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Como fazer amigos na Inglaterra

Como fazer amigos na Inglaterra (beirando, ou passando, dos 30).

Em 2005, eu vim para a Inglaterra pela primeira vez. Foi para visitar o meu irmão, que há alguns anos tinha decidido se mudar para cá. Chegando aqui, ele logo avisou: “eu moro com uma galera, todos têm dias bons e ruins. Você tem que comprar o cartão para ligar para casa no off license e não pode deixar a louça para lavar depois”.

Mas, apesar do choque cultural que se seguiu, o que prevaleceu daquela experiência foi o fascínio em conhecer tantas pessoas de culturas diferentes, com comportamentos distintos, e todos muito viradores e inteligentes. Naquela casa, moravam dois brasileiros, uma coreana, um casal formado por uma polonesa e um espanhol, e um casal de ingleses. Nós, os estrangeiros, cozinhávamos juntos, tomávamos uma “ceva” e contávamos peripécias do trabalho e da vida.

Dividir aqueles momentos e aprender tanto com aquelas pessoas, não tinha sido meu primeiro objetivo quando pensei em viajar, mas tinha se tornado a maior razão para aquela experiência ser inesquecível. No entanto, não existia preocupação em que aquelas amizades fossem duradouras, pois eu tinha meus melhores amigos no Brasil e o que dividimos naqueles meses, foi inesquecível o suficiente. Assim sendo, confesso que, ao voltarmos aos nossos países, não mantivemos contato.

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A segunda experiência

Na segunda vez em que vim para cá, já foi de “mala e cuia”, como dizemos no Rio Grande do Sul. Com a galera que morei no início dessa segunda experiência, até tenho contato, mas não saímos mais juntos, pois os estilos de vida ficaram muito diferentes. Acabei tendo mais afinidade com minhas amigas do trabalho e que vinham da Lituânia, Alemanha, França e Polônia. E, depois de meu namorado (hoje marido) chegar e algumas delas arranjaram namorados, passamos a fazer festas, ir a bares e viajar com esse pessoal.

No entanto, quando meu “trampo” de temporada virou profissão, eu estava mais para a chefe chata do que a parceira de noitada dos meus colegas. Ao mesmo tempo, aquela galera jovem, linda e maluca da “minha época”, ficou mais séria. Decidiram mudar de emprego, alugar um apê num esquema mais privado e (o pior de tudo para mim): voltar ao seu país de origem.

Enquanto minha vida ficava ocupada com mais e mais deveres, eu via amigo atrás de amigo ir embora. Meu marido e eu, então, nos demos conta de um dos maiores problemas pessoais que um expat pode experienciar quando vive em Londres: a galera que a gente conseguia conhecer melhor, acabava repatriando.

Por essa razão, decidimos que devíamos fazer nossa primeira tentativa de morar no interior do país.

Éramos os únicos estrangeiros jovens na cidadezinha que fomos morar e, além de trabalharmos e passarmos todo nosso tempo em Londres, estávamos agora em um lugar onde todos, só andavam com os amigos de escola que conheciam desde criança. Aliás, pode ser verdadeiramente difícil fazer amizade com ingleses, pois eles continuam perto de sua família e amigos de uma vida, além de demorarem muito mais para se abrir com alguém novo.

Talvez seja justamente por essa busca de família e segurança, que muitos brasileiros que vêm para a Inglaterra, acabam criando uma mini comunidade por aqui. Só que os hábitos trazidos da terra natal não mudam muito. Meu marido e eu viemos para cá com uma vontade de, justamente, conhecer outras culturas. Também queríamos aprofundar o conhecimento sobre a cultura de onde viemos morar e sentir que sempre aprendíamos algo novo. A gente saía com quem nos parecia interessante: alguns brasileiros e outros, não.

A falta de tempo, instabilidade da vida por aqui e ainda, o fato de ser um casal, eram fatores que pareciam estar realmente dificultando. Não conseguíamos manter contato com os poucos amigos que tinham ficado. Ao mesmo tempo, faltavam oportunidades de fazer novos amigos.

Foi, então, numa temporada em que decidimos morar na Itália, que acabamos conhecendo uns amigos brasileiros que estavam se mudando para a Inglaterra. Não por causa deles, mas eventualmente decidimos voltar à nossa segunda casa. Além destas amizades, que tinham começado na Itália, conhecemos outros bons amigos – eu no Mestrado e o Marcelo no grupo de tênis do parque. A vida, definitivamente, voltou a ser mais legal.

A terceira experiência

Alguns anos mais tarde, após quase 3 anos longe da Inglaterra, decidimos voltar ao Reino Unido. Dessa vez, tínhamos um filho pequeno e, de cara, conheci muitas pessoas nos playgrounds e cinemas do bairro que meu irmão morava… Pela primeira vez, independente das nacionalidades, conheci pessoas que estavam criando raízes por aqui e que, por conta também da idade, já não frequentavam as festas malucas de estudantes e estrangeiros que, com certeza, um dia participaram.

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Quando decidimos mudar de vez para o interior (como contei em meu primeiro texto para o BPM), não era apenas para dormir. Nosso filho ia à pré-escola aqui, meu marido trabalhava por perto e muitos dos nossos vizinhos eram famílias que se mudaram para cá pela qualidade de vida. Outros, ainda solteiros, vieram por razões semelhantes e tinham a vida interessante de quem passa 70% do seu tempo em Londres.

Assim sendo, não tenho dúvidas de que a vontade de criar raízes e os interesses em comum, foram os fatores mais relevantes para voltarmos a fazer amizades depois dos 30, apesar de morarmos em uma cidade pequena e de maioria inglesa.

Ainda que amigos queridos, com vidas diferentes das nossas, devam permanecer no coração (e, se possível, no encontro esporádico de um eventual happy hour), as pessoas com as quais temos estilos de vida e interesses em comum são aquelas que vão aplacar a solidão. Algumas destas ainda podem nos surpreender, tornando-se, vejam só, verdadeiros amigos.

Por isso, vale curso de línguas, de pintura, de zumba, projetos sociais e até mesmo chamar para o chá da tarde (com um delicioso bolo de cenoura versão brasileira, afinal, o inglês também é chegado num doce bem doce). Tudo é válido desde que sejam coisas nas quais você realmente tem interesse.

O outro fator definitivo, meus amigos, é abraçar quem somos. Sim, nosso jeito geralmente sociável vai chamar a atenção em terra de inglês (e alguns cuidados precisam ser tomados), mas a grande maioria dos olhares vão ser de pura curiosidade. Se ao andar sorrindo na rua, você também for educado e gentil, vai ser diferente e não, estranho.

Possuir um interesse verdadeiro pelo outro, aliás, é algo que nunca sai de moda.

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