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Como contratar empregadas domésticas no México

A contratação de empregadas domésticas é muito comum no México, onde há pobreza por todos os lados e bastante oferta de mão de obra barata disponível, assim como no Brasil.

Elas são comumente chamadas de “muchachas”, termo usado para uma pessoa que está prestando um serviço a outra e que tem um nível social mais baixo. Sim, parece pejorativo (e é, na minha opinião), mas é importante lembrar que o México é um país extremamente hierarquizado e discriminatório em relação às classes sociais mais baixas.

Todos que têm condições de pagar, têm alguma ajuda em casa, nas mesmas opções que conhecemos no Brasil: diarista, empregadas que dormem na casa dos patrões, as que vão e voltam para a casa delas todos os dias, plantonistas de fim de semana, babás e motoristas.

O que muda é que no México não há rigidez no cumprimento da legislação trabalhista dedicada a eles, o que deixa a informalidade tomar conta das regras entre empregados domésticos e patrões. Talvez, por isso, eles se sintam ainda mais inferiorizados e há tanto furto e desonestidade nos trabalhos domésticos. Esta situação obriga os empregadores a se protegerem e entenderem como funcionam as relações de trabalho doméstico no México, antes de contratarem alguém para trabalhar nas suas casas.

Leia também: O México é seguro?

“Entrada y salida” ou “De planta”

Se alguém chega no México e começa a procurar uma pessoa para ajudar com a casa, a primeira pergunta que vai ouvir será: “Você quer alguém por entrada y salida ou de planta?”, que são, respectivamente, as nossas diaristas (que entram e saem todos os dias das nossas casas), ou as empregadas que dormem em casa. Ao contrário do Brasil, no México é muito mais comum empregadas que querem dormir na casa dos patrões toda a semana (de planta) do que as “por entrada y salida”. E é normal encontrar um quarto de serviço na maioria dos apartamentos para famílias. Isso porque elas vêm de longe para ganhar dinheiro e ajudar em casa, e em muitos casos não têm nem um lar definitivo, então, ter casa e comida é algo valorizado por elas. Mesmo as que têm filhos, os deixam muitas vezes com os avós ou outros parentes, e optam por trabalhar e vê-los somente no final de semana. Aliás, muitas moram tão longe que é uma regra comum irem para casa só de 15 em 15 dias, ou seja, passam um fim de semana sim e outro não na casa dos empregadores, não necessariamente trabalhando. O acordo é entre cada família: o fim de semana pode ser trabalhado, e pago (à parte ou parte do combinado no salário) ou ser usado como descanso no quarto que possuem na casa dos patrões. A mesma regra vale para as “nanas”, nomenclatura usada para as babás no México.

Quanto custa

Em geral, o custo de vida no México é mais barato que no Brasil, e o salários dos empregados não foge à regra. Na Cidade do México, uma diarista custa, na média, 400 pesos (em torno de 80 reais), com o custo de transporte já incluído, enquanto em São Paulo custa cerca de 50% a mais. O pagamento é feito diariamente. Já a muchacha “de planta” é paga, normalmente, ao final de cada semana, que custa, na média, 2.000 pesos (cerca de 400 reais), também com o custo de transporte incluído. Sem custos fixos extras, como o INSS (Previdência Social) e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) que fazem parte do pacote de direitos dos empregados domésticos no Brasil.

Os direitos e relações de trabalho no México

Não há registros em carteiras de trabalho, boletos de INSS ou qualquer outra formalidade na contratação de empregados domésticos no México. Porém, existem leis que os protegem com alguns direitos que possuem, como descanso, férias remuneradas, pagamento do “aguinaldo” em dezembro, que é o equivalente ao nosso décimo terceiro, e a chamada “liquidación”, que é um pagamento de 3 meses de salário quando há demissão por parte do empregador. Por isso, é altamente recomendável fazer um contrato de trabalho e recolher recibos mensais dos comprovantes de pagamento do salário. Existem modelos prontos na Internet e você pode adaptá-los de acordo com a negociação que tiver com o seu empregado. A prática da formalização com o contrato é bastante incomum, mas protege os empregadores e, acredite, é muito melhor se precaver. Afinal, receber um processo judicial no seu país já é desagradável, imagine, então, morando em outro lugar. Aconteceu comigo e foi algo que me deixou extremamente fragilizada.

