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Um tour gastronômico pela culinária napolitana – parte 1

A questão culinária na Itália é um assunto levado muito a sério e é uma parte muito importante da identidade cultural italiana. Também se o país é pequeno cada região tem sua própria variedade de pratos típicos, portanto viajar pela Itália significa não so admirar as belezas históricas e naturais que esse fantástico pais tem a oferecer, mas também significa fazer uma viagem de descoberta de novos sabores e pratos e hoje falo sobre a culinária napolitana!

Em Nápoles, essa situação não poderia ser diferente! A cidade sofreu inúmeras influências durante todos os anos de sua existência (eu já citei isso brevemente no meu primeiro artigo sobre Nápoles) e isso obviamente vem refletido também na culinária. Portanto, eu escolhi alguns pratos típicos que na minha opinião, não se pode deixar de experimentar quando se passa por aqui!

Spaghetti alle vongole

Vocês sabem aquelas conchinhas que todo mundo já catou quando foi passar férias em algum lugar de praia? Então, ao contrário do que acontece no Brasil, aquelas conchinhas não viram artesanato mas vão parar diretamente na panela. É uma receita aparentemente simples, pois leva somente sal, pimenta do reino, salsinha, azeite e as conchinhas, porém o resultado é muito gostoso! É possível também encontrar algumas variantes, que levam tomates frescos ou até azeitona e nozes, isso depende do restaurante e das tradições locais.

Pasta e patate

Pasta e patate seria uma massa feita com batatas. Isso mesmo, uma bomba de carboidratos! Porém esse prato foi muito importante na época que a fome reinava por esses lados, pois além da massa e da batata, que são ingredientes fáceis e baratos, usavam também restos de outros produtos como cascas de parmesão para implementar um pouco um prato. Essa massa é muito apreciada no inverno, porém é possível encontrar em várias Tratorias espalhadas pela cidade durante todo o ano.

Frittatina di pasta

Nápoles é famosa também por ter várias comidas de rua típicas, também conhecido como street food, e a frittatina di pasta é um clássico que se acha no centro histórico da cidade nas vitrines das pizzarias. Nada mais é do que um bolinho de pasta frito, empanado e recheado com carne moída, ervilha, provala (um queijo tipo mozzarela defumado) e molho bechamel. Só de pensar já me veio água na boca!

‘O cuoppo

Mais um protagonista entre as comidas de rua em Nápoles, ‘o cuoppo que nada mais é que um cone feito de feito de papel no qual se coloca várias guloseimas fritas e normalmente vem servido como uma entrada ou como um petisco. Pode ser feito em duas versões: com frutos do mar e peixe (bacalhau, lula, anchovas, camarões etc.) ou o que eles chamam de “cuoppo di terra” que pode conter verduras empanadas, polenta, bolinho de arroz e o que eles chamam de pasta cresciuta (Uma massa similar a aquela utilizada para fazer a pizza), obviamente tudo devidamente frito!

Parmigiana de beringela

Um prato feito com fatias de berinjelas fritas, molho de tomate e manjericão que depois vai ao forno para terminar de cozinhar, é considerado bastante “polêmico” por ter uma origem incerta. Alguns dizem que vem de Parma, pois são famosos por fazer pratos a camadas. Outros dizem que tem origem siciliana, pois a palavra “parmigiana” derivaria da palavra em dialeto siciliano “parmiciana” que significa “listras de madeira de uma janela persiana”, referindo-se ao fato que as fatias de berinjela vêm colocadas uma em cima da outra. E o que tem a ver Nápoles nessa historia toda?  Além da presença da receita em alguns livros culinários históricos e do domínio que os napolitanos tinham em Sicília, acredita-se que esse prato possa ter chegado a Nápoles também com os Bourbons, que tinham o poder sob a região de Parma na época. O resultado dessa confusão de origens é simplesmente fantástico, pois foi enriquecida com a deliciosa mozzarella e com o queijo parmesão e hoje é um dos pratos que não pode faltar no almoço de domingo!

Babà

Estava faltando um docinho nessa lista né? Então decidi adicionar um doce napolitano de aparência simples, mas nada fácil de ser feito e com uma história um tanto quanto curiosa. Esse doce é inspirado em um doce polonês criado pelo rei Estanislau I Leszczyński. Reza a lenda que esse rei polonês não possuía dentes e por essa razão não podia comer um doce chamado gugelhupf. Por isso decidiu “amaciar” o doce com vinho e xarope, para conseguir finalmente come-lo. As primeiras receitas do babà surgem no cenário napolitano somente no século 19 provavelmente trazidas junto com a família real francesa, nas quais o doce possuía uva-passa e açafrão. Nos dias de hoje essa sobremesa é bem diferente: se trata de uma massa que fica por horas em repouso, depois vem colocadas em formas no formato de cogumelos e assam até ficarem dourados. Depois disso esse bolinho vem regado com uma mistura de rum e açúcar. Outras variações podem conter o creme pasteleiro e amarena ou chantilly e Nutella. Não interessa se é simples ou recheado, mas tenho certeza que vocês não irão se arrepender!

Por enquanto essa é a primeira parte da culinária napolitana. Alguém já experimentou algum desses pratos? Tem algum prato típico que eu esqueci e deveria falar mais a respeito? Vocês devem estar se perguntando “e a pizza?”, mas podem deixar que eu não me esqueci dessa gostosura e falarei mais a respeito no próximo artigo.

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