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Rússia Transporte de animais pelo mundo

Viajando com animais pelo mundo

Eu sempre sonhei em ter um cachorro. Depois de muito tempo pesquisando, eu me decidi por um lulu da Pomerânia. Encontrei a minha filhotinha em Moscou mesmo e dei um nome russo para ela: Irina, que significa “paz”. Ela chegou em  nossa casa com 3 meses, agora já tem 1 ano e só trouxe felicidade.

Ter um animalzinho aqui é muito fácil. Encontramos excelentes veterinários que falam inglês e atendem em casa, as lojas de produtos para animais são enormes, baratas e oferecem uma variedade incrível de produtos, os salões para animais são excelentes (Irina volta cada dia mais linda do banho) e a cidade é bem “pet friendly”.

Viajar daqui com seu cão ou gato costuma ser bem simples. Como a Rússia é um país considerado livre de raiva, a burocracia diminui significantemente na hora de organizar as férias com seu melhor amigo peludinho.

Eu já viajei com a Irina para o Brasil e para a Itália. Tanto o nosso país quanto a União Europeia costumam ser bem rigorosos quando o assunto é importação de animais. Mas o processo foi muito mais simples do que eu achei que seria.

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A minha primeira experiência levando a filhotinha comigo nas férias foi com o Brasil. Como a Irina tem apenas 3 quilos, ela pode viajar comigo na cabine do avião. Para isso, eu comprei a passagem com bastante antecedência e, assim que recebi os bilhetes eletrônicos, entrei em contato com as companhias aéreas para reservar o lugar dela na cabine. As empresas têm um número limite de animais que podem viajar na cabine, portanto quanto mais cedo a reserva, melhor. Pode acontecer de não haver mais vaga na cabine e aí o animalzinho acaba tendo que viajar no porão, matando o seu tutor de preocupação. É importante lembrar que, no caso de o trajeto ser feito com duas ou mais empresas aéreas, é necessário fazer a reserva com cada uma delas separadamente e cada uma cobra um taxa também separada. Ao contrário do que as pessoas acreditam, as taxas não são altas e passam longe de serem o valor de outra passagem.

Depois de confirmar o lugar da Irina na cabine, consultei a nossa Embaixada (onde trabalho) e o veterinário dela sobre a documentação necessária. O Brasil acaba de assinar um acordo com a Rússia de reconhecimento de documentos, ou seja, não é mais necessário enviar documentos oficiais internacionais para tradução (para português) e posterior reconhecimento de firma no Setor Consular da Embaixada antes da viagem.

A Irina já tinha, desde que chegou em casa, passaporte internacional com todas as vacinas e medicamentos contra vermes e parasitas que ela já tinha tomado. Três dias antes da viagem (que é o máximo de tempo permitido) o veterinário foi até minha casa para organizar o passaporte e dar o certificado de saúde dela. Depois disso, seria apenas necessário trocar o atestado emitido por ele por um internacional, no local de controle veterinário no aeroporto. Como marinheira de primeira viagem, fui trocar o documento antes do dia da viagem, mas percebi que o procedimento é muito rápido e o controle veterinário está sempre vazio, então percebi que basta chegar mais cedo no dia da viagem e dá tudo certo na troca dos certificados.

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No dia da viagem, com passaporte e certificado internacional de saúde, embarcamos para o Brasil. Irina se comportou muito bem, dormiu durante todos os voos e não deu trabalho algum.

Na chegada ao Brasil, em São Paulo, tivemos que apresentar os documentos ao Ministério da Agricultura no aeroporto. E lá eles não deixam passar nada! Tive até alguma dificuldade com o funcionário que me atendeu, pois ele ainda não estava ciente do acordo assinado há apenas alguns dias e queria exigir a tradução do certificado internacional. Depois que eu apresentei o acordo que foi assinado, ele me entregou o documento brasileiro e liberou a Irina para suas merecidas férias.

Vale lembrar que, na entrada do Brasil, é preciso ter comprovante de todos os medicamentos de verminoses e parasitas do animalzinho. Caso contrário eles não deixam o bichinho entrar no país e ele pode ter que ficar em quarentena.

Na volta para casa, o mesmo processo: atestado de saúde dado pelo veterinário no Brasil e trocado, na véspera da viagem, pelo certificado internacional, também retirado no aeroporto. Partimos de Brasília e também foi muito simples e rápido conseguir o documento internacional.

No mês passado decidimos viajar para a Itália e Irina, obviamente, foi junto. Já sabemos que é mais complicado entrar com animais na União Europeia. Dependendo do país de origem, é necessário inclusive fazer o teste sorológico para raiva com bastante antecedência, senão nada feito.

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Como eu já comentei, a Rússia é considerada um país livre de raiva, portanto o teste sorológico não foi necessário. O processo de reserva de lugar na cabine e organização de documentos foi idêntico ao da nossa ida ao Brasil. A única diferença é que, dessa vez eu já sabia como tudo funcionava e resolvi pegar o certificado internacional no aeroporto no dia da viagem. Cheguei três horas antes do voo e, em menos de uma hora já estávamos todas devidamente registradas no voo, prontas para embarcar.

