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Sonia Bueno – empreendedora em Nova Iorque

Entrevista com Sonia Bueno – empreendedora em Nova Iorque.

No post deste mês compartilharei com vocês a entrevista realizada com uma empreendedora brasileira de sucesso em Nova Iorque chamada Sonia Bueno, proprietária do restaurante Brazil Brazil 46 localizado próximo à Times Square.

Sonia nasceu e cresceu na região do Tatuapé, zona leste de São Paulo e é uma empreendedora nata desde cedo. Arrimo de família, aos 18 anos abriu sua microempresa de montagens de bijuterias. Cursou Economia na Faculdade São Judas e colocava em prática os aprendizados adquiridos na faculdade em seu próprio negócio. As coisas estavam indo bem até o Plano Collor que a deixou totalmente desiludida.

Em um dia de verão, foi até um local receber um cheque de uma empresa em São Paulo e a atendente lhe disse: “Não reclama não, minha mãe está nos EUA e lá está muito frio.” Pareciam palavras mágicas, pois o simples fato da moça ter falado da mãe que morava fora, foi suficiente para fazer com que Sonia começasse a refletir sobre seu futuro. Acompanhe a entrevista!

Fonte: brazilbrazil46.com

 

BPM – Como você explicou para sua família que queria se mudar?

Minha mãe não acreditava, só acreditou quando me viu arrumar as malas. Ela achava que eu ia fazer um curso de inglês para me especializar e voltaria ao Brasil para procurar emprego, mas eu já sabia que não tinha volta.

BPM – Por quê?

Porque eu cursei faculdade um pouco mais velha, comecei aos 23 anos e nunca tinha trabalhado sem ser na minha empresa. Naquela época, já estava difícil para quem estava saindo da faculdade, já tinha algum tipo de experiência e eu não tinha nada disso. Eu vim para cá com 30 anos e iria voltar para fazer o quê?

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BPM – Mas qual era sua ideia?

Não tinha ideia, eu vim no avião rezando. Eu vim como turista e o amigo do amigo do amigo iria me buscar. Passei pela alfândega e não tive problema nenhum, mas eu não sabia para onde estava indo. Eu nunca tinha saído do Brasil. Venho de uma família muito pobre e comprei minha passagem pela VASP em 12 vezes que eu paguei com os trabalhos que eu ia fazendo aqui e mandava o dinheiro para minha mãe pagar.

BPM – E aí você ficou na casa da mãe da sua conhecida?

A pessoa que foi me buscar falava espanhol e eu passei as primeiras noites no apartamento deles. A mãe da moça que eu conheci em São Paulo cuidava de uma senhora fora da cidade, então ela só chegava na segunda-feira e eu cheguei no sábado à noite. Na segunda-feira, fui para o apartamento dela e tinha um quarto disponível que custava US$ 385,00 mensais e eu falei assim: Eu não tenho, eu trouxe US$ 200,00 e paguei US$ 100,00 de táxi. Essa senhora me explicou que como eles estavam precisando de alguém para morar na casa e eu parecia ser muito decente, pagou o quarto no primeiro mês desde que eu prometesse arrumar um emprego.

BPM – E como foi?

O primeiro emprego era para cuidar da senhora que ela cuidava de segunda a sexta e eles precisavam de alguém aos sábados e domingos. Fui visitar a mulher no sábado para começar o trabalho na semana seguinte. Cheguei lá e não entendia muito bem, mas não tinha opção. Ela falava comigo um pouco de espanhol e português. Saí de lá com tudo certo para trabalhar no sábado seguinte, mas a mulher faleceu no domingo e eu nem comecei. Depois disso, comecei a procurar trabalho e encontrei um bar português lá em Newark – Nova Jersey. Fui contratada para fazer café expresso, pão na chapa, etc. O dono era português casado com uma americana e no meu primeiro dia de trabalho, ela pegou a vassoura e me mostrou o banheiro, mas eu falei tudo bem. Limpava tudo e só depois é que fui ser garçonete ganhando US$ 215,00 por semana.

BPM – Que horário você trabalhava?

Das 5h às 14h. Depois disso, arrumei emprego em um restaurante brasileiro como garçonete que existe até hoje e aí começou minha carreira.

BPM – Como você se desenvolveu no inglês?

Eu coloquei na minha cabeça que teria que vir para Nova Iorque fazer um curso, então o primeiro processo foi me mudar para Astoria – bairro de Nova Iorque, mas eu continuava trabalhando em Newark porque não tinha inglês para trabalhar aqui em Nova Iorque. Eu trabalhava sexta, sábado e domingo em Newark e arrumei uma escola de segunda a quinta para estudar inglês de manhã. Quando meu inglês melhorou, resolvi procurar trabalho aqui em Nova Iorque e consegui em um café.

BPM – Como você se tornou proprietária de um restaurante?

