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Brasil – Intercâmbio de ‘estudo + trabalho’

Muitos brasileiros a cada dia mais buscam por oportunidades fora do Brasil, seja por mais qualidade de vida, seja para aperfeiçoamento de idiomas ou até mesmo para ter uma colocação melhor no mercado de trabalho na volta ao Brasil. Nos gráficos abaixo conseguimos ter uma ideia do número e do perfil do brasileiro intercambista.

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Fonte: http://www.intercambioaz.com.br

A opção do programa de intercâmbio de estudo + trabalho é muito interessante, pois além de estudar e melhorar o idioma você também pode descolar uma grana que ajudará nos custos da viagem. Quando eu era mais nova tinha vontade de participar de um programa destes, mas é um programa caro, devido aos custos serem todos por sua conta: passagem aérea, moradia, o curso de idioma e tudo o mais. Mas tenho muitas amigas que fizeram este programa, e duas delas toparam compartilhar conosco suas experiências e dicas! Espero lhe inspirar com este texto e fazer você arrumar as malas e se aventurar!

Gisele fez um intercâmbio de ‘estudo + trabalho’ entre 2013-2014 em Dublin na Irlanda, onde ficou 7 meses e aqui está o depoimento dela sobre a experiência:

“Optei por este programa pela possibilidade de trabalhar para juntar dinheiro e poder viajar, e escolhi Dublin porque ainda não conhecia a Europa e a Irlanda é próxima a vários países bacanas que estavam na minha lista para “conhecer”. Fiz intercâmbio pela Egali; eles possuem base em Dublin e me deram todo o suporte para os primeiros dias como recepção no aeroporto, walking tour e auxílio desde como tirar o GNIB (visto irlandês) até suporte para elaborar currículo. Há muitos brasileiros e estrangeiros no país e isso torna difícil achar moradia e emprego. Quando cheguei conheci alguns brasileiros e nos unimos para achar um apartamento, mas mesmo assim moramos um tempo em hostel.

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Gisele em Malahide Castle no Condado de Dublin

Minha rotina diária: pela manhã ia para a escola e estudava até 12:00; na parte da tarde trabalhava alguns dias por semana e em outros, conhecia os arredores. Já havia cursado uma escola de inglês no Brasil, mas quando você desembarca em outro país e vê que ninguém fala sua língua é que você cai na realidade: ‘putz, vou ter que me virar’. Os irlandeses são muito hospitaleiros e como estão acostumados a todos os dias receberem muitos imigrantes já sabem que não adianta forçar o inglês e acham outros meios de te explicar ou orientar com gestos, desenhos… risos. Não tenho dúvida de que esta foi a melhor experiência da minha vida. Minha cabeça mudou completamente, passei a enxergar tudo com uma nova perspectiva. Quando você sai de sua zona de conforto, você amadurece assustadoramente rápido.

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Gisele em Wicklow Mountains Valleys and lakes no Condado de Wicklow – Irlanda

A cada viagem você se torna uma pessoa mais culta e mais feliz, sem contar que cada lugar deixa uma história para contar, e isso sem dúvida não há dinheiro que compre.  Meu conselho: aproveitar muito! Levar apenas o básico em uma mala grande e levar a outra vazia (senão irá pagar excesso na volta, certeza); não esquecer dos cosméticos e remédios (lá não se compra sem receita) e casacos quentinhos. Aproveitar a experiência para morar com pessoas de outra nacionalidade, e juntar o quanto puder de dinheiro para viajar!”

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Gisele em Giants Causeway na Irlanda do Norte

Experiência show né, deu até vontade de embarcar para Dublin, lugar que com certeza já está na minha bucketlist!

Agora vamos  saber um pouquinho sobre a experiência da Maiuly. Ela optou em ir para o Canadá, mais especificamente Vancouver, e o mais legal é que faz pouco tempo que ela voltou ao Brasil! Ela também optou por fazer um intercâmbio  ‘estudo + trabalho’:

“Eu fiz intercâmbio para estudar inglês e meu visto era do tipo CO-OP, ou seja, ao mesmo tempo em que eu estudei inglês eu pude trabalhar durante 11 meses. Porém, este tipo de visto parou de ser ofertado no Canadá desde o final de maio de 2014, e agora existe somente um visto parecido que te permite trabalhar desde que você faça curso técnico ou uma faculdade lá. Escolhi o Canadá porque na época que eu procurei este tipo de visto, em setembro de 2013, era um dos três países que oferecia este tipo de visto para brasileiros.

Viagem a Whistler, cidade ao norte de Vancouver, que já foi sede das Olímpiadas de Inverno em 2010.
Maiuly durante viagem a Whistler, cidade ao norte de Vancouver, que sediou as Olímpiadas de Inverno em 2010.

O meu processo pré-intercâmbio durou 4 meses: eu demorei 2 meses fazendo os exames médicos solicitados e reunindo a documentação necessária; esperei 2 meses até meu visto sair. Eu utilizei os serviços de uma agência de viagens e de um despachante. Posso dizer que o meu processo de visto foi tranquilo, porque escolhi uma agência. Cheguei em Vancouver no final do inverno e tive problemas em me acostumar  a um lugar gelado e muito chuvoso. Além disto, no começo meu nível de inglês era intermediário e tive dificuldades de comunicação e em fazer amigos estrangeiros. Nos primeiros três meses tive como melhor amiga uma brasileira. Mas o importante foi que na medida em que fui melhorando no inglês, fui tentando conversar mais com os colegas da escola e com os vizinhos do hotel que não eram brasileiros. Estudava no período da manhã e começo da tarde de segunda a sexta, totalizando 24h semanais de estudo. Após a escola eu passeava na cidade, fazia as minhas tarefas e cozinhava. A cozinha era o local onde eu tinha a possibilidade de conversar e conhecer melhor os outros moradores do hotel.