Irina e o Etna (fonte: acervo pessoal)

A questão interessante dessa viagem foi o documento italiano para a volta. Se estivéssemos em Roma, seria necessário levar o atestado do veterinário ao órgão responsável pela emissão do certificado internacional com antecedência, já que o aeroporto em Roma não conta com escritório de vigilância e o horário de atendimento no órgão na cidade é muito reduzido (duas vezes por semana, apenas em uma parte do dia). Mas estávamos em Catânia, na Sicília, o que acabou mudando um pouco o procedimento. Levei a Irina a um órgão chamado Serviço de Higiene Urbana, onde são implantados microchips e emitidos passaportes de animais. Lá me informaram que também era “emitida” a autorização para viagem. A diferença é que nenhuma autorização internacional italiana foi emitida. Tudo que o veterinário chefe fez foi ler o microchip da Irina e carimbar o certificado internacional russo, endossando o que estava ali.

Fui para o aeroporto na viagem de volta com muito medo de ter qualquer problema com a documentação dela. No entanto, ninguém sequer pediu para ver a documentação e embarcamos sem maiores problemas. Na chegada à Rússia foi a mesma coisa: ninguém olhou a documentação e chegamos em casa em segurança, depois de 15 dias viajando pela Itália.

Depois dessas duas experiências, pretendo levar a Irina comigo para onde eu puder, já que ela é parte muito importante da nossa família e eu quero que ela também aproveite cada passeio conosco. E para quem quiser acompanhar as aventuras da Irina pelo mundo, ela tem uma conta Instagram: @irina_pompom.

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17 comentários

Isabella M S Junho 11, 2017 at 10:43 pm

Olá Renata!
Sabe me dizer se existe muita dificuldade de encontrar apartamentos para alugar que aceitem cães, especialmente os de médio porte, em Moscou?

Resposta
Renata Rossi Junho 27, 2017 at 9:59 am

Oi, Isabella!
A oferta de imóveis que aceitam cães é bem grande. Eu me mudei em março e só olhei apartamentos que aceitassem a Irina. Não foi difícil achar não. O dono do meu novo apartamento adora ela. Russos adoram cachorros!
Dá para usar um filtro no site de busca de imóveis para mostrar só casas/apartamentos que aceitam animais de estimação. Isso economiza tempo e energia!
Abraços!

Resposta
Talita Junho 12, 2017 at 6:51 pm

Oi!
Tenho uma Lulu também, a Leona, e pretendemos nos mudar para a Rússia. Nós já vivemos com ela na França um tempo, portanto ela possui o passaporte europeu.
Você sabe me informar como é a documentação de cachorrinhos que saem do Brasil para a Rússia? Ou onde eu posso encontrar algo detalhado pra que eu não enfrente problemas?
Eu dei uma olhada no site da Agricultura e não encontrei. E por falta de informação, quando voltei da França com ela, tive problema no aeroporto aqui no Brasil.

Obrigada,
Talita

Resposta
Renata Rossi Junho 27, 2017 at 12:29 pm

Oi, Talita!
Os Lulus são a coisa mais fofa e carinhosa do mundo, né? Que bom que você vem para a Rússia com a sua Leona!
Os documentos para trazer o cachorrinho do Brasil para a Rússia são esses que eu citei no texto mesmo. É preciso, primeiro, de um certificado de saúde assinado por um veterinário. Depois, é agendado um horário para a inspeção e troca do certificado do vet por um internacional. Eu não precisei levar a Irina na inspeção, só os documentos dela.
Eu liguei para a vigilância do MAPA no aeroporto do Rio antes de ir com a Irina. Eles me disseram que eu deveria enviar um e-mail sem conteúdo para o endereço [email protected]. Quando vc envia esse e-mail, recebe uma resposta automática sobre a documentação do bichinho para viagem.
Talvez também seja bom ligar para o MAPA do seu aeroporto de partida internacional para verificar com faz com o passaporte europeu da Leona.
Na verdade, o Brasil é o país mais chato com entrada de animais. Quando entrei na Itália e na Rússia com a Irina ninguém sequer olhou a documentação dela. (Mas obviamente eu sempre tive tudo certo, não gosto nem de pensar em ter que deixar ela em quarentena).
Espero que eu tenha ajudado! Abraços!

Resposta
Amanda Agosto 20, 2017 at 7:55 am

Olá Renata! Tudo bem?
Você sabe me dizer se há necessidade de alguma documentação ou atestado de saúde para viajar com cachorro de São Petersburgo para Moscow ?
Obrigada! ☺️

Resposta
Renata Rossi Agosto 21, 2017 at 8:11 am

Olá, Amanda!
Eu acredito que só a documentação normal do cachorro é suficiente. Os documentos especiais são apenas para quando vamos entrar ou sair de outro país.
Acho que o passaporte internacional ou o certificado internacional de saúde são suficientes!
Abraços!

