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Sobrevivendo a crise no Japão

Sobrevivendo a crise no Japão.

Uma das muitas dificuldades de vir trabalhar sozinha no Japão, a principio não foi o idioma ou costumes diferentes como muita gente pensa rs, foi morar com outras pessoas num apartamento onde cada uma quer impor seu jeito de cuidar e fazer as regras da casa.

Bom, em primeiro lugar em setembro de 2002, era uma época que ainda existia aqui muitas fabricas de eletrônicos que precisavam de mão de obra, a cada dois ou três meses se lançavam um novo modelos de câmeras digitais e filmadoras para todos os bolsos, gostos ou necessidades, desde os modelos mais simples aos profissionais.

Na cidade onde vim morar tinha uma das mais importantes empresas do ramo de eletrônicos conhecidos em todo o mundo, a Sony.

Emilia linha 890 Em 2004

Quando cheguei não sabia nem como dizer bom dia, boa noite enfim nada… Mas tudo bem, pois eu ia trabalhar com brasileiros que nao eram poucos. Só na Empreiteira que me contratou eram mais de 500 brasileiros e alguns peruanos. Só sentia dificuldades quando precisava ir ao mercado ou coisa assim. Porem, tínhamos os tantouchas, assim chamados às pessoas que davam assistências aos funcionários, desde tradução, levar ao medico e até transporta-los para fazer compras para o mês em grandes supermercados da cidade. Mas logo tive que me virar, pois para ir de uma cidade a outra, tomar trens ou ônibus sem saber nada foi desafiador.

Leia sobre: Dá para morar no Japão sem saber japonês?

Estacao de trens de Omigawa

Conheci uma senhorinha japonesa que dava aulas de japonês pelo Método Kumon, e também era dona de um barzinho e restaurante, muito frequentado por brasileiros pois era um lugar aconchegante. E assim aquela senhorinha chamada Fumio Wada, conhecida pelos brasileiros como Tiazinha do restaurante, começou a ensinar japonês a todos que quisessem aprender e ela assim se desdobrava em ter horários para atender todos. E apesar do método ser por correspondência ela tinha uma sala na casa dela que atendia e dava aula para nós, brasileiros.

Fabrica da Sony 2005

Dificilmente conseguia conciliar horários, pois por vezes trabalhávamos de dia, de repente  trocava e passávamos a trabalhar a noite e eram quase sempre 12 horas , 8 horas normais e três horas extras, bastante cansativo, mas na época valia a pena, pois o salário era bom. E não pense que todos que aqui estavam nao tinham profissão. Entre nós tinham dentistas, advogados, contadores, que vieram trabalhar com a intenção de juntar dinheiro para abrir consultórios, escritórios ou um negócio próprio, pois no Brasil estava difícil.

Mas nem tudo aqui continua e eu parei de estudar por um tempo.  Hoje ainda vou a sala de aula, mas não com ela, pois não moramos mais na mesma cidade.

peças fazendo checagem

Uma pessoa tão especial que ainda hoje somos amigas, e tão amigas que frequentamos a casa uma da outra, viajamos juntas e sempre que pode ela vem a minha casa para que eu de noticias dos outros ex-alunos que voltaram para o Brasil.

A Sony fechou em 2008 e muitos brasileiros voltaram para o Brasil ou foram para outras cidadese, como eu que me mudei para Kamisu, onde moro até hoje.

Na época, a explosão de celulares com câmeras cada vez mais eficientes, fez com que caísse o mercado de câmeras digitais e filmadoras. Na crise de 2008, não só a Sony Omigawa, outras fábricas também fecharam, e a mais recente foi a Sonyde Minokamo em Gifu ken , onde se concentravam muitos brasileiros.

 

Outras grandes empresas que trabalhavam brasileiros como Sharp, Panasony, também fecharam algumas fábricas, fazendo com que muitos voltassem para o Brasil com a ajuda do governo japonês há três anos.  Hoje em dia muitos gostariam de voltar para ca novamente, porem as condições para isso é ter contrato de no mínimo um ano, e aqui dificilmente conseguirão, pois muitos que ficaram até hoje só conseguem contrato por no máximo seis meses, principalmente depois de 2011.

