 18, 2016 at 10:21 pm

Obrigada por sempre ler e me acompanhar por aqui 🙂
Eu também tenho umas histórias engraçadas daqui e da Alemanha, talvez um dia escreva sobre elas. Eu sou super fã de autoatendimento e isso, desde o Brasil, onde eu já fazia tudo o que podia online ou por telefone.
Sou super suspeita pra falar da franqueza dinamarquesa pois eu mesma sou super franca e isso assusta as pessoas. Adoro que aqui não tem o jeitinho!
Precisamos marcar um bate-papo, você já está aqui em definitivo? Me escreva depois. Beijos

Resposta
Laura Novembro 18, 2016 at 4:50 pm

E as estrangeiras que vão morar aí sozinhas? Conseguem se virar bem no quesito “conserto da casa”?
Fico imaginando essa situação, já que no Brasil as meninas não são acostumadas a fazer esse tipo de serviço.

Resposta
Cristiane Leme Novembro 18, 2016 at 6:27 pm

Laura, as mulheres brasileiras vivem numa cultura machista em que há papéis designados para ambos os sexos e onde se espera uma infantilização da mulher (meninas?). A situação é diferente na Dinamarca. Quem não consegue se virar sozinha no conserto da casa tem a opção de pagar por um ajudante. É bom saber que custa caro, mas a opção existe.

Obrigada por ler e comentar e continue nos acompanhando! 🙂

Resposta
Maria Teresa Vasconcelos Março 28, 2017 at 8:42 pm

Cristiane, gostei do seu artigo. Interessante, pois assim como voce, sou brasileira e residente na Dinamarca a 25 anos. Entretanto acredito, que uma das razoes fundamentais da cultura “gøre selv” e o fato que a Mao de Obra especializada e cara, nao so por causa dos impostos (skat), mas por que o custo com os salarios e alto. Todos os servicos aqui sao caros, quando comparados em países como por exemplo Brasil, India, etc
Em algumas circunstancias o “faca vc mesmo” acrescenta boas experiencias a nossa vida, mas em alguns casos, abre portas para a necessidade de aceitarmos nossas proprias limitacoes (quando nos deparamos com atividades, as quais nao damos conta, seja por falta de talento ou de capacidade).

Resposta
Cristiane Leme Março 28, 2017 at 10:20 pm

Maria Teresa, obrigada por ler e comentar.
A composição salarial é um fator importante, sim, bem observado.
A porta da necessidade de aceitar nossas limitações serve, na minha opinião, para aprendermos a valorizar os prestadores de serviços e seu trabalho, coisa que acabamos desvalorizando no Brasil.
Abraços e espero que continue nos acompanhando!

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