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Brasil – Sair ou não?

Desde que eu voltei a morar no Brasil, sempre escuto a mesma pergunta: Por que você voltou a morar no Brasil? E sempre penso bastante na hora de responder, pois esta não foi uma decisão fácil para mim, mas foi necessária. Eu amo meu país e gosto, SIM, de morar aqui.

Saí do Brasil para aproveitar oportunidades de poder trabalhar no exterior e conhecer um pouco deste mundão. Em momento algum saí do Brasil porque a vida aqui é difícil, ou porque queria ganhar rios de dinheiro e etc…

Acredito que, quando decidimos mudar de país, devemos fazê-lo por motivos sérios e concretos, pois em todos os lugares do mundo há problemas, há dificuldades e lembre-se de que se já é difícil na sua pátria mãe, imagine fora dela, onde o idioma falado é diferente, as leis nem sempre favorecem o estrangeiro e pode haver muito preconceito e discriminação. A competitividade é grande para se conseguir um bom emprego no exterior e vive-se sob a tensão e expectativa sobre se seu visto será aprovado e /ou renovado.

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“Se a caminhada está difícil, é porque você está no caminho certo.”

Não posso me queixar das experiências que tive, tanto trabalhando em navio de cruzeiros na Europa quanto em um call center em Cingapura. Foram experiências incríveis, mas nada fáceis. Busco sempre olhar pelo lado positivo e encontrar o aprendizado que aquela situação traz para a minha vida. E principalmente, busco felicidade em tudo o que faço, onde quer que eu viva. Lembre-se sempre, nós fazemos o lugar. Quando entendemos que nós precisamos nos adaptar ao país e não o país a nós, tudo facilita.

O Brasil tem muitos problemas e não concordo com tudo o que acontece por aqui. Mas também não concordava com muita coisa nos lugares por onde já passei. Então, quando decidir sair do Brasil, tenha certeza de que está indo por motivos bem pensados e não apenas por que acha que seus problemas se resolveram ou ganhará rios de dinheiro e será feliz para sempre.

Há pontos muito positivos em se morar fora do Brasil: você se torna uma pessoa mais adaptável e tolerante. Aprende a conviver com diversas culturas e muitas vezes acaba trazendo para sua rotina diária muitos dos costumes de outros países; eu por exemplo, não gosto mais de usar sapatos em casa: adoro chegar e deixar o sapato na entrada e caminhar pela casa descalça ou de meia. Aprende a deixar as frescuras de lado em relação a comida, a conforto, entre outros. Aprende a se comunicar da forma que for possível; aprende o idioma local; melhora seu inglês; fica craque nas mímicas, a linguagem corporal evolui muito. Aprende a dar valor aos menores detalhes, que pareciam tão comuns mas que no fim das contas, fazem muita falta quando se está longe, como um bom abraço ou um arroz e feijão preparado com muito amor, por exemplo. Faz amigos que te acompanharão pra vida, mesmo que nunca mais os veja pessoalmente, pois o sentimento que os uniu é muito grande e permanecerá para sempre em sua vida. O crescimento pessoal, o aprendizado de vida é inigualável, pois enfrentará muitas adversidades e dificuldades que são os pontos não tão bons.

Os pontos não tão bons: não gosto de usar a palavra ‘negativos’; são muitos e estão presentes o tempo todo enquanto estamos fora do país, em um mundo distante de tudo o que conhecemos e estamos acostumados. Na vida profissional é preciso se superar o tempo todo, esforçar-se muito mais que os locais, lidar com a pressão e discriminação de ser o estrangeiro, o expatriado. Você acaba tendo que se costumar com a comida do dia a dia que não será a sua favorita, e com o fato de que nem sempre é fácil encontrar os ingredientes para preparar aquela comidinha com sabor de casa. Terá que aprender a ter que cuidar muito da sua saúde, pois no país que decidir morar a assistência médica pode ser muito cara, ou simplesmente não existir; o SUS no Brasil é melhor que muitas assistências médicas existentes no mundo. Ou simplesmente terá que evitar a todo custo ficar doente, pois o único remédio que você pode tomar devido a problemas de alergia tem venda proibida, como foi meu caso enquanto morei em Cingapura.

