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Vale a pena viajar sozinha pelo mundo?

Viajando sozinha por quase dois anos, esta é uma questão que recebo com frequência.

O motivo? Talvez pela dificuldade das pessoas entenderem a diferença entre solidão e solitude (que aparentam ser semelhantes, mas não são).

Segundo a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBE), solidão é um vazio, a falta de alguém ou algo em nossas vidas. Quando essa sensação está presente, começamos a buscar externamente o que deveríamos encontrar internamente. Já quem encontra a solitude não sente receio de estar sozinho, no prazer da sua própria companhia. É no momento de solitude que podemos desenvolver a inteligência emocional, a capacidade de perceber e administrar as nossas emoções, aprender a compreender, respeitar e conviver muito melhor consigo mesmo e com o outro.

Ainda de acordo com os dados disponibilizados no site da SBE, 322 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão (5% do total), e 264 milhões sofrem de ansiedade (3,6%). Sintomas que aprisionam um número significativo da população mundial, inclusive a parcela que sonha em se aventurar pelo mundo sozinha, mas é paralisada pelo medo.

Leia também: Solidão, solitude e adaptação no exterior

Trilhando sozinha na Capadócia – arquivo pessoal

Explorando 25 países até o momento, aprendi na prática a desenvolver os seis pilares da inteligência emocional para manter-me equilibrada e desfrutar de forma plena as preciosas oportunidades que surgem organicamente durante a viagem:

1. Autorresponsabilidade: sou a faz tudo do projeto. Planejamento, comunicação, relações internacionais, financeiro, compras, controladoria, marketing, operações, desenvolvimento, TI, qualidade, bem-estar, saúde, segurança e por aí vai… (deu para perceber que vim do mundo corporativo, né?). Ter consciência de que sou a responsável pela minha jornada através das escolhas e renúncias que faço é um primeiro grande passo para o meu equilíbrio e desenvolvimento pessoal. Não é fácil, porém desafiador e muito edificante.

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2. Autopercepção: considero este pilar um dos mais importantes. Observar se estou no meu centro é uma prática frequente que procuro exercitar através da meditação. Quando percebo que minha energia está vibrando baixo por conta de atitudes minhas ou dos outros, eu paro, respiro fundo e observo todas as reações do meu corpo sem julgamentos. Em seguida, tento aprender alguma lição com a experiência vivenciada para me fortalecer e autoconhecer cada vez mais.

3. Percepção das emoções do outro: apesar de estar viajando sozinha, estou em constante contato com pessoas diferentes. Como tenho residido em ecovilas, a vida em comunidade está muito presente em minha jornada. Crianças, casais, famílias, jovens e idosos solteiros de diferentes culturas, classe social, gênero, opção sexual e política, raça, credo e religião fazem parte desta diversidade. É uma frequente troca de energia que me estimula a ser empática e estar atenta às emoções de quem se relaciona comigo diariamente.

4. Gerenciamento das emoções: A cada mês ou bimestre, estou em um lugar novo ao qual preciso me adaptar ao clima, idioma, cultura, costumes, comida, pessoas, regras, cama e travesseiro (quando há), trabalho voluntário e etc. Situações completamente fora da minha zona de conforto que provocam uma montanha russa de sentimentos. Saber gerenciar essas emoções e silenciar os pensamentos que pipocam o tempo todo tentando me tirar do centro também é um desafio constante que viabiliza evolução e desenvolvimento pessoal.

5. Foco: quando algo negativo me faz chorar, foco na escola que sonho criar, nas crianças que quero ajudar e adotar, nos livros que planejo escrever, nas pessoas que pretendo inspirar e, principalmente, na transformação que espero ver no Brasil e no mundo. A conexão com o meu foco renova as minhas forças, fé e esperança.

6. Ação: a única maneira de enfrentar meus medos, superar a tristeza, digerir a raiva e encontrar equilíbrio em minha vida foi através da ação. A ação de me autoconhecerpedir demissão e ir em busca dos meus sonhos tem me proporcionado experiências internacionais incríveis através do voluntariado, da reconexão com a educação (minha primeira paixão) e do aprendizado com projetos inovadores no mundo.

A única diferença entre o medo e a coragem é a ação! Se eu ficasse esperando companhia para realizar o meu sonho de viajar o mundo, talvez eu ainda estivesse presa em um escritório no centro do Rio de Janeiro aguardando ansiosamente pelos 30 dias de liberdade.

Trilhando sozinha nos Alpes Suíços – arquivo pessoal

As experiências que tenho vivido e as histórias que tenho para contar (com h mesmo porque fazem parte de um momento histórico e importante da minha vida) não há faculdade que ofereça nem empresa no mundo que pague. Afirmo sem nenhuma dúvida que tem sido a minha melhor escola.

Portanto, respondendo à pergunta que intitula esse texto, vale muito a pena viajar sozinha!

Sonha com isso? Se joga!

Aqui eu compartilho 8 passos para começar e aqui 10 benefícios de viajar com VOCÊ.

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