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Boas Maneiras na Inglaterra

Como já mencionei em textos anteriores, vários são os motivos que me atraíram para vir morar na Inglaterra. Hoje em dia, quando me perguntam se penso em voltar ao Brasil, a lista de motivos que ainda me prendem por aqui cresce cada vez mais. Se me perguntarem o que eu mais admiro na cultura inglesa, tão diferente da nossa brasileira, no topo da lista aparece a disciplina. Alias, um pouquinho mais além, a auto-disciplina. Gentileza, educação e senso de humor também aparecem em seguida. Por isso, resolvi explorar um pouco mais disso tudo e dividir com vocês algumas dicas de como se comportar na Inglaterra, falar um pouquinho mais do comportamento do inglês e suas boas maneiras.

O inglês é conhecido por ser reservado em suas maneiras, modos de vestir e de falar. Esperam que usemos no mínimo o obrigado (Thank You), com licença (Excuse me) e por favor (please). Me lembro de quando cheguei por aqui, eu achava engraçado a quantidade de excuse me, please e thank you que eu ouvia no dia a dia. Não que eu fosse mal educada ou sem modos, mas, não estava acostumada a ouvir essas palavras com tanta freqüência. Com o passar dos anos, o interessante é perceber que você incorpora as maneirisses da outra cultura quando volta ao país de origem.

Em uma das minhas visitas ao Brasil, me lembro de ter começado a reparar mais nos costumes e modos do brasileiro. Ah, não deu outra. Eu virei a chata! Comecei a reparar que as pessoas, nas ruas, apressadas, as vezes se esbarravam nas outras e, em alguns casos, ao invés de darem um sorriso e se desculparem, a coisa ia para outro lado e muitas vezes era uma lista de palavrões, frases do tipo: ‘não ta vendo por onde anda? Presta atenção, oh!’

Enfim, pequenas situações como essa começaram a me chocar. Me lembro de outra cena, onde num almoço entre amigos, alguém ‘manda’ passar o sal, sem ao menos usar a palavrinha mágica ‘por favor’. Eu pirei! De lá pra cá, reconheço que fiquei bem chata mesmo. Afinal de contas, ser educado e gentil não dói! E quero deixar bem claro que essas minhas observações aqui não se generaliza de forma alguma. Foram pequenas experiências que eu tive e que achei relevante dividir com vocês neste texto.

Depois dessa fase reparadeira, tentei me policiar um pouco, e deixar de ser tão chata. Agora, quando vou ao Brasil, ao invés de criticar, eu, educadamente menciono como se faz ou se diz na Inglaterra. Aliás, aqui na Inglaterra quase tudo é muito diferente mesmo do Brasil. Aqui se usa muito o aperto de mãos para cumprimento e apresentação, como no Brasil, mas, o beijinho do rosto, que por sinal é um só, deve ser usado somente quando a pessoa for bem próxima. O inglês é do tipo, não me rela, não me toque. Não tem essa de abracinhos e beijinhos.

Dependendo do lugar, sexo e idade, o inglês poderá te chamar de nomes diferentes, desde querida, madame até flor, amor, filha, pata e pinto (cria da galinha)! Isso mesmo, o termo ‘duck’ (pato) é usado normalmente em algumas regiões da Inglaterra, como Nottingham, Derby, South Yorkshire e algumas outras. Shakespeare já usava o termo em ‘Sonho de uma noite de Verão’ . Em Londres, acredito que se alguém é chamado de pato, vai pegar muito mal.

O ‘chick’ (pinto) e muito usado em rodinhas de amigos. Não ouse chamar alguém que você não conhece de ‘chick’. Vai pegar mal.

Se for convidado para visitar a casa de um inglês, sempre leve um presente, seja flores, chocolate ou até mesmo um vinho. Lembre-se de no dia seguinte enviar um cartão agradecendo pelo convite ou até mesmo fazer uma ligação de agradecimento. E lembrem-se também da famosa pontualidade inglesa. Se foi convidada para um jantar as 7.30, você será esperada as 7.30 em ponto. Se, no convite vem ‘Entre 7.30 e 8’, não chegue depois de 7.50PM. Inglês não gosta de atrasos mesmo! Nem que sejam minutos.

