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Brasil – Uma pátria para os refugiados

A crise dos refugiados tem ocupado espaço de destaque na mídia. As imagens chocantes e as histórias pavorosas têm feito muitos de nós questionarem onde foi parar a nossa verdadeira humanidade. Nós – que somos ou fomos expatriados – sabemos numa proporção mínima o que é estar longe de casa, da cultura, da família, do afago do nosso povo. Não temos ideia do que seja a dor do exílio e não podemos sequer imaginar o quão mais cruel ainda venha a ser a dor de um refugiado.

Nenhum de nós conseguirá jamais mensurar o tamanho de uma dor dessa natureza.

Como apagar de nossas mentes a imagem emblemática do corpo de um menino afogado na beira da praia? Leia sobre isso aqui

Como mensurar a dor de um pai se culpando por não ter conseguido agarrar mais forte os próprios filhos? Leia a História

Ao mesmo tempo, como não sorrir sozinha diante da imagem do homem que cruzou o mar Mediterrâneo carregando seu gatinho no colo?  Veja aqui

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Foto postada em www.redetv.uol.com.br

Como não se sensibilizar com as emocionantes histórias daqueles que se salvam e chegam “vivos”,  imersos em sonhos e esperanças, de uma vida nova. E como não se revoltar com imagens como a da cinegrafista húngara chutando o pai de família e a criança que fugiam de policiais de fronteira?

O fato é que essa crise assombra o que nos resta de humanidade.

Decidi escrever sobre refúgio porque recentemente uma amiga expatriada perguntou o que o Brasil tem feito com relação a tudo isso. E a boa notícia é: Nós não temos do que nos envergonhar.

O Brasil é um país de asilo e exemplo de comportamento generoso e solidário”, disse Antônio Guterres, do alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, durante sua visita ao Brasil, em novembro de 2005.
De acordo com o site do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, ACNUR, órgão da ONU responsável por tratar dessas questões em todo o mundo, o Brasil nunca negou sua vocação para acolher necessitados. De acordo com dados do ACNUR, nós fomos o primeiro país do Cone Sul a ratificar o Estatuto dos Refugiados e um dos primeiros do mundo a fazer parte do comitê executivo dessa entidade.

Abrigamos hoje mais de 7.200 refugiados de mais de 80 países diferentes. Oferecemos a eles proteção legal, documentação, direito a trabalhar, estudar e acesso às nossas políticas públicas. Nossa legislação sobre esse tema é considerada uma das mais avançadas do mundo.

A crise mundial tem aumentado o número de refugiados em todo o mundo. Em 2014 o Brasil reconheceu pedidos de refúgio de 18 países, sendo que a maioria dos solicitantes veio da Síria.

Além do ACNUR, os refugiados contam ainda com o apoio do Comitê Nacional para Refugiados, o CONARE; de organizações da sociedade civil e do setor privado; e com diversos comitês governamentais estaduais e municipais que ajudam na integração dessas pessoas em nível local, através da criação de Redes de Proteção.

Num esforço de sensibilizar a população brasileira sobre essa situação o governo lançou a campanha #CompartilheHumanidade.

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Gentileza gera gentileza

Quando fui ao Líbano pela primeira vez eu me assustei quando, ao aguardar na fila da imigração, uma pessoa muito simpática me abordou e perguntou se eu era brasileira. Como ele sabia? Brasileiros não ficam na fila, ele me disse: Há uma entrada especial para vocês.
– Por que uma entrada especial para nós? – perguntei.

– Porque vocês acolheram nosso povo como nenhum outro fez. Hoje, existem mais libaneses vivendo no Brasil do que no Líbano. Nossa obrigação é retribuir essa bondade.

Emocionei-me às lágrimas.

O fato é que temos uma vocação para o acolhimento. Nossa pátria abriga asiáticos, árabes, africanos, europeus…

Em uma palestra sobre o dia do trabalhador humanitário que assisti no ano passado um espectador estrangeiro que vive no Brasil há mais de trinta anos tomou a tribuna e fez um depoimento emocionado sobre o Brasil ter sido um dos primeiros países do mundo a enviar alimentos a países devastados pela guerra.

Nós, àquela época, mesmo defasados pela fome, partilhávamos o que tínhamos fraternamente.
Em meio ao momento de crise política em que nos encontramos, gosto de trazer à memória aquilo que me dá esperança. Tenho decidido fugir de postagens críticas ou amargas, porque mesmo com toda corrupção, violência e desesperança nas quais nos encontramos imersos, ainda há um Brasil do qual me orgulho.

Se temos meia dúzia de xenófobos e racistas que atiram bananas em negros refugiados, temos milhões de pessoas solidárias amorosas e generosas como a senhorinha que abraçou um senegalês desconhecido pedindo perdão em nome de todos os outros que não são nosso Brasil de verdade.

Prefiro crer no Brasil de Sergio Vieira de Melo, Betinho, Zilda Arns, Marias, Josés e tantos outros que, como eu, acreditam em um mundo com mais pontes e menos cercas, e onde nenhum inocente “tombe”ante à falta de amor.

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Para ajudar no Brasil (clique no título para acessar a página de cada entidade)

Médicos Sem Fronteiras – Atende refugiados em todo o mundo. Aceita doações.

Cáritas – Possui sede no Rio e em São Paulo e é uma das entidades mais antigas a atender refugiados no Brasil. Aceita doação em dinheiro e de itens pessoais como roupas e material de higiene.

