As tradições do Natal italiano

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San Pietro em Roma
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Quais são as tradições do Natal italiano?

O período mais mágico do ano está chegando… Se você é daqueles que não consegue resistir ao encanto de um presépio tradicional, a lembrança das canções sob a árvore de Natal e o perfume de um panettone macio, o seu destino para as festas de fim de ano tem que ser uma cidade italiana.  A única complicação vai ser escolher onde fazer a ceia, a que feirinha ir, a que coral assistir e onde fazer as compras de Natal.

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O Advento é uma época do ano muito querida na Itália e a tradição pede que, durante este período, as pracinhas das cidades estejam todas decoradas com luzinhas e enfeites de Natal – encantando adultos e crianças com as emoções dessa lenda e esse clima único de festas. Fazem parte dessa tradição os presépios, os festejos nas praças e as feirinhas natalinas.

Na verdade, no país não existia um costume propriamente dito de se fazer feirinhas natalinas, mas de alguns anos para cá essa tradição nórdica vem crescendo – começando pela região de Trentino-Alto Ádige e também as famosas feirinhas de Bolzano, Merano, Bressanone, Brunico e Vipiteno.

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Agora as feirinhas estão presentes em toda a Itália, cada uma com seu formato e suas características, em datas diversas – é um evento de forte apelo turístico, todos os anos.

De 30 de novembro à 6 de janeiro acontece a Feirinha de Natal de Vipiteno (linda cidade medieval que durante as festas de fim de ano se transforma em um conto de fadas). O clima natalino (o perfume, a decoração colorida, o encanto das luzinhas e dos produtos) é um polo de visitação muito importante, tornando-se um dos destinos preferidos durante essa época do ano.

A feirinha mais antiga da Itália é a de Bolzano, que acontece no centro histórico da capital de Alto Ádige. Outros símbolos característicos desta tradição: a árvore de Natal e o presépio.

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É costume montar a árvore de Natal no dia 8 de dezembro (data em que se comemora a Imaculada Conceição) e desmontá-la no dia 6 de janeiro (Epifania do Senhor, como diz o provérbio: “tutte le feste porta via[1]). A árvore é aderida pela maioria das tradições natalinas – diferente do presépio, que é um costume mais italiano. A origem da palavra “presépio” vem do latim praesepe, que significa“estábulo”. Assim, derivou-se o vocábulo praesepium, que se refere à manjedoura utilizada como berço para o Menino Jesus.

O primeiro presépio do mundo foi realizado por obra de São Francisco de Assis, em 1223, quando o santo colocou uma representação do Menino Jesus em uma gruta, perto do convento onde morava, na presença de um boi e um burrinho – justamente para que os outros compreendessem melhor as condições do local em que Jesus havia nascido.

O presépio na Itália é até mais significativo do que a árvore de Natal. Tanto que tem gente que constrói seu próprio presépio e distribui nas várias lojinhas de artesanato que há séculos transmitem a arte do presépio de geração para geração. Assim acontece nas feirinhas da via San Gregorio Armeno em Nápoles, uma rua inteira no centro da cidade dedicada a este símbolo natalino, aos buquês de azevinhos e aos ramos de viscos. Em Alto Ádige já virou tradição organizar as clássicas feirinhas natalinas para esperar o Papai Noel, receber os presentes e assistir à procissão em homenagem a São Nicolau.

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Quais são as tradições de Natal na Itália? Quais os costumes que atravessam o país da bota de norte a sul?

São muitas, muitas mesmo! De Santa Luzia à Befana, passando pelo presépio, árvore de Natal, até chegar às tradicionais receitas e o cardápio típico das festas de fim de ano (que variam de região para região). Eis alguns exemplos das tradições natalinas seguidas na Itália, que são diferentes em cada cidade da península.

É costume na maioria das regiões italianas passar o Natal com a família. Começando pela véspera, no dia 24 de dezembro (quando se faz a ceia e espera dar a meia-noite para abrir os presentes ou ir à missa – normalmente se pode escolher entre participar dessa missa ou a do dia 25 pela manhã). No dia de Natal, a família se reúne para o almoço e às vezes passa a tarde jogando alguns jogos característicos desta época (como a tômbola) e comendo doces típicos (como panettone, pandoro, samanta etc.).

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Dependendo da região ou da cidade, o Papai Noel está atrelado a duas figuras femininas diferentes: Santa Luzia e a Befana. A primeira foi uma cristã mártir que perdeu a visão, ela traz presentes às crianças na madrugada entre 12 e 13 de dezembro – com exceção de algumas áreas do norte, que aguardam pelo soar do sino que anuncia a farra dos presentes de Natal.

Já no resto da Itália, o último suspiro dos presentes de Natal é trazido pela Befana – a velha bruxa nariguda de saia longa, que viaja ao redor do mundo em cima de uma vassoura. Ela leva balas para as crianças boazinhas e para os mal-criados ela dá um pedaço de carvão.

