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Brasil – O dilema escolar

Um dos maiores dramas quando você volta pra casa é a questão da escola. Primeiro porque as escolas possuem abordagens  pedagógicas muito distintas, e segundo, porque existem ainda as questões culturais e idiomáticas. São apenas detalhes, mas quando você está construindo o processo de adaptação de uma criança, cada detalhe conta.

O primeiro maternal onde coloquei a Khadija era uma escolinha com professores vietnamitas e estrangeiros. Como não havia vaga entre os gringos eu optei por deixá-la com uma professora vietnamita bilíngue, que parecia muito fofa, mas  não durou! A rigidez asiática conflitou imediatamente com nossa maneira latina, abraçante, beijante, colinho, carinho e denguinho de ser. Acabei  mudando a baby de escola pra um kindergarten internacional, super alternativo, com uma professora maravilhosa, egressa da área das artes e do teatro.

Educação Ambiental
Educação Ambiental

Ao chegar no Brasil, enfrentei o dilema de toda mãe que já foi expatriada:

Escola bilíngue ou não?

Khadija chegou ao Brasil bilíngue e com um pouco de vietnamita. Tive pra mim que seria um desperdício deixá-la perder o inglês, então decidi colocá-la em um escola bilíngue. O problema é que no Brasil os preços são proibitivos, mas como tirar da sua filha algo tão precioso que aos 3 anos de idade ela já conquistou ? Eu que saí do Brasil sem falar uma palavra de inglês, tenho a total noção de quanto saber outro idioma pode ampliar suas oportunidades futuras.

Além do conforto de em caso de sairmos do país novamente ela se adaptar rapidamente sem a crise da língua, pesquisas diversas, como a de cientistas canadenses que no início dos anos 60 concluíram: Crianças que aprendem uma segunda língua até os quatro anos podem desenvolver capacidades cognitivas mais cedo. No entanto, de acordo com a educadora da American Organization of Teachers of Portuguese Ivian Destro, em artigo publicado na Gazeta News: As crianças podem ser educadas para serem bilíngues, no entanto, se elas não utilizam as línguas a que foram expostas, podem passar pelo processo de esquecimento e de perda linguística.

Por isso, apesar do alto custo e de ter que fazer um grande sacrifício para dar conta das mensalidades, optamos pela escola bilíngue.  O que eu não sabia é que escola bilíngue e internacional não são a mesma coisa e por causa dessa desinformação, todo o esforço para que minha filha se mantivesse bilíngue, nao logrou muito êxito e em menos de um ano o inglês dela praticamente se perdeu. Vou tentar explicar sucintamente a diferença entre os tipos de escola para ajudar mães que tenham a mesma dificuldade que eu:

Aula de Culinária :)
Aula de Culinária 🙂

Escola bilíngue

As disciplinas normalmente são ministradas em duas línguas: O idioma local (no caso o português) e o inglês.  Geralmente é utilizado o calendário letivo nacional, bem como os parâmetros currículares. Apesar de haver muitos estrangeiros nesse tipo de escola, há também muitos filhos de brasileiros interessados em prover educação bilíngue a seus filhos.

Escola internacional

O currículo é normalmente “importado” do país de origem da instituição, assim como o calendário, que também segue o ritmo das escolas estadunidenses ou europeias e conta com muito mais crianças estrangeiras. O português normalmente é ministrado de maneira mais esporádica.
Escolas internacionais oferecem certificado válido internacional, o que pode facilitar a vida de quem eventualmente necessitar se mudar do Brasil.

 

Dia do índio na Affinity Arts School - Brasil
Dia do índio na Affinity Arts School – Brasil

Decisão difícil

Em teoria eu gosto muito da escola bilíngue, porque garante o ensino das duas línguas e é mais coadunada com nossas matrizes culturais, no entanto o fato de que nem todos os professores e tampouco todos os alunos falem inglês pode levar a uma perda importante da fluência dessa língua. A Khadija entende tudo, mas responde em português. Aparentemente ela decidiu parar de falar inglês quando um amiguinho brasileiro perguntou porque ela falava em outra língua se todos os outros falavam em português. (na classe dela apenas uma menina escocesa é estrangeira, todos os outros são brasileiros). Numa escola internacional isso não teria acontecido. Por outro lado, cada escola transmite os valores de seus povos, e a mim ão agradaria que a Khadija desenvolvesse valores norte-americanos, por exemplo. Aliás a escola americana de Brasília é famosa pela cumplicidade com valores consumistas, competitivos e pelo incentivo exacerbado à meritocracia.

Minha filha perdeu a fluência, verdade – o inglês não deve ter perdido, porque ela entende tudo que falam com ela – mas ganhou em valores, em identidade, musicalidade e alegria. Além do currículo de praxe, Khadija tem todo um aprendizado de valores. Passou os últimos meses estudando virtudes como a gratidão, a coragem e o amor. O que é a fluência diante disso? Como se não bastasse ela ouve Bach ao invés de Xuxa e estuda sobre Van Gogh ao invés de Galinha Pintadinha.

