Tradições e costumes de Natal na Itália

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Arena de Verona. Crédito imagem: FA.Serra. ©Todos os direitos reservados.
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Além de se cultuar a mesa farta, isto é, comer, o Natal na Itália também é uma ocasião para se reunir e trocar presentes como sinal de carinho e afeto.

Quando falam de Natal, os italianos se referem a uma temporada que vai de 24 de dezembro a 6 de janeiro. Porém, o período natalino se inicia a partir do dia 16 e inclui:

  • Advento – período que na liturgia Cristã precede o Natal e marca o início de um novo ano litúrgico do ano eclesiástico ocidental. É uma temporada preparatória para o Natal, que por convenção, indica a “espera” do Natal em si;
  • Véspera de Natal – quando à meia-noite se faz a ceia, que aqui recebe o nome de cenone;
  • Natal;
  • Dia de Santo Stefano (26 de dezembro) – oportunidade em que as igrejas católica e protestante recordam o primeiro mártir cristão e normalmente se janta o que sobrou da ceia de Natal;
  • Ano Novo – nessas terras chamado de Capodanno, e o dia 31 de janeiro aqui é conhecido como dia de São Silvestre;
  • Epifania (06 de janeiro) – momento em que se festeja a Epifania do Senhor, ou seja, a primeira manifestação da divindade de Jesus à inteira humanidade, com a oferta dos presentes mais significativos e a adoração dos Reis Magos.

Os negócios encerram suas atividades mais cedo na véspera do Natal e tudo (TUDO mesmo) fica fechado nos dias 25 e 26 de dezembro. As escolas, geralmente, fazem um recesso que vai de 23 de dezembro a 06 de janeiro. Dada a ocasião, mais ou menos a partir do dia 26 de dezembro, muitos italianos vão para as montanhas, para passear e esquiar nos Alpes. Popularmente se diz que partem para a settimana bianca (semana branca, em tradução livre).

Em relação às celebrações religiosas, a partir do dia 16 de dezembro até o dia 24 vem recitada, em âmbito eclesiástico, a Novena de Natal. Na noite da véspera são celebradas as missas natalícias. Nas pequenas igrejas das montanhas ou nas grandes catedrais, a música sacra cria uma atmosfera mágica. Algumas missas são particularmente belas e famosas como a da Catedral de Nápoles, por exemplo.

Durante o período que precede as festividades é de costume armar a árvore de Natal e o presépio, que tradicionalmente são montados no dia 08 de dezembro, dia da Imaculada da Conceição, e desmontados no dia 06 de janeiro.

O presépio é uma bela e antiga tradição natalina muito amada pelos italianos. Tanto, que se organizam muitas mostras, inclusive particulares, pelas cidades. Destes lados há ainda muito presépio vivo; aqueles em que pessoas interpretam os seus personagens. Também fica em Nápoles a mostra mais famosa.

O que difere dos nossos costumes é que ao lado do Papai Noel (que cá se chama Babbo Natale) se juntam duas figuras femininas: Santa Lucia e Befana. Os típicos portadores de presentes de Natal na Itália são: Santa Lucia, no dia 13 de dezembro. Menino Jesus e Papai Noel, no dia 25 de dezembro. E a Befana, no dia da Epifania, 06 de janeiro.

Santa Lucia é uma mártir que perdeu a vista e trás presentes às crianças na noite de 12 para 13 de dezembro.

San Nicola é o personagem que na Europa substitui o Papai Noel. Diz-se que durante a sua vida, San Nicola, ou Santo Nicolau, ou St. Nicolaus, ou Santa Claus, estava sempre atento e pronto a ajudar as pessoas mais pobres e necessitadas. E o costume profere que assim como ele colocou escondido ouro dentro da casa de três garotas necessitadas, os presentes dados no dia de sua recorrência, devem ser colocados atrás das janelas, na lareira ou em lugares escondidos como, por exemplo, dentro de sapatos ou meias.

A Befana, criada da fantasia popular, é uma figura muito típica do folclore natalício italiano. Por tradição, se diz que uma velha senhora, a Befana (que significa bruxa), voa de casa em casa para encher as meias das crianças boazinhas com muitas balas e das crianças mal-educadas com muito carvão. A sua origem se perde nas brumas do tempo, mas na cultura popular, se funde com elementos folclóricos e cristãos: a Befana leva os presentes em recordação das oferendas feitas ao Menino Jesus pelos Reis Magos.

Como mencionei antes, o final das festas de Natal acontece no dia da Epifania. Para as crianças, ele ganha uma coloração importante porque Epifania é a festa da Befana, enquanto para os cristãos, este é o dia em que os Reis Magos veem Jesus e o reconhecem como Deus. Além disso, conta-se que, antigamente, depois do solstício invernal, na 12º noite depois do Natal, se celebrava a morte e o renascimento da natureza, através da figura pagã da Mãe Natureza. Nesta noite, a Mãe Natureza, cansada de ter doado toda a sua energia durante o ano, aparecia na forma de uma velha e gentil bruxa, que voava pelo céu com uma vassoura. Praticamente seca, estava pronta a ser queimada como um ramo, para que pudesse renascer das cinzas como natureza jovem. Antes disso, no entanto, a senhorinha passava distribuindo presentes e doces a todos, de maneira a plantar as sementes que nasceriam durante o ano sucessivo. Por conseguinte, hoje, nesta mesma noite, em muitas regiões italianas se constroem espantalhos de palha na forma de uma velha bruxa, que depois são queimados.

Outra praxe marcante são as feirinhas de Natal, conhecidas como Mercatini di Natale. Estas são muito esperadas e populares, tanto que frequentemente se inicia com uma grande festa. Normalmente, essas feirinhas começam no final de novembro e vão até a véspera do Natal, ou ainda até o dia da Epifania. É muito difícil não se fascinar pela magia natalícia ao visitá-las. Ali, além de belas decorações e música natalina, se encontra muitos produtos locais, desde comidas, vinhos quentes, roupas, objetos de artesanatos, presépios, até parquinhos de brinquedos para as crianças se divertirem.

Mas verdade seja dita, as feirinhas, as decorações, o Papai Noel, a Befana, as trocas de presentes e saudações recíprocas, são algumas das suas tradições, no entanto, por aqui o Natal é principalmente um momento em que a família e os amigos se reúnem em torno à mesa. Por isso as iguarias da península ligadas às tradições natalícias são muitas e altamente simbólicas. E apesar dos pratos sob a mesa variarem de região para região, tem sempre algo que une um pouco a todos, como: na véspera de Natal não se deve comer carne vermelha, tornando, assim, o peixe o prato principal da ceia do dia 24; no almoço do dia 25 a carne vermelha é consentida; a sopa, principalmente a de galinha, reina soberana em muitas refeições natalinas; quase em todas as partes se fazem presentes as verduras da estação, preparadas das maneiras mais variadas; seguramente se encontram em qualquer mesa os doces, sem os quais não seria Natal: Panettone, Pandoro e Torrone; a ceia termina com grandes variedades e quantidades de queijos, frutas, frutas secas e doces. Tudo certamente acompanhado daquilo que nunca falta na mesa do italiano: um bom vinho – seja ele tinto ou branco. Além do espumante, café e ammazzacaffé (digestivo).

Mas, o que se diz para desejar as Boas Festa a alguém?

Bem, se diz aquilo que eu desejo a você:

Buone Feste!

Buon Natale!

Buon Anno!

Tallenna

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