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Inglaterra

Uma história sobre falar inglês

Hoje é dia de contar história. Essa que eu escolhi começa triste mas termina muito feliz, se é que posso dizer que ela termina. Sente, pegue um café, e entenda o que Londres tem a ver com a cura do meu maior trauma de infância.

Bom, quando eu tinha 7 anos, estudava em um colégio pequeno de bairro. Como nasci em dezembro, minha mãe me matriculou um ano adiantada na escola. A princípio isso pode parecer bobagem, afinal uma pessoa de 30 anos conversando com outra de 31 são consideradas da mesma idade e estão na mesma fase, mas não é assim que a banda toca no auge dos nossos 7 ou 8 anos. Aliás, isso é uma coisa importante para nós adultos entendermos, a noção de tempo que nós temos é totalmente diferente da noção de tempo que as crianças têm.

Não é a toa que elas acham que o aniversário e o Natal demoram uma eternidade para chegar, de fato demoram muito mais para elas, pois como aprendem coisas novas a todo minuto, é normal que o dia pareça mais longo e, naturalmente, que os anos demorem décadas para passar. Enfim, nessa fase da minha vida eu não era uma boa aluna, tinha muita dificuldade com matemática (para não dizer que eu era/sou uma negação), estava sempre na desvantagem, pois meu colegas eram um ano mais velhos e isso fazia muita diferença na prática, mas pasmem, a aula de inglês era o momento que eu entrava em um verdadeiro filme de terror. Eu não conseguia acompanhar de jeito nenhum, e como a maioria das crianças, se, nos primeiros 5 minutos eu não entendia, eu simplesmente desligava da aula, e aí meu bem, aí é que eu não entendia mais nada.

Tudo o que você precisa saber para morar na Inglaterra!

Foi no dia de saber o resultado de uma prova que começou um trauma grave na minha vida. Meu professor chamava os alunos e entregava a prova para um por um. A minha não chegava nunca, e eu já estava tremendo, quando enfim chegou a minha vez, o professor disse “Não precisa nem levantar, sua nota é zero. Você foi a pior aluna da classe. Por favor, peça para a sua mãe te levar ao otorrino, pois tenho certeza que você tem problema de audição, não é possível!”. Não preciso nem dizer que todos deram risada e eu queria morrer. Deste dia em diante eu passei a recusar automaticamente tudo que estava relacionado ao inglês, inclusive músicas. Fui levando nas coxas a matéria na escola, usando memória seletiva, ou seja, apagando tudo que eu tinha acabado de aprender. Quando acabou a escola eu abandonei a causa e me senti livre e leve de, enfim, poder parar de pensar nesse tal de inglês.

Mas é claro que a vida é complexa e logo me dei conta que precisava falar inglês fluente. Empurrei com a barriga por alguns anos, mas acabei decidindo fazer aulas com professor particular. No começo foi bem difícil, porque eu ainda tinha medo de ser julgada e ridicularizada, mas segui estudando até o dia que eu e meu marido, por outros motivos, decidimos que era hora de nos mudarmos para Londres.

Assim que cheguei em Londres eu “paniquei”. Não queria estar em um lugar em que todos falavam melhor do que eu, como a minha classe de aula aos 7 anos. Foi aí que decidi estudar inglês. Entrei na menor escola que achei, a mais familiar de todas, fiz um “intensivão” de 3 meses estudando 5 horas por dia, todos os dias da semana. Na verdade é claro que eu não falava tão mal quanto pensava, e com um time de professores britânicos incríveis, humildes e com técnicas muito interessantes, aprendi tudo que não sabia, aperfeiçoei o que aprendi, fiz muitos amigos e peguei amor por tudo isso. Me sentia bem em estar lá e fui estendendo meu curso mês a mês até completar 9 meses e meus professores praticamente me expulsarem de lá.

Os britânicos têm fama de ser frios e sérios, e eles são quando você olha na rua, de longe, sem conhecer, mas foram eles que me mostraram como podemos vencer um trauma de forma humana, carinhosa e muito atenciosa. Meus professores são pessoas que entendem de pessoas e que priorizam sua interação e não puramente medir resultados. Enfim, hoje sei que sempre podemos aprender mais quando o assunto é línguas, todos os dias ainda aprendo muita coisa em inglês e tenho certeza que será assim até o final da minha vida. Como dizia meu professor “ninguém sabe tudo em inglês”.

Para quem pensa em vir estudar inglês em Londres e tem esse preconceito de que precisa chegar falando bem porque aqui os professores são frios e pegam pesado, tirem isso da cabeça e comprem a passagem. Aqui existem milhares de formatos de escolas, grandes e renomadas, universidades que disponibilizam cursos de línguas e também formatos menores e familiares com poucos alunos por sala, como eu escolhi. A decisão do melhor método dever ser sua, mas meu conselho é levar em consideração a forma como você se sente mais confortável para aprender.

