Inglaterra – Cursos em Londres

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Perto de completar dois anos vivendo em Londres, depois de assistir quase todos os episódios de uma série nova do Netflix em uma manhã daquelas que duram até o final da tarde, me dei conta do quanto minha vida mudou, de como ela foi da água para o vinho, e cá entre nós, quem me conhece sabe que, mesmo com problemas de estômago, costumo sempre preferir o vinho.

Decidimos nos mudar para Londres para estudar, mas foi depois de muitas pesquisas, muita dedicação e algumas tentativas, em uma tarde de reuniões intensas no meu trabalho, que recebi a ligação do meu marido dizendo que ele finalmente havia passado no curso de dois anos de MBA da London Business School – escola que está entra as top 10 melhores escolas de MBA do mundo. Eu quase fiz uma comemoração digna de um jogador de futebol da seleção brasileira quando faz gol no final da Copa do Mundo, mas me segurei e não fiz absolutamente nada, afinal, esse não é o tipo de coisa que um profissional sério faz, não é mesmo? Eu tinha tantos planos que ficava até difícil organizá-los na minha cabeça, na verdade acho que eu não fazia ideia do queria fazer da minha vida, mas achava que iria estudar inglês por poucos meses, logo aplicaria para um mestrado em Marketing e, paralelamente, tentaria encontrar um trabalho na minha área.

Mas enfim chegou o dia da mudança, estávamos em Londres, e como já contei aqui na minha coluna, tive um choque inicial e decidi investir no meu inglês de uma forma carinhosa, leve, porém dedicada. Estudei em uma escola que recomento de olhos fechados para qualquer um: pequena, simples, mas com um coração maior que o mundo. Fica em um bairro calmo chamado St John’s Wood e a escola chama-se St John’s Wood School of English. Lá os professores são especiais, pacientes e bem exigentes. Não existe prova ou milhares de páginas de lição de casa, o método é focado em fazer o aluno se sentir confortável, ensinar da gramática a conversação de forma interativa e bastante divertida. E claro que aquilo que era para durar poucos meses acabou durando quase um ano, e foi um dos anos mais especiais da minha vida.

Aos poucos, conforme o tempo ia passando, fui desconstruindo a ideia de fazer mestrado e trabalhar em um empresa grande, e dando espaço para experiências mais reais e verdadeiras. Deixei que meu sorriso conduzisse as coisas por um tempo, afinal, nunca tinha parado de trabalhar ou morado fora na vida.

Depois que completei meu curso de inglês, pesquisei escolas legais para fazer meu mestrado, como Kings College, Central Saint Martin e até mesmo a Universidade de Oxford. Todas oferecem opções excelentes, com avaliações ótimas e eram, sem dúvida alguma, perfeitas para o que eu buscava. Porém, formada em Publicidade e Propaganda, com bastante tempo trabalhando na área, queria aprofundar meu conhecimento em temas mais específicos antes de fazer um mestrado. Percebi que o rumo que esperava dar para minha carreira exigia uma dinâmica diferente, então foi neste momento que decidi abortar a missão mestrado e fazer cursos curtos e específicos, sobre temas que me interessavam muito e que, de fato, me faziam querer estar lá aprendendo. Descobri que a University Of The Arts of London tem cursos ótimos de comunicação, marketing, moda, design e arte – e a qualidade dos cursos e dos professores é indiscutível, as aulas são bem organizadas, o material é completo e durante as aulas eles aplicam exercícios em grupo que colocam em prática o tema aprendido. Outra escola que oferece cursos excelentes, alguns inclusive de apenas um dia – ideal para quem trabalha e tem poucas horas livres – é a General Assembly. É uma escola nova, moderna e com cursos que atraem desde engenheiros até artistas, fiz três cursos lá que realmente abriram a minha cabeça para novas possibilidades de trabalho.

O problema quando se vive em Londres é o mesmo de quem tem um armário cheio de roupas, você tem tantas opções que não consegue escolher e sempre acaba se estressando e achando que nada daquilo é perfeito para você. Mas, com um pouco de paciência e dando chance às opções, você percebe como essa cidade é rica em conhecimento e que, além de conhecimento intelectual, existem muitas opções para quem quer investir em conhecimento espiritual, psicológico ou corporal. No meu caso, como também já comentei aqui na minha coluna, encontrei um curso muito legal de balé no English National Ballet, é super em conta e te permite ter aulas com professores de qualidade, conhecer gente nova e deixar sua vida mais solta e, com certeza, mais alongada – em todos os sentidos. Além disso, também assisti algumas palestras na School of Life sobre temas que te ajudam a encarar a vida com mais serenidade e auto conhecimento, ideal para quem está buscando novos desafios ou passando por grandes mudanças.

Há alguns meses eu e meu marido também decidimos aproveitar essa reta final longe do trabalho para estudar espanhol, no início estudamos no Instituto Cervantes, um lugar bem charmoso e bastante conceituado aqui em Londres, porém o curso não rendeu muito, afinal, éramos os únicos brasileiros no meio de vários ingleses aprendendo espanhol, nas salas de níveis mais básicos ficávamos entediados e nas salas de níveis mais altos sentíamos falta de algumas informações básicas. Foi aí que decidimos contratar uma professora particular espanhola e seguir com o conteúdo conforme nossas necessidades específicas. Tem sido muito melhor desta forma e as horas estão rendendo muito mais. Aliás, essa é uma recomendação legal para as brasileiras que querem aprender uma terceira língua fora do seu país, principalmente quando se tratam de línguas de origem latina, procurem fazer aulas com professores particulares no início, até que atinjam um nível avançado e possam entrar em uma sala em que todos, inclusive você, já possuem uma boa noção da língua.

E revendo toda essa jornada percebi que às vezes é realmente importante termos espaço em nossas vidas para fazermos coisas novas, tentarmos modelos diferentes dos convencionais e sairmos da nossa zona de conforto e de domínio, assim conhecemos pessoas novas, ideias novas e, enfim, passamos a nos sentirmos novos.

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