Dicas de turismo na Argentina: El Calafate no outono

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Já estamos em pleno inverno, mas, se você, como eu, termina uma viagem já planejando as quatro seguintes, é provável que tenha uma gavetinha (ainda que imaginária) onde coleciona dicas dos próximos destinos que estão na mira! E o Calafate, já adianto, vale um cantinho bem especial aí dentro!

El Calafate é uma cidade localizada no sul da Argentina, próxima à fronteira do Chile, a 2.700km de Buenos Aires. Com menos de 22.000 habitantes (2015), é a cidade mais próxima do Parque Nacional Los Glaciares – o grande e principal atrativo da região.

A forma mais fácil de chegar ao Calafate é aérea. De Buenos Aires saem voos com boa frequência semanal, que varia conforme a temporada, operados por LATAM e Aerolíneas Argentinas (atualmente essa última possui 16 voos/semana). O tempo de viagem é de aproximadamente 3 horas e o pequeno aeroporto, que está a cerca de 25km do centro da cidade, é bonito, moderno e muito limpo, além de presentear os viajantes com uma linda vista da paisagem patagônica!

A alta temporada para visitar as famosas geleiras (glaciares) é de setembro a abril, quando há grande oferta de passeios, as temperaturas são mais agradáveis, os dias são mais longos e permitem aproveitar melhor as atividades ao ar livre. O outono, porém, oferece todo um charme especial: algumas espécies de árvore com as folhas caindo, aquela paisagem alaranjada-vermelha-amarronzada de tirar o fôlego, mais neve sobre o topo das montanhas, preços mais atraentes e pontos turísticos mais vazios – o que permite aproveitá-los muito mais. Para essa época, 3 ou 4 dias completos são mais que suficientes para visitar as principais atrações. Porém, se você possui mais dias livres, e/ou sua viagem parte de outro país e deseja aproveitar a estada no sul, uma ótima ideia é combinar o Calafate com Ushuaia, e até mesmo Punta Arenas, no Chile. No nosso caso, fizemos apenas uma viagem vai e volta, desde Buenos Aires, em um roteiro de 3,5 dias “úteis” (ida pela manhã com a tarde livre + 3 dias completos + volta no último dia pela manhã).

Saímos de Buenos Aires no primeiro voo, chegando ao nosso destino ao meio-dia. Contratamos a agência VisiteCalafate para transfer in/out e todos os passeios (fechar pacotes assim geralmente geram ótimos descontos) e, ao desembarcar, já estavam nos esperando. O transporte foi realizado em uma van muito nova e todas as pessoas da agência com quem tivemos contato foram sempre muito cordiais.

Como a viagem quebrou o nosso dia ao meio, usamos a tarde para nos acomodar com tranquilidade no hotel, dar uma volta pela cidade, comprar suprimentos no supermercado (é recomendado levar lanche em quase todos os passeios!), e jantar o famoso cordeiro patagônico, prato típico da região. Fomos ao Don Pichon e aprovamos! O restaurante não é luxuoso, mas o cordeiro estava muito bem preparado, a porção farta (pedimos para uma pessoa, além de um acompanhamento e duas entradas e foi suficiente) e o preço dentro do padrão da região. O restaurante está localizado bem no alto e a vista para o lago deve ser linda durante o dia! Oferecem serviço de buscar e levar no hotel, sem custos, mas é bom reservar.

Vale pontuar que o comércio no centro da cidade fecha durante a tarde. Os horários variam, mas será difícil encontrar algo aberto entre 14:00 e 17:00 horas. O melhor é aproveitar para fazer as compras típicas de lembrancinhas ao voltar dos passeios, à noitinha. Na baixa temporada há restaurantes que fecham para férias de inverno, que não chega a ser um inconveniente, já que muitos outros continuam abertos.

