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Entrevistas Itália

Boleiras e doceiras brasileiras na Itália

Que a Itália é mundialmente conhecida como o reino gastronômico não é nenhuma novidade; entretanto duas brasileiras aqui na bota estão conseguindo fazer do sabor brasileiro um plus a mais na rotina dos italianos.

Hoje apresento para vocês duas boleiras de sucesso, leia-se boleira, salgadeira, doceira e tudo mais que uma cozinha pedir, que nos contam um pouquinho mais sobre como elas conseguiram fazer da paixão por bolos, salgados e doces uma fonte de renda na terra da pasta!

Entrevistando as meninas pude aprender um pouco mais do que significa ser uma Brasileira Pelo Mundo, ambas extremamente viajadas e cheias de histórias na bagagem, pararam um minutinho para nos contar como deixaram as suas vidas mais doces por aqui.

A Itália atualmente vive um cenário pouco otimista do ponto de vista econômico, mas falaremos deste assunto um outro dia para a tristeza e alegria geral. Por aqui, muita gente está se virando como pode, como dá e principalmente se reinventando a cada dia, e é através deste panorama que apresento para vocês a Daniela e a Roberta, que com muita dedicação, amor e respeito pela cozinha brasileira vem conquistando espaço por aqui e ajudando muitos brasileiros a matar a saudade de casa e muitos italianos a se apaixonarem cada vez mais pela terra que não é só do samba, café e carnaval.

Daniela - foto arquivo pessoal
Daniela – foto arquivo pessoal

BPM – Como vocês vieram parar aqui no norte da Itália e acabaram ficando?

Daniela: Eu cheguei há 2 anos para fazer a cidadania italiana como muitos brasileiros, estava em um ponto na minha vida que a documentação era um ponto forte para mim. Com o decorrer do tempo conheci uma pessoa especial , o Cleiton, que se tornou um grande amor e acabou sendo através dele que decidi criar raízes por aqui e tentar a vida nesta parte do mundo.

Roberta: Já eu sempre tive a Itália como meta na minha vida, cheguei para ser au pair em 2002, sempre fui muito curiosa com o idioma e com os meus antepassados e assim vim estudar e trabalhar, depois de ter passado pela casa de algumas famílias como au pair conheci meu marido e cá estou.

BPM – Como surgiu a oportunidade de trazer o gosto do Brasil para a terra da pasta?

Daniela: Eu sempre tive na minha mãe uma grande inspiração, foi ela quem me ensinou tudo que sei na cozinha, graças a ela aprendi que cozinhar doces e salgados é muito mais que um simples prazer e sim uma maravilhosa profissão. Então como a necessidade bateu, não pensei duas vezes e abracei tudo aquilo que ela me ensinou e continua ensinando, pois cozinhar não é um mistério, mas ela sempre tem um segredinho na manga. Eu passei algum tempo nos Estados Unidos e na Inglaterra, como por lá deu certo pensei e decidi que aqui daria certo também.

Roberta: Sempre gostei de decoração e já tinha feito um curso para trabalhar com os “gelatos“ italianos, um belo dia resolvi que queria fazer o meu chá de bebê igualzinho como se faz no Brasil, encontrei muita dificuldade para encontrar produtos, encontrar salgados e doces brasileiros como eu queria. Foi assim que comecei a trabalhar com pasta americana e graças a internet fui me aperfeiçoando, com o tempo fazendo muitos e muitos cursos e decidi que era isto o que eu queria para mim. O que começou como brincadeira hoje é a minha paixão.

Foto aquivo pessoal
Foto aquivo pessoal

BPM – Como é a aceitação dos italianos com a cozinha brasileira, afinal a voz comum por aqui sabe apenas que comemos churrasco?

Daniela: Como meu marido trabalha com italianos tive uma aceitação muito boa, eles adoram as bolachas de maizena, doces de nozes e os nosso tradicionais bombons de morango. Eles aceitam super bem e são todos elogios.

Roberta: Na verdade é tudo uma questão de saber propor, nossos doces são muito doces, mas eles aceitam super bem a nossa cozinha. Adoram o nosso pão de queijo. O importante é a gente ter amor nas nossas origens brasileiras e saber que cada um tem seu paladar desenvolvido pra uma coisa ou outra que a aceitação vai ser sempre boa, o brasileiro tem muita coisa recheada e doce mas as semelhanças com a cozinha italiana existe e facilita bastante.

doces dani

BPM – O que vocês aprenderam com a cozinha italiana e acabaram incorporando na cozinha brasileira?

Daniela: Eu aprendi que cozinhar com organização e regrinhas é fundamental, quando eu estava no Brasil fazia tudo muito “com o olho”, cozinhava além do tempo devido certos pratos e me arriscava mais, aqui aprendi que o tempo é crucial para certos pratos, medidas exatas são fundamentais e obedecer o tempo pedido também. A melhor coisa que aprendi e com certeza estou transmitindo é como fazer o tradicional “ragù” que mesmo não tendo nada a ver com a patisseria italiana me inspira todos os dias, mas mesmo assim tento manter o jeitinho brasileiro que aprendi com a minha mãe para não perder as origens.

Roberta: A culinária italiana me trouxe o bom paladar, comer entre amigos e ter o prazer da boa mesa. Sentar na mesa juntos, não é apenas comer é a união familiar. A relação é de amor com a comida.

BPM – Qual a maior dificuldade de ser boleira por aqui?

Daniela: A concorrência e a dificuldade de achar os produtos certos para transmitir o nosso sabor.

Roberta: A concorrência é muito grande, é muito desleal, muita gente não tem toda a especialização e acabam competindo por preços mais baixos. O preço envolve qualidade de produtos e profissionalismo.

Para quem ficou curioso e quer saber um pouquinho mais sobre as duas seguem abaixo links para contato.

Daniela pode ser encontrada por aqui.

Roberta pode ser encontrada por aqui, aqui e também aqui neste delicioso programa.

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