Vegetarianismo em Portugal: variedade e custos

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Folheto Celeiro março-abril/2018 (arquivo pessoal)
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Vegetarianismo em Portugal: variedade e custos.

Eu sou vegetariana, ou lacto-ovo-vegetariana, sendo mais específica, ou seja, não como nenhum tipo de carne animal, mas como eventualmente derivados de leite, ovos ou mel. Quando parei de comer carnes, morava em Brasília, e facilmente me adaptei ao novo cardápio. Nunca tive dificuldade de me alimentar assim morando lá e muito menos em São Paulo, onde morei depois por mais 2 anos. A variedade e disponibilidade de feiras, onde se consegue comprar vegetais frescos a bom preço é enorme no Brasil, e ao contrário do que algumas pessoas pensam, a alimentação sem carnes é consideravelmente mais barata do que a onívora. É só lembrar que vegetarianos não precisam de nada especial, é só não comprar a carne, e comer todo o resto!

Quando me mudei para a Espanha, tive um pouco de dificuldade na adaptação, por estar numa cidade muito pequena. A Espanha tem uma tradição muito forte de carnes, especialmente os embutidos e presuntos, e por isso eles possuem o hábito de inserir carnes ou caldos de carne em todos os alimentos. Mas mesmo com alguns desafios, me saí bem, e graças à habilidade e ao hábito de cozinhar sempre em casa, isso fica sempre mais fácil. Você pode ler mais sobre meus desafios como vegetariana na Catalunha.

Vegetarianismo em Portugal

Agora estou em Portugal há 5 meses e já posso compartilhar com vocês um pouco do que é a vida vegetariana aqui. Talvez por estar em uma cidade média, o processo de adaptação foi muito fácil, quase imperceptível. Portugal tem a tradição dos frutos-do-mar, peixes e bacalhau muito forte e também o costume do presunto, aqui chamado de fiambre, sempre presente nos sanduíches (aqui as sandes – feminino e encurtado, hehehe) e nas pizzas (que aqui se pronunciam “pizas”, assim como o verbo pisar). Mas o que me chamou atenção, é que apesar dos hábitos culturais tradicionais incluírem essas carnes, todos os lugares costumam ter uma opção vegetariana, já previamente estabelecida no cardápio. Geralmente é uma única opção, e comumente com queijos, mas sempre com abundância de vegetais, cogumelos, e muitas vezes tofu. Quando há queijos ou ovos, é fácil pedir para retirá-los, no caso de ser vegano, ou ter intolerâncias. Inclusive, é muito comum, ao pedir um prato vegetariano e se declarar vegetariano que os atendentes perguntem se quero que retirem o queijo ou os ovos também.

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Na Espanha não era tão incomum assim haver uma opção vegetariana, mas ao conversar, pedir alterações ou perguntar sobre opções sem carnes, a reação das pessoas era diferente. Muitos achavam que uma alimentação sem carnes podia ser deficiente e queriam me convencer disso, ou se sentiam confusos, sobre o que exatamente seria “sem carnes” e me ofereciam peixe, ou embutidos, dizendo que não era carne. Uma vez pedi um risoto de cogumelos em um restaurante e perguntei se não havia carnes, me garantiram que não, pois era de cogumelos. E após pedir, descobri pelo gosto e depois obtive a confirmação, de que era feito no caldo de carnes.

Aqui em Portugal percebo que o vegetarianismo e o veganismo já são mais bem conhecidos da população, mesmo pelos mais velhos ou em locais menores. Quando peço sem carnes, sempre sou respondida com um sorriso e as pessoas se preocupam de fato em verificar se não há nada com carnes, e avisam pedindo desculpas, caso haja caldo de carnes ou pedaços. Enfim, percebo uma naturalidade e um cuidado maior com o assunto. Aliás, em termos de simpatia, cuidado com o outro e carinho, os portugueses são o máximo!

