BrasileirasPeloMundo.com
Estudando Pelo Mundo Nova Zelândia

Vida de estudante na Nova Zelândia

Quando cheguei a Auckland, na Nova Zelândia, em Abril de 2016, não tinha a mínima ideia de como seria minha nova vida. Nunca tinha passado tanto tempo em um país diferente e estava cheia de expectativas, como todos nós estamos quando embarcamos numa aventura assim.

Estudei Marketing Internacional na New Zealand Institute of Education – NZIE, em um bairro chamado Takapuna, ao norte de Auckland. Meu curso era de Diploma de nível 7, o equivalente a um curso técnico no Brasil. Confesso que escolhi estudar na Nova Zelândia pelas facilidades do visto. O curso de nível 7 garante um ano de visto de trabalho para buscar emprego no país. Não sabia nada sobre a Nova Zelândia antes de vir pra cá, mas não me arrependo da escolha!

O curso

Meus primeiros dias foram de adaptação. Eu estudava três dias da semana, das nove da manhã até as 17h00, sendo um dos dias apenas meio período. Parece pouco, mas é um bom horário porque dá a liberdade para estudantes encontrarem empregos de meio período.

A minha sala era composta por estudantes brasileiros, indianos, filipinos e uma única estudante fijiana. Os meus professores eram neozelandeses, britânicos, e indianos. O curso tinha três bimestres: dois para aulas teóricas e um para o estágio voluntário em uma empresa.

O estágio foi o que me levou a escolher a NZIE como minha escola, mas logo descobri que basta uma troca de e-mails e alguns telefones e é possível conseguir um estágio mesmo que a escola não tenha um programa próprio. Os neozelandeses valorizam iniciativa. Ah, você precisa ter um inglês legal também.

Cada bimestre tinha duas matérias e trabalhos para serem entregues todo mês numa data específica, geralmente às sextas-feiras. Os trabalhos, chamados de “assignments”, iam de 500 a 3.000 palavras. Cada um tinha uma lista de requerimentos que os estudantes precisavam seguir. E é aí que a vida de estudante pode ficar complicada. São muitos trabalhos para escrever e organizar. O inglês precisa ser nível técnico. Os professores
respondiam algumas dúvidas por e-mails, mas não estavam disponíveis depois de um tempo – o que é totalmente compreensível porque eles recebem milhares de questionamentos.

É preciso muito café e organização para mandar os trabalhos nos prazos definidos. As aulas em si eram um tanto fracas, pelo menos na NZIE. Os professores dependiam muito de slides e por vezes passavam horas lendo as informações em vez de dar aulas.

Essa é uma reclamação muito comum dos estudantes na Nova Zelândia, brasileiros ou não. Muitas escolas existem apenas para garantir o visto, especialmente para cursos de Business. Apesar de a NZIE querer ser séria, às vezes deixava a desejar.

Os colegas

Talvez a parte mais legal seja estudar com tantas nacionalidades diferentes na mesma sala. Fiz muitos amigos filipinos – eles são muito simpáticos! – que mantenho contato até hoje e uma delas até me ajudou a conseguir um trabalho meio período.

Não fiz muita amizade com os indianos. Eles podiam ser inconvenientes com as mulheres e, apesar de eu ter dado uma chance, acabavam passando dos limites às vezes.

Também conheci coreanos, japoneses e alguns brasileiros. Aliás, as escolas recebem muitos brasileiros, então cuidado para não passar os dias falando português nas salas de aula!

Toda essa mistura de culturas e novidades tornaram os dias de estudo menos estressantes. Todo mundo é simpático e curioso sobre o país do outro. É muito fácil fazer amigos. Sempre fui apaixonada por outras culturas e, acredite, se você demonstrar um mínimo interesse muita gente vai compartilhar coisas legais com você.

Empregos

O visto de estudante na Nova Zelândia permite trabalhar 20 horas semanais e 40 horas no período das férias. Tem muitos locais dispostos a contratar estudantes. Na verdade, é muito mais fácil encontrar um emprego de meio período do que integral. Pelo menos, essa foi à impressão que tive ao distribuir meu currículo por aí.

Os empregos mais fáceis de conseguir são na área de turismo: restaurantes, hotéis, cafés. Eles são ótimos porque não interferem no horário das aulas, e você pode balancear estudo e trabalho. Um site bastante popular para estudantes é o Student Job Search.
Quando estiver de férias, peça um documento para a sua escola dizendo que você pode trabalhar 40 horas e entregue para seu empregador.

Gastos

Em média, um estudante gasta 1.200 dólares neozelandeses por mês. Aluguel e transporte são as maiores despesas, mas também é possível conseguir alguns descontos de estudantes por Auckland.

A Mana Tours é uma agência de turismo conhecida por ser barata e oferecer tours a um preço acessível para estudantes. As escolas também têm descontos especiais, então sempre pergunte sobre as opções na recepção.

Alimentação pode ser barata se você souber onde comer. Os preços dos restaurantes vão de 10 a 25 dólares. É muito fácil encontrar comida asiática, da Tailândia, Vietnã, Japão, Coreia do Sul – sempre muito gostosa e barata.

Você pode, também, recorrer aos fast foods nas horas de aperto. Eu geralmente gasto
30 a 70 dólares por semana no mercado. O mais barato é o Pak’n Save.

Você provavelmente vai ficar algumas semanas ou meses em uma “homestay”, que quer dizer casa de família. A família pode não ser necessariamente kiwis, mas estrangeiros residentes. O aluguel é geralmente 200 dólares semanais para mais. Muitos estudantes ficam pouco tempo e conseguem achar locais mais baratos. O site mais popular para isso é o Trade Me!

No final…

Tenho uma dica importante para você que planeja estudar na Nova Zelândia. Antes de
decidir a sua escola com uma agência ou por conta própria, dê uma pesquisada nela. A NZIE, por exemplo, tem um site maravilhoso que promete uma educação promissora, mas a realidade não é bem assim.

Procure pela qualificação das escolas no site da New Zealand Qualifications Authority – NZQA. Lá estão todas as informações sobre as escolas que você vai precisar. Basta colocar o nome da escola no campo de pesquisa e pronto.

Estudar na Nova Zelândia foi uma experiência muito enriquecedora e me fez abrir os olhos para um novo mundo. Estou do outro lado do mundo e várias coisas são diferentes por aqui. As pessoas são legais e educadas, a natureza é maravilhosa, e sou muito grata pela oportunidade de estudar e trabalhar neste país.

Espero que esse post te ajude a planejar a sua viagem!

Related posts

Como me sinto em ter deixado o Brasil

Renata Abu Chacra

Continuing Education Studies: uma opção de estudo no Canadá

Natália das Mercês Clarindo

Ensinando Português na Nova Zelândia

Catherine de Souza Nogueira

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site ou suas ferramentas de terceiros usam cookies Aceitar Consulte Mais Informação