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Como é fazer compras em Myanmar

Como é fazer compras em Myanmar?

Quando vivemos como estrangeiros em um país com uma cultura completamente diferente da nossa, é comum sentirmos falta de produtos e, às vezes, serviços, que temos à disposição em casa. Não raramente, também encontramos dificuldades na hora de fazer compras.

Os supermercados em Myanmar, em geral, têm uma oferta relativamente boa. Nas grandes cidades, existem supermercados voltados ao público estrangeiro, oferecendo produtos diversos como diferentes queijos, vinhos franceses, chocolates alemães ou produtos americanos. Claro, por preços exorbitantes. Há uma boa variedade de produtos frescos como legumes e frutas. No entanto, esses podem ser encontrados com maior variedade e menores preços nas feiras de rua. Mesmo assim, alguns produtos que hoje em dia em países ocidentais são encontrados com facilidade, mesmo em cidades pequenas, às vezes não são possíveis de se encontrar em Myanmar, como chia e quinoa por exemplo. Ou até mesmo fermento em pó, pois o que se encontra são farinhas que contém fermento. Nos supermercados mais locais, não há variedade para lacticínios, como iogurte e queijo, mas em supermercados maiores e especializados no público estrangeiro, é possível encontrar mais opções.

Quanto às roupas e calçados, já fica mais difícil, mas depende também da cidade. Em Yangon, já é possível encontrar lojas de marcas internacionais, até as mais exclusivas. Por outro lado, a maior parte das lojas oferece moda local, que, quando não se trata dos trajes típicos locais (longyi – um tecido que é envolto na cintura, podendo ter várias estampas. As blusas engyi para as mulheres fazerem o conjunto), tem estilo diferente com o qual estamos acostumados no Brasil, e que não agradaria a qualquer um (estrangeiros). Roupas com babados e mangas muito exagerados, enfeites, lantejoulas, um brilho exagerado ou de cunho muito infantil. Isso em se tratando de moda feminina, claro. Vê-se com frequência nas ruas mulheres principalmente com trajes que nos lembram muito o que no ocidente chamaríamos de pijama. Uma menina com a qual morei em Yangon uma vez até brincou com isso, se perguntando porque as birmanesas usavam pijamas nas ruas.

O mesmo problema se aplica a sapatos femininos, que em sua maoiria contém muitos enfeites e brilhos, sendo às vezes difícil encontrar algo um pouco mais neutro. Mas não para por aí. Na verdade, para muitas de nós – mulheres ocidentais – o problema é o tamanho. Tanto quanto às roupas, cujos manequins vendidos na maioria das lojas se orientam nas asiáticas, que são em média bem baixas e magras, ou mesmo aos calçados.  Eu, por exemplo, calço número 40, e é uma missão quase impossível encontrar sapatos nesse tamanho. No máximo chinelos e às vezes algumas sandálias, inclusive de marcas brasileiras, que têm lojas em Myanmar também.

Outro problema que enfrentamos é em relação aos cosméticos, como por exemplo loção para o corpo, creme para o rosto, entre outros. O padrão de beleza em Myanmar, assim como em outros países asiáticos, é de mulheres delicadas, com traços finos, magras, pequenas e com pele branca. Portanto, a devastadora maioria de todos os cosméticos que se possa imaginar, contém ingredientes para branquear a pele, os famosos “whitening products“. Até mesmo alguns desodorantes contém substâncias para clareamento.

Alguns serviços ocasionalmente deixam a desejar, porque comparamos com os de nosso país de origem. Uma amiga brasileira, que também mora em Yangon, se queixa muito das manicures, já que elas não fazem um trabalho muito apurado, costumando deixar um vão entre a pele e a unha pintada – um espaço que, para nós brasileiras, e segundo minha amiga, é praticamente uma estrada. Ou limpeza facial, que em vez de ser uma limpeza profunda, é praticamente um tratamento com massagem apenas. Um banho de creme para os cabelos, como é normal no Brasil, nunca consegui encontrar. Mas até entendo que isso parte das necessidades locais. Asiáticos normalmente têm um cabelo muito fino, liso e, geralmente, não tão seco. As birmanesas cuidam bem de suas madeixas, e algumas têm cabelos incrivelmente longos (para baixo do joelho). Meu cabelo, por exemplo, é bem mais espesso e resseca facilmente.

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Claro que meu conhecimento quanto a produtos e serviços acaba refletindo um ponto de vista feminino, porque é baseada nas minhas experiências pessoais, relatos de amigas e de coisas das quais sinto falta.

Em geral, a experiência de fazer compras em Myanmar, principalmente quanto a roupas e sapatos, pode ser frustrante. Em Yangon, pelo menos existem algumas lojas de cadeias ocidentais/internacionais, e no ano passado, um shopping bastante moderno foi inaugurado, oferecendo um pouco mais de opções. Geralmente as marcas mais famosas de cosméticos também já podem ser encontradas em cidades como Yangon ou Mandalay.

Estrangeiros costumam buscar conselhos nos diversos fóruns online sobre onde encontrar os produtos desejados. Para utensílios de casa e móveis, esses fóruns são muito úteis, porque constantemente há pessoas deixando o país que, antes de irem embora, põem vários itens à venda lá. Às vezes até mesmo roupas e sapatos. Morando em Myanmar, quem tem a oportunidade, aproveita para fazer compras em Bangkok quando possível, já que é muito perto, os voos são baratos, e a cidade oferece muito mais opções de compras do que Myanmar.

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