Casa do Migrante / Missão Paz – Em São Paulo, oferece abrigo e a migrantes e refugiados desde 1978. Oferece também ajuda humanitária para procura de emprego e aprendizado do português através de aulas ministradas por voluntários. Aceita voluntários e doações.

ADUS –  Organiza aulas de culinária ministradas por refugiados e permite visitas para as crianças.

ONU (Via ACNUR) – Aceita doações mensais para comprar alimentação e água para os refugiados em todo o planeta.

 

Dados técnicos retirados do site www.acnur.org

 

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23 comentários

Thais Outubro 29, 2015 at 6:32 pm

Texto emocionante e verdadeiro, muito apropriado para o momento.
Grande abraço!

Resposta
Fabi Mesquita Outubro 29, 2015 at 6:44 pm

Oi querida, que bom que gostou! Um momento difícil para todos que se importam!
Obrigada por fortalecer minha voz
bjs
Fabi

Resposta
Rachel Dezembro 12, 2015 at 10:54 pm

FIQUEI TÃO EMOCIONADA QUE ATÉ CHOREI! LINDO TEXTO FABI, PARABENS!

Resposta
Fabi Mesquita Dezembro 12, 2015 at 11:00 pm

Ah querida! Que lindeza que minhas palavras te tocaram. Muito obrigada pelo teu carinho. Visite-nos sempre 🙂

Resposta
Fabi Mesquita Outubro 31, 2015 at 5:19 am

Que bom que gostou!

Resposta
Dyemison Outubro 30, 2015 at 11:50 am

Texto de uma profundidade ímpar! Parabens

Resposta
Fabi Mesquita Novembro 5, 2015 at 6:35 pm

Obrigada querido, visite-nos sempre 🙂

Resposta
Jefferson Outubro 30, 2015 at 5:05 pm

Eita… esse texto emocionou e vai deixar meu dia melhor!

valeu.

Resposta
Fabi Mesquita Outubro 31, 2015 at 5:18 am

Tem coisa melhor que melhorar o dia de alguem?
Obrigada

Resposta
Jo Dantas Outubro 30, 2015 at 7:05 pm

Oi Fabi, adoro tudo o que vc escreve sempre com muita cautela e discernimento. Parabéns.Bj

Resposta
Fabi Mesquita Outubro 31, 2015 at 5:16 am

Que bom que gostou!
Venha nos visitar mais vezes
Bjs

Resposta
Paulo Márcio Outubro 30, 2015 at 11:15 pm

Belíssimo texto, Fabi! Sempre me emocionei com elogios à nós, brasileiros, feito por estrangeiros. Não foi uma vez só que atendentes e garçons me disseram que nós sempre respondemos aos “bons dias”, nos despedimos e falamos sempre “por favor” e “obrigado”. Quando li o que a senhora lhe disse no aeroporto no Líbano, me emocionei “antes de você”.
Bjs minha cara! Parabéns!

Resposta
Fabi Mesquita Outubro 31, 2015 at 5:14 am

É bem verdade
Quando fui embora da Indonésia, a porteira do prédio onde eu morava, disse: E agora? Quem vai me dar bom dia dizer que eu tô bonita?
Que nunca percamos essa doçura
Obrigada pela visita viu? Volte sempre????

Resposta
Angela Outubro 31, 2015 at 11:29 am

Texto lindo e sensível como sempre, Fabi!

Resposta
Fabi Mesquita Novembro 5, 2015 at 6:34 pm

Muito obrigada querida
Acho que a situação requer certa delicadeza 🙂

Resposta
Cristina Raposo Outubro 31, 2015 at 7:46 pm

Fabi, este assunto tem ocupado meu coração diariamente, como expatriada que ja fui. Voce expressa o meu sentimento de preocupação, sempre lembrando que o mundo precisa de mais amor. Um beijo, flor.

Resposta
Fabi Novembro 3, 2015 at 2:11 pm

Muito, muito amor, e de pessoas como você que lutam para que esse amor se espalhe 🙂

Resposta
Marcos Novembro 5, 2015 at 4:41 pm Resposta
Fabi Mesquita Novembro 5, 2015 at 6:33 pm

Pois é….e como diz uma amiga, se não gosta de imigrantes, então devolva a terra que tomou aos indígenas 🙂

Resposta
Ulisses Lacava Novembro 6, 2015 at 2:10 pm

Fabi, emocionante teu relato, faz a gente sentir também orgulho pelo Brasil que está no caminho certo, que respeita e acolhe. Deu vontade de ir ao Líbano e abraçar o senegalês. Espero que a generosidade persista, apesar da minoria insensível e rancorosa. Bjs

Resposta
Fabi Mesquita Novembro 7, 2015 at 4:14 pm

Que essa minoria mingue até sumir! E que nós possamos amar amar e abraçar muito a todos os povos que por aqui desembarcarem 🙂
Obrigada pela visita !!

Resposta
Fabíola Ottati Dezembro 10, 2015 at 6:46 pm

delicia de texto! bom poder sentir orgulho de sermos quem somos!

Resposta
Fabi Mesquita Dezembro 11, 2015 at 12:35 pm

Bom saber que nem só de erros, corrupção e pobreza vive a nossa nação, né? Visita a gente sempre! Beijos

Resposta

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