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Uma estilista na China: como eu vim parar aqui

Uma estilista na China.

Quando comecei a namorar meu marido, no carnaval de 2017, nem poderia sonhar que no carnaval de 2018 estaríamos casados e morando juntos na China! Estávamos no comecinho do namoro quando recebi uma proposta de trabalho na Índia. Eu era estilista de decoração de uma rede de lojas em São Paulo, tinha acabado de comprar meu apartamento, mas sentia que a vida estava estagnada. Estava com aquele medo de “sossegar” em um lugar, viver de pagar contas, etc, mas mesmo assim recusei porque julguei a Índia muito perigosa para uma mulher sozinha.

Aquela proposta mexeu comigo, eu sou super independente, adoro viajar, então a possibilidade de morar fora novamente (eu já tinha morado no exterior em 2008 e 2009, e foi uma das melhores experiências que já tive) me deixou empolgada. O meu dia a dia que eu amava, de repente, ficou sem graça, eu já tinha feito um cenário na minha cabeça muito mais empolgante! 

Comecei então a pensar, onde eu passaria um tempo? Como eu sou designer e estilista, trabalho muito com tecidos, portanto, pensar na China é inevitável. É onde tudo acontece, onde estão as fábricas e as possibilidades. E só quem trabalha com eles entende a dificuldade de cumprir todas as expectativas, prazos, detalhes… é sentir o coração na mão a cada coleção!

Cara de pau que sou, me enchi de coragem e enviei um e-mail dizendo que queria ir para a China no segundo semestre de 2017, se eu poderia visitar ou fazer um estágio com um dos meus fornecedores. A resposta foi imediata: “—Claro, a empresa está aberta para você. Inclusive estamos procurando por uma designer, que seja assim como você. Você tem alguém para indicar?”. “Tenho sim. Eu mesma.” 

Assim começou, com um impulso ousado e uma conversa de duas horas por WhatsApp, já tínhamos tudo definido: benefícios, carga horária, salário, data provável… tudo! E a proposta era realmente boa, eu estava no meio de uma reforma no apartamento novo, completamente sem grana, e eles me ofereceriam casa, carro, despesas, celular, professor particular, além é claro da oportunidade de levar meu conhecimento de anos trabalhando em empresas grandes para uma fábrica na China, criar novos processos, auxiliar na comunicação com os clientes, desenvolvimento, ter acesso a todas as coleções… Nem parecia real!

Mais tarde descobri que eles estavam procurando uma pessoa chinesa, e não uma estrangeira, mas meu e-mail despertou neles essa possibilidade.

Eu já conhecia essa empresa há anos, já trabalhava com eles do outro lado, já os conhecia pessoalmente, mas de alguma forma achei tudo muito fácil, e quando é fácil demais, vocês sabem, a gente desconfia!

Cheguei em casa como quem não quer nada, sem esconder o sorriso de quem está aprontando, e avisei a todos que, se eles cumprissem o que estavam propondo, eu estava indo morar na China!

Só faltava ter essa conversa com o namorado, (até porque eu já tinha aceitado) mas para minha segunda surpresa ele me incentivou. Disse-me que eu tinha que ir, que era importante para mim e para a minha carreira, que ele queria me ver feliz e não seria certo tentar me dissuadir. Mas que se eu fosse ele iria comigo. Como não se apaixonar ainda mais por uma pessoa que respeita, apoia e ainda topa suas maluquices?

Bom, a partir daí vocês podem imaginar… O pessoal da empresa estava falando sério, e meu namorado também. Nos casamos no civil com cinco meses de namoro, mais por uma questão consular mesmo, mas aqui estamos. Hoje ele dá aulas na universidade daqui, além de trabalhar online, e eu sigo cuidando do estilo das fábricas, ensinando e aprendendo muito.

Leia sobre: Presentes, tabus e costumes na China.

Com tanta ansiedade, expectativa e correria, eu entendi que o meu trabalho é o meu melhor cartão de visitas, nem sempre tem pegadinha no caminho, se somos transparentes e ousados, acabamos conseguindo coisas maiores do que se ficássemos sentados e esperando aquele chefe nos reconhecer. Sem contar na constatação de que é muito mais emocionante trilhar a sua própria história, sem seguir a história de sucesso de ninguém, e que sossegar não precisa ser um lugar, mas sim se sentir em casa em qualquer lugar. Até na China.

A China nos faz sentir crianças novamente, reaprendendo até as coisas mais simples. Nos meus próximos textos vou falar um pouco mais sobre este país, sobre a minha profissão, sobre a cultura, comida, enfim, tudo o que eu não fazia ideia e só descobri quando desembarquei!

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2 comentários

Natalia Fevereiro 9, 2018 at 1:01 pm

Oi, Naschara!
Que legal a sua história! Imagino o quão feliz vc deve estar por ter conseguido essa oportunidade!
Eu e meu marido estávamos pensando em mudar para a China no meio desse ano, meu marido é irlandês e professor, então existem muitas oportunidades de emprego para ele na China, mas lendo mais sobre a vida aí e sobre os vistos, eu acabei achando que seria muito difícil conseguir visto de trabalho para mim na China. Sou designer gráfica com experiência no Brasil e na Irlanda. Gostaria de saber a sua opinião sobre isso, se é realmente complicado um visto de trabalho e o quanto as empresas estão dispostas a patrocinar vistos para estrangeiros.
Obrigada! =)

Resposta
Naschara Saraiva Maio 22, 2018 at 9:35 am

Oi Natalia! Só vi sua mensagem agora! Não acho que seja dificil, uma vez estando aqui acabo ficando sabendo de empresas que gostariam de contratar etc.. para qual cidade você gostaria de ir? Bjs!

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