Leia também: Leis trabalhistas no México

Os meus conselhos

Ensine, elogie e reconheça a sua ajudante. Fonte: Pixabay.

Se me permitem, além de já ter sugerido o contrato de trabalho, quero seguir com mais alguns conselhos para que a contratação de uma muchacha possa ser algo positivo na sua vivência no México:

  1. Contrate somente alguém de confiança, por recomendação de uma pessoa que você possa conversar e saber como foi o trabalho dela. Não contrate alguém sem referências ou a “amiga ou prima” de alguém que é de confiança de outra pessoa, mas que a pessoa que te sugeriu não conhece. Sabe aquele caso “Me falaram muito bem dela, mas eu não a conheço”? Busque saber quem falou e quem a conhece. É meio caminho andado para que você não tenha problemas na sua casa, como desonestidade, furto ou algo pior. O furto é tão comum que é prática na maioria dos prédios residenciais a revista das bolsas dos empregados quando terminam o seu trabalho e vão para as suas casas.
  2. Há vários níveis de furto doméstico, desde algo de pouco valor a uma verdadeira “limpa” no apartamento, organizada por uma quadrilha que o porteiro ou o segurança do prédio, junto com a empregada, entraram para se dar bem. Já aconteceu exatamente assim no prédio onde eu morava e não foi o primeiro nem o segundo caso que eu ouvi. Por isso, desconfie de tudo e de todos. Imponha limites e evite deixar que as pessoas entrem na sua casa, vejam como é o seu apartamento, a sua rotina e o que você possui.
  3. Se acontecer um furto de algo de pouco valor, como produtos da despensa, não ignore, pois o próximo passo pode ser algo maior. Para evitar a tentação da despensa cheia, privilégio que nem todos possuem, considere pagar uma cesta básica mensal para a sua empregada.
  4. Se você encontrou alguém da sua confiança, mas não está 100% satisfeita, ponha a sua segurança na balança com um peso muito maior do que todas as suas insatisfações. Elas não limpam tão bem como as brasileiras ou podem ter outro defeito que te incomode um pouco, mas a segurança da sua família não tem preço.
  5. Por fim, um conselho óbvio, mas que é sempre bom ser lembrado. Se você está feliz e confia na sua ajudante, cuide dela. Preze pelo descanso dela, elogie, ensine, tenha paciência, remunere muito bem e reconheça o trabalho dela. Muitos países não têm a cultura de contratação de empregados domésticos, ou a mão de obra é muito cara, e pode fazer muita falta, principalmente para famílias grandes. Se você tem a oportunidade de ter uma ajudante do México, agradeça, cuide dela e aproveite. Afinal, você terá menos obrigações com a casa e mais tempo pra fazer o que quiser.

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4 comentários

Lea mello silva Março 22, 2019 at 12:27 pm

Paulinha

Muito bom seu texto sobre as empregadas no México
Vi o filme Roma e parece que mudou pouca coisa nestes anos
Me lembro que tive empregada que dormia no emprego por muitos anos
Mas acho que mudou pra melhor aqui no Brasil
Atualmente quase todos têm diaristas
Continue a nos enviar suas descobertas agora em Londres e aproveite bem suas experiências pelo mundo
Com saudades muitos beijos pra vc é sua turminha 😘

Resposta
Ana Paula Almeida Março 27, 2019 at 12:08 am

Sim, o Brasil está muito mais avançado nesta área! No México tem que ter mais formalização pra ter mais respeito e melhores relações no trabalho doméstico.

Resposta
Eliane Abril 4, 2019 at 7:21 pm

Oi Ana!! Que texto bacana, aliás todos que escreveu sobre a Cidade do México são encantadores! Estou morando aqui, e estou amando esse país lindo!! Escreva mais…Obrigada

Resposta
Ana Paula Almeida Abril 9, 2019 at 1:31 pm

Que bom que você gostou, Eliane! Sim, vou escrever mais! Aguarde… o próximo é sobre as praias lindas do Caribe mexicano! Obrigada pelo feedback.

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