Depois de vários anos trabalhando como garçonete de restaurantes americanos, franceses e italianos, fui procurar emprego em um restaurante brasileiro porque já estava cansada e queria trabalhar com nossa cultura novamente. O restaurante tinha 5 sócios que abriam muitos restaurantes em Manhattan e colocavam os funcionários para tomar conta. Comecei a trabalhar inclusive na folga dos meus colegas e então os meus patrões começaram a ver minha garra. Com o tempo, passei a ser Gerente do restaurante. Depois me chamaram para ser sócia com 20% de um novo restaurante italiano que eles estavam comprando na 9ª Avenida, mas eu seria a Gerente Geral e poderia conhecer os bastidores (ter contato com os contadores, fornecedores, etc.) que eu ainda não conhecia. Comprei os 20% que suei muito para pagar. Foi muito difícil porque meu marido reclamava que eu trabalhava muito e não ficava em casa, meu filho era pequeno na época. Eu dei uma melhorada no restaurante, mas eu sabia que não tinha potencial pela localização. Os sócios também tinham este restaurante aqui e me falaram: Você quer comprar 20% daqui também? Meu marido me achou louca, seria outro investimento que eu teria que fazer e ainda cuidar dos dois restaurantes, mas sempre acreditei que poderia ser meu trampolim. Acabei aceitando e fiquei sócia dos dois restaurantes trabalhando 4 dias no outro e 3 dias aqui.

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BPM – Me fale um pouco sobre o Brazil Brazil 46.

Me lembro do primeiro dia que cheguei aqui. Sentei no escritório e chorei, não tenho vergonha de falar por causa da quantidade de dívidas que o restaurante tinha. Eu abracei o restaurante e fui aos poucos porque via um potencial muito grande. Cheguei nos meus sócios e falei que não queria mais ficar com o restaurante italiano e ofereci minha parte em troca de ter maior participação neste. Eu falei para o meu marido que eu precisava comprar à parte dos sócios, dei uma reviravolta e assumi tudo. Paguei alto para o último sócio que não queria sair e recomecei o restaurante há 9 anos. Em 2 anos, meu restaurante estava com tudo pago, mas me custou muito caro porque não vi meu filho crescer.

BPM – Hoje você tem quantos funcionários?

São 30 funcionários, sendo 20 homens e 10 mulheres. Dos 30, 20 são brasileiros.

BPM – Qual é a diferença de ser uma empreendedora aqui e ser uma empreendedora no Brasil?

No Brasil tudo é muito burocrático, incerto, paga-se muito mais taxas e impostos e você não consegue fazer um plano. No Brasil, você não pode ter uma projeção porque tem inflação que mata, então tudo que você paga para o Governo brasileiro não retorna. Em Nova Iorque, não sei em outros estados, mas aqui a gente paga nossas taxas e são feitas benfeitorias na cidade. Times Square, por exemplo, é limpa, tem iluminação, então eles dão estrutura para o turista chegar até a gente. Eu pago impostos, mas vejo esse dinheiro sendo utilizado.

BPM – Pensando na situação do Brasil atualmente, você recebe muitos brasileiros pedindo emprego?

Sim, muitos!

BPM – Mais homens ou mulheres?

Vejo mais homens que deixam a família e vem tentar a vida.

BPM – Para finalizar, que mensagem você mandaria para o público do BPM?

Nunca abra mão dos seus sonhos! Não importa se ele é pequeno, se ele é grande ou muito grande. O que vale na vida é você sonhar, porque ninguém vai tirar de você um sonho que você queira realizar. Não é o presidente, não é a economia, não é ninguém! Siga o seu instinto, faça acontecer que é possível em qualquer lugar! Ninguém vai decidir para você o que vai te deixar feliz, é você que tem que saber.

***

Nós agradecemos a gentileza da Sonia Bueno em nos conceder essa entrevista e aproveitamos para desejá-la muito sucesso!

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2 comentários

Léo Março 28, 2018 at 2:25 pm

Bom dia, Liliane.
Ótimo texto!

Gostaria de aproveitar e ver se você me consegue me ajudar: Gostaria de saber se é possível a obtenção do visto de noivo sendo a peticionatária uma brasileira que ainda não é cidadã americana, mas que tem greencard.

Se isso não for possível ainda, sendo ela “apenas” detentora do greencard, seria possível quando ela conseguir obter a cidadania americana?

Muito obrigado e parabéns pelo post esclarecedor.

Resposta
Liliane Oliveira Março 29, 2018 at 6:59 pm

Olá Léo,
Antes de mais nada, gostaria de agradecê-lo pela leitura e comentário.
Respondendo sua pergunta, confesso que não entendo muita coisa sobre o assunto que você me pergunta.
De qualquer maneira, deixarei abaixo um artigo publicado recentemente aqui no blog que talvez te ajude:
https://www.brasileiraspelomundo.com/casamento-nos-eua-atraves-do-visto-k1-e-social-security-number-110876596
Boa sorte!
Liliane

Resposta

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