Na época do terremoto, mais brasileiros voltaram para o Brasil deixando tudo, casa, carros, e dívidas como foi muito mostrado nas notícias…., e aí quem ficou muitas vezes ouviu algo como: – Brasileiros são turistas… Coisa triste de se ouvir, pois existe ainda o sentimento de que na hora que mais precisávamos, alguns foram embora sem se preocupar com os que não tinham uma casa para voltar.

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13 comentários

Chris Outubro 31, 2013 at 8:30 am

Bacana sua história, Emilia. Prova de que Brasileiros são fortes e guerreiros, mesmo diante das maiores dificuldades. Eu não concordo com essa imagem de que os “brasileiros abandonaram tudo”. Não crescemos acostumados a esses tipos de catástrofes naturais e ficamos muito assustados e perdidos, principalmente em um outro país. Eu passei por alguns tremores no Chile e a sensação é horrível, imagine pra quem passou por um terremoto tão devastador como esse.
Muito sincero e bonito o seu texto! =)
bjão

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Emilia Hanashiro Novembro 1, 2013 at 1:27 am

Eu também na verdade entendo a atitude das pessoas que foram embora, mas para os japoneses que tinham que como dirianos, sacudir a poeira, se levantar e lutar pois não tinham uma segunda opção como os estrangeiros que ainda tinham uma casa onde voltar.
Eu também tinha essa opção, mas escolhi ficar,pois tinha acabado de comprar uma casa aqui, muito embora nas três primeiras noite apos o terremoto la no abrigo, nem sabia se ia encontrar minha casa de pé, ou tinha sido levada pelo tsunami.

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Ana Cristina Kolb Outubro 31, 2013 at 9:15 am

Parabens pela coragem e força de vontade de viver toda esta experiência e pelo texto super bem escrito, me transportou a situação! Domo arigato gozai mashta!

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Monica Bateman Outubro 31, 2013 at 8:01 pm

Oi Emília! Fico admirada com a coragem de pessoas como você, que se mudam para um lugar com uma cultura (e idioma) totalmente diferentes, especialmente quando falamos de Japao. Parabéns!

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Emilia Hanashiro Novembro 1, 2013 at 1:35 am

Antes de sair do Brasil, não sabia que era capaz de tantas coisas, e hoje agradeço essa oportunidade.

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Tati Sato Novembro 1, 2013 at 2:34 pm

Oi Emilia,

Muito tocante o seu texto. Acho lindo como voce fez amizade com a senhora japonesa e como ambas estavam abertas a novas experiencias. =) Muito legal a sua atitude em se integrar a cultura japonesa, conhecida por seu conservadorismo.

Acho que, nesse momento, voce eh mais japa que eu! 😉 Parabens pela coragem em ir morar no Japao – eu, descendente de japoneses, nao sei se iria. Tenho primos que foram e se adaptaram e outros que nao. Todos jah voltaram ao Brasil, mas muitos ainda sentem bastante saudades do Japao porque, uma vez que voce se acostuma ao pais, voltar ao Brasil acaba sendo bastante dificil! 😉

Um beijo

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Emilia Hanashiro Novembro 2, 2013 at 12:58 am

Sempre que penso no Brasil, penso nas pessoas que deixei la e tenho saudades, mas quando penso em voltar fico dividida pois agora sinto que minha casa e aqui.

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Tati Sato Novembro 1, 2013 at 2:37 pm

Ah, btw, me sinto muito mais gaijin que voce! 😉

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Emilia Hanashiro Novembro 3, 2013 at 6:41 am

oi Tati…as vezes me perguntam quem é descendente eu ou meu marido, pois na verdade minha descendência é Italiana, por parte do meu pai.

Resposta
Cristiane Leme Novembro 3, 2013 at 1:24 pm

Fantástica a sua experiência de vida, Emilia! Eu tenho um carinho muito especial pelos japoneses, são um povo muito esforçado e batalhador, e acho que nisso são bem parecidos conosco! A vida de expatriado nem sempre é fácil – acostumar-se com um estilo de vida e novos hábitos é bastante desafiador, e permanecer forte e otimista é o melhor caminho, sobretudo nos momentos de crise. Continue nos contando mais coisas sobre o Japão… estou aqui ansiosa esperando pelo próximo texto!
Beijos

Resposta
Emilia Hanashiro Novembro 4, 2013 at 2:43 pm

Estou trabalho no próximo texto espero que gostem, bjs.

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