Me lembro de uma situação hilária, logo no começo da carreira de Londres, quando cheguei atrasada para trabalhar em um pub. O pessoal já estava a mil, eu vi a gerente ao longe, mas, já fui direto para o trampo, pensando que estava correta ao fazê-lo. A gerente veio até mim, com um olhar furioso e disse ‘Aqui na Inglaterra mocinha, quando se chega atrasada no trabalho você deve pedir desculpas!’ Minha cara foi no chão. Eu disparei a pedir desculpas: desculpas por estar atrasada; desculpas por não ter pedido desculpas; desculpas por não saber da etiqueta dos ingleses; enfim, foi uma ladainha de sorrys que a gerente até saiu de perto.

Há uma lista sem fim de DO’s e DON’T’s na Inglaterra, a qual irei explorar mais nos próximos textos. Não dá pra condensar tudo aqui, pois gosto de expor minhas experiências e ‘pagações de mico’.

E pra fechar esse capítulo inicial das boas maneiras na Inglaterra, não poderia deixar de mencionar o que fazer em situações constrangedoras como aquele momento que você precisar soltar uns gases? Como é que é na Inglaterra?

Bom, segundo a regrinha das boas maneiras, se você estiver em local público, disfarce e vá até um local privado, sem ninguém por perto e libere os gases, tranquilamente. Se, por acaso não der pra segurar e soltar acidentalmente próximo a alguém, use a expressão eleganterrima ‘pardon me’ (Me perdoa!)

Segundo o depoimento de uma amiga inglesa, cuja mãe foi babá em uma família de aristocratas, o procedimento em caso de acidentes é literalmente ignorar o fato, mesmo que seja super evidente. Ou seja, se você está próximo de alguém e é pego de surpresa e solta um sem querer, finja que nada aconteceu, como se ninguém ao seu redor ouviu ou sentiu o aroma. Basicamente o conselho dessa inglesa é: usar ‘excuse me’ em caso de arroto pela boca e ignorar completamente o arroto que vem do traseiro.

Cheers e até o próximo texto!

“Good manners have much to do with the emotions. To make them ring true, one must feel them, not merely exhibit them.” Amy Vanderbilt

Leia mais sobre a Inglaterra: Tudo o que você precisa saber para morar na Inglaterra!

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14 comentários

Ana Cristina Kolb Março 11, 2014 at 1:11 pm

Nossa Nandinha, eu posso escrever um livro de “micos”rsrsrrsrsrs conheço bem esta de pedir desculpa por estar atrasado, eu como professora, levei uma chamada por não exigir do meu aluno chegar 3 minutos depois do inicio da aula em um auditório, com a minha mentalidade brasileira, eu pensei de forma pragmática de não atrapalhar a aula em funcao de não atrapalharainda mais os outros alunos que chegaram pontualmente, meu colega ïngles, que estava avaliando minha aula, me explicou que era importante “chamar a atenção” do aluno atrasado, como forma de mante-lo (accountable) responsável, e mostrar que não é ok chegar atrasado. não passa despercebido e não é aceitável. rsrs Vi que na verdade ele estava bravo comigo, achou um absurdo eu não chamar atenção rsrsrsrrs Sei muito bem do que voce fala, eu morando aqui na Suica é a mesma coisa, as pessoas são muito apegadas a estas formalidades, e pedir algo sem dizer por favor, sem agradecer e sem pedir licença é o fim do mundo. Falar ao mesmo tempo que os outros,vich…. rsrs falar alto (na verdade toda forma de chamar atenção) não é bem visto, é incomodo, inapropriado, exibicionismo. A questão do por favor brasileiro, cheguei a conclusão que fazemos isto com uma tonalidade na voz quando pedimos um favor, fazemos uma pergunta, e por isto não falamos por favor, mas não compreendemos como dar ordens, aqui sem a palavrinha magica é falta de educação mesmo. a estória do presente nas visitas também é de praxe. Mas por outro lado imagino no Brasil, o telefonema no próximo dia pra agradecer, com a quantidade de festas e pessoas desconhecidas que vao aos eventos na sua casa, de anexo com os convidados, ficaríamos so no telefone rsrsrsr ainda mais com o tanto que falamos, eu diria que no nosso caso, os telefonemas do dia seguinte não é pra agradecimento, mas pra fofoca mesmo, comentar sobre os acontecidos do evento rsrsrsrsr as lembranças também no Brasil o povo ia quebrar com o tanto que saem rsrsrsrsr mas eu concordo perfeitamente com voce, eu aprecio muito estas delicadezas e ja apreciava no Brasil esta educação dos europeus, eu cresci em meio a uma comunidade de expats. Concordo muito Nanda, Educacao, gentileza e delicadeza não fazem mal a ninguém, é muito bom ser bem tratado e tratar as pessoas bem, nos faz bem também. THANK YOU DARLING! rsrsrrs Namasté Otimo texto, ja me alegro de ler cenas dos próximos capítulos. rsrsrrsr Tem por outro lado o aspecto aqui na Suica, de nem sempre a educação ser muito “calorosa”, mas o tópico é ótimo e rico, e fica pra um outro post! rsrsrrs

