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Brasil – Intercâmbio de trabalho

Acredito que devemos aproveitar todas as oportunidades que aparecem em nossa vida! Eu adorei morar fora do Brasil e penso muito ainda em voltar a morar no exterior algum dia. Morei fora do Brasil em duas diferentes situações: a primeira vez foi para trabalhar em navio de cruzeiros e a segunda vez para trabalhar em call center em Cingapura; já compartilhei ambas as experiências com vocês aqui no blog.

Em nenhuma delas eu exerci minha profissão; muito pelo contrário, aprendi novas profissões, mas o maior aprendizado de todos foi aprender a conviver e respeitar as diferentes culturas e a trabalhar em um ambiente tão diferente de tudo o que já havia trabalhado no Brasil. Afinal é necessário que mesmo usando um idioma diferente do seu de origem você tenha uma boa comunicação com chefe, colegas, clientes e etc. É necessário entender que diferentes culturas em um mesmo ambiente podem, sim, causar muitos conflitos, e devido a isso nos tornamos mais flexíveis e com um poder de adaptação incrível.

Agora, imagina que máximo é poder viajar e ter a oportunidade de trabalhar em sua área profissional em algum lugar deste mundão? Tenho uma amiga que já morou em todos os continentes e ela compartilha conosco como foi seu intercâmbio de trabalho pela Aiesec, no Egito em 2010, onde atuava em sua área profissional.

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Foto arquivo pessoal Paola

“Escolhi o programa pois tinha de certa forma um baixo custo e oferecia muitas oportunidades, remuneradas ou não, em mais de 100 países. Além disso, a Aiesec é bastante forte em países em desenvolvimento e na época eu buscava oportunidades de alto impacto cultural, por isso foi um casamento quase perfeito. A proposta era que o intercâmbio durasse um ano, mas foi de aproximadamente três meses. O processo do visto foi um pouco conturbado, por isso aconselho que sempre aguardem o visto correto antes de saírem do país. Chegando ao Egito o choque cultural foi bastante forte. As principais dificuldades estavam relacionadas à infraestrutura, pois com frequência faltava água e luz no apartamento, apesar de eu ter residido em um bairro considerado bom e bastante central. Além disso, já no segundo mês tivemos que alugar um apartamento e o processo de busca foi também difícil, considerando que estávamos apenas no segundo mês de intercâmbio. Diariamente pegava uma van junto com meu amigo, colega de trabalho e também intercambista. A van passava no nosso bairro e íamos com mais alguns intercambistas e outros trabalhadores da empresa que moravam na região para a fabrica que ficava do outro lado da cidade, depois das pirâmides. O meu intercâmbio, junto com mais dois estrangeiros, consistia em desenvolver produtos, bem como gerenciar a área de design da empresa em conjunto com os diretores. As atividades diárias eram bastante interessantes e envolviam todo o processo de desenvolvimento de produto, uma vez que a fábrica produzia móveis em madeira, bastante típicos da região. A carga horária era bem pesada saíamos as 7 da manhã e voltávamos depois das 19 horas e como o transporte público não era tão desenvolvido na época, o que dificultava a locomoção, acabávamos aproveitando a cidade mais nos finais de semana. Havia uma grande barreira relacionada ao idioma, principalmente no trabalho, uma vez que no setor de produção apenas os gerentes de cada área conseguiam se comunicar em inglês. O design de produto é muito conectado com a produção, pois acompanha todo o processo de desenvolvimento. Assim, todas as vezes que queríamos nos expressar com detalhes para a equipe enfrentávamos dificuldades e por isso iniciamos aulas de árabe. No dia a dia fora da fábrica era possível se comunicar em inglês, mas saber a língua local é sempre uma grande vantagem”.

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Foto arquivo pessoal Paola

Pedi à Paola para citar 3 pontos positivos e negativos sobre o intercâmbio:

Pontos positivos:

  1. As atividades do intercâmbio em si, pois tínhamos a oportunidade de trabalhar realmente na área de design, no setor criativo, desenvolvendo móveis, cuidando de estandes para feira, novas coleções, entre outras tarefas.
  2. Os intercambistas. O Cairo era uma cidade que recebia muitos intercambistas da Aiesec e tínhamos um grupo muito unido. Apesar de o intercâmbio ter sido curto, nós mantemos contato entre nós até hoje.
  3. A cultura é uma coisa que me fascina muito. O Egito em termos de cultura é riquíssimo: as pirâmides, os produtos artesanais, a comida! Apesar do caos da cidade, algumas regiões como o mercado Khan el Khalili (uma das áreas comerciais mais antigas da região) são realmente inspiradoras.

Pontos negativos:

  1. A segurança, principalmente para mulher. O Egito é um país islâmico e, apesar de ser considerado relativamente seguro, não é aconselhado mulheres saírem sozinhas, principalmente durante a noite. Além disso, as mulheres estrangeiras muitas vezes acabam chamando bastante atenção, principalmente pela vestimenta e a longo prazo isso se torna muitas vezes desconfortável, pois o assédio era muito frequente.
  2. A limpeza. De uma maneira geral o país ainda não tem muita estrutura, na época em que morei no Egito já há quase cinco anos atrás praticamente em cada esquina encontrava-se várias pilhas de lixo pela rua. Além disso, lembro bem que no prédio de amigas minhas estrangeiras, vários vizinhos simplesmente jogavam o lixo pela janela, diretamente no terreno baldio na parte de baixo do prédio.
  3. Infelizmente o intercâmbio foi interrompido devido à revolução seguida pela crise política que se iniciou no país na época. Foi com certeza um momento histórico do qual eu tive a sorte de participar, mas que culminou no cancelamento do intercâmbio.

Depoimento da Paola sobre sua experiência:

 ” Vá com o coração aberto, o Egito é um país incrível, repleto de arte, história, comida boa, pessoas alegres e muito mais! A cultura é bastante diferente da nossa, o que torna a experiência riquíssima e também desafiadora. Sendo assim, eu diria que é sempre importante se adaptar ao ambiente e ter paciência, afinal foi você quem decidiu sair do seu país! Conhecer uma cultura milenar, trabalhar em um país islâmico, estudar árabe, fazer descobertas diárias, experimentar sabores incríveis e ter participado do início da revolução no país. É um pouco do que eu vivi no Egito, experiências muito marcantes ao lado de pessoas especiais, que tornaram os meus “quase três meses” no Cairo muito mais felizes.”

‘As oportunidades se multiplicam na medida em que são agarradas’. Sun Tzu. 

Se você já trabalhou na sua área de atuação ou profissão em algum lugar do mundo, compartilhe conosco: deixe um comentário no texto!

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Foto arquivo pessoal Paola

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