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Gastronomia argentina: hábitos e pratos típicos

Gastronomia argentina: pratos típicos e hábitos alimentares.

A gastronomia argentina vai muito além de parrillas, empanadas e alfajores – ainda que o tripé não deixe de ser essencial na cultura local. Assim como no Brasil, o país possui diferenças culinárias marcadas em cada região, de acordo com a oferta de ingredientes, costumes locais e história. A influência de seus imigrantes se misturou aos costumes nativos e permitiu a introdução no país de novos hábitos, criação de pratos e incorporação de diferentes ingredientes. O tema rende pano não só para a manga, senão que para uma coleção inteira, mas limitaremos os caracteres.

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A cozinha pré-hispânica é representada pelo locro e pela humita e se baseava, naquela época, em pratos com milho, carnes de caça e peixes. Os espanhóis, junto aos nativos, deram origem à cozinha criolla, responsável pelo churrasco, pelo doce de leite, pelas empanadas e outros pratos mais. A fusão das duas cozinhas foi responsável pela chegada da batata, abóboras, cenoura e pimentões. Os italianos foram importantíssimos com a introdução da pizza – que ao longo dos anos foi ganhando seu estilo próprio –, de massas, risotos e da aclamada milanesa. Mais tarde, a gastronomia foi novamente influenciada com a chegada de franceses, ingleses e, mais recentemente, já nos anos 1980 a 2000, de chineses, japoneses, iranianos e tantos outros.

Os hábitos alimentares atuais, considerando Buenos Aires como referência, se caracterizam por refeições que começam pequenas e vão se tornando maiores ao longo do dia. Se nós passamos a vida escutando que deveríamos “tomar café da manhã como reis, almoçar como príncipes e jantar como um miserável”, aqui a impressão é de que o ditado foi ao contrário. O porteño começa o dia com um café ou mate e, no máximo, uma medialuna (croissant). O almoço é um pouco mais abundante, mas não é a principal refeição do dia, como é para nós brasileiros. No final da tarde, uma merienda, outra vez com mate ou café e algum biscoitinho. Finalmente, à noite, o jantar! Mas não às 19 ou 20h. Às 21h, 22 ou até às 23h estão os porteños jantando. O menu preferido? Asado (churrasco)! Um bom bife de chorizo, entraña ou um corte de vacío. Todos regados a um bom vinho e com direito a acompanhamentos!

Sobre as diferenças gastronômicas nas diferentes regiões do país, se observa o fenômeno comum em todas as regiões de fronteira, onde se compartilham hábitos comuns ao do país vizinho. No norte da argentina é comum o consumo de carne de lhama, na fronteira com Brasil e Paraguai se consome mandioca e muito chipa, no sul é típico o cordeiro patagônico.

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O importante, claro, é se abrir a conhecer e explorar as fascinantes e diversas opções que a gastronomia tem a oferecer. Ao visitar ou morar no país, tentar sair do óbvio empanada-bife-de-chorizo-batata-frita-alfajor e permitir-se encantar com outros pratos. Abaixo, um listado de algumas opções para orientar os que decidirem aventurar-se.

  • Abóboras (pratos com): há uma variedade enorme de abóboras no país (zapallos e calabazas) e, consequentemente, pratos que levem o ingrediente. Importante provar pelo menos um.
  • Achuras: para um argentino um asado (churrasco) não estará completo se não tem adoradas (por eles) achuras (vísceras). Fazem parte deste grupo os chinchulines (tripas do intestino delgado da vaca), mollejas (glândula do Timo), riñones (rins), morcilla (chouriço) e chorizo (linguiça).
  • Chocotorta: paixão e clássico nacional, a sobremesa é tipo um pavê, preparado com camadas de biscoito de chocolate (chocolinas) e um creme de doce de leite e cream cheese.
  • Entraña: o nome pode parecer estranho, mas é um dos cortes mais saborosos da parrilla Apesar do que sugere o nome, trata-se de um corte bovino da parte de fora do diafragma.
  • Estofado de carne: guisado de carne, alho, cebola, tomate, cenoura, pimentão, cogumelo fresco e vinho branco. Muito usado para acompanhar massas.
  • Guiso de lentejas:
  • Guiso de lentejas: guisado muito consumido no inverno. Preparado com lentilhas, linguiça, bacon, cebola, tomate e pimentão.
  • Humita: equivalente à pamonha, não leva recheio.
  • Locro: é um guisado que é consumido em quase todo o país, com pequenas variações em cada região. Basicamente é composto por feijão branco, milho, abóbora, linguiça, bacon, tripa e orelha (ou pé) de porco, cebola e pimentão. No dia 25 de maio é tradicional consumir o prato, quando se celebra a Revolução de Maio.
  • Matambre: muito comum nos churrascos, o corte é da região da costela. Também se prepara enrolado, tipo rocambole, configurando um prato típico da época de Natal.
  • Matambrito: corte de porco. Acompanhado do churrasquito, são duas delícias porcinas encontradas nos churrascos.
  • Puchero: um cozido de carne de boi, salsicha, ossos (tutano), cenoura, alho poró, repolho, salsão, batata doce e batata, milho e grão de bico
  • Tamal: uma versão da pamonha, porém recheada, muito típica na região de Salta. Normalmente o recheio é de cebola, passas, ovo cozido e, algumas vezes, carne.
  • Vigilante: sobremesa de queijo com doce, geralmente de membrillo (marmelo). Parecido ao nosso Romeu e Julieta.

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