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Assim, a simbologia natalina exibida nas casas, na decoração e nos enfeites, varia de região para região – as tradições mudam conforme a cidade, mas os protagonistas são sempre a árvore de Natal e o presépio.

Na Ligúria e também em Abruzos, ainda se mantém viva a tradição de acender a fogueira de Natal. Já Molise tem por definição o costume da gaita de fole – um clássico natalino (para falar a verdade, até na Calábria as festas de Natal vêm acompanhadas pelos gaiteiros).

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A gaita de fole é talvez o instrumento mais característico no Natal. Ela tem origens antigas e, segundo a lenda, São Francisco teria incluído na primeira representação do presépio duas gaitas entre os personagens. Comumente o termo “gaiteiro” define os músicos que, com a chegada do Natal, percorrem as ruas da cidade tocando os diversos instrumentos de sopro – desde a cornamusa à ciaramedda.

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Terminamos esta primeira viagem pela Itália em Úmbria, para ver a maior árvore de Natal do mundo! Composta por mais de 3.000 luzinhas colocadas no Monte Ingino, a árvore é apenas uma das surpresas que Gubbio reserva a quem decide passar o Natal lá. No bairro de San Martino, um presépio em tamanho real se articula pelas ruas do antigo vilarejo. Para acompanhá-lo há corais, feirinhas e várias outras manifestações natalinas, inclusive degustação de doces típicos.

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O Natal e as festas de fim de ano envolvem também ceias e refeições diferentes em cada região, com suas próprias tradições pelo ponto de vista gastronômico. Em várias cidades do centro-sul, como Lácio, por exemplo, na mesa da véspera não pode faltar capitone. Ao passo que na Calábria a ceia começa com alcachofra frita e zeppola (com 13 à mesa). Em Lombardia e em Vêneto para fechar a ceia não podem faltar panettone e pandoro.

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Como Chegar

É possível chegar à Itália pelas principais capitais da Europa e do mundo, graças às conexões internacionais diárias oferecidas pelos aeroportos de Roma e Milão. São vários os voos, tanto com diretos quanto com escala que ligam diretamente as várias cidades europeias aos aeroportos italianos (como o de Bolonha, Florença e Nápoles). Além disso, considerando que todos os aeroportos nacionais são conectados aos de Roma e de Milão, é simples encontrar itinerário para outros destinos no país.

[1] TUTTE LE FESTE PORTA VIA: o provérbio não é recorrente no Brasil – sugestão de substituição “os Reis Magos chegam e a árvore vai embora”.

11 Comentários

  1. Patrícia
    Que presentão foi esse texto!! Fomenta em cada um ainda mais vontade de estar em terras italianas nesta época do ano!
    Uma delícia!
    Obrigada!

  2. Oi Patricia, parabens pelo artigo! Eu sou italiano e moro no norte, em Piemonte, e, tendo 48 anos, posso dizer que as tradições natalinas mudaram muito. Quando eu era menino o presépio era a decoração mais importante, mais amada e apreciada. A árvore de Natal era importante e era bem enfeitada, mas tinha o segundo lugar no pódio “olímpico” das decorações. Agora posso dizer que é o contrario. E naquela época era o Menino Jesus a trazer os presentes na manhã do 25. O Papai Noel era, na minha região, uma figura muito menos valorizada, não digo desconhecida mas quase. Acho que foi o fenômeno da globalização que afinal importou tradições e hábitos de outros lugares, com os filmes do Estados Unidos como principal fator de influência cultural. Mais isso não é negativo, pois o intercâmbio cultural enriquece sempre um lugar.

    • Oi querido! Obrigada.. eu acredito que isso possa também estar acontecendo porque é muito mais simples fazer a árvore que o presépio e infelizmente as pessoas estão cada vez mais escolhendo a comodidade diante da tradição, verdade? Obrigada pelo teu excelente comentário..

  3. Oi Patricia….viajei pra Itália lendo seu blog….Muito obrigada por compartilhar suas experiências….fiquei apaixonada pelo Natal na Itália e gostaria muito de ter a oportunidade de viajar pra Itália nessa época do ano…quem sabe um dia ? Adorei as fotos também…Um abração…

  4. Amei seu texto e imagem sobre o natal. Pena que vou em outubro e vou´perder essa maravilha, mas quem sabe numa outa oportunidade estarei lá. Será que existe alguma loja que vende artigos natalinos fora de época? Como te disse estarei em Roma até o dia 21/10. Bjs e, parabéns novamente pelo blog.

  5. Patricia, parabéns pelo texto.

    Estarei em Roma com minha família, de 24 a 26 de dezembro.
    Você sabe dizer se nesses dias os principais pontos turísticos estão abertos?(Acabei de saber que dia 26 é feriado).
    Obrigado,

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