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Vale do Colca no Peru

Vale do Colca no Peru.

Quem planeja uma viagem ao Peru dificilmente inclui no roteiro algo além de Lima e Machu Picchu. Não que a capital cheia de diversidade e o santuário Inca fincado nas montanhas cusquenhas não sejam razões imensas para conhecer o berço do Pisco Sour, mas seguramente há outros zonas encantadoras e impressionantemente inexplorados por aqui.

Um desses locais é o Vale do Canhão do Rio Colca, ou simplesmente Vale del Colca. Reconhecido como um dos maiores cânions naturais da Terra, o Vale do Colca oferece aos visitantes vistas espetaculares das montanhas andinas peruanas, além da prática de esportes radicais e mergulhos relaxantes em piscinas de água termal. Estive no Vale do Colca no meu primeiro ano no Peru e vivi 28 dias muito interessantes por lá.

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Com acesso extremamente fácil, principalmente quando comparado a outros pontos turísticos andinos, o Vale do Colca fica a cerca de 3 horas de viagem de carro de Arequipa, segunda maior cidade do Peru. Diversos ônibus saem dessa cidade rumo à Chivay, capital da província de Caylloma e cidade-base para aqueles que se aventuram no Colca. Saindo de Lima há diversos voos diários para Arequipa, inclusive oferecidos por pequenas empresas de aviação peruanas, saindo muito mais em conta do que os voos pelas empresas de grande porte. Basta chegar ao aeroporto de Arequipa, pegar um táxi até a rodoviária da cidade e depois pesquisar quais são os transportes disponíveis naquele dia para Chivay. Vale ressaltar que Arequipa não é uma cidade muito tranquila, portanto, vale muito a pena usar o serviço de táxi oficial do aeroporto para chegar até a rodoviária e só sair de lá em um ônibus de uma empresa legalizada. O custo da passagem é de aproximadamente 40 reais. A estrada até Chivay é extremamente perigosa, cheia de curvas acentuadas e de animais na pista, e um motorista experiente pode ser a diferença entre férias inesquecíveis em um local paradisíaco e uma volta frustrada pra casa.

Leia também: curiosidades sobre o Peru

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Se a chegada é relativamente tranquila, a vida em Chivay também não fica muito atrás neste quesito. Aliás, o antagonismo da área faz com que o passeio se adapte muito bem aos mais diversos tipos de pessoas. Estive em Chivay por 28 dias e, apesar de a cidade ser extremamente pacata (tipicamente andina), consegui momentos de muita diversão ao lado do meu marido.

Confesso não ser fã de esportes radicais e o frio me fez desistir ainda mais rápido de qualquer coisa que misturasse vento e as águas absurdamente geladas do Rio Colca. Para quem curte o lado mais ousado da cidade, há tirolesas gigantes, trilhas e escaladas, além dos passeios que te levam simplesmente para observar os condores, reis do local, nas partes mais exuberantes do cânion. Mais uma vez, acredito que marcar esses passeios em uma das agências de turismo do centro de Chivay seja muito mais prudente do que se aventurar pelas montanhas sozinho. O frio, o vento e a noite podem ser uma combinação desagradável para quem não conhece esses locais.

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As piscinas de água termal são o ponto alto da cidade de Chivay e sempre estão lotadas de turistas de todas as partes do mundo. Lá acontece o encontro de todos os que precisam relaxar e se aquecer. As temperaturas na cidade chegam facilmente em graus negativos, principalmente durante a noite. Chegar nas piscinas custa menos de 2 reais por pessoa. Basta pegar um moto-táxi na praça central de Chivay. Moto-táxi no Peru não é como no Brasil e esse é um aspecto interessante de muitas das cidades pequenas daqui. No Peru, as motos são adaptadas para servirem de táxi, levando na traseira uma espécie de cabine onde cabem dois passageiros. É estranho, porém muito mais barato do que um carro normal e perfeitamente seguro, uma vez que anda em baixíssima velocidade.

A entrada nas piscinas não chega ao equivalente a 10 reais por pessoa e cada visitante recebe um kit com toalhas limpas e chave de um armário, deixando tudo muito mais seguro. Um fato interessante sobre as piscinas é que há divisão clara entre as que são utilizadas pelos turistas e pelo povo local. Na entrada, recebemos um cupom com o número da piscina que podemos utilizar e os moradores locais não têm acesso a essas piscinas. Estranho? Muito. Mas estava claro que ninguém deixava de se divertir por isso.

 

Como boa carioca, mesmo avisada sobre os efeitos colaterais que um banho de imersão em uma água tão quente podem causar, aproveitei a piscina linda, quentinha e com uma vista maravilhosa para brincar, mergulhar e me encher de todas as porcarias comestíveis que podemos pedir sem nem sair da água, na lojinha do lado e desfrutar de tudo sem passar frio. Acabei pagando caro por isso na hora de voltar para o hotel. Tive uma queda de pressão super forte devido à altíssima temperatura da água e saí de lá praticamente carregada pelo meu marido. Mas valeu a pena — e, honestamente, eu faria tudo de novo.

Chivay não oferece muitos restaurantes bons, de qualidade internacional ou com fartas opções de menu, principalmente se o visitante, assim como eu, se recusar a comer carne de lhama. Sobram duas ou três opções interessantes, o que já pode ser suficiente para os dias de estadia normal de um turista. Além disso, grande parte dos hotéis oferece alguma refeição aos clientes.

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Hotéis não são problema para quem deseja visitar o Colca. Há albergues, hotéis familiares e até uma unidade da rede de hotéis mais famosa do país. Nesse hotel, inclusive, está o maior restaurante da cidade e o observatório de Chivay, que está aberto para todos a um preço super acessível. Como o lugar é isolado no meio dos Andes, o céu dá um show à parte (mesmo a olho nu) e a visita ao observatório é super válida. Na noite em que fui, tive o imenso prazer de ver os anéis de Saturno em um telescópio imenso e saí de lá encantada com a beleza das estrelas.

Voltar para Lima é tão fácil quanto chegar a Chivay. Basta ir até a pequena rodoviária, comprar o bilhete e esperar o horário do seu ônibus. Saem diversos ônibus para Arequipa todos os dias. Uma vez em Arequipa, ainda na rodoviária, é possível pegar um táxi seguro até o aeroporto e em poucos minutos já estar fazendo o check-in rumo à Lima. O Vale do Colca nos oferece uma viagem incrível, diferente e cheia de opções.

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2 comentários

EMILY Março 28, 2016 at 2:49 pm

Olá Rafaela,

Sou apaixonada pelo Peru e este ano em setembro iremos (marido e pai) retornar.
Dessa vez terei muito mais tempo para desbravar e estou com uma dúvida: todos os blogs que li dizem que os passeios saem apenas de Arequipa. Queremos nos hospedar em Chivay e descer o Canyon, pernoitar e subir no dia seguinte. Sabe me dizer se em Chivay têm esses passeios ou preciso realmente sair de Arequipa?

Muito obrigada por hora

Resposta
gisele Junho 16, 2016 at 2:25 am

Oi, voce conhece o Colca Lodge? Eu vou sair de Arequipa e passar uma noite em Chivay apenas.
Voce ficaria em um hotel na cidade ou em um hotel chique ? Estou na duvida se realmente ha o que ver na cidade …

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