Maiuly com amigos da escola de sua primeira turma, celebrando o seu aniversário, que foi 10 dez após ter chego ao Canadá.

Nos finais de semana eu passeava ou viajava com os amigos, frequentava cafés e restaurantes e as vezes ia a um pub. Ao final do meu período de estudo fiz trabalho voluntário à tarde, num centro comunitário de idosos, para treinar meu inglês, pois pretendia utilizar esta experiência no currículo e encontrar um emprego. Quando comecei a trabalhar minha rotina ficou mais “parada”: de manhã, dormia, à tarde e parte da noite trabalhava como barista e quando chegava em casa, tentava descansar. Nesta época a grande maioria dos meus amigos havia retornado para os países de origem e sofri um pouco com o isolamento, além do clima ter mudado e o “inverno precoce” ter trazido chuvas intermitentes desde o começo de outubro até o dia em que fui embora. Mesmo assim tentei perseverar, pensando nos meus objetivos, e confesso que só me mantive bem porque tive ajuda do meu namorado que foi morar comigo nos 4 meses finais no Canadá, o que por um lado foi bom e conveniente, mas por outro fiquei acomodada e “parei” de me esforçar para me abrir e conhecer pessoas novas.

Esculturas de madeiras chamadas de Totens feitas pelo povo nativo do Canadá. Foto tirada no Stanley Park, situado no centro de Vancouver.
Maiuly e as esculturas de madeiras chamadas de Totens feitas pelo povo nativo do Canadá. Foto tirada no Stanley Park, situado no centro de Vancouver.

Tive problemas com a pronúncia de algumas palavras no inglês e dessa forma era difícil para as pessoas me compreenderem corretamente. Consegui resolver esse problema ao trabalhar com nativos. Com certeza, esta foi uma experiência maravilhosa que me fez crescer e me autoconhecer, porque só quando enfrentamos as adversidades é que notamos o quão fortes podemos ser. Adicionalmente, embora já tivesse viajado para outros países de férias ou a trabalho, ambicionava uma vivência internacional prolongada. As razões para sua saída devem ser mais do que apenas uma fuga dos problemas no Brasil, porque no seu retorno estes problemas irão te encontrar novamente. Aproveite ao máximo sua estadia em outro país sem se apegar apenas a outros brasileiros, porque estar na “zona de conforto do português” poderá prejudicar e muito seu desenvolvimento em outro idioma. E após o seu retorno tenha em mente que a adaptação será difícil, mas o mais importante é nunca se arrepender pelas escolhas feitas. Optei pelo intercâmbio para estudar inglês como forma de me aperfeiçoar profissionalmente e realizar um sonho pessoal de vivência internacional. Sendo assim, graças a muito esforço pessoal consegui concretizar ambas as minhas metas, e tentei ver meu trabalho em outra área como uma oportunidade de aprender uma segunda profissão.”

Foto de uma Montanha numa cidade na região metropolitana de Vancouver chamada Burnaby Montain.
Maiuly em uma montanha numa cidade na região metropolitana de Vancouver, chamada Burnaby Montain. Embora em Vancouver não neve com frequência porque chove muito, se você se deslocar uns 20km do centro já conserguirá ver neve.

E aí, curtiu a ideia? Deu uma motivação para pegar a estrada e se aventurar numa experiência incrível? Espero que a história das minhas amigas tenham te incentivado. Tudo é possível, basta irmos em busca de nossos sonhos! Com certeza toda e qualquer experiência num país estrangeiro é válida, pois ele traz crescimento pessoal, e isso possibilita melhorias em sua vida profissional também!

Escolha um país, trace uma meta e vá em busca dos seus objetivos; o mundo esta à sua espera!

E se você já fez um intercâmbio do tipo ‘estudo + trabalho’ compartilhe conosco sua experiência nos comentários!

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4 comentários

Maiuly Abril 27, 2015 at 1:36 am

Jú o post ficou bem legal. Obrigada pela abertura no blog para deixar o meu depoimento.
Eu torço para com a minha história ter incentivado mais gente a seguir os sonhos deles.
Abração!

Resposta
Júnior Faustino Abril 27, 2015 at 1:54 pm

Achei o post muito bom, eu queria saber, referente ao que a Maiuly disse, que o Canadá era um dos três paíse que ofereciam o tipo de visto citado, poderia me dizer quais eram os outros dois países?!

Resposta
Juliana Silva Abril 29, 2015 at 2:05 am

Ola Junior, obrigada por visitar o blog e comentar o texto. Os outros dois paises eram Irlanda e Australia. 🙂

Resposta
Brasil – Intercâmbio de ‘estudo + trabalho’ JUJU NO MUNDO Março 29, 2017 at 6:11 am

[…] SILVA | BRASIL ABRIL 25, 2015 3 COMENTÁRIOS Muitos brasileiros a cada dia mais buscam por oportunidades fora do Brasil, seja por mais […]

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