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Brasil – Diferenças Culturais na Infância

Primeiro dia de aula. Coloco a roupinha da baby Dija, (apelido da minha filhinha Khadija), deixo que escolha o sapatinho, acessórios no cabelo, elmo debaixo do braço. Tudo corre bem até a entrada da escolinha, quando ele então abaixa e começa a tirar a sandalinha do pé.

Eu explico pra ela que ela tem que calçar o sapatinho e ela responde na lata!

_Como assim mamãe? Não podemos usar sapatos dentro da escola.

Recobro minha cara de pastel e insisto que o sapatinho é necessário. Que ela PRECISA usar o sapato para ir à aula. Ela replica:

_ Mas mamãe você disse que não podemos levar a sujeira da rua para dentro da sala de aula, que o s “bichinhos” da sola do sapato sobem no nosso bumbum quando nós
sentamos no chão! (argumento brilhante e super pedagógico que eu usava quando tinha que convencê-la a ficar só de meia num frio de três graus e umidade relativa do ar de 80 %).

Daí você corta um dobrado tentando explicar que as culturas são diferentes, e que o que é certo para um povo não é necessariamente certo para outro povo…

Daí minha mãe para fazer boas vindas prepara um maravilhoso conchiglione italiano, cheio de mussarela, gratinado com catupiry, divino! Minha filha olha e pergunta: O que é essa coisa melequenta?

Eu explico que é um prato delicioso preparado com molho de tomate fresco, massa e queijo derretido (minha boca saliva só de falar sobre isso). Ela retruca:

_Isso é yakiiii! Tem muita gosma! Macarrão bom é o do Bún chả (prato típico vietnamita com churrasquinho de suíno, verduras e vermicceli).

Eu contenho a saliva na boca, porque Bún chả é uma coisa maravilhosa mesmo, e argumento que o conchiglione é delicioso, que a vovó que fez e blá blá blá. Ela agradece a
vovó, chama de fofa, mas reitera que quer Bún chả, ou quem sabe Pho? (sopa vietnamita cuja receita já foi publicada aqui no blog). Vencida, vou buscar um sushi na esquina porque não teve quem convencesse a criança das delícias italianas. Assim ela passou todas as primeiras semanas, comendo “fried rice” (arroz refogado com temperos e verduras) sushi e peixe cru. Quando muito, um arroz com ovo mexido e legumes com “carninha”.

Entramos no carro e explicamos que agora ela precisa andar de cadeirinha (em Hanoi só andávamos de taxi ou moto, não tínhamos carro), e ela faz uma cara de choque: _ Como assim, mãe? Você vai me amarrar?

Eu explico que é pra segurança dela, que é uma coisa boa, que todo mundo precisa fazer isso, porque é um gesto de amor dos papais para com seus filhinhos, e ela então solta a pérola:_então os papais dos meus amigos de Hanoi não amavam as criancinhas? Lá ninguém usa cinto e muito menos cadeirinha que amarra.

Suspiro fundo dez vezes e penso com meus botões… Está apenas começando! Rs. Negocio a cadeirinha em troca de um sorvete coreano (que tinha em Hanoi e ela amava),
abro o google no celular numa busca desesperada por um restaurante vietnamita.

Confesso, ela me deixou com água na boca, e finalmente admito: Também prefiro Bún chả que conchiglione!

 

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11 comentários

Cristiane Leme Março 18, 2014 at 2:56 pm

Eu confesso que morri de rir ao imaginar a cara da sua bonequinha falando tudo isso! Crianças são muito espertas! E se é um choque gigante pra gente a mudança, pra eles, que ainda estão descobrindo a vida, deve ser talvez até mais chocante que pra nós! Uma coisa muito boa e positiva de tudo isso é a riqueza cultural que fica das experiências. Mais tarde a Khadija vai entender tudo isso, e vai ser eternamente grata a você e ao Fabio pelas experiências, você vai ver! E como dizem por aí, o tempo é o melhor remédio pra tudo. Boa sorte pra vocês duas na adaptação. Bjs

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karla Março 18, 2014 at 3:59 pm

Nossa Muito bom o texto pricipalmente neste mundo globalizados as criancas ainda sao bem sinceras com as diferencas 😉

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Odalea Março 18, 2014 at 5:59 pm

Muito bom, Fabi. Fiquei só imaginando a carinha dela nessas cenas todas.
Bjs

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Eliana Pisanis Março 18, 2014 at 8:59 pm

Dija é uma fofa… se nós adultos sofremos com essas idas e vindas, imagina eles…

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Priscila Março 18, 2014 at 10:15 pm

Adorei o texto! Já morei na Ásia e realmente é difícil se adaptar e depois se readaptar a algumas coisas né?
Beijos, Fabi =)

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Wendy Março 18, 2014 at 10:17 pm

Adorei o texto e me diverti muito com a Kadija !! Uma menina linda de alma pura !! Bjos !!

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claudia alonso Março 19, 2014 at 12:19 am

Amei. Docemente e totalmente lúdico!

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Ana Carina Março 20, 2014 at 4:50 pm

Muito lindo o texto Fabi, e tua filha com as respostas sinceras que coisa mais linda!!
Bom tá aí,uma das coisas que marcaram ela !!

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Ana Cristina Kolb Março 22, 2014 at 11:05 am

Nossa Fabi imagino a saia justa que voce ainda vai ter que passar neste período de adaptação, mas as crianças se adaptam tapigo e com certeza estas experiencias unicas vao ficar na memória de voces pra sempre, super beijo pra coces queridas nesta fase de readaptação! Namasté 🙂

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Michele Março 25, 2014 at 1:16 am

Amei o post querida Fabi, ri muito! =D
Nossa fofíssima Khadija é muito esperta, além de um anjo!
Pureza demais numa pessoinha só!
beijo para vocês!

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Brasil – Páscoa Abril 16, 2014 at 8:00 pm

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