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Sistema de saúde na Áustria

Sistema de saúde na Áustria.

Em mais um artigo sobre a vida prática, hoje, vamos transitar pelo sistema de saúde público austríaco.

Deixarei de falar no sistema privado por desconhecê-lo.

Credenciamento:

Uma vez que você esteja legalizado no país e, ou trabalhe aqui ou seja casada com um nativo que aqui trabalhe, você terá direito a usufruir do sistema de saúde público da Áustria. Através do seu empregador ou do seu marido/esposa, tudo é feito automático. Após os trâmites de praxe, você estará devidamente registrada junto à infraestrutura de saúde nacional.

Cada membro da família recebe um cartão com chip, chamado E-card, que contém o número de registro da pessoa junto ao sistema de saúde. Se você, por acaso, perder ou extraviar o cartão, mas souber seu número de cor e ainda estiver devidamente vinculado ao sistema, você também será atendido sem problema nenhum. Portanto, a dica que deixo é: decore seu número e evite extraviar seu cartão de saúde.

Marcação de consultas:

Uma vez dentro do sistema, você tem direito a escolher o médico de sua preferência. Na grande maioria das vezes, a busca se dá ou pela Internet (deixo aqui o site que utilizamos aqui em casa) ou por indicação de conhecidos.

Pelo site que disponibilizei acima, você fica sabendo quase tudo sobre o(a) profissional, como, por exemplo, se atende pelo sistema público (GKK) ou apenas pelo sistema privado; se é necessário marcar consulta ou apenas se deslocar ao consultório e ser atendido pela ordem de chegada; os comentários dos pacientes sobre atendimento, tratamento, limpeza, cortesia do(a) médico(a) e de sua equipe; datas e horários de atendimento; telefone e endereço.

Mesmo que você tenha recebido uma indicação, você pode lançar o nome do(a) profissional no portal acima e verificar os detalhes que necessita saber.

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Muito bem, feita a escolha, quando chegar a data de sua consulta, você precisa levar consigo seu E-card. Você o entregará a pessoa responsável pela recepção, ela inserirá o cartão em uma máquina semelhante às maquininhas de pagamento via cartão de crédito, e o devolverá a você. O registro de que você chegou e o motivo pelo qual está visitando o médico já constam do sistema geral. Você pode se sentar e aguardar a chamada.

Aqui na Áustria  há um detalhe a se atentar que difere do sistema brasileiro: a figura do(a) médico(a) de família, Hausarzt/Hausärztin, em alemão, que seria o equivalente ao clínico geral brasileiro. Essa pessoa cuida da sua vida médica em geral, e, quando detectado que há a necessidade de tratamento por um especialista, é ela quem irá assinar a requisição para que você procure um.

Não é, portanto, como no Brasil em que eu sinto dor no pé e vou, direito, a um traumatologista ou sinto dor no peito e vou, direto, a um cardiologista. Não! Mesmo com esses sintomas, você irá ao seu/sua médico(a) de família, ele(a) fará os exames prévios e ele(a) dirá qual especialista você deve visitar para o seu caso específico. Você sairá, então, do consultório com uma requisição, assinada, para visitar um cardiologista, por exemplo. Com esse papel em mãos, você pode procurar um cardiologista de sua preferência.

Consulta:

Nesse estágio, você enquanto brasileiro, pode se chocar em um primeiro momento.

Explico-me: 1) uma grande parte dos consultórios médicos se situa em condomínios de apartamentos residenciais. É, simplesmente, um apartamento transformado em consultório. Para nós brasileiros, isso não é comum, o que causa uma certa estranheza em um primeiro contato. 2) o atendimento é pontual e direto, não durando mais do que 15 minutos, ou seja, o médico não fica conversando além daquilo que seja o motivo da sua visita. Parece terrivelmente frio e até antiprofissional, mas garanto por experiência própria, que as decisões são certeiras. E por que é assim tão esquisito? Porque o sistema público de saúde da Áustria é, realmente, universal, ou seja, contempla todos os cidadãos que a ele estão vinculados. Isso significa que o mesmo médico que me atende, pode atender o Presidente da República, o empresário e o gari. A procura é alta, por essa razão, não há tempo para maiores floreios entre médico e paciente, pois todos precisam ser atendidos. E, por isso, atrevo-me a dizer, o profissional precisa ser o mais assertivo no menor tempo possível. Até onde acompanho, eles desempenham o papel satisfatoriamente.