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Custos e mercados

Bom vamos um pouco aos custos. O custo de vida em Portugal é baixo, desde que você pesquise um pouco e opte por esse estilo de vida mais simples. Existe uma infinidade de redes de supermercados famosos, além de milhares de pequenos mercadinhos de bairro. Entre as redes famosas, a que mais gosto de ir é o Lidl. É um mercado grande, mas com muita variedade, e as marcas próprias da rede são bem baratas. Sempre encontro vegetais frescos, e opções de leite vegetal, e iogurtes e sobremesas sem lactose também. As minhas compras semanais lá ficam entre 25 e 40 euros, dependendo do tamanho da compra e dos itens. Esse valor é para o casal e nosso cão, pois compro lá também a ração e petiscos para ele. Dessa forma nosso gasto mensal com alimentação, incluindo comer fora em no máximo 4 refeições no mês, fica em torno de 200 euros/mês, o que hoje em dia equivale aproximadamente a 800 reais/mês, significativamente abaixo do que era nosso gasto com alimentação em São Paulo.

Logo que cheguei fui muitas vezes ao Mini Preço, que é a mesma rede que na Espanha e no Brasil é conhecida como Dia. O preço também é bom, mas achei aqui em Portugal a variedade pior que na Espanha, especialmente para verduras e frutas frescas. Além desses há o Continente e o Pingo Doce, ambas muito comuns aqui, e que são supermercados mais arrumados, e com maior opção de produtos “de luxo”, temperos exóticos, frutas raras, etc. Se parecem mais com a rede, Pão de Açúcar, no Brasil, por exemplo. Neles minha compra sobe entre 5 e 10 euros, em média, mesmo escolhendo marcas próprias.

Existem outros mercados e redes, mas ainda não experimentei. Aqui, em Braga pelo menos, as feiras de rua não são comuns, talvez porque durante todo o inverno chove demais! Mas nos pequenos mercados locais, lojinhas minúsculas e presentes a cada esquina, sempre há frutas e verduras frescas e alguns outros produtos de mercearia. Para compras grandes saem mais caro um pouco (também coisa de 5 a 15 euros de diferença), especialmente nos industrializados, mas são uma boa solução para complementar sem ter que ir longe com uma ou outra coisa.

Lojas de “produtos naturais”

Existem algumas lojas especializadas em produtos naturais, com muitas opções fantásticas para vegetarianos e veganos, além daqueles com intolerâncias ou alergias e para os que gostam de orgânicos. A maior delas é a rede Celeiro. Aqui em Braga há lojas em dois shoppings, o Braga Parque e o Nova Arcada. Essa rede possui coisas como chia, linhaça, tofu, uma variedade maior de produtos sem glúten, sobremesas feitas sem açúcares refinados e afins. Recebi recentemente um panfleto de lá com preços ótimos. Para compras maiores certamente ficará mais caro que os mercados grandes, mas há alguns produtos específicos que só encontro nesse tipo de loja, conhecidas pelos “produtos naturais”, e para pequenas quantidades os preços valem a pena.

Folheto Celeiro março-abril/2018 (arquivo pessoal)

 

Há outra dessas “lojas naturais”, a Hibisco, presente em dois endereços, um no centro histórico, onde também servem almoço e lanches e outra mais próxima da estação de trem, somente com produtos e às vezes algo para degustação. Essa é bem pequena, mas por ser de muito fácil acesso, passo a pé em frente com frequência, também é uma boa opção.

Primeiras impressões de restaurantes

Os restaurantes ainda não conheço muitos, mas em todos os que fui sempre encontrei boas opções vegetarianas e pessoas muito interessadas em responder de forma eficiente meus questionamentos sobre ingredientes e muito preocupadas em oferecer uma boa opção. Como já disse antes, mesmo quando o local não possui nada específico para vegetarianos, a boa vontade ganha e as pessoas fazem questão de encontrar uma adaptação possível e me ajudar. Já comi até uma omelete enrolada dentro do pão de hambúrguer, com os complementos e batata-fritas, pois o local não tinha hambúrguer vegetariano, mas fez questão de me oferecer algo!

Em termos de acolhimento e dar um jeitinho em nome da boa recepção e satisfação, os portugueses certamente me ganharam o coração!

E você pode ler mais sobre vegetarianismo e veganismo em Portugal, França, Peru, Argentina e Alemanha. E você, já teve alguma situação de adaptação alimentar com restrições em outros países? Conta pra gente aqui nos comentários! Se tiver indicações e sugestões, aceitamos também!

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