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Trabalho voluntário em Nova Iorque

Trabalho voluntário em Nova Iorque.

Algo que me dá prazer é ajudar ao próximo, então logo que cheguei em Nova Iorque comecei a procurar trabalhos voluntários onde eu pudesse fazer a diferença na vida de alguém. Até para trabalhar voluntariamente, aqui, as coisas são bastante burocráticas: há processos de até 4 meses! E claro que eu queria algo “para ontem”…

Até que descobri o New York Cares, uma ONG que tem diversas outras ONGs filiadas a ela e, assim, reúne uma imensidão de trabalhos com focos em diferentes públicos como idosos, pessoas com deficiência, crianças, pessoas com fome, educação, meio ambiente, bairros, dentre outros. Dependendo da estação do ano, os tipos de trabalhos também mudam, como por exemplo agora no verão há a opção de limpar os parques da cidade ou aulas de futebol para crianças. Tem opção para todos os gostos, mesmo! Há um curso preparatório, obrigatório, uma palestra explicando coisas que o voluntário deve e principalmente, não deve fazer. Depois disso, fiquei certificada a fazer trabalhos voluntários através deles na cidade. A busca e as inscrições para os trabalhos são feitas através do site www.newyorkcares.org e é tudo bem simples de fazer. Minha escolha foi iniciar um trabalho com crianças, seguindo a linha do trabalho que fazia na África do Sul e que já contei num post aqui .

Meu primeiro trabalho foi em um local chamado Hudson Guild, um afterschool (local para onde as crianças vão depois da escola) gratuito e frequentada por crianças e jovens de idades entre 3 e 21 anos que moram ou frequentam escolas no bairro, em Chelsea. Lá eles são incentivados a se capacitar e desenvolver a criatividade com pinturas, desenhos, esculturas, artesanato e fotografia para atingir o máximo do seu potencial.  As crianças de menor capacidade econômica têm prioridade, pois nas escolas públicas que frequentam não há muito envolvimento com arte e trabalhos manuais. Ali eu trabalhei em uma aula de artesanato ensinando a fazer bichinhos com canos para limpeza (pipe cleaners). Em cada mesa haviam fotos dos modelos e o material para ser trabalhado. A distribuição por mesa era de 5 crianças e 2 voluntários, que tinham a missão de incentivá-las a serem mais criativas, mais ousadas, a pensar diferente. Foram momentos super leves, senti uma carência diferente do que eu estava acostumada com as crianças sul-africanas… Não sei se eu que estou emocionalmente mais forte ou se este trabalho foi realmente menos duro.

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Hudson Guild: aula de artes, incentivo a criatividade.

Depois da minha primeira experiência, resolvi testar novos tipos de trabalho para poder eleger o “meu lugar”. Então me inscrevi num asilo judeu para proporcionar um momento de beleza para os idosos de lá: massagens nas mãos e manicure. A ideia era, também, dar atenção aos idosos, já que muitos deles não recebem visitas de familiares. Fiz a mão de um senhor americano que nasceu e viveu no Brooklyn e tinha bastante orgulho disso. Tentei uma conversa mais longa, porém 5 minutos após eu responder onde tinha nascido e se gosto de Nova Iorque, ele já me perguntava a mesma coisa… E eu tentava responder de maneiras diferentes, porém a mesma coisa voltava… Um ambiente muito mais pesado, desta vez, muito mais difícil de fazê-los esquecer da condição em que se encontram, nem que por algumas horas.

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Asilo: manicure e massagem nas mãos

Na minha terceira experiência como voluntária na cidade, voltei ao meu público preferido: as crianças. Elas são leves, espontâneas e se entregam muito mais ao momento que estão vivendo. Uma outra aula de arte, um novo incentivo à criatividade, em outro afterschool (dentro da Escola PS11), com crianças diferentes. O tema foi “ovinhos de Páscoa”: desenhar, pintar e colar. 4 voluntários para 15 crianças. E o mais especial deste dia foi que quase no final do trabalho, um menino de uns 4 anos, o mais tímido de todos, chegou para mim e disse: “eu estou com fome”. Em 1 segundo passou pela minha cabeça tudo que tinha dentro da minha bolsa e percebi que eu não tinha nem uma bala para dar para ele. Por instinto, perguntei: “de onde você é?” A resposta? Menos esperada, totalmente surpreendente e a mais feliz: África! Ah que alegria estar com uma criança africana ali, em uma escola americana em Manhattan! Falei 2 palavras em zulu (um dos idiomas africanos), um cumprimento com os dedos – sharp sharp – e ganhei a confiança dele. Foi o primeiro dia de voluntário em que saí com um sorriso no coração – lógico que depois me certifiquei que ele teria um lanche lá, antes de ir para casa… ufa!

