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Desafios de uma mãe em outro país

Desafios de uma mãe em outro país.

A decisão de morar em outro país não é uma escolha fácil! Quando se tem filhos então, a responsabilidade diante desta escolha se torna ainda maior e acrescenta outros desafios a serem enfrentados.
Quando eu e meu marido decidimos nos mudar para Alemanha pesquisamos muito sobre a cultura, economia e o estilo de vida alemães.

A possibilidade de proporcionar um futuro com mais segurança e qualidade de vida para os nossos filhos foi o coração da nossa decisão. Então embarcamos nesta grande aventura, e cá estamos!

A chegada é maravilhosa! Passeios, descobertas, diversão… É como se estivéssemos de férias. Munique é uma cidade encantadora e o que não falta são lugares incríveis para se conhecer. A cordialidade dos alemães impressiona e eu fiquei surpresa com a atenção e educação deste povo (claro, como tudo na vida existem exceções!).

Tenho dois filhos, um menino de 15 anos e uma menina de 3 anos, e sem dúvida nenhuma os alemães amam crianças. São super simpáticos com elas. Principalmente os mais velhos, sempre com uma brincadeira, um sorriso no rosto para chamar a atenção e puxar conversa. E não vou mentir que isto me surpreendeu bastante! Tinha a impressão que todo alemão era fechado e mal humorado, o que não é verdade. Em geral são extremamente educados e simpáticos.

Mas, como falei, um dos pontos principais era a segurança. Ahh isso não tem preço! Munique é uma das cidades mais seguras do mundo. Poder andar na rua com tranquilidade é algo que já havia esquecido. No Brasil tinha medo de deixar meu filho ir na esquina e andar com carrinho de bebê na rua nem pensar.

Leia também: tudo que você precisa saber para morar na Alemanha

>Aqui as crianças de 6 anos vão a escola muitas vezes sozinhas. Pra mim isto é incrível! O direito de ir e vir do cidadão é respeitado.

Outro ponto que envolve a qualidade de vida, são as inúmeras opções de lazer ao ar livre. A quantidade de áreas verdes e parques são enormes. O picnic no parque se tornou um dos programas preferidos da família durante o verão. Opções muito diferentes das quais estávamos acostumados no Brasil, presos sempre em condomínios fechados.

Esta liberdade é algo indescritível e impagável. Como mãe esta sensação por si só já compensa todo o esforço para se adaptar a esta cultura tão diferente que é a alemã.

Mas como nem tudo são flores, chegar aqui com dois filhos, especialmente sem falar o alemão não esta sendo tarefa fácil. Principalmente no que diz respeito a escolas. Tanto na Kindergarten (Jardim de infância) quanto na Escola de ensino médio a comunicação é difícil (mesmo em inglês). Mas isto seria um capítulo a parte, porque o funcionamento aqui é bem diferente do Brasil, sobretudo no ensino médio. E só vamos descobrindo aos poucos mesmo.

Outra peculiaridade que me chamou atenção foi a liberdade e independência que as crianças têm aqui. Minha filha entrou na Kindergarten assim que acabou de completar 3 anos e pasmem ela vai ao banheiro sozinha. Na sala tem o banheirinho deles (até aí normal) e as crianças vão sozinhas e se limpam sozinhas. Durante a primeira semana em que ela entrou na escolinha eu fiz uns dias de adaptação e fiquei chocada (num bom sentido) com a independência das crianças. Banheiro sozinhas, na hora do lanche se servem sozinhas (em canecas e pratos de louças), no parquinho se viram sozinhas (quase morri com os brinquedos). Claro que existe uma supervisão das professoras mas o incentivo a independência realmente impressiona. E percebo como isso esta sendo bom e importante para minha filha.

Em relação a língua, a escola proporciona uma vez por semana aula para os estrangeiros da turma (no caso dela são 3 crianças) e não tem nenhum custo a mais para isto. Em 4 meses ela já se comunicava tranquilamente com as professoras e os coleguinhas. O que acalmou bastante meu coração de mãe. Eu morria de medo só de pensar que se ela estivesse sentindo alguma coisa não saberia explicar para as professoras, morria de medo dela ficar excluída e detestar a escola. Mas nada disto aconteceu.