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Fernanda Março 12, 2014 at 1:47 pm

Oi Ana, super obrigada pelo feedback. Seus pontos todos fazem sentido sim, pois, a cultura brasileira (latina) eh mesmo muito diferente e temos que dancar conforme a musica, nao eh? Alias, no Brasil, dependendo da situacao, se voce for educada ate demais, podem ate achar que voce esta sendo ‘metida’. Digo isso, pois ja percebi em varias ocasioes, em lojas, por exemplo. Seria otimo se voce contasse um pouco mais da sua experiencia nesse sentido ai, adoro esses contrastes de cultura. Acredito que aprendemos muito a respeitar o espaco do proximo quando nos deparamos com tais contrastes e percebemos que para tudo temos limites.

Aqui na Inglaterra, o lance de falar alto no telefone ou em qualquer outra ocasiao e realmente deselegante e constrangedor. Como mencionei, tem muito a ser explorado ainda para os proximos textos. Obrigada mais uma vez! Namaste pra vc tambem!!!! xxx

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Ana Cristina Kolb Março 12, 2014 at 11:47 pm

Fernandinha, educação ser confundida com arrogância no Brasil, pra mim eh praxe! rsrrsrsrr vou falar sores a minha experiência sim! Muto engraada! rsrsrs eu era boba no Brasil por ser educada! rsrsssr Bjus linda! Lindo post!

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Fernanda Março 26, 2014 at 5:02 pm

Fico no aguardo do seu post sobre a sua experiencia nesse quesito, Ana! Bjs e mais uma vez obrigada pelo carinho. xx

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Ju Março 11, 2014 at 2:58 pm

ADOREIIIII …. muito bacana mesmo… eu adoro o item pontualidade, detesto ficar esperando ou deixar alguem esperando….. agora o item dos ‘gases’ dei muita risada… hahaa aqui a galera solta gazes, arrotos, e etc enquanto esta falando com voce, na sua cara mesmo.. e mesmo um ‘excuse me’ nao e suficiente para a situacao.. tai um item que nao consigo me adaptar as ‘boas maneiras na cultura asiatica’ ehheehe … parabens pelo texto Fer…

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Fernanda Março 12, 2014 at 1:48 pm

Eh, Ju, vivendo e aprendendo. Eu mesma dou muita risada de mim mesmo depois que percebo os micos que pago. Mas, procuro sempre ser cautelosa da proxima vez! Bjs e obrigada pelo carinho de sempre! xx

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Monica Bateman Março 11, 2014 at 4:53 pm

Oi Fernanda, adorei! Passei por isso mesmo que voce descreveu……. e venho percebendo isso na educacao da minha filha – com o uso alternado do portugues e ingles. Eu acho que no portugues, o tom da voz conta muito. Se voce falar de um jeito delicado para passar o sal, parece que o please esta embutido. No ingles nao, Tem que ter. Na ultima temporada que passamos ai a minha filha passou um tempo com o avo e foi muito engracado. Se ela nao entedia alguma coisa, ela falava para ele “what”? e ele respondia – “what” (se referindo a watt) invented the light bulb – Pardon me? – eu me divirto! Mas acho otimo essa educacao toda……. toda essa educação somada ao sotaque = deu que eu acabei casando com um deles! Adorei o texto, parabéns!

