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Carcassonne, a cidade medieval mais preservada do mundo

Carcassonne, a cidade medieval mais preservada do mundo.

Carcassonne, a cidade que escolhi para viver, é uma pequena “comuna” (ou cidade) medieval no sul da França. Eu moro dentro de um domaine viticole, isso quer dizer que vivo dentro de um vinhedo. Já respondo: sim, é magnífico.

A França é dividida em régions e départements. Nós estamos na região da Occitanie, departamento do Aude. Antes era considerada região de LanguedocRoussillon, mas, em 2016, uma mudança na organização administrativa do país modificou a geografia, reduzindo as regiões de 27 para 18. Nossa ‘capital’ é Toulouse. Geograficamente, estamos perto do Mediterrâneo e dos Pirineus, na prática: mar e montanha, praia e neve! Carcassonne está entre o maciço de Corbières e a planície do Lauragais. Isso é, estamos espremidos entre duas regiões viníferas incríveis além de Limoux, Malepère, Cabardès e Minervois, todas vizinhas.

Aqui no Pays d’Oc, as línguas oficiais são francês e occitano, um dos idiomas regionais mais falados na França, mas – sinceramente – até hoje não consegui encontrar uma conversa espontânea na Língua Occitana, embora saiba que na escola estudam a língua e, na universidade, já tive experiências bem interessantes imersa nesse universo linguístico.

História de Carcassonne

Quando visitamos Carcassonne temos a ideia de que tudo é Cité (patrimônio mundial da UNESCO desde 1996), aquela fortaleza medieval amuralhada bem no alto. Tudo começou ali, mas a Cidade Baixa, ou Bastilha, é tão importante quanto.

Carcassonne foi habitada por romanos, visigodos, sarracenos e cátaros, aqueles que, com as Cruzadas do Papa Inocêncio III (que nada tinha de inocente), foram perseguidos e acabaram dizimados.

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A Ci sofreu inúmeros ataques e destruições durante sua história, e só com o domínio de Luís IX que foi tomar a forma de hoje. É incrível a qualidade e eficiência da preservação, que permite -nos experimentar um pouquinho da história caminhando pelas muralhas.

Em 1262, surge, na margem esquerda (rive gauche), uma pequena aldeia chamada de La Bastide de Saint-Louis. Era alí que tudo acontecia: a vida do povoado, os mercados, o comércio de vinho, tecido e a construção de habitações. Bastide é a designação de um tipo de cidade fundada entre o século XIII e XIV de planta hexagonal.

Lenda da Dama de Carcassonne

Há uma lenda bonitinha que inspirou os autores da Idade Média a contarem a história de Carlos Magno. Contam, à boca miúda, que o Imperador tinha sitiado Carcassonne e matado o rei sarraceno Ballak; é aí que entra em cena La Dame Carcass.

O cerco já durava cinco anos e, vamos combinar, não há comida que dê conta de tanto tempo assim. Muita gente tinha morrido, e não havia mais quase ninguém na defesa da cidade. A esperta senhora decidiu, portanto, criar bonecos de palha que foram sorrateiramente colocados nas muralhas, em posição de combate, e, no dia seguinte, pegou o último e pobre porquinho (que certamente viraria jantar) e alimentou-o com restinho dos grãos que existiam na cidade. Pense num porco cheio! Depois disso, ela lançou o porco pela muralha para ajudar a alimentar os “pobres soldados do lado de fora”. Dizem por aí que, quando o bicho tocou o chão, o pobre explodiu revelando sua boa alimentação.

Carlos Magno, neste momento, levantou acampamento e disse: eles são muitos e não estão nem perto de se renderem! Do lado de fora, eles estavam morrendo de fome, e lá dentro, porcos eram alimentados com o melhor trigo do mundo! Quem não desistiria desse cerco inútil?

Aí vem a reviravolta! A Dame Carcass resolveu, sem ser massacrada, “por cima da carne seca”, tocar os trompetes para celebrar a aliança entre eles. Por isso, Carcass “Sonne”, a Dame Carcass sonne, ou seja, toca o som do armistício! Carlos Magno aceita a paz e todos vivem felizes para sempre!