Resposta
Alyona Setembro 27, 2017 at 11:30 am

Olá Renata,
Tudo bem?
Eu li seu post antes de viajar com meu lulu para Russia (sou russa).
Eu morei no Brasil desde 2013 e um ano atrás eu comprei lá meu lulu da pomerania.
Eu fiquei curiosa onde ficam as lojas para pets em Moscou? (pois eu não achei nenhuma loja física grande ainda).
Se vc puder me indicar algumas eu te agradeço 🙂
Obrigada!
Abraços
Alyona

Resposta
Renata Rossi Outubro 2, 2017 at 1:25 pm

Olá, Alyona, tudo bem, e você?

Acho que já tirei suas dúvidas em outra plataforma, não é?
Qualquer coisa que precisar a mais é só avisar! Abraços!

Resposta
sulemania Outubro 1, 2017 at 11:48 am

Olá Renata!

Eu só queria uma breve informação, é muito caro viajar do Brasil até a Rússia?? Por favor eu queria que você me respondesse!

Obrigada!

Resposta
Renata Rossi Outubro 2, 2017 at 1:26 pm

Olá! Tudo bem?
Acho que tudo depende. Sua dúvida é com relação à quê? Passagens, hospedagem?
Se me der mais informações, eu posso tentar ajudar!
Abraços!

Resposta
Stephanie Adorno Dezembro 8, 2017 at 4:50 am

Olá, Renata!
Nossa! Seu post salvou minha vida. Estou passando por esse processo nesse exato momento. Estava perdida sobre o que eu precisava para levar a minha filha para o Brasil. Vc poderia passar o link desse acordo? Quero imprimir também para prevenir, caso haja qualquer problema.
Abraços

Resposta
Renata Rossi Dezembro 26, 2017 at 10:23 am

Olá, Stephanie!
Que ótimo que meu post ajudou! Fico muito feliz.
Bom, não sei se você já viajou, mas o link do acordo é esse: https://www.hcch.net/pt/instruments/conventions/full-text/?cid=41
Boa sorte na ida para o Brasil com sua filhinha! A Irina está indo pra lá de férias de novo em um mês!
Abraços!

Resposta
Thais Fevereiro 21, 2018 at 1:35 pm

Olá Renata!

Moro em Kazan e gostaria de trazer meu cachorro do Brasil. Ele é um Bulldog francês adulto, precisará ir no porão do avião.
Li que é preciso fazer o CVI na data da partida (Brasil – Rússia) e volta (Rússia – Brasil). Como eu providencio essa documentação aqui em Kazan?
E na parada de conexão, provavelmente em Paris, é necessário algum documento também? Eu conseguiria vê-lo antes do voo seguinte?
E com qual companhia área você viajou?
Desde já agradeço!
Adoramos a matéria.

Thais

Resposta
Renata Rossi Maio 7, 2018 at 3:03 pm

Olá, Thais!
Para fazer a documentação, você só precisa que um veterinário certificado faça o documento de saúde e depois você troca no aeroporto.
O veterinário da Irina aqui em Moscou traz o documento em casa e carimba o passaporte dela 2 ou 3 dias antes da viagem.
Eu já viajei com Lufthansa, Air France, Aeroflot, Latam… Mas a Irina vai na cabine comigo, então não sei bem como funciona a organização dos animais que vão em porão.
Eu sei que a melhor companhia para fazer esse tipo de transporte no porão é a Lufthansa, então eu daria preferência para eles.
Para conexões que você não vai sair do aeroporto não precisa de documentação específica. Mas isso tudo o veterinário saberá explicar.
Boa sorte!
Abraços!

Resposta
Ingrid Pinheiro Julho 2, 2018 at 4:26 am

Olá renata! Vi que você já morou na Armênia! Que ótimo! Vc sabe me dizer se preciso fazer o teste sorológico da raiva e do czi para viajar com minha cadela para lá? Ela está microchipada e vacinada.
No mais, a companhia aérea lufthansa me orientou a seguir as regras do país em que vamos fazer conexão tbm, ou seja, na Europa. Eu fiquei muito confusa porque acho q não é correto, já que não vamos nem
Sair do aeroporto.. vc sabe me dizer se preciso me submeter a burocracia europeia ou apenas cumprir os requisitos de entrada na Armênia?!

Resposta
Renata Rossi Julho 6, 2018 at 2:08 pm

Olá, Ingrid, tudo bem?

Sim, morei na Armênia entre 2011 e 2012. Na época, não tinha animalzinho, então não sei o que é necessário. Talvez o site da embaixada armenia no Brasil tenha essas informações. Não tenho a menor ideia sé é preciso sorologia.
Já em conexão na Europa, eu não acho que faça sentido, mesmo porque provavelmente você nem sairá da área internacional do aeroporto, não é?
Todas as vezes que eu viajo com a Irina via Paris eu não preciso de documento nenhum para a França, preciso atender apenas aos requisitos do Brasil.
Boa sorte com sua cadelinha e boa viagem!
Abraços!

Resposta
Naide Gazeto Novembro 20, 2018 at 1:23 am

Boa noite,
Renata!!!
Te conheci no aeroporto em Zurique e viajamos no mesmo voô e fomos vizinhas de assento!
Você é uma pessoa encantadora, te desejo toda sorte do mundo!
Beijos
Naide Gazeto

Resposta

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