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Adaptar-se não é mudar completamente

Adaptar-se não é mudar completamente.

Um dos temas mais intensos relacionado à mudança de país, sem dúvida alguma, é a questão da adaptação. Devemos nos adaptar a uma nova língua, a uma nova cultura, a novos hábitos, a novos alimentos…. É uma lista que poderia ser muito mais extensa do que somente esses itens, porque só quem já passou por isso sabe que a cada dia nos deparamos com novas emoções!

Porém, algo que eu tenho pensado muito não somente com relação à minha própria adaptação, mas também com o que eu tenho ouvido em atendimentos, é o seguinte: adaptar-se em excesso pode acabar causando um grande mal estar.

Tenho refletido muito sobre como adaptar-se em excesso pode acabar ocasionando um sentimento de tristeza e até mesmo nos levando para longe de nós mesmas, como se estivéssemos nos transformando – ou tentando nos transformar – em uma pessoa que não somos.

Leia também: Por que a adaptação em um novo país é tão difícil?   

Será mesmo que precisamos nos adaptar a TUDO na nova cultura?

Um exemplo bem bobo é com relação à alimentação. Certa vez, ouvi as pessoas comentando sobre a alimentação na Alemanha e a resposta de uma delas foi direta e reta: “Ué, mas você não precisa comer carne de porco e batata na sua casa, cozinha o que você estiver com vontade!”.

Depois disso fiquei pensando o quanto da nossa essência acabamos deixando de lado, durante o processo de adaptação. Seguindo esse exemplo da alimentação, claro que alguns alimentos tradicionais do Brasil são muito difíceis de encontrar, mas outros nem tanto, será que não podemos tentar fazer das nossas refeições, refeições gostosas, com a nossa cara, segundo o nosso gosto para ser um momento de prazer?

Porque uma coisa é adaptar-se e fazer de um outro jeito quando realmente não temos opção; mas outra é se obrigar a fazer de uma outra maneira quando não haveria exatamente uma necessidade, simplesmente para agradar um ideal, um alguém, um algo maior que se a gente for parar pra pensar bem, não teria o por quê de nos submetermos a esse tipo de sofrimento, como se precisássemos ser uma outra pessoa para melhor se integrar.

Leia também: Tipos de vistos e residência na França

Fico pensando que esse tipo de atitude acaba nos colocando em uma situação em que a mensagem que acabamos enviando para nós mesmas é: “As coisas do seu jeito nunca estão boas, você precisa mudar… em tudo!”. Penso, inclusive, que é como se estivéssemos vivendo constantemente em momentos de tensão. Será que você conseguiria pensar outros exemplos de situações em que você tem se obrigado a ser de um outro jeito por ele ser supostamente melhor?

Porque uma coisa é fato: somos brasileiras, somos naturais do nosso estado, temos as nossas histórias, nossas famílias e nossos percursos, além de termos os nossos gostos e nossas características pessoais e são todos esses fatores juntos que fazem com que sejamos exatamente quem nós somos.

Ou seja, somos pessoas únicas por sermos exatamente do jeito que somos e é impossível uma transformação completa – além de ser absolutamente desnecessário! Como falei no post do mês passado, muitas vezes somos estrangeiras na nossa própria vida, o que acaba deixando o ser estrangeira em um outro país uma tarefa muito mais complicada!

Lista de psicólogas brasileiras pelo mundo

É preciso que a gente tire um tempo para se conhecer e descobrir as coisas que são importantes para nós e que fazem com que a gente se sinta feliz de estar viva! Esses dias postei na minha página do facebook essa frase que achei fantástica:

“Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema” Picasso

Termino esse post fazendo um convite a aceitar a sua brasilidade, mas, acima de tudo, de aceitar quem você é, pode ser um caminho difícil, mas convido-a a pensar que o ser diferente não quer dizer que você está errada ou que é pior que alguém. Isso simplesmente quer dizer que você é diferente! E são nas diferenças que aprendemos, que trocamos, que crescemos… Imagina se fôssemos e pensássemos todas do mesmo jeito? Que chato que seria, não?

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