Por outro lado, ao mesmo tempo que eles dão liberdade e independência as crianças, eles são muito rigorosos quanto ao comportamento. Não há muita tolerância quando se trata de má-criação ou mau comportamento. Em algumas situações acho muito exagerado, mas aqui é assim. Criança não pode fazer zoada. Ou melhor, o barulho não é tolerado aqui. Pra mim, um exercício diário de adaptação.

A mudança com filhos com toda certeza é mais tensa e aumenta muito nossa preocupação com os desafios que iremos encontrar pela frente. Mas em compensação a inserção cultural talvez seja mais rápida e profunda, pois também aprendemos com o dia a dia dos nossos pequenos na escola. Além do que os pais têm participação ativa no andamento escolar, e sempre estão envolvidos nas atividades. No meu caso tenho dois parâmetros, de uma criança e de um adolescente.

Aos poucos vamos percebendo que a palavra chave para toda esta caminhada é a paciência. O desconhecido a princípio pode nos causar desconforto ou até mesmo medo, principalmente quando temos a responsabilidade sobre a vida de pessoas que dependem de nós. Mas quando temos certeza das nossas escolhas descobrimos que tudo é somente uma questão de tempo.

Espero que meu ponto de vista possa de alguma forma ajudar mulheres e mães no desafio que é morar em outro país nesta etapa da vida em que temos que escolher pelas pessoas que mais amamos, nossos filhos.

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8 comentários

Kátia Cressy Fevereiro 2, 2017 at 9:40 pm

Adorei.Pois sei como é difícil tomar decisão de morar em outro país. E ainda mais quando envolve os filhos.Contribui bastante essa leitura para algumas decisões que devo tomar no futuro. Obrigada!

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Monique Abbehusen Fevereiro 8, 2017 at 6:23 pm

Fico feliz que tenha gostado Kátia! Realmente são muitos desafios, e espero contribuir com algumas das minhas experiências. Obrigada pelo comentário!

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Maria José Peixoto Daltro Fevereiro 3, 2017 at 2:02 am

Monique,

Que bom prima que está dando tudo certo para vocês!!!! Desejo muito boa sorte na sua vida e na experiência de escritora!!!Boa sorte! Daqui ficarei a acompanhar as suas aventuras e aprender com elas também.

Maria José

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Monique Abbehusen Março 11, 2017 at 12:24 pm

Obrigada prima! Por seu carinho e torcida. Beijos

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Cristina Fevereiro 21, 2017 at 2:00 pm

Muito obrigada por compartilhar essa experiência! Estou no processo de preparação para mudar com a família para München! Estamos apreensivos em relação às situação com os refugiados…. Se ouve muitos relatos e ficamos perdidos sem saber o que é real… Nossa maior motivação para irmos para a Alemanha é a quantidade de vida! Temos a cidadania e creio que isso ajudará na nossa inserção nos sistemas de saúde e educação. Você também tem? Como são os custos com educação e saúde? Cheia de dúvidas aqui hehehehe bjs

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Nátaly Vitória Fevereiro 28, 2017 at 1:49 pm

Oi, Cristina! Como está sendo o processo de mudança? É que eu adoro acompanhar essas coisas! Tenho 14 anos e estou indo para a Inglaterra ano que vem. Posso te adicionar no facebook?

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Monique Abbehusen Março 4, 2017 at 2:02 am

Olá Cristina! Fico feliz que tenha gostado. A expectativa é sempre grande mesmo, mas dará tudo certo, você vai ver. Meu marido e meus filhos tem cidadania e eu tenho permissão para ficar. Em relação a educação, a partir de 6 anos as escolas são gratuitas. Já o sistema de saúde, é você que irá escolher o que melhor se adequar a sua realidade. Mas lhe garanto que é muito mais justo que no Brasil. Obrigada pelo comentário!

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Caroline Julho 19, 2017 at 12:31 am

Puxa, texto de fevereiro e eu li somente hoje.. mas adorei!! Tenho 2 filhos e estou pesquisando muito para podermos ir para a Alemanha.. seu texto traz calma e conforto em relação à adaptação na escola.. e Monique, como está sendo com seu filho adolescente..? Não sei se você vai escrever sobre o ensino médio aí.. mas tenho muita curiosidade sobre a adaptação da criança em idade escolar, pré-adolescente e adolescente..
Bem, obrigada e parabéns!!
😀

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