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Ser mulher na Costa Rica

No mês de março celebramos o Dia Internacional da Mulher. Essa data tem sua origem no ano de 1909, nos Estados Unidos, quando um grupo de mulheres da indústria têxtil fez uma greve na cidade de Nova Iorque, exigindo melhores condições de trabalho. Os anos passam e as reivindicações ainda estão por aí, e eu penso que por parte de ambos os gêneros. Neste texto, quero comentar um pouco sobre ser mulher na Costa Rica e dentro do meu contexto, de engenheira, além do que tem sido feito por aqui para incluir todos em tudo.

Eu sou engenheira, sabia que queria ser engenheira desde os meus 12 anos de idade. Fiz Mecatrônica e Engenharia Elétrica, trabalho na área e vim para a Costa Rica por trabalho. Sim, já enfrentei muito preconceito por ter uma profissão “masculina”, trabalho com pessoas do mundo inteiro, e no mundo inteiro tem gente que te trata bem e que te tratam mal. Já escutei que não gostariam de trabalhar comigo somente pelo fato de eu ser mulher, que a engenharia não era o meu lugar, blá, blá, blá… Na hora dá muita raiva e vontade de ser mal-educada, mas o importante é ignorar esses comentários pois, você define o profissional que vai ser e o meio te dá as ferramentas, você deve usá-las corretamente e a seu favor.

Em um outro post, me perguntaram como era essa questão de gênero na Costa Rica. Eu acho que aqui é bem trabalhado e estão dando espaço a todos, eu que fiz engenharia talvez sofra o mesmo preconceito que o rapaz que decidiu ser bailarino ou, por exemplo, o chefe de cozinha, que quando criança queria brincar de cozinhar e não de carrinho e futebol. O importante é não limitar e não se limitar.

Na Costa Rica eu participo de um grupo na empresa chamado Women in STEM. STEM é uma abreviatura que significa Science, Techonology, Engineering, Math (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática). O grupo tem o objetivo de aproximar as pessoas dessas áreas. Não é todo mundo que gosta delas e que quer trabalhar com elas, mas todo mundo as usa, mesmo que não perceba. Temos um enfoque no universo feminino, claro que sim, mas todo mundo pode participar desse grupo, homens e mulheres. No mês de março é promovida a Semana STEM, cujo objetivo é divulgar, dentro da companhia, as mulheres e os homens que estão fazendo grandes progressos e ajudando a mesma a crescer. Neste ano o tema escolhido foi: “STEM for everyone“.

Projetos na Costa Rica voltados às mulheres

MenTe en Acción: Esse projeto, da organização Ideas en Acción, é um programa de 12 semanas desenhado para mulheres de baixa renda com idades entre 13 e 19 anos. O objetivo é dar a elas a oportunidade de conhecer mais sobre o STEM, com aulas técnicas e práticas em laboratórios. O programa é patrocinado por grandes grupos da Costa Rica.

Proyecto Emprende: Tem como objetivo ajudar as mulheres empreendedoras do país, fortalecendo suas capacidades empresariais e potencializando suas autonomias econômicas.

1-2-3 a moverse: Trabalha com mães de famílias em área de risco social, dando a elas formação, desenvolvendo seus potenciais, autoestima, confiança e resiliência.

CEFEMINA: Tem um foco na defesa e na promoção dos direitos das mulheres, especialmente daquelas que por sua condição sofrem ainda mais com o preconceito e com a discriminação, como as que têm alguma deficiência física, mental, imigrantes, adolescentes e prostitutas.

TIC-as: TIC significa Tecnologia, Informática e Comunicação. TiC-as é uma maneira de se referir à mulher costarriquense também conhecida como “tica“. É um projeto liderado pela Cooperativa Sulá Batsú com o apoio econômico do Fondo para la Igualdad de Género da ONU-Mujeres. Tem o objetivo de criar condições de emprego e trabalho nessas áreas (TIC), para as mulheres que vivem na zona rural.

INAMU (Instituto Nacional de la Mujer): É uma instituição pública que lidera a promoção e proteção dos direitos da mulher na Costa Rica, e atua no país desde 1974. No site do Instituto eu encontrei alguns números interessantes: 17.5% das mulheres na Costa Rica ocupam cargos “masculinos” e 43% dos homens ocupam cargos “femininos”. A taxa de desemprego entre as mulheres é mais alta que entre os homens, e algumas profissões os números se equiparam.

Todas essas instituições têm um trabalho voltado para a mulher dentro da sociedade costarriquense, assim como têm projetos bem bacanas voltados ao público masculino. Todo mundo sai ganhando com isso.

Do que eu vejo da rotina das mulheres na Costa Rica, não muda muito em relação ao Brasil, ou seja, cuidar dos filhos, da casa, da vida, do marido, da profissão, de si mesmas. O ponto que talvez seja um pouco diferente é que aqui as empresas e escolas não têm refeitório como no Brasil, quer dizer, tem, mas não é uma regra, e a maioria das pessoas leva sua marmita para o trabalho. É comum ter uma parede cheia de micro-ondas para que as pessoas possam esquentar suas comidas e isso é uma coisa bem cultural porque até nas escolas tem isso, as crianças que ficam o dia todo na escola levam lanche da manhã, almoço e lanche da tarde. Sendo assim, quem quer levar a sua comida, tem que previamente cozinhar, além de arrumar as marmitas diariamente… Já escutei histórias de várias pessoas diferentes, na maioria delas essa tarefa é compartilhada entre o casal. Babás são comuns e a maioria dos casais tem filhos, sendo assim, não é raro a própria babá precisar de uma outra babá para poder ir trabalhar.

Leia mais sobre sistema de ensino na costa Rica!

Trabalho com outras engenheiras, trabalho com mulheres que ocupam cargo de supervisão, coordenação, etc. Tem espaço para todo mundo!

Para encerrar, gostaria de trazer o nome da Sandra Cauffman, uma costarriquense, engenheira que trabalha na NASA, onde tem o cargo de subdiretora da Divisão de Ciências Terrestres – divisão responsável pelas missões que são enviadas ao espaço para estudar a Terra.

Nesse documento, Mujeres destacadas de Costa Rica, encontrei uma lista de mulheres costarriquenses em destaque. Confiram!

“Ni histéricas ni reinas… Ciudadanas”. Flores Salazar, Ana Lorena.

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