No segundo dia fizemos o passeio que, para mim, foi o mais fascinante de todos: trekking sobre o Glaciar Perito Moreno, a maior atração do Parque Nacional Los Glaciares. Literalmente, você caminha sobre o gelo – com grampones nos tênis, muito gelo, frio, vento no melhor estilo Jon Snow e direito a whisky com pedras de gelo centenárias do glaciar, el gran finale, muito bem-vindo para esquentar os ossos que já beiravam ao congelamento! É indispensável ir com roupas e calçados adequados. Não é que você tenha que gastar em mil acessórios para esporte no gelo, mas são fundamentais: botas de trekking ou, pelo menos, tênis esportivo (se for de tecido, desses que o vento no verão corre deliciosamente, use meias térmicas!); agasalho corta-vento e impermeável; luvas de dedos completos (se a sua for dessas touch, melhor, para evitar o duro frio nos dedos ao retirá-las para fotografar com o celular); e gorro quentinho. Não é indispensável, mas, recomendável, calça impermeável (fui de jeans e meia-calça térmica e tive frio nas pernas, já que o vento gelado passa pelas fibras do tecido) e algo que proteja e esquente bem o pescoço.

Trekking sobre o gelo, Perito Moreno. Acervo pessoal.

Independente da agência de turismo escolhida, a única habilitada para fazer a parte do trekking é a Hielo y Aventura, que é contratada pelas outras agências. Como contratamos o pacote completo, o tour incluiu, ainda, um par de horas para percorrer as passarelas do outro lado do Glaciar.

A entrada para o Parque Nacional não está incluída nos pacotes de turismo e deve ser paga a cada vez que você entra no parque, ou seja, se você fizer outras excursões no parque em outros dias, deverá pagar novamente. O valor atual é de $500 pesos argentinos para estrangeiros e $260 para argentinos e residentes. A atividade exige preparo físico e, dadas as condições, não são aceitas pessoas com menos de 10 anos e maiores de 65, grávidas, com problemas cardíacos, enfisema pulmonar ou alguns outros tipos de doença. Portanto, é necessário averiguar bem as restrições antes de contratar esse passeio. Quem não quer ou não pode se aventurar na caminhada sobre o gelo, no entanto, não deixará de apreciar a belezura do Perito Moreno! Pode-se optar pelo tour de passarelas – apto, também, para pessoas com mobilidade reduzida – que, por dispor de mais tempo (e não apenas 2h se conjugado com o trekking), permite percorrer todos os circuitos, com diferentes vistas, ângulos e atrações.

No terceiro dia fomos a El Chalten, a 212km de Calafate, e pudemos contemplar postais maravilhosos da patagônia argentina, observar a mudança da paisagem de estepe a bosque andino e ter vista panorâmica dos cerros Fitz Roy, Torre, Poincenot e do Glaciar Viedman (o maior do Parque dos Glaciares). Acredito que essa seja uma opção mais atrativa no verão, quando a excursão é mais longa, inclui uma navegação pelo lago del Desierto e caminhadas pelo bosque Pristino. Porém, apesar de ser cansativo passar tanto tempo na van, valeu a pena conhecer o lugarejo e aproveitar as belíssimas paisagens! Na alta temporada os fãs de trekking ficam na cidade, que oferece muitas trilhas para serem exploradas.

Vista para o Cerro Fitz Roy, caminho para El Chalten. Acervo pessoal.

O quarto e último dia “útil” foi dedicado à espetacular Navegación Rios de Hielo, um passeio de catamarã em outra parte do Parque Nacional, através do braço norte do lago Argentino. A viagem passa por vários icebergs, chegando bem perto de alguns, e pelos glaciares Upsala, Seco e Spegazzini (o mais alto do parque, com 143m de altura). Ainda que no interior do barco haja aquecimento, é importante ir muito bem agasalhado, sem esquecer luvas e gorros, já que no exterior do barco faz muito frio, principalmente quando próximo das geleiras. A vista? Um manjar para os olhos, com beleza impressionante! É bem diferente do que se vê nas passarelas, então é indispensável fazer os dois passeios.

Iceberg, Navegación Ríos de Hielo. Acervo pessoal

No quinto e último dia voltamos à capital porteña ao meio-dia extasiados da experiência vivida no Calafate e uma certeza: esse é um dos destinos mais impressionantes e imperdíveis desse continente!

Extra: recomendo muito o hotel no qual nos hospedamos, Kosten Aike. Extremamente limpo, funcionários prestativos e educados, e muito bem localizado, no cetro da cidade. Há muitas opões de hotéis mais afastados, inclusive com transporte gratuito para o centro, e as agências contratadas geralmente passam para buscar para os passeios, mas é mais cômodo ficar na região central.

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