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A mulher no islã

Como é vista a mulher no islã?

Falar sobre esses temas é sempre muito delicado. A perspectiva da mulher, seja em qualquer aspecto, é sempre mais complexa. Pior ainda é falar sobre religião. Escrevi esse texto baseado em pesquisas e o meu conhecimento, vivendo aqui no Oriente Médio. Com esse artigo espero poder te ajudar a construir a sua própria opinião sobre o islamismo.

Vamos começar do começo: o que é o islã?

Quando a gente não conhece alguma coisa, é normal criarmos visões torcidas do que aquilo é, na verdade. E não é diferente com o islã.

A gente, que tá do outro lado do mundo, tem uma visão muito distorcida do que é o islã e seus seguidores. Acabamos comprando a visão americanizada, que faz a gente pensar, infelizmente, que muçulmano é sinônimo de terrorista. Que atire a primeira pedra quem nunca pensou isso!

Mesmo estando em Dubai há poucos meses, a gente já mudou nossas concepções com relação a muita coisa. Nosso termômetro corporal já aprendeu que o calor do Rio de Janeiro não é pior do mundo e que o frio que faz em junho também não é assim tão frio… O deserto nos transforma!

Um outro ponto que mudou muito na gente foi essa questão religiosa. Aqui nos Emirados Árabes Unidos a religião oficial é o islã, mas são permitidas outras religiões como o cristianismo e o hinduísmo. Mas, nesse artigo, eu quero contar pra vocês o que tenho aprendido sobre o islamismo e como é ser mulher muçulmana.

Leia também: Como obter documento e visto de trabalho em Dubai

Visão geral sobre o islã

O islã é uma religião e aqueles que seguem os preceitos desta religião são chamados de muçulmanos. É a religião predominante no Oriente Médio e alguns outros países, como a Indonésia – que tem a maior população muçulmana do mundo.

Importante lembrar: embora o islã tenha se iniciado no Oriente Médio, nem todo árabe é muçulmano. E, hoje em dia, nem todo muçulmano é árabe.

Oficialmente acredita-se que o islã tenha começado a partir do profeta Muhammad (abrasileirado como Maomé), quando recebeu a revelação para escrever o Corão (Qur’an, em árabe). Porém, os muçulmanos acreditam que a mensagem do Corão já vinha sendo difundida através dos profetas Adão, Abraão, Noé e Moisés. Os muçulmanos acreditam que Muhammad é o último dos profetas a trazer a mensagem de Deus.

Ah, outro ponto importante: Allah é o termo usado pelos muçulmanos para se referir a Deus. É a junção de duas palavras árabes: “Al“, que quer dizer “O” e “ilah” que quer dizer Deus. Dessa forma foi construído o termo Allah que, para os muçulmanos, quer dizer “O único Deus”. É um termo que não tem gênero nem plural.

E como é ser uma mulher muçulmana?

Partindo da nossa perspectiva, é difícil. Para elas, nem tanto. É uma questão cultural.

A doutrina do islã afirma que homens e mulheres são vistos da mesma forma por Deus. O que difere qualquer um no islã é o seu nível de religiosidade. Em termos religiosos, o islã não difere por gênero as recompensas ou penalidades. Tanto faz se você é homem ou mulher.

Todos os muçulmanos são encorajados a buscar conhecimento. Homem ou mulher. Se essa é a realidade, se é assim mesmo que funciona na vida familiar dos muçulmanos, é outra história.

Aqui em Dubai, por exemplo, nas diversas universidades que existem o máximo de diferenciação que se vê é algum campus que pode ser exclusivo para mulheres ou homens.

Um bom exemplo de como eles querem demonstrar isso é uma série chamada Justiça, que você pode encontrar na Netflix. Conta a história de uma jovem emirati que se torna advogada em Abu Dhabi. Vale assistir, pois mostra curiosidades da vida familiar e íntima dos árabes. É bem legal!

Não, eu não vou esquecer do hijab. Aliás, o que é hijab? Vamos por partes:

  • Abaya: É uma espécie de quimono, que as mulheres usam por cima da roupa.
  • Hijab: Como eu disse, é o véu. Mais usado pelas mulheres mais jovens, por ser a opção mais “liberal”, digamos assim. Cobre o cabelo e o pescoço, mas não o rosto. De resto, roupa normal.
  • Chador: Um manto, muito comum no Irã. Esse cobre a mulher inteira: da cabeça aos pés, deixando o rosto à mostra.
  • Niqab: É o nome dado ao véu que cobre a cabeça e a face, deixando apenas os olhos à mostra. Comumente usado junto com a abaya, ficando parecido com o chador.
  • Burqa: A mais conhecida de todos, que todo mundo pergunta pra quem vem morar nas arábias: “E aí, já está usando burca?”. Na verdade, burqa se refere apenas ao véu, usado para cobrir a cabeça e o rosto, que vai até o meio do corpo da mulher, mais ou menos. Ele tem uma rede, ou um tecido mais fino na região dos olhos, que não bloqueia totalmente a visão da mulher que o usa.
  • Batoola: Esse é o mais diferentão, pra não dizer chocante, dos ornamentos. É uma máscara de metal, usada pelas mulheres aqui do Golfo Pérsico (que inclui Omã, Emirados Árabes Unidos, Bahrain, Kuwait, Irã e Arábia Saudita), para cobrir a face. Você pode ler mais sobre ele aqui (matéria em inglês).

    Mulheres muçulmanas usando o niqab. Fonte: Pixabay
A vestimenta da mulher muçulmana pode variar muito. Você pode ler um pouco mais e ver a diferença entre os trajes aqui, nessa matéria (em inglês).

E o mais importante: dizem que isso não cabe ao marido, ao irmão, ao pai… É uma escolha pessoal e cabe à mulher decidir: se cobre apenas os cabelos, ou se veste também a abaya, ou se cobre também as mãos, ou se cobre o rosto, deixando somente os olhos pra serem vistos… Ou se cobre até os olhos.

Leia também: As mulheres muçulmanas e o uso do véu

Casamento arranjado?

Essa questão é um outro ponto interessante. Quando a gente escuta “casamento arranjado”, a gente já pensa no casamento forçado, dote, “quantos camelos vale essa princesa” e por aí vai…

Mas não é bem assim.

Pra começo de conversa: o casamento forçado é proibido. Pelo islã, a mulher tem o direito de escolher seu parceiro. O homem também. E, caso a mulher não dê autorização prévia ao casamento, a união é anulada.

De novo: se é isso mesmo que acontece, é outra história. Aqui eu estou descrevendo pra vocês a perspectiva islâmica, que nem sempre está alinhada com as tradições culturais.

O que costuma acontecer é que determinadas uniões arranjadas, e até forçadas, não tem nada a ver com as práticas do islamismo. São tradições regionais e isso não tem nada com a religião em si.

A família tem importância central no islã. Nela, homem e mulher tem seus papeis bem definidos: o marido é responsável pela vida financeira da família e a esposa, pelo bem estar físico, emocional e educacional da família.

É importante conhecer o outro lado pra que possamos ter uma opinião formada sem preconceitos. O islã é uma religião como outra qualquer. O que fazem “em seu nome” está longe de ser o que é pregado.

Boa parte do que escrevi aqui nesse artigo foi baseado em panfletos que ganhei na viagem que fiz ao Egito. Se você quiser consultar este material, comenta aqui com o seu email que mando digitalizado.

Espero ter te ajudado a entender melhor o que é o islã. Fica ligado pois as aventuras aqui em Dubai não acabam, e é um aprendizado a cada dia que vou dividir com vocês.

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