Somos muito ansiosos, não? Vou dar o tempo que ela necessita. Insisto em brincadeiras que promovam o aprendizado do inglês, no Ipad e através de filminhos. Estou pensando em matriculá-la em uma aula de pintura (que ela ama) em inglês e incentivá-la a atividades bilíngues além da escola, mas vou respeitar o desejo momentâneo de viver a brasilidade dela com toda sua intensidade, afinal ela nasceu na Ásia e nunca tinha experimentado as delícias de ser brasileirinha e um dia entender o quão rico foi de ter passado sua infância com a Turma da Mônica, O Sítio do Picapau Amarelo e até Cocoricó. E haja brigadeiro, quindim e canjica pra adoçar a vida!

Bumba meu Boi- Nosso Folclore
Bumba meu Boi- Nosso Folclore
Yoga na escola. Tudo de bom!
Yoga na escola. Tudo de bom!

 

Créditos das fotos: Jamile Ramos

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9 comentários

Bárbara Hernandes Janeiro 17, 2015 at 11:44 am

Não tenho filhos mas achei o post interessantíssimo. Parabéns! Sua filha parece super esperta e saudável, além de uma graça!

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Fabi Mesquita Janeiro 17, 2015 at 12:44 pm

Querida, super obrigada pelo se comentário! Sou suspeita emfalar mas minha filhote é mesmo uma figurinha. Dei muita sorte 🙂 rs
Continue passando por aqui! bjs

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Maria Eldridge Janeiro 17, 2015 at 3:32 pm

Adorei a materia. Tenho dois filhos um de 11 e uma de 3. O menino de 11 fala muito pouco portugues, perdeu o interesse quando começou a escola…. A menina de 3 fala mais portugues do que ingles. Penso em voltar para o Brasil, mas a escola é meu maior medo. Parabens pra voce! Sua menina é muito fofa e pelo jeito tem personalidade forte. ☺️☺️☺️☺️

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Fabi Mesquita Janeiro 17, 2015 at 10:07 pm

Querida, há escolas ótimas no Brasil
Onde você está hoje? Para que lugar do Brasil você voltaria?
Confesso que a escola não é a minha maior preocupação, mas a violência sim!

Resposta
Luciana Damasceno Janeiro 18, 2015 at 12:18 pm

Que bom que consegui manter um pouco das conquistas que sua famlia tinha feito morando fora do Brasil…imagino a sua angústia! Mas, com fé em Deus, as sementinhas que voce plantou estarão sempre com ela 🙂

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www.domdaprimavera.blogspot.com Maio 18, 2015 at 1:55 pm

Muito obrigada, minha querida! Sempre coloco a maior fé nas boas sementes! 🙂
bjs

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Nina Maio 10, 2015 at 5:40 am

Acho que você acabou encontrando um ponto de equilíbrio nesta instituição que não era exatamente o que você queria. Mas que sua filha se sente acolhida, integrada e feliz.

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www.domdaprimavera.blogspot.com Maio 18, 2015 at 1:56 pm

Tomara que sim, sempre fico na dúvida, mas a gente tenta né? obrigada pela visita e comentário 🙂
bjs

Resposta
Liz Abril 25, 2016 at 9:40 pm

Olá Fabi,
Eu procurando sobre escolas inglesas em Brasilia acabei achando este post, mesmo que tenha sido do ano passado gostaria responder. Tenho 2 filhos, de 16 e 13 anos ambos trilíngues, porque eu sou peruana e meu esposo é brasileiro mas moramos em Brasilia e eles frequentaram também a escola Affinity Arts no Lago Sul, e vou te falar, foi o melhor que a gente fez por eles, é cara sim mas também vale cada centavo invertido neles, a escola é maravilhosa, o pessoal desde o Sr. Val que trabalhava na porteria que não sei se ainda trabalha lá ate o Jason, a Karem, o Sergei, a Jana, Mrs. Sue, e Mr.Jack, a Miss Walkenia, as assistentes, se não esqueço os nomes são pessoas maravilhosas, seres humanos que realmente se preocupam com as crianças, eles tentam tirar as melhores qualidades de cada um, tenha certeza que sua criança será bem tratada lá, e que alem da arte, musicalidade, e o inglês, valores como integridade, igualdade, respeito pelas diferenças, aceitação vai ser o que melhor eles levaram para sua vida, Os meus quando chegaram lá com 2 aninhos nem queriam falar inglês, e o Jason explicou que era um processo e que quando precisem falar mesmo eles iam a responder, e foi assim, depois de 4 anos e meio no Affinity Arts tivemos que morar no Perú, nessa nova escola tinham inglês, mas não era bilingue como no Affinity mas eles e saíram muito bem, hoje moro em Portugal e as crianças estudam numa escola internacional que segue a curricula de Cambridge,todas as matérias são em inglês, estão muito bem, e tudo começou no Affinity Arts. un abraço e fiquei feliz de ver suas fotos. 🙂

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