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Aula de arte, incentivo à criatividade no “aftershool” da Escola PS11.

Os americanos são bastante preocupados com alimentação saudável e existem diversos tipos de trabalhos para conscientizar principalmente as crianças sobre isso. Minha quarta tentativa de “encontrar o meu local” foi em uma aula de culinária para crianças de 8 anos, em outro afterschool que funciona dentro de uma igreja brasileira chamada Metro Baptist Church (só descobri isso quando cheguei lá, mas não tinha nenhuma criança brasileira). O lanche/aula do dia foram Waffles – sem açúcar – decorados com frutas e a sugestão era fazer em formato de peixe, mas a criança poderia escolher qualquer formato. Escolhi ficar com a mesa dos meninos mais enérgicos (era um voluntário por mesa), onde tive que ter jogo de cintura para que eles seguissem os passos do projeto e dois deles escolheram fazer em formato de tartarugas, por pura coincidência do destino… ou não! Eu amo tartarugas, mas eles não sabiam disso… Aliás, eles nem me conheciam. No final do dia ouvi de um deles: “Debbie, você é muito legal”, e foi essa a minha recompensa desse trabalho, motivo também do sorriso que carreguei durante todo aquele dia. Muito bacana este projeto, voltarei lá.

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Aula de culinária, na Metro Baptist Church

E minha quinta e diferente experiência voluntária foi na Pajama Program, uma ONG que proporciona momentos extraordinários para crianças que vivem em abrigos e orfanatos à espera de adoção. Elas vão até a ONG para, além de serem incentivadas a ler, receber o carinho e o aconchego de um lar: ter alguém para ler uma história para elas e, no final, ganham um pijama e um livro novos para levar “para casa”. O local e o projeto são muito bacanas e as crianças são sempre de um local diferente e talvez por serem mais carentes parece que realmente dão valor à sua atenção, à oportunidade de irem lá, etc. Bingo! Este é o local onde mais me senti útil por aqui. Agora vou lá uma vez por semana para dar atenção e carinho, ler um livro diferente, me doar, enfim… Vou lá ser útil e ser feliz.

Desde o início queria me inscrever para este trabalho, porém como há crianças que foram abusadas, maltratadas, negligenciadas, etc é preciso tirar um atestado de antecedentes criminais e ter o Social Security (CPF americano), então até eu ter esses documentos, fui testando outros lugares. Como acredito que “nada acontece por acaso”, acho que este processo de descobrimento e conhecimento que passei me enriqueceu e me “moldou” para eu sentir qual seria o “meu lugar” na cidade que nunca dorme.

Além disso continuo trabalhando para a ONG sul-africana Magical Moments em suas estratégias de marketing e mídias sociais, afinal “uma vez fada, fada para sempre!”

Pajama Program + Magical Moments = nova rotina feliz.

Sigam o Magical Moments no Instagram: @magicalmoments_sa e nos ajude a espalhar mágica pelo mundo virtual.

 

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Pajama Program, Elizabeth – 7 anos de idade.
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Grupo de voluntários e crianças de um abrigo do Brooklyn no Pajama Program.

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19 comentários

Talita Junho 10, 2015 at 3:06 pm

Woool que super incentivo! Não são muitas pessoas que nesse tipo de voluntariado ainda mais estando em Ny. Parabéns pela sua escolha de procurar o seu lugar fazendo a diferença na vida das pessoas! Fiquei muito feliz e emocionada com as suas vivencias! Espero que vc seja sempre recompensada pelo trabalho que escolheu fazer, tão lindo, tão nobre, tão raro!

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Debora L. Juneck Outubro 19, 2016 at 9:56 pm

Oi Talita! Obrigada por suas lindas palavras! Bjs, Debora

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Jane Junho 10, 2015 at 3:43 pm

Debora, minha filha querida, q orgulho tenho de vc!!
Deus abençoe sempre seu trabalho, ficando feliz, fazendo feliz!!!!!
Bjos da mamãe

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Jeneide Junho 10, 2015 at 10:54 pm

Muito legal sua disposição Dé…Parabéns e continue sendo perseverante neste caminho que escolheu…muito bom saber que faz a diferença na vida de alguém. Bjs. Xneide

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Debora L. Juneck Outubro 19, 2016 at 9:56 pm

Obrigada!!! Bjo!

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Angela Barreiros Setembro 29, 2015 at 12:41 pm

Gostaria fazer trabalhos voluntarios para mae adolecentes. nao sei como começar eu tenho 3 dias na semana livre. Como faço vc pode me ajudart

Resposta
Debora L. Juneck Outubro 19, 2016 at 9:55 pm

Oi Angela, obrigada pelo seu comentário! Depende muito do local que você gostaria de se candidatar para o trabalho voluntário! Sugiro que você entre em contato com o local escolhido para tirar as suas dúvidas. Abraços, Debora.

