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Como sobreviver à crise na Argentina

O ano de 2018 foi bem complicado para a Argentina. O mundo inteiro acompanhou a intensa desvalorização da moeda (que superou os 100% e chegou a ser a moeda que mais se desvalorizou a nível mundial) e a volta da inflação acima dos 40% anuais (a inflação de 2018 fechou em 47,7%). A taxa de juros anual chegou a 60%, a mais alta do mundo.

Para 2019, as notícias não são as mais promissoras. Segundo o FMI, a economia argentina será uma das que mais irá cair em 2019, projetando uma redução do PIB de 1,6%. Como se não fosse suficiente, já foram anunciados mais aumentos nos serviços básicos: a energia irá subir em média 55%; o gás, 35%; o transporte público, 40%; e a água, 48%.

Leia também: Driblando a crise: guia de descontos em Buenos Aires

Como, então, sobreviver neste cenário econômico? Os salários, ao contrário dos preços nas prateleiras, não sobem a cada mês. Geralmente o ajuste é feito a cada seis meses, mas quando o valor é atualizado, você já perdeu poder de compra no acumulado dos 5 meses anteriores. Abaixo, porém, listo algumas medidas que podem ajudar a driblar um pouquinho a crise e sofrer menos com a perda do poder de compra.

  1. Aproveitar as promoções

Como já comentei em outro texto, a Argentina é regida pelo costume dos descontos. Supermercados, bancos, jornais, todos terão sempre algum desconto para oferecer. Sendo assim, aproveite-os ao máximo!

Há itens no supermercado que sempre entram em ofertas e geralmente essas ofertas se repetem a cada 3 a 5 semanas. Portanto, planeje-se e compre o que não for perecível somente quando houver desconto. Alguns produtos que integram essa lista são: amaciante, sabão em pó e líquido para roupas, itens de higiene pessoal e limpeza, vinhos.

Além disso, há dias específicos em que há desconto com o cartão fidelidade ou com algum cartão específico de banco. Organizar as compras para esses dias irá garantir um desconto de pelo menos 15%.

  1. Consuma frutas e verduras da estação

Parece óbvio, mas muitas vezes, no nosso dia-a-dia, nos esquecemos dessa regra básica (e de ouro!). Consumir produtos da estação, além de mais saboroso, é muito mais barato. Como exemplo, um amarrado de aspargos que custava 109 pesos em julho, estava sendo comercializado a 35 a 40 pesos entre outubro e novembro. Algumas frutas e verduras podem ser congelados durante até 8 meses – pesquise! Dessa forma, você garante aquele item comprado a um ótimo preço por mais tempo.

  1. Cuidado com as assinaturas que prometem desconto

Principalmente os jornais possuem um clube de descontos para seus assinantes. Verifique se o valor mensal justifica os descontos oferecidos e quais desses descontos você irá aproveitar a casa mês. De repente, a mensalidade acaba sendo um “gasto formiga“ dispensável.

  1. Negocie o seu serviço de internet + TV a cabo

Apesar de serem poucas as opções de tais serviços em Buenos Aires (Capital), a maioria das empresas oferece um desconto se você fizer aquela ligação de praxe ameaçando cancelar. Para pacotes multisserviços, esse desconto pode chegar a 30%. Se não funcionar, avalie trocar de empresa. Clientes novos sempre têm acesso a promoções interessantes.

  1. Economize

Óbvio, mas vale lembrar! Todos aqueles conselhos básicos para a economia de luz, água e gás são aplicáveis e importantes, principalmente quando você colocar na ponta do lápis e somar as pequenas diferenças ao longo do ano.

  1. Mantenha-se informado

Acompanhar as notícias e a variação do dólar permite saber dos aumentos anunciados e, assim, não ser pego de surpresa ao chegar uma conta de gás ou ao chegar no caixa do supermercado.

  1. Mantenha-se focado

Apesar do conselho do item 1 de aproveitar as promoções, limite-se a comprar aquilo que realmente necessita. Fazer uma lista do que deve ser comprado ajuda a otimizar a compra e a pensar a real necessidade de algo. Os mesmos descontos que podem ajudar na compra de artigos de primeira necessidade podem, também, iludir e induzir a comprar algo supérfluo com a desculpa de que está muito barato.

  1. Evite adquirir dívidas

Adquirir novas dívidas em um momento de instabilidade econômica é altamente desaconselhável. Com a inflação alta e taxas de juros nas nuvens, o valor devido pode multiplicar-se rapidamente, transformando-se em uma bola de neve impossível de ser liquidada.

  1. Mantenha seus gastos na ponta do lápis

Registrar consumos e gastos, além de ajudar na organização dos pagamentos mês a mês, permite identificar para onde o dinheiro está indo. Dessa forma é possível, também, ter clareza do que pode ser economizado.

  1. Não sacrifique o seu futuro

De nada adianta sobreviver à crise de hoje, sacrificando algo do amanhã. Recorrer a economias para manter o mesmo estilo de consumo, é altamente desaconselhável. O melhor é adaptar-se ao novo cenário e garantir a poupança para uma situação de emergência.

E, por fim, cuide, mas não viva do estresse! Ter tranquilidade, desfrutar de algo que você goste muito e viver com leveza são essenciais. Não deixe que a crise tome conta de você.

Leia também: 10 motivos para morar na Argentina

Fontes:

BBC Mundo, BAE Negocios, Perfil, Infobae

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