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Como escolher escolas primárias em Londres

Como escolher escolas primárias em Londres.

A escola primária na Inglaterra começa quando a criança completa 5 anos até o final do ano escolar e vai até os 11 anos de idade, pois engloba também o que corresponde ao ensino fundamental I no Brasil. A boa notícia é que há excelentes opções de escolas primárias públicas, que são o foco deste artigo. Porém, para se fazer uma boa escolha, é preciso se informar sobre o processo de vagas, pesquisar as opções e visitar as escolas, de preferência da família.

Além disso, há dois requisitos para se conseguir a vaga na escola desejada, quando se pode escolher: residir na catchment area da escola, área de cobertura geográfica de cada instituição, e ter a sorte de encontrar vagas disponíveis. Muitas vezes a escolha é feita pelo governo, que checa esses dois requisitos e oferece as opções para as famílias. Mas, se é preciso residir na região da escola, e a escolha da casa ainda não foi feita, por onde começar?

O processo de vaga nas escolas públicas

O processo oficial para solicitação de vaga em escolas públicas, em Londres, começa com um registro no council da residência da família (espécie de sub-prefeitura de cada região), com informações sobre as crianças e o endereço, seguido da relação das escolas de preferência na região, em ordem de prioridade.

Há um órgão do governo, o Ofsted, que regulariza a educação e não só inspeciona as instituições escolares, como as classifica e publica um relatório sobre cada uma delas em seu site. Por isso, é lá que a busca deve começar. É possível definir as preferências com filtros da região escolhida para morar, o tipo de escola que a família busca (religiosa, laica, pública, privada, etc.) e a classificação. As melhores escolas estão classificadas como good (boas) e outstanding (excepcionais).

Outra dica é visitar as escolas que possuem os open days (dias e horários determinados para receber grupos de pais), geralmente publicados nos seus sites. Com planejamento e tempo, é possível conhecê-las e definir a prioridade entre as escolhas, antes do cadastro no council.

É importante dizer que as inscrições para o processo oficial são feitas em janeiro, para a entrada na escola em setembro – início do ano letivo na Inglaterra, após as férias de verão. Porém, para quem vem de outros países e chega no meio do ano letivo, é possível aplicar para uma vaga pelo processo chamado de in-year admissions, que pode ser feito pelo site do council onde a família irá residir ou na própria escola. Veja aqui um exemplo no site de um dos councils de Londres.

É bom visitar as escolas já com a documentação pronta. Embora não seja mandatório neste momento, notei que as escolas gostavam quando mostrávamos os documentos, pois demonstrava nosso interesse pelas vagas. Os documentos são: preenchimento do formulário na própria escola ou no council, cópia dos passaportes e vistos, comprovante de endereço e, caso a escola seja religiosa, comprovante de batismo. Grande parte das escolas na Inglaterra são católicas ou anglicanas, e elas podem pedir também uma carta da igreja confirmando a atuação religiosa da família.

Como muita gente não tem comprovante de residência antes do pedido de vagas, é comum famílias se mudarem e as crianças ficarem um tempo sem escola, até que a definição da residência e o processo de busca de vagas seja concluído. Na prática, já vi processos de in-year admissions demorarem de uma semana a alguns meses, por isso as escolas privadas acabam sendo uma opção para famílias que não querem esperar o processo de vaga nas escolas públicas.

Leia também: O sistema de ensino no Reino Unido

Como conciliar casa e escola

Fonte: Pixabay

Mesmo sabendo que, idealmente, a busca de escolas deve ser feita após a família estar morando na cidade, eu achei bem estranho escolher uma casa sem ter uma escola escolhida por mim, para os meus filhos, pois meu objetivo era buscar proximidade entre as duas, numa região familiar, com facilidades e metrô perto de casa. Além, claro, de considerar a distância do trabalho e o tempo total de deslocamento diário. Ou seja, é um grande quebra-cabeça que nos deixa perdidos em relação ao primeiro passo.

Resolvi começar pesquisando em sites e blogs sobre as regiões em Londres que são recomendadas para famílias e possuem boas escolas. Defini 3 bairros para conhecer, fiz uma lista das escolas bem classificadas no Ofsted e as sinalizei em um mapa de cada bairro. Como eu não tinha tempo para esperar a data de visita agendada pelas escolas, pedi visitas individuais por e-mail ou telefone em determinada semana e fui para Londres dois meses antes da nossa mudança.

Agendei, também, com corretores imobiliários, visitas em casas nas proximidades das escolas para a mesma semana, e reservei dois dias para cada bairro. Passei a semana conhecendo as casas, escolas e explorando as regiões como um todo, tentando montar o meu quebra-cabeça. Foi fundamental bater perna para sentir o clima de cada bairro e conhecer as suas facilidades – além de ter uma noção do valor de aluguel, o tipo de moradia e de vizinhança. Um bairro era mais urbano e mais agitado, outro mais calmo e cheio de verde. Um cheio de charme, mas quieto demais e com poucas crianças nas ruas, outro cheio de mães com filhos em cafés, nos parques ou nos supermercados.

Leia também: Tudo o que você quer saber para morar na Inglaterra

Descartei uma das regiões e não encontrei opção de uma escola que me atendesse no primeiro bairro que escolhi. As escolas que eu gostei não tinham vagas para os meus 3 filhos, e eu queria todos na mesma escola. Fui para a minha segunda opção de bairro e deu tudo certo: encontrei vaga para os 3, na escola que eu queria! Vale lembrar que essa disponibilidade de vagas é dita para aquele momento, mas como eu ainda não tinha uma residência definida, eu corria o risco de perdê-las se alguém chegasse na minha frente com a documentação pronta. Aliás, algumas escolas nem se arriscam a dizer se tem ou não vaga, por este motivo.

Com a escola em mente, era hora de traçar um raio no mapa ao seu redor e voltar às opções de casas visitadas, mas o desfecho desta história vou deixar para contar em um próximo artigo.

As escolas podem aceitar o contrato de aluguel como comprovante de residência, embora o pedido seja por um comprovante de conta de água, luz ou gás. Porém, percebi que algumas escolas são mais flexíveis do que imaginei, e aceitaram “segurar” a vaga com a cópia de um e-mail da imobiliária, dizendo que o acordo de aluguel foi fechado. Outra saída rápida é encontrar uma casa temporária, perto da escola, para garantir a vaga – foi o que fizemos. É chato ter que se mudar de novo, mas pelo menos garantimos as vagas e buscamos a casa definitiva com calma, depois das crianças já estarem na escola.

A lição que aprendi é que precisamos abrir mão de algo e esta é a hora de pensar no que é prioridade na relação entre moradia e escola das crianças. Se a localização é o que importa, estamos dispostos a abrir mão de uma casa ideal? Nem sempre dá para ter tudo. No próximo artigo, conto a segunda parte desta busca tão importante em qualquer mudança de país. Até lá!

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1 comentário

Lea Mello Silva Novembro 25, 2019 at 4:27 pm

Gostei muito de saber como vc trabalhou antes de encontrar uma casa e a escola perto
Deve ter sido difícil
E eu estou aprendendo a conhecer E sentir como é morar em Londres
Parabens pela suas atitudes que exigem persistência e é muito trabalhosa
Como tudo que vc faz
E deu certo ! Muito bom !
Beijos 😘

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