Mas lembre-se de sempre tentar ver o melhor numa situação ruim. Gosto de pensar que um copo está quase cheio, em vez de pensar que o copo está quase vazio. Isso ajuda muito nos momentos difíceis, aqueles momentos em que você quer jogar tudo para o alto e voltar para casa, para perto da família. E aqui será muito importante lembrar dos motivos que te fizeram sair do Brasil, dos motivos que te levaram a seguir esta nova oportunidade; e se estes motivos forem fortes, essa vontade de jogar tudo para o alto passará e você será capaz de ser feliz, mesmo num lugar novo e que possui tantos problemas como nossa pátria amada.

Muitos saem do Brasil em busca da vida perfeita, mas as coisas não funcionam bem assim. É preciso trabalhar muito para isso! O que quero dizer é que sair do Brasil é tão difícil quanto morar aqui. Prepare-se para uma aventura no exterior, consiga o emprego, conheça as leis locais, pesquise sobre o que seu visto de trabalho permite fazer no país. Aproveite ao máximo a oportunidade de sair do Brasil. É possível, sim, ter uma vida muito melhor morando em outro país e encontrar um novo lugar para chamar de lar. Mas isso depende somente de você e de mais ninguém. Pois ser feliz e ter uma vida melhor é uma decisão, uma escolha – seja no Brasil, na Europa ou na Ásia…

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‘Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser.’ Cecília Meireles

Sucesso em sua caminhada!

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9 comentários

Adriana Caton Novembro 9, 2015 at 11:51 pm

Parabés, Juliana. Morei fora por muitos anos e também voltei ao Brasil então me identifiquei muito com o que você escreveu… tem muita gente que tem uma ilusão que fora do Brasil é o paraíso e aqui é o pior lugar do mundo. Só quem morou fora entende que não é bem assim… e sempre digo, nós mesmos fazemos o lugar, nós fazemos nossa felicidade, não importa aonde seja vamos ter que encarar desafios e desfrutar das coisas boas. Obrigada pelo texto e por compartilhar essa ideia e esse sentimento comigo.

Resposta
Juliana Silva Novembro 10, 2015 at 1:18 am

Olá Adriana. Obrigada por visitar o blog e comentar o texto. Fico feliz que tenha gostado do texto, não é fácil falar sobre o assunto, mas acredito ser importante que as pessoas saibam que em todos os lugares há dificuldades. Eu também penso que quem faz a nossa felicidade somos nós mesmos seja onde estivermos. Sucesso sempre pra ti!

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Christine Marote Novembro 10, 2015 at 10:19 am

Lindo texto Ju.
Ainda não voltei… mas esse dia vai chegar!
Beijo.

Resposta
Jéssica Martins Novembro 10, 2015 at 9:47 pm

Sabias palavras Juliana!

O que sempre digo é: vc so ve o quanto o nosso Brasil é maravilhoso depois que sai dele.

um beijo

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Alê Abril 19, 2016 at 6:18 pm

Olá Juliana,

Parabéns. Seu texto está ótimo. Você descreveu muito bem a realidade de viver fora de sua nação.
Porém, posso dizer que hoje me sinto um tanto estrangeira e ao mesmo tempo em casa em todo lugar que vou.

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ana maria do nascimento Abril 19, 2016 at 8:42 pm

Moro no exterior a 14 anos e amo morar aki, nunca pensei em voltar para o brasil.qdo vou em ferias passa 20 dias e fico doida pra vir embora,me da uma depre e conto os dias nos dedos pra xegar a hora de imbarcar e voltar pra Italia.

Resposta
Adriana Abril 20, 2016 at 10:12 am

Ju, já visitei alguns países e tenho em meu convívio diário pessoas de outros países e o seu texto é tudo! Sou muito feliz aqui no meu país e se algum dia eu fosse morar fora irei com o mesmo sentimento que você expressou neste post. Seu texto e voz para todos nós que sabemos que a felicidade construímos em qualquer lugar.

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Maira da Costa Abril 20, 2016 at 1:04 pm

Amei o seu post porque morei fora do país e fui questionada e ainda sou de ter voltado. Achei a sua descrição muito verdadeira e de alguma forma muito parecida com a minha. Parabéns pela sua honestidade!

Resposta
Clóvis Outubro 29, 2016 at 7:51 am

Moro fora há alguns anos e ainda não voltei e espero não voltar. Saí do Brasil e não tenho planos pra voltar. Quando eu volto é só pra férias e com medo de morrer. Assim que minha nova cidadania sair, vou tratar meio de pedir a desnaturalização voluntária.

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