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A única exceção para toda essa rapidez, ocorre quando você faz check-up, exames de rotina, sangue. No Brasil, vamos buscar o resultado em alguma clínica e depois marcamos consulta para que o médico esclareça nossa situação através dos exames. Aqui na Áustria, na grande maioria das vezes, você recebe o resultado do seu/sua médico(a) de família e, então, ele/ela senta e conversa com você item após item do que consta ali. Faz maiores considerações, pergunta coisas pra você, você pode também dirigir suas indagações a ele/ela e sair de lá tranquilo. É como uma reunião em que ambos participantes interagem. Por essa razão, há alguns profissionais que separam determinados dias e horários para atender apenas essas “reuniões”, pois tomam tempo e podem atrapalhar o andamento normal das demais consultas.

Emergências/Hospitais/Tratamentos:

Quando você tem uma emergência no meio da noite ou durante um final de semana, por exemplo, você pode chamar o socorro médico em casa. Chegará, então, na sua porta uma ambulância com um/uma enfermeiro(a) ou médico(a) e um/uma assistente. Você ou familiar apresentará seu E-card, eles farão o registro e iniciarão a consulta. Verificarão seus sintomas e, se for possível diante do seu quadro, eles irão tratar você em casa mesmo. Se não for viável a sua saúde, eles levam você imediatamente ao hospital mais próximo. Lá, você será revirado a exames até saberem exatamente o que você tem e será ministrado o tratamento adequado a sua situação. Não há nenhuma cobrança extra para isso.

Em circunstâncias muito graves, ao invés da ambulância, chegará o helicóptero no jardim da sua casa, por exemplo, com o(a) doutor(a) para os primeiros atendimentos e remoção direta ao hospital.

Já tomei conhecimento de alguns tratamentos feitos pelo sistema público de saúde em que se paga o valor da consulta, e, após, o sistema lhe ressarce um percentual dessa consulta paga. Por essa razão, algumas pessoas optam por ter sistema público e privado, principalmente quando têm crianças, pois se o público ressarce uma parcela, o privado ressarce a outra, obtendo-se, então, 100% de retorno do valor.

É um alerta que faço, então: informe-se sempre muito bem sobre como o seu caso funciona para evitar surpresas, mesmo estando coberto pelo sistema público.

Medicamentos/Receitas:

A grosso modo, medicamentos contra doenças simples (gripe, infecções leves, etc) que sejam prescritos por receita médica, inclusive antibióticos, custam em torno de 6 euros. O que não necessita de receita (xarope, pastilhas para garganta, comprimido contra dor de cabeça, por exemplo) tem precificação livre de acordo com as regras de mercado, mas até agora nunca pagamos mais de 15 euros por remédios de complexidade baixa.

Odontologia:

Infelizmente, de tudo o que eu explanei acerca do sistema público de saúde austríaco, quase nada se aplica quando o assunto é cuidado dentário. Pouquíssimos são os serviços cobertos pelas caixas de assistência pública. Por experiência própria afirmo que a grande maioria dos serviços odontológicos precisam ser pagos. Por isso, para se evitar sustos antes de se sentar na cadeira, deixo a dica de procurar bem e saber se o profissional cobra alto demais ou não.

