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Um emocionante passeio pelos principais vulcões no Japão

Uma das minhas maiores paixões no Japão são as montanhas vivas, cheias de energia, donas de paisagens incríveis e grandes exemplos da força da natureza. É uma amostra da vida, daquilo que devemos respeitar e admirar dentro das belas criações da natureza, tão importante quanto a própria humanidade.

É verdade que os vulcões provocam medo, estão entre os riscos das grandes tragédias naturais e podem ser ainda mais assustadores no Japão, que é um país com 101 vulcões ativos. Cerca de 7% de todos os vulcões ativos do mundo estão no arquipélago e alguns deles são considerados como os mais perigosos.

Porém, felizmente, a prevenção também é o ponto forte do país. A Agência de Meteorologia do Japão (JMA) monitora durante 24 horas os montes mais perigosos com câmeras e equipamentos, com foco nas crateras com maior risco de explosão. Porém, um estudo recente da própria JMA mostrou que há 21 vulcões que podem entrar em erupção por crateras não monitoradas.

Nem é preciso dizer que, como consequência, o órgão já está se movimentando para garantir câmeras de segurança que vigiem essas crateras e evitar que um novo desastre como o ocorrido no Monte Kusatsu Shirane em Gunma (mesma região de Tóquio) tire a vida de pessoas. No ano passado, uma erupção surpresa por uma cratera que era considerada de baixo risco provocou a morte de uma pessoa e deixou 11 feridas.

Mas, a coluna deste mês não é para falar dos riscos dos vulcões e sim de suas belezas e do excêntrico turismo ao redor deles. Para nós brasileiros, que viemos de um país sem vulcões, observar essas paisagens de perto é emocionante. Mas, para o turista comum, que muitas vezes faz um programa de viagem focado em províncias como Tóquio, Osaka ou Quioto, esses passeios exóticos acabam de fora do roteiro.

Como sou apaixonada por vulcões, vou começar apresentando aqueles que eu tive a oportunidade de conhecer. Ainda há vários na minha lista para explorar e você querido leitor, se por acaso já teve a oportunidade de conhecer um vulcão no Japão, não deixe de contar a sua experiência.

Também vou deixar o Monte Fuji de fora desta pequena lista, por ser o vulcão mais conhecido e o mais visitado do país. Mas, para quem quer saber mais sobre o Monte Fuji, deixo aqui a coluna da minha colega e amiga Ju Platero, que contou a experiência de subir essa montanha milenar e maravilhosa.

Veja: Escalando o Monte Fuji

Monte Hakone (Kanagawa)
Localizado entre as províncias de Kanagawa e Shizuoka, o Monte Hakone é um vulcão ativo de pelo menos 400 mil anos. Por estar a cerca de 1h30 de trem da capital Tóquio, é uma excelente opção para os turistas que gostariam de fazer um “desvio” da capital para conhecer um pouco da excêntrica natureza do arquipélago.

A viagem para Hakone foi uma das minhas melhores experiências no Japão. O ponto forte é um passeio pelo Vale de Owakudani, acessível pelo teleférico Hakone Ropeway, e de onde é possível verificar paisagens incríveis, amareladas pelo enxofre. Na compra do bilhete, um lencinho medicinal é fornecido para aqueles que possam ter problemas respiratórios com a liberação de gases vulcânicos.

Visão do teleférico de Hakone (crédito: Ana Paula Ramos)

A paisagem única é o principal destaque para quem visita o vale, mas há também outras atrações bastante peculiares, como os ovos negros, cozidos nas águas aquecidas pelo vulcão e até sorvete preto! Este só para entrar no clima mesmo.

Minha família com ovos pretos de Hakone

Apesar de ser possível fazer um bate-volta de Tóquio, a recomendação é ficar pelo menos três dias em Hakone. A cidade é famosa pelas águas termais, o belíssimo lago Ashi formado por uma erupção há 3 mil anos e o Yagai Bijutsukan, um museu ao ar livre, com um belo jardim que exibe 120 obras modernas e clássicas.

Monte Sakurajima (Kagoshima)
Na província de Kagoshima (sul do Japão), está localizado um dos vulcões mais excêntricos do arquipélago e também um dos mais perigosos do mundo. O Monte Sakurajima fica em uma “semi-ilha” de mesmo nome, ligada por um pequeno trecho de terra a cidade de Kagoshima (capital da província).

Por ser um dos vulcões mais perigosos, não é possível escalar e alguns quilômetros da cratera principal ficam constantemente interditados. Só por curiosidade, era permitido escalar o Monte e as subidas eram organizadas até por escolas, mas em 1955, uma erupção surpresa deixou um morto e 11 feridos. Desde então, o governo decidiu proibir as escaladas.

Mesmo assim, os visitantes podem contemplar uma paisagem única, aproveitar as águas termais da ilha e em algumas ocasiões, presenciar a chuva de cinzas que toma a ilha e a cidade quando há erupções.

Crédito: Ana Paula Ramos

Infelizmente, nos dias em que fui conhecer Sakurajima o tempo estava fechado e com muita chuva, por isso acabei com a visão limitada. Mas mesmo assim, deu para aproveitar as belezas da ilha, conhecer o Parque de Dinossauros, as formações rochosas provocadas pela lava e trazer para casa uma pedra pome (que eu só fui descobrir depois).

Crédito: Ana Paula Ramos

Beppu (Oita)
Localizada também no sul do Japão, na região de Kyushu, a cidade de Beppu (província de Oita) foi construída ao redor do Monte Tsurumi, um estratovulcão de vários picos. A montanha viva transformou a cidade em um reduto de águas termais, com mais de 2.500 fontes e com vapores que brotam das avenidas, chamando atenção dos turistas.

Leia também: Custo de vida no Japão

Beppu é conhecida por ser dona de águas medicinais e terapêuticas. A visita as fontes é a principal motivação dos turistas, mas há um passeio muito mais exótico para quem resolve visitar a cidade: os “infernos” de Beppu. São sete pontos de saída de vapores quentes, com águas que variam de 78°C a 150°C e possuem muita história para contar.

Crédito: Unsplash

Uma das mais excêntricas é a “Kamado Jigoku” (Panela do Inferno), que é uma coleção de nascentes fumegantes, “protegidas” pela estátua de um diabo vermelho. Outro “Inferno” que chama atenção é o Tatsumaki Jigoku (Jato do Inferno), que é considerado tesouro nacional de Beppu. A nascente termal entra em erupção de tempos em tempos, liberando vapor de ar e uma coluna de água quente. A temperatura da água chega a 150°C.

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