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Sustentabilidade em Portland

Há três anos atrás me mudei para Portland, no estado do Oregon. Vim para cá a fim de mudar um pouco a minha carreira. Quero focar mais em sustentabilidade e desenvovimeto comunitário em ambientes urbanos. A pós-graduação tem me ensinado muitas coisas. Mas os hábitos sustentáveis que a população adota por aqui também me ajudou bastante a cooperar para um mundo melhor. Neste texto vou listar algumas atitudes que são bem comuns aqui, mas ainda precisam ser mais exploradas ao redor do mundo.

Durante meu primeiro ano, aprendi mais sobre alimentos orgânicos. No Brasil eu não dava muita importância. Achava que era um produto mais caro, que era impossível escapar dos agrotóxicos, e que comer orgânico era frescura. Mas aqui em Portland, como há uma grande demanda de pessoas buscando alimentos orgânicos, o preço fica mais acessível. Feirinhas, aqui chamados de farmers market, são bons lugares para encontrar alimentos locais e orgânicos. Porque também não adianta muito comprar orgânicos de grandes corporações, pois geralmente elas não oferecem boas condições de trabalho para o trabalhador rural.

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Em Portland, as hortas urbanas são regulamentadas. Existem parques que tem canteiros coletivos, ou canteiros individuais para o plantio de frutas, legumes, e verduras. Porém, ao fazer o pedido de um canteiro para a prefeitura, a lista de espera pode demorar meses e até anos. No meu primeiro ano, comecei um horta caseira, junto com meus colegas de casa. Temos quatro canteiros onde já plantamos couve, tomate, pimentão, abobrinha, acelga, espinafre, manjericão, salsinha, cebolinha, tomilho, e coentro.

Aqui comecei a frequentar uns depósitos de comida (food pantry), que distribuem comida de graça. A minha faculdade, a escola que eu trabalhava e o clube próximo a minha casa oferecem esse serviço. É legal porque os mercados que geralmente doam as comidas são exclusivamente orgânicos. Cada depósito tem sua regra. Alguns limitam o número de alimentos que se pode pegar por dia, outros funcionam apenas uma vez na semana e deixam cada um pegar o quanto quiser. Por lei, os estabelecimentos são obrigados a retirar produtos próximo à data de vencimento e descartá-los. Então essa distribuição de alimentos ajuda a evitar o desperdício de comida.

O índice de reciclagem da área metropolitana de Portland é próximo de 50%. Quando eu vou para outro estado, ou quando viajo ao Brasil eu me sinto mal quando não posso reciclar. Parece que o bichinho da sustentabilidade me mordeu, e integrou bons hábitos na minha vida. Um hábito que eu levei para o Brasil foi parar de usar sacolas plásticas no mercado para empacotar frutas e verduras. Aqui eu coloco tudo solto no carrinho de mercado.

Meu carrinho de mercado em Portland: levando sacola retornável de casa e comprando frutas e legumes sem saco plástico. Obs: alguns produtos já vem pré-empacotados em uma embalagem com menos plástico, como saco de batata e laranja

Nos EUA, praticamente todo mundo dirige. Mas como Portland tem um transporte público bom, e eu não gosto de dirigir, eu sempre pego o ônibus ou vou de bicicleta. No Brasil eu também só andava de ônibus e de bike, mas eu não pensava nisso como uma atitude sustentável. Eu pensava: “Ah, eu vou de ônibus porque eu não tenho carro mesmo”. Hoje eu vejo isso como uma forma de diminuir a poluição do ar e redução de gases do efeito estufa.

Às vezes vale a pena gastar um pouco mais no aluguel para morar em um lugar de fácil transporte publico, e ter menos despesas com carro. No primeiro ano, eu ao invés de ir de ônibus eu rachava o estacionamento da faculdade com o meu colega de casa e ia de carona com ele. O sistema de caronas (carpool) é outra forma boa de ajudar a reduzir o trânsito da cidade com menos carros na rua.

A presença de ciclovias incentiva a população a pedalar mais. Quando eu vou ao centro, eu geralmente pego o ônibus, mas no bairro eu só ando de bicicleta ou a pé. Não há ciclovias em todas as ruas, mas acho que aqui os carros respeitam um pouco mais as bicicletas. Os ciclistas foram ganhando o seu espaço através de ativismo e resistência. A World Naked Bike Ride, é um evento anual onde as pessoas andam de bicicleta peladas pela cidade a fim de trazer mais visibilidade para o ciclista. Este evento também acontece em São Paulo e outras cidades ao redor do mundo.

Ser imigrante sozinha não é fácil e ficamos mais vulneráveis à depressão e sobrecarga mental. Aqui eu também aprendi a cuidar melhor da minha saúde mental. Outra coisa que eu não prestava muta atenção no Brasil. Temos uma tendência a separar o corpo físico da mente, e cuidar apenas da saúde do corpo físico. Ir ao terapeuta é como ir ao dermatologista. Da mesma forma que cuidamos da pele, do físico, temos que cuidar da mente se ela não estiver bem.

E uma coisa interessante é que muitas das conversas que eu tive sobre mente sã, corpo são, foram com homens. Percebo que os rapazes aqui são mais desconstruído e cada vez mais deixam o machismo de lado. Até amigos brasileiros e latinos ao se mudar para cá mudam a forma de pensar e passam a respeitar mais as mulheres. Eu vejo essas mudanças de atitude como uma sustentabilidade social.

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Meu próximo passo é evitar ao máximo produtos de origem animal e ter uma alimentação baseada em produtos vegetais. Também quero trocar a cerveja por kombucha (um chá fermentado) e criar uma rotina consistente de atividade física. Um site que me ajudou a criar bons hábitos foi o EcoChallenge, que frequentemente lança desafios com uma lista de hábitos sustentáveis para se adaptar. No final, a pontuação final é divulgada e podemos analisar o impacto positivo do desafio.

Todas essa busca pela sustentabilidade e mudança de hábitos me trazem uma realização pessoal. A população mundial cresce rapidamente. Se não mudarmos os padrões de produção e consumo, vamos viver um colapso no futuro. Cada pequeno ato é importante. O hábito faz o monge e o conjunto de bons hábitos geram um mercado mais sustentável.

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