Saúde em geral:

Uma grande parcela do povo utiliza o sistema público de saúde. Os recursos de saúde, aqui, são de excelência e de ponta e o sistema de saúde pública é um dos sistemas modelo no mundo, mas claro que, para os nativos, há sempre o que melhorar, nem sempre está bom. Se compararmos com o que temos no Brasil, eu diria que o sistema público austríaco é fantástico. No entanto, se colocarmos o sistema público de saúde austríaco ao lado dele mesmo, até eu terei de dizer que haveria, de fato, algumas melhorias a serem feitas.

Afora essa discussão, tendo um filho pequeno que utiliza desse sistema de medicina pública, afirmo que, por enquanto, não tenho nenhuma queixa ao que nos é proporcionado. Pode não ser perfeito, mas, para nossa realidade de família, ainda é excelente.

Até a próxima!

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5 comentários

Leandro Urban Outubro 22, 2018 at 2:24 pm

Ola Ana,

Tenho cidadania Austríaca e pretendo me mudar para Áustria no ano que vem com a minha família (esposa e dois filhos). A principio irei sozinho e depois eles irão. O que mais me preocupa é sobre o acesso ao sistema de saúde, eu sei que sendo contratado por uma empresa eu acabo tendo direito de utilizar o sistema de saúde, este direito se estende para minha família? Existe a opção de pagarmos um plano de saúde particular até conseguirmos ter acesso ao sistema publico?

Obrigado,

Leandro

Resposta
Ana Dietmüller Outubro 29, 2018 at 9:01 am

Alô, Leandro.

Obrigada por ler e comentar.

Sim, quanto a seres contratado por uma empresa, terás direito a saúde pública austríaca e teus dependentes também. Assim é comigo e com meu filho. Somos dependentes do pai, que é austríaco e funcionário da iniciativa privada.

Existem planos particulares, sim, porém, não conheço nenhum para te fazer uma recomendação.

Te deixo esse site, que fala sobre o assunto: https://www.wienerstaedtische.at/privatkunden/gesund-fit/sonderklasseversicherung/private-krankenversicherung.html?gclid=CjwKCAjw39reBRBJEiwAO1m0OY8G0gJolv52ZWHyAPT4l-kn5I9HyUDuLpLtGMjkll6bPut13PZliBoCUvsQAvD_BwE

Espero ter auxiliado.

Muito boa sorte na mudança e grande abraço.

Resposta
Ana Paula Guizzo Janeiro 16, 2019 at 1:46 am

Boa noite,
Tenho passaporte europeu e daqui a 5 meses vou morar em Salzburg com meu namorado, que está lá ha um ano. Vou começar do zero, ainda sem emprego. Como faço para conseguir o E-card e assim ter direito a saúde pública?

Obrigada.

Resposta
ANA PAULA GUIZZO Janeiro 18, 2019 at 2:40 pm

Olá Ana,

Tenho cidadania italiana e estou indo morar em Salzburg em junho com meu namorado, que está morando lá há um ano. Gostaria de saber o que preciso fazer para estar “legalizada” no país e ter direito ao sistema de saúde publico. A principio irei sem emprego.

Obrigada,
Ana Paula

Resposta
Ana Dietmüller Janeiro 22, 2019 at 8:29 am

Oi, Ana.

Obrigada por ler e comentar.

A princípio para se ter direito ao sistema público de saúde é necessário estar vinculado ao estado austríaco. Classicamente isso se dá através de emprego ou quando tu és empresária. Apenas ter a cidadania italiana, pode ajudar, mas não vincula automaticamente ao sistema de saúde.

Deixo o site do órgão responsável em Salzburg para que possas tirar a dúvida quanto ao teu caso. https://www.sgkk.at/cdscontent/?contentid=10007.741899&viewmode=content

Deixo o site da Embaixada da Áustria no Brasil. Talvez lá também possam te orientar a respeito. https://www.bmeia.gv.at/br/embaixada-da-austria-em-brasilia/

Desejo boa sorte e uma feliz mudança.

Abraço e até a próxima.

Resposta

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