Lugares interessantes

A Cité

A ponte de pedestres, que leva até a Cité, tem uma vista incrível e nos deixa de queixo caído. Depois da ponte, caminhamos pela Trivalle e vamos descobrindo algumas delícias: bares, restaurantes, história…

La Cité (Foto: arquivo pessoal)

A cidade medieval tem 52 torres espalhadas por muralhas duplas que se estendem por 3 quilômetros. No interior, podemos ver segmentos de muralhas galloromanas, caracterizadas pela construção com tijolos empilhados. Durante os séculos, os reis ordenaram a construção de uma segunda parede exterior em torno da cidade, complementada por um fosso.

Dentro da Cité, há tudo que você pode esperar de uma cidade medieval. A mais importante construção é o Château Comtal, o castelo. Ele era considerado a defesa final da cidade, foi construído no século XII pelo Visconde de Carcassonne, e foi constantemente alterado nos séculos seguintes.

Como toda cidade amuralhada, há portões incríveis por onde passavam bárbaros, nobres, o clero e gente como a gente. O portão Narbonnaise, com duas enormes torres, foi construído por volta de 1280 durante o reinado de Filipe III.

A porta do Aude fica perto do castelo e é mais básica. Este portão, com sua aparência tipicamente medieval, serviu de cenário para muitos filmes.

Lá dentro, e coladinho ao Château Comtal, tem o Teatro da Cidade Medieval, onde acontecem festivais e shows sensacionais. O teatro foi criado em 1908 no local do antigo claustro de Saint-Nazaire.

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Vez por outra você vê cavaleiros (sério!) e princesas pelas ruas da Cité. Há apresentações medievais, justas e danças típicas para ajudar a rememorar a memória medieval.

Claro que não deixaria de comentar a Basílica de Saint Nazaire. Que cidade medieval que se preze não teria uma super catedral? O primeiro ato autêntico que menciona esta igreja data de 925. Em 1096, recebemos a visita do Papa Urbano II para abençoar as pedras da Catedral de Saint-Nazaire. O prédio da igreja foi remodelado várias vezes e em 1801 ela perde seu status de catedral para a igreja Saint-Michel localizada na Bastide.

Carcassonne não é só a Cité, lembra? Então vamos lá…

A Casa das Memórias é linda e há uma exposição permanente lá sobre a vida do poeta Joë Bousquet. Há presentinhos de Dali, Magritte, Paul Valéry, Gide que foram deixados para o poeta.

O Rolland Hotel (XVIII) foi construído entre os anos de 1746 a 1761 por Jean-François Cavailhès, um comerciante de tecido. Depois, em 1815, o tal edifício foi comprado pela família Rolland. Hoje abriga a Câmara Municipal e, dizem por aí que é o mais representativo do país pela expressividade da sua arquitetura do século XVIII (eu finjo acreditar, mas ainda não conheço todas as cidades francesas). O legal é que o prédio pode ser visitado!

O Rio Aude se estica aos pés da Cité e o Canal du Midi, (pasmem: artificialmente projetado por Pierre Paul Riquet no século XVII) é também patrimônio mundial e margeia a Bastide na região da estação ferroviária. Os dois oferecem vistas ímpares de pontos estratégicos, percursos para fazer de bicicleta ou a pé e, sinceramente, parecem decorar cada cantinho daqui. No verão, os dois pontos de água reúnem inúmeros turistas e locais, que esticam suas toalhas e cestas de piquenique durante o dia todo.

As praças da cidade (Carnot, Gambetta e etc) são lindas e frequentemente recebem eventos como shows, mercados gastronômicos, biológicos (uma outra paixão dos franceses que pretendo contar melhor em outro momento) e pistas de patinação no gelo…

Em outra ocasião conversaremos mais sobre a gastronomia e sobre alguns costumes e festas do Sul da França, que garante um cenário notável para qualquer tipo de férias… ou para passar um bom período da vida.

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1 comentário

Marcella Delfraro Fevereiro 20, 2019 at 11:30 am

Adoro Carcassonne !!!!

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