Resposta
Yara Janeiro 28, 2016 at 12:34 pm

Olá!Gostaria muito de fazer um intercâmbio, mais não tenho condição de me sustentar em outro país.
Faço trabalhos voluntários pelo LEO Clube/LIONS CLUBE INTERNACIONAL, e surgiu uma oportunidade de ir para Nova Iorque no mês de julho.
Como gostaria de aprender e praticar inglês e não posso pagar uma escola, fiquei com muita vontade de participar e procurar uma ONG ou instituição em que eu pudesse aprender e ajudar também, irei ficar 30 dias.
Seria possível eu participar de algum programa de voluntariado em Nova Iorque?
Alguma indicação de instituição ou ONG que possa me aceitar?
Você me indicaria e me aconselharia por favor.
Desde já agradeço a atenção!

Resposta
Debora L. Juneck Outubro 19, 2016 at 9:57 pm

Oi Yara, obrigada pelo seu comentário! Depende muito do local que você gostaria de se candidatar para o trabalho voluntário! Sugiro que você entre em contato com o local escolhido para tirar as suas dúvidas. No site nycares.com há bastante informação. Abraços, Debora.

Resposta
Manoel salgado Março 29, 2016 at 5:56 am

Ola,moro Em NYC e busco fazer trabalhos voluntarios,o que eu preciso para ser voluntario?

Resposta
Debora L. Juneck Outubro 19, 2016 at 9:54 pm

Ola Manoel,obrigada pelo seu comentário! Depende muito do local que você gostaria de se candidatar para o trabalho voluntário! Sugiro que você entre em contato com o local escolhido para tirar as suas dúvidas. Abraços, Debora.

Resposta
Juli Outubro 19, 2016 at 9:03 pm

Boa noite!
Parabéns!!!
Vou ficar 6 meses nos EUA e como não posso trabalhar porque mão tenho visto de trabalho, irei fazer trabalho voluntário.
Eles aceitam pessoas somente com o visto de turista?

Obrigada!

Resposta
Debora L. Juneck Outubro 19, 2016 at 9:54 pm

Oi Juliane, obrigada pelo seu comentário! Depende muito do local que você gostaria de se candidatar para o trabalho voluntário! Sugiro que você entre em contato com o local escolhido para tirar as suas dúvidas. Abraços, Debora.

Resposta
Cassiana Mesquita Outubro 23, 2016 at 2:52 pm

Que trabalho lindo! Eu estou terminando a faculdade de psicologia e super quero ser voluntária nos EUA, queria saber todo processo de você aí, se foi muito difícil entrar pra ONG, o que eu preciso? Quero me especializar em psicologia do desastre e viver aí. Meu sonho é NYC *.*

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Debora L. Juneck Outubro 24, 2016 at 8:09 am

Oi Cassiana, obrigada pelo seu comentário. Para saber os detalhes do voluntariado em NY, sugiro vocêentrar no site: nycares.com Boa sorte! Abs, Debora

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ludmylla freire Maio 30, 2017 at 1:56 pm

Debora amei seu post. Achei que era a unica doida p[rocurando por trabalho voluntario nos Estados Unidos. Moro atualmente em Miami e estou aprendendo o Ingles ainda. Mas ja gostaria de ser super fluente para ajudar onde fosse necessario. O que consigo fazer pro enquanto e servir na escola da minha filha com meu Little English. Mas ja estou feliz com isso. Parabens pelo trabalho, essa sensacao de ser util e indescritivel.
Abracos Ludy

Resposta
Debora L. Juneck Maio 30, 2017 at 2:02 pm

Oi Judy! Muito obrigada pelo seu comentário e parabéns pela sua vontade de ajudar ao próximo, realmente é maravilhoso. Abraços, Debora.

Resposta
Marcela Julho 29, 2017 at 11:09 pm

Oi, tudo bem? Tem como fazer trabalho voluntário sendo de menor e passando apenas uma semana em NY?
Desde já, agradeço ?

Resposta
Debora L. Juneck Julho 29, 2017 at 11:38 pm

Oi Marcela, Obrigada pelo comentário. Depende do local do trabalho, tem alguns que pedem Social Security (um tipo de CPF americano que não dá para tirar com visto de turista)… sugiro você olhar o site NY Cares, que foi por onde me inscrevi para todos os trabalhos que fiz até hoje em NY, para ter mais informaçoes. Boa sorte e parabens pela iniciativa. Abs, Debora

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