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Aumento da violência doméstica na Suécia

Aumento da violência doméstica na Suécia.

Quem segue os meus textos aqui no BPM entende que a Suécia é tanto na teoria quanto na prática um país onde a igualdade de gêneros é levada muito a sério.

Isso deveria significar que a violência contra a mulher tem índices muito baixos por aqui, certo? Não. Errado!. Estudos feitos entre 2014 e 2015 apontam que a violência contra a mulher cresceu cerca de 36% nos últimos 5 anos. Durante 2014, 22 mil mulheres fizeram boletins de ocorrência contra seus parceiros em toda a Suécia. As estatísticas mostram que em 85% dos casos a agressão parte do companheiro ou companheira (esta última no caso de relacionamentos homossexuais) e que o ato agressivo acontece na maioria dos casos dentro da própria casa. Um dado intrigante neste contexto é o aumento da violência contra a mulher em relacionamento entre casais idosos, acima de 70 anos.

Violência doméstica na Suécia engloba não só a agressão física, mas também a psicológica e a sexual. Estudos mostram que o número de estupros aumentaram cerca de 20% nos últimos 3 anos e que os estupros, nestes casos, são cometidos pelo próprio parceiro (a). Na Suécia, se entende que a mulher é dona de seu próprio corpo e tem direito a dizer não a atos sexuais independente do contexto ao redor. Em outras palavras, sexo sem consentimento da mulher é considerado abuso sexual e deve ser denunciado.

Leia também: custo de vida na Suécia

A sociedade sueca tem, desde meados dos anos 70, órgãos eficientes para dar apoio às mulheres que sofrem violência doméstica. Um deles é o ”kvinnojouren” – que funciona como uma ”delegacia da mulher” – mas que, na verdade, é uma associação – que, com o apoio do governo, oferece ajuda psicológica e prática às mulheres que precisam de proteção ou orientação para deixar um relacionamento abusivo. Ainda existe uma espécie de ”disque denúncia” (kvinnofredslinjen) com as mesmas funções citadas acima.

Para mulheres que são ameaçadas de morte pelo companheiro (a) o estado sueco disponibiliza o serviço de proteção à mulher, ou seja, a vítima recebe moradia e tem sua identidade protegida durante o tempo que for necessário.
No meu trabalho como psicóloga em Estocolmo já recebi e ajudei muitas mulheres nesta situação e o que vejo é que muitas de nós, mulheres, por vergonha de sua própria condição ou por ameaça do próprio companheiro, e no caso de nós mulheres imigrantes, por vir de uma cultura machista ou pela própria situação econômica não têm coragem de denunciar o parceiro, ou mesmo que o façam, retiram a queixa dias depois e continuam vivendo no relacionamento abusivo.

Muitas mulheres me perguntam: “como cheguei a essa situação?” “Meu companheiro nunca demonstrou ser agressivo!”

O que posso afirmar é que existem vários motivos – entre eles, psicológicos e socioculturais – que fazem com que mulheres entrem em relacionamentos abusivos. Também posso afirmar que o agressor sempre mostra sinais antes de começar a agredir.

Deixo, portanto algumas dicas de como identificar um relacionamento abusivo que pode fazer de você vítima de violência doméstica:

• Fique sempre atenta aos tipos de comentários que o seu parceiro faz sobre as mulheres em geral. Exemplo: ”mulher burra tem que apanhar”. Provavelmente ele pensa da mesma forma sobre você;
• Você percebe que seu parceiro ficou mais agressivo e explosivo desde que vocês se conheceram? O controle sobre você aumentou? As crises de ciúmes são tão excessivas a ponto de você evitar encontrar amigos ou família?;
• Fique atenta se você se sente vigiada tanto em casa quanto em ambientes públicos. Um exemplo bem típico neste caso é a necessidade do seu parceiro ter a sua senha do telefone ou computador para poder controlar o que você faz ou com quem você fala;
• Outro sinal típico é a forma como o seu parceiro lhe trata. Comentários negativos e demasiados sobre seu corpo, seu comportamento, seus amigos e seu trabalho são sinais de que o relacionamento está se tornando abusivo;
• Por último: vale sempre lembrar que parceiros que são agressivos contra objetos ou animais durante uma discussão familiar sinalizam que “da próxima vez pode ser você quem vai ser agredida!”

Lista de associações de apoio às mulheres vítimas de violência pelo mundo

Você está na Suécia e precisa de ajuda? Contate o kvinnofridslinjen på 020-505050. Caso esteja em outro país procure as autoridades competentes.

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3 comentários

Alessandra Março 15, 2017 at 7:47 pm

Oi Verônica,
Ótima matéria. Acredito que só a conscientização pode reduzir o abuso contra mulheres. Os sinais são os mesmos independente da cultura.

Resposta
Verônica Ferreira Iwarson Março 16, 2017 at 9:20 am

Obrigada pelo feedback, Alessandra.. sim, os sinais sao os mesmos independente de cultura..

Resposta
Rafa Maio 18, 2018 at 5:32 am

Veronica, a suécia tenta ajudar mas também piora a vida de uma pessoa que sofre com violencia n é verdade? Ja vi casos de mães que perdem seus filhos pq vivem em um ambiente agressivo, o pai bate na esposa, e só pelas crianças estarem nesse ambiente tiram a guarda total dos pais.. por isso muitas deixam de procurar ajuda, principalmente quando são imigrantes

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