Nunca morei nos EUA, Canadá, Austrália ou Nova Zelândia, mas tenho certeza que existem excelentes escolas e profissionais nesses países, de qualquer forma, onde moro, posso garantir que você encontrará especialistas em ensinar essa língua, afinal, eles deram conta de ensinar para o mundo todo e para pessoa mais “panicada” do Brasil.

Inglaterra, o lugar onde curei meu trauma com muita dose de amor, carinho e paciência, irônico né?

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12 comentários

Samantha Fevereiro 21, 2017 at 8:10 pm

Olá Johana,

Adorei seu texto, super me identifiquei.
Poderia dizer o nome da escola de inglês que você estudou, quem sabe consigo tirar o trauma também!
Obrigada
Sam

Resposta
Johana Quintana Fevereiro 21, 2017 at 11:14 pm

Claro Samantha! Chama-se St John’s Wood School Of English.
Contatos:
Tel: 44 020 7624 1925
Site: http://www.sjw-school.co.uk/
Endereço: 126 Boundary Road – NW8 0RH London

Resposta
Suzana Santos Fevereiro 21, 2017 at 8:35 pm

Minha maior barreira pra aprender inglês é a vergonha, medo dos outros rirem por nao saber tanto quanto eles, e seu texto me ajudou muito a abrir minha mente nessa parte. Obrigada, adoro seus textos.

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Johana Quintana Fevereiro 21, 2017 at 11:08 pm

Oi Suzana! Entendo perfeitamente sua insegurança. Meu conselho é não pensar nos outros, apenas em você e na sua vontade de aprender. Lembre-se que antes de aprender todos eram como você. Coragem, enfrente essa barreira, no final o resultado será muito positivo. Aliás, quem acha graça de alguém querendo aprender algo novo tem muito mais o que aprender do que você, pode ter certeza. Fico feliz em saber que posso te ajudar de alguma maneira. Conte comigo. Beijos!!!

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Sara Cícera Mendes de Oliveira Fevereiro 21, 2017 at 10:06 pm

Johana, amei ler sua história de superação! Da mesma forma, eu também possuo um grande trauma do inglês, sempre fui péssima quando estava no ensino fundamental e médio, cheguei a iniciar um curso, porém, desistir, devido a dificuldade que eu possuo, me sentia envergonhada porque todos da turma possui um nível mais elevado que o meu. Embora eu tenha dificuldade, sonho em um dia poder ser fluente, estou me preparando financeiramente para fazer um intercâmbio, porém, ainda está um pouco longe de alcançar. Parabéns por ter superado o trauma. Um abraço.

Resposta
Johana Quintana Fevereiro 21, 2017 at 11:23 pm

Oi Sara, tudo bem? Fico muito feliz que tenha gostado da leitura. Meu objetivo era exatamente mostrar que qualquer um é capaz. Não desista desse objetivo, mesmo que pareça difícil. Caso não consiga fazer intercâmbio, tente encontrar um professor particular que seja Britânico, Americano ou etc para estudar ai no Brasil mesmo, ou ate mesmo viajar para estudar durante as férias, enfim, não desista!!! Bjs

Resposta
Camila Fevereiro 21, 2017 at 10:06 pm

Oi. Qual o nome da sua escola? -amei. Tudo o que eu estou buscando. !!!

Pode me dar indicações sites ou telefones? Grata

Resposta
Johana Quintana Fevereiro 21, 2017 at 11:16 pm

Claro Camila! Chama-se St John’s Wood School Of English.
Contatos:
Tel: 44 020 7624 1925
Site: http://www.sjw-school.co.uk/
Endereço: 126 Boundary Road – NW8 0RH London

Resposta
Daiane Noble Fevereiro 22, 2017 at 6:16 pm

Parabéns pela superação, Johana! Sou professora de inglês e entendo bem como podemos influenciar (para o bem ou mal) os alunos. Obrigada por compartilhar essa experiência que serve de exemplo para desmistificar a Inglaterra. Um abraço!

Resposta
Johana Quintana Fevereiro 22, 2017 at 9:22 pm

Obrigada Daiane!! Realmente o professor (a) pode influenciar bastante, neste caso, infelizmente. Um beijo!

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Mariana Outubro 22, 2018 at 10:34 pm

Johana, estou adorando seus textos!
PS: vizinha da super quadra, que atualmente mora em Netherlands.

Resposta
Johana Quintana Outubro 23, 2018 at 2:14 pm

Oi Mariana, que legal te reencontrar aqui. 🙂
Fico feliz que leia meus textos.
Aproveite bastante esse país lindo que mora.
beijos,
Joh

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