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Brasil – Trabalhando como voluntário pelo mundo

Você já pensou em trabalhar em algum lugar do mundo como voluntária(o)? Eu penso muito nisso e espero que um dia possa realizar esse sonho… Mas enquanto esse dia não chega, eu compartilho com vocês um pouquinho da experiência de uma grande amiga, que também é colunista aqui no blog, a Ana Maria.

Desde 2014 ela faz parte do do programa UNV (United Nations Volunteer), programa das Nações Unidas que leva voluntários profissionais com mais de 25 anos para trabalhar nas diferentes missões da ONU no mundo. Ela foi chamada para ir ao Haiti, para trabalhar no MINUSTAH (Missão da ONU para estabilização do Haiti).

Aqui no blog ela vem compartilhando conosco como tem sido a experiência e muitas curiosidades sobre o Haiti. Mas eu quero contar um pouco mais para vocês, então fiz uma entrevista com ela! Espero que isso incentive você, como me incentiva. Eu já me inscrevi para o projeto, mas AINDA não fui chamada.

Foto: Arquivo pessoal Ana
Foto: Arquivo pessoal Ana

“Quando tomei a decisão de mudar tive medo pela incerteza do que me aguardava. Além disso parecia tudo loucura, essa era uma das decisões mais radicais da minha vida. E no final tudo foi muito melhor do que eu esperava, foi uma experiência super enriquecedora e meu único arrependimento é não ter feito isso antes.” Ana Maria.

Por que optou por este programa e por que escolheu este país?

Ana: Porque sempre tive o desejo de trabalhar com organizações internacionais e fazer trabalho humanitário. Não escolhi o Haiti diretamente, mas quando soube que a vaga seria para cá fiquei feliz porque estaria mais perto do Matt (marido da Ana).

Conte sua experiência durante o processo.

Ana: Quando eu recebi o e-mail da ONU solicitando a confirmação do meu interesse em relação à vaga fiquei super feliz e ansiosa. Primeiro eles me mandaram um lista de documentos que eu precisava enviar, como passaporte, diplomas universitários, etc. Isso levou vários dias, porque precisei inclusive fazer uma consulta médica e enviar um atestado de saúde em inglês. Depois que mandei todas as informações, o escritório da ONU em Brasília comprou minha passagem e depositou o dinheiro necessário para meus gastos na viagem e nos primeiros dias no Haiti. Dia 06 de fevereiro de 2014 embarquei para Porto Príncipe. Não precisei de vistos porque já tinha visto americano e para entrar no Haiti eu tinha uma carta da ONU solicitando que permitissem minha entrada.

Depois que chegou ao país, e começou o intercâmbio: quais foram as maiores dificuldades?

Ana: No começo aqui várias coisas foram difíceis. Pra mim a pior, foi a barreira do idioma pois eu não sabia uma palavra de francês e me sentia muito mal por ser incapaz de me comunicar. Foi a primeira vez que tive dificuldades com um idioma e não gostei nada da sensação. Além disso, a mudança de ambiente foi muito radical. Sair de Curitiba para Porto Príncipe foi um choque. Nos primeiros dias era um choque diário ir de casa ao trabalho e ver tanta feiura. Ruas de terra, casas sem acabar, lixo, pobreza, vacas e cabras soltas na rua comendo lixo… Tudo era um choque diário, e assim foi por umas duas semanas. Até hoje me sinto um pouco desconfortável com as coisas que vejo na rua. Outras dificuldades foram transporte, demorou umas 3 semanas até eu ter a carteira de motorista da ONU, conhecer os caminhos, me adaptar com as regras, não me sentia capaz de sair sozinha na cidade.

Como é a sua rotina, quais atividades precisa fazer diariamente?

Ana: Trabalho em um escritório como Gerente de Banco de dados e faço diversas outras atividades relacionadas com TI, como administrar usuários, dar treinamentos, desenvolver aplicativos de software para facilitar o trabalho no escritório, etc. Meu trabalho é absolutamente interno, não há contato direto com a população. É importante deixar claro que a maioria dos voluntários trabalha em atividades internas da missão. São poucas as pessoas que trabalham diretamente com a população. Isso é mais comum nas agências da ONU. Normalmente saio de casa às 7:30h da manhã e levo uns 40 minutos pra chegar ao trabalho devido o trânsito. Trabalho das 8:15h até as 17h. Almoço dentro da base mesmo, temos 4 restaurantes e um mercado aqui dentro. Também temos uma academia que oferece diversas atividades físicas e de lazer. Quase todos os dias vou para a academia, depois do trabalho fazer aulas de dança, correr, etc. (Para mim é muito importante este tipo de atividades para manter a sanidade mental, eheheh.) Vou para a casa por volta das 19h, janto, faço alguma coisa em casa antes de dormir. Ou, eventualmente, saio pra jantar com os amigos. Final de semana muitas vezes significa ir à praia, mergulhar, ou passar o domingo na beira da piscina. Alguns fins de semana fico em casa.

Foto: Arquivo pessoal Ana
Foto: Arquivo pessoal Ana

Houve alguma barreira em relacionada ao idioma?

Ana: Sim, dupla barreira porque aqui o idioma oficial é o francês, que demorei quase um ano para dominar e me sentir confortável para falar. Assim que cheguei entrei nas aulas oferecidas pela MINUSTAH e comecei a estudar por conta própria também. Mas a maioria da população local fala outro idioma, o criolo haitiano que, apesar de ter como base o francês, é um idioma totalmente diferente. Este idioma eu comecei a estudar em 2015, estou fazendo aulas particulares e espero no futuro ser capaz de me comunicar com os locais.

Se você tivesse a oportunidade de fazer novamente você faria?

Anna: Absolutamente, para mim esta foi a melhor experiência da minha vida até o momento (planejo ter outras experiências tão intensas quando no futuro).

Alguns pontos positivos…

Ana: Fazer novos amigos. Conhecer pessoas de muitas nacionalidades a aprender sobre suas culturas. Ter vários dias de férias e assim poder viajar e conhecer novos lugares (viajei por vários lugares no ano passado: Haiti, Republica Dominicana, Curaçau e EUA). Ser voluntário mas ter um suporte financeiro para manter-se durante este período (recebemos uma bolsa de 2.500 dólares mensais, temos seguro saúde, etc).

Alguns pontos negativos…

Ana: Estar longe da família e dos amigos. Não conhecer nada do idioma local. Ausência de contato com a população local devido às regras de segurança. O fato de estar em uma missão da ONU faz com que vivamos de uma forma um pouco mais restrita.

Qual conselho você daria para quem tem interesse em ter essa experiência?

Ana: Aprenda inglês e/ou francês. Prepare-se para a entrevista (dá pra encontrar um roteiro com perguntas genéricas que podem ser feitas na entrevista na Internet). Não espere viver com luxo ou em lugares maravilhosos, as missões da ONU estão justamente em países em conflitos onde pode ser muito perigoso viver. Participe do programa para ter experiência internacional com a ONU.

Foto: Arquivo pessoal Ana
Foto: Arquivo pessoal Ana

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2 comentários

elaine rangel Setembro 30, 2015 at 3:29 pm

Quais sao os criterios basicos exirgido para se candidatar ,acho que faltou essa pergunta na entrevista…fora isso parabens pelo post.att Elaine Rangel

Resposta
Ana Outubro 1, 2015 at 6:10 pm

Que história incrível! Pena que fazer parte de um projeto desses é inviável pra mim hoje. Estou casada e meu marido não topa. Sucesso!!!

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