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Fernanda Março 12, 2014 at 1:57 pm

Oi Monica, pois eh, outro dia, precisei de uma babysitter e, claro que veio uma brasileira, por indicacao de uma amiga. Eu nao conhecia a garota, mas, ela chegou em casa, super doce e educada e tive que confiar e ir para o meu compromisso. Achei interessante que ela me enviou um txt mais tarde, depois que meu marido havia chegado em casa, me agradecendo e tal e mencionou sobre a educacao e gentileza do meu pequeno de 3 aninhos. Ela, que ja eh uma baba experiente, disse que ficou surpresa pela idade e pelas atitudes do meu filho. As vezes acho que levo isso muito a serio, mas, acho que educacao e gentileza nunca e demais.

Essa historia do ‘what’ eh mesmo bacana. Adoro! Tambem ja passei por outras do tipo, vc nao responde sim ou nao mas so diz humhum etc. Eles ficam pirados! Tipo, da pra responder
SIM ou NAO! Rs

Beijos e obrigada pelo carinho querida. xxx

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Cintia Março 13, 2014 at 6:19 pm

Oi Fernanda, adorei o texto. Acho que boas maneiras são imprenscíndiveis. Aqui na Holanda, é tudo meio misturado. Pedir por favor, para passar o sal, por exemplo, ok. Mas ,basta uma vez só, se toda hora pedir por favor, voce é considerada muito formal. Pedir licença para entrar na casa dos outros, também é considerada uma atitude exrtemamente formal….Logo que cheguei aqui, por exemplo e pedia Licença para entrar na casa, me olhavam como se estivesse louca. Tive que explicar o porque desse hábito. Uma coisa que me deixa de cabelo em pé é que o uso do guardanapo é mínimo….pouca gente usa….Quando recebo pessoas em casa, está lá sempre uma pilha de guardanapos bonitinhos, raro alguém usar…. No que diz respeito aos “sons naturais do corpo” geralmente o holandes, nao vai a um lugar privado, ele solta e depois pede desculpas….Eu ignoro totalmente…hahahha. Olha, pelo menos na casa dos meus pais no Brasil, mesmo sem saber seguíamos todos os itens das boas maneiras inglesas que voce mencionou…hahahha e a maioria das pessoas que convivíamos idem. Mas, acho que atualmente as boas maneiras decaíram por lá. De qualquer forma, ano passado eu com meus muitos “por favores” ….ouvi “…não precisa ser rao formal, até parace uma inglesa !!! “…..

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Fernanda Março 26, 2014 at 5:01 pm

Oi Cintia, obrigada pelo carinho e fico feliz que contribuiu com sua experiencia. Acredito que boas maneiras vem de casa sim, se voce cresce em um ambiente educado, obviamente voce ira assimilar todos esses habitos e continuar onde quer que esteja, seja no Brasil, ou em outro pais. O que eu acho interessante eh esse contraste de culturas, onde o mesmo habito pode ser considerado elegante ou deselegante, dependendo de onde estivermos. Mas, o que vale de tudo isso e a experiencia e adaptacao ao ambiente onde estivermos.

Bjs!

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Karin Abril 4, 2014 at 8:44 pm

Oi Fer
Adorei tudo principalmente a parte dos gases. Nunca passei por isso , mas é sempre bom saber como reagir se eu “soltar”ou alguém, porém acho que ignorando ou dizend ‘o pardon me’, a sem gracice fica mais ao ar do que o próprio cheiro ! aguardo os próximos….. bjinho

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Fernanda Abril 17, 2014 at 2:55 pm

Obrigada pelo comentario, Karin! Nessas circunstancias eh sempre bom mesmo saber como reagir, pois pode ser bem constrangedor. Beijo grande! xx

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Inglaterra – Estudando Shakeaspeare na Era Digital Abril 23, 2014 at 11:16 am

[…] Leia mais sobre a Inglaterra! […]

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Maragaret lelis Novembro 24, 2014 at 12:58 pm

Adorei, adoro Boas maneiras, vivo em Portugal 25 anos e nesse tempo aprendi imensas coisas.

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