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Tudo sobre ser Au Pair na Dinamarca

A procura por informações sobre o programa de Au Pair em vários países é grande, e muita gente quer saber o que fazer para ser Au Pair na Dinamarca. Porém esse é um tema que geralmente desperta amor e ódio nos corações, dependendo da boa ou má experiência de cada um.

Au Pair é um termo francês que significa “ao par” ou “igual”, e vem da ideia de paridade econômica na troca de serviços, ou trabalho em troca de comida e alojamento, com ou sem remuneração. A definição do conceito é bem clara na França, por exemplo, onde há o termo “Au Pair” e o stagiaire aide familial étranger.

Originalmente a pessoa participante de um programa de Au Pair é alguém jovem que busca intercâmbio cultural, porém atualmente em muitos países o conceito se tornou associado a mão de obra jovem e barata, contratada essencialmente para executar tarefas domésticas, como limpeza da casa e cuidado com as crianças. Curiosamente, embora o programa aceite jovens homens a maioria esmagadora de participantes é de mulheres.

As leis sobre o programa de Au Pair na Dinamarca estão descritas no Ny i Danmark, a página do serviço de imigração dinamarquês. Veja as regras em português no site da Embaixada da Dinamarca no Brasil aqui.

Basicamente, precisa ter entre 17 a 29 anos, nunca ter morado na Dinamarca antes, ser solteira/o, não ter filhos e ter conhecimentos em pelo menos um desses idiomas: inglês, norueguês, alemão ou sueco. O contrato tem validade de no máximo 24 meses. Se for trocar de família, precisa pedir novo visto. O valor da taxa administrativa do visto não é reembolsado caso o visto seja negado.

Há ainda redes de apoio online, como o Au Pair Network, que ajudam com informações, aconselhamento e eventos sociais para os participantes do programa no país. No Au Pair World e no Au Pair Danmark também há diretrizes sobre o que fazer para ser Au Pair na Dinamarca.

Curiosidades

  • 81% dos vistos concedidos para Au Pairs na Dinamarca em 2015 foram para jovens das Filipinas.
  • O governo dinamarquês preparou uma publicação falando sobre o programa de Au Pair e sua ligação com o tráfico de pessoas e trabalhos forçados. Se você lê em dinamarquês, pode acessá-la aqui.
  • Devido a fraudes e ao fato de jovens de países em desenvolvimento usarem o programa como porta de entrada para permanência no país, o governo dinamarquês estuda medidas restritivas como diminuição da idade limite para candidatura, aumento na taxa administrativa do visto, entre outros.

O BPM conversou com duas brasileiras Au Pairs na Dinamarca.

“Eu fui Au Pair antes, em 2011, na Bélgica. Voltei ao Brasil e procurei formas de voltar à Europa, mas por falta de recursos pra vir estudar, decidi vir como Au Pair novamente. Poucos países aceitavam Au Pairs com a minha idade. Entre eles, escolhi a Dinamarca.

Encontrei a minha primeira família no site Au Pair World. Não haviam muitas famílias dinamarquesas. Depois descobri que aqui se usam mais outros sites. Fechei com eles e eles entraram com o pedido de visto. Com a parte deles em mãos, marquei hora no consulado da Noruega (que tem parceria com a Dinamarca) no Rio de Janeiro, paguei uma taxa e recebi a resposta em três meses.

Eu vim com expectativas bem baixas, pois não tive uma boa experiência na Bélgica. Lá eu trabalhava bem mais do que deveria e cuidava de quatro crianças. Então, quando vim para cá, eu estava bem feliz de ter que focar mais em trabalho doméstico, porque 30 horas semanais cuidando apenas das crianças é bem cansativo, e gosto de trabalho doméstico. Morei sozinha durante muito tempo e imaginei que seria como cuidar da minha própria casa.

Na primeira família eu não me sentia integrada. Os momentos de família com eles eram mais voltados para eu ajudá-los e não exatamente aproveitar o tempo “em família”. Quando decidi mudar, isso estava entre as minhas prioridades. Ter um bom relacionamento com a família, ter limites e horários de trabalho definidos torna o trabalho mais fácil e a convivência melhor. Hoje eu tenho isso com a segunda família.

É preciso saber suas prioridades, o que você quer. Se pra você é importante morar numa cidade grande, ter independência e cuidar mais das crianças, não aceite estar numa família no subúrbio, em que você é tratada como filha, que precisa sempre dar satisfação sobre o seu tempo livre, e que seu trabalho é basicamente a casa. Outro conselho que sempre dou é conhecer as regras. Não adianta vir pra cá com expectativas irreais só por falta de opção. E sempre procure seus direitos.

O Au Pair Network, uma organização não-governamental daqui, está aí para nos ajudar com tudo. Eu gosto muito de morar aqui e aprendi demais sobre a língua, as pessoas, o jeito de viver. Quando se escolhe ir pra outro país, você tem que ter um mínimo de conhecimento sobre o que vai encontrar lá.” – Amanda, 29 anos, é atualmente Au Pair 

“A família que me trouxe me encontrou no site Au Pair World. Eu troquei de família após 3 meses por descumprimento de contrato. A segunda eu encontrei no site Aufini.com. O processo de visto não é burocrático: a host family faz o contrato e paga a taxa do visto. Após isso, ambos aguardam a resposta por até 3 meses. Se a Au Pair faz o pedido no Brasil, ela paga uma taxa ao consulado da Noruega, que intermedia o processo.

Eu vim de uma experiência positiva como Au Pair nos EUA. Na Dinamarca, tive problemas de descumprimento de contrato em ambas famílias para as quais eu trabalhei. A primeira falhou no requisito básico, que é garantir comida para a Au Pair, e me fazia pagar pelo transporte de ônibus das crianças até a escola, uma vez que era minha obrigação comprar um cartão de ônibus caro para poder levá-los gratuitamente como acompanhante todos os dias. A segunda família abusava muito com relação às tarefas de limpeza doméstica. Em geral eu vejo que as famílias na Dinamarca pegam Au Pair para isso, não para cuidar de crianças.

Acredito que a Au Pair tem que combinar com a família que vai morar. Todas têm problemas, mas depende muito do que a Au Pair tolera. O que pode parecer inadmissível para algumas é tolerável para outras. É como qualquer trabalho, só que nesse, você mora com o patrão, então ambos têm que combinar.

O programa está muito banalizado na Dinamarca. As famílias enxergam a Au Pair como uma empregada doméstica de baixo custo e não como uma ajuda, que é o que deveria ser. Acho que a vinda massiva de algumas asiáticas banalizou o programa, já que a maioria usa Au Pair como uma oportunidade de trabalho no exterior para enviar dinheiro para a família, e não um intercâmbio. Com isso, as famílias dinamarquesas se acostumaram a abusar, já que as antecessoras aceitam trabalhar muito mais do que o devido para não perder o contrato, já que esse dinheiro vale muito na terra natal delas.” – Laila foi Au Pair em 2015-2016, formou família na Dinamarca e mora atualmente em Aarhus

Se você é ou foi Au Pair na Dinamarca, conte a sua experiência nos comentários!

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