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Como o trabalho voluntário mudou a minha vida

Trabalhar voluntariamente em algum país distante que precisasse desse serviço devido às condições precárias das classes menos favorecidas sempre foi um grande sonho desde a adolescência.

Quando minha vida virou de cabeça para baixo depois de uma separação, decidi que aquele era o momento. Sou estudante de Psicologia e queria fazer diferença, queria viver de acordo com os meus valores e ideais mais significativos.

Acabei optando pela Índia para ser o plano de fundo deste sonho pois queria mochilar pelo Sudeste Asiático depois do voluntariado. Sempre quis conhecer a Ásia e esse seria o melhor jeito de juntar as minhas duas paixões, ajudar e viajar.

Na minha opinião, as duas melhores empresas que oferecem esse serviço na Índia são a AIESEC e a CI – Central de Intercâmbios. Por ambas empresas o voluntário arca com a passagem. Pela AIESEC, dependendo do país ou de onde você ficará hospedado, poderá arcar ou não com sua alimentação e/ou pagar uma taxa para acomodação. Pela CI, você pode optar por pacotes, sai um pouco mais caro, mas a hospedagem e a alimentação o dia todo estão inclusas, juntamente com viagens pelo país organizadas pela agência parceira da CI na Índia, a Idex.

Essa opção me atraiu bastante e, também, o local onde eu trabalharia, uma pequenina cidade no extremo norte indiano, quase na divisa com o Paquistão e o Tibete, com uma vista de tirar o fôlego para os Himalayas, chamada Palampur. Tudo aquilo fez meu coração vibrar e eu sabia que havia achado o lugar certo. Fechei negócio.

Já na Índia, nas acomodações da Idex, com outros voluntários e com a professora responsável por nos orientar, me sentia um pouco nervosa. Pela manhã eu ensinaria inglês e, por mais que tivessem me orientado e ajudado  durante o final de semana sobre como lidar com as crianças e como funcionava o sistema de ensino na escola que trabalharíamos, eu nunca havia feito nada parecido antes. Todos os voluntários trabalhavam com apenas uma criança para que o aprendizado fosse mais efetivo e de qualidade.

Chegando na escola, todos vieram correndo em nossa direção, estavam curiosos para conhecer os novos voluntários. Quando descemos para nossa recepção, um choque, todas as crianças tinham algum tipo de deficiência intelectual! Achei curioso o fato de não nos terem avisado, porém, acredito que acharam que soubéssemos. A princípio, fiquei assustada, tive medo e muitas inseguranças, já havia estudado sobre deficiência intelectual na faculdade de Psicologia, porém, nunca havia tido um contato direto. Ali, do outro lado do globo, naquele imenso país, naquele pedacinho de mundo esquecido no extremo norte indiano, naquela pequenina escola, havia crianças com Autismo, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett, Síndrome de Down, dentre outras.

Uma vez li uma frase que virou filosofia que venho seguindo para a vida: “Sempre escolha o caminho que mais te assusta, porque este será o que lhe fará crescer!” Naquele momento eu soube, estava exatamente onde deveria estar, aquela escola havia me atraído por algum motivo, e resolvi deixá-la me ensinar tudo que eu havia vindo aprender e me apresentar a uma nova versão de mim mesma.

As professoras me apresentaram Angeline, uma das crianças mais lindas que já vi e que me ensinou um novo tipo de amor, um dos mais verdadeiros que já senti, ela tinha Síndrome de Down. Não haviam salas de aula, o ensino era feito ali mesmo no pátio, onde eles ficavam sentadinhos no chão fazendo suas tarefas com ajuda das professoras e dos voluntários.

Angeline pegou minha mão e escolheu um lugarzinho ao sol para sentarmos. E então, entendi o porque do senso comum chamar essas pessoas de “Especiais”. Angeline possuía um brilho diferente nos olhos, o sorriso não saia de seu rosto, era uma das crianças mais carinhosas que eu já havia conhecido.

Era extremamente inteligente, aprendia rápido mas precisava de bastante repetição, o tempo passava rápido demais em sua companhia. Angeline precisou de apenas algumas horas para me conquistar, no final do dia eu já estava apaixonada por ela.

Sempre quando chegava a hora de ir embora, ela colava sua carinha no vidro do carro até embaçar e desenhava um coração.

Nessa escola tive meu primeiro contato com o Transtorno do Espectro Autista, o qual dedico todos os dias de minha semana atualmente. Foi amor à primeira vista, a Índia me mostrou que eu tinha uma grande paixão escondida, uma paixão que pretendo dedicar muito tempo da minha vida, a Deficiência Intelectual.

Lá entendi que os momentos ruins que passamos vem com o intuito de nos ensinar uma lição muito valiosa, devemos estar sempre atento aos detalhes! Entendi que tudo que nos acontece, não acontece COM a gente, acontece PARA a gente, para o nosso crescimento e desenvolvimento. Tudo aquilo precisava acontecer, a vida teve um jeito de me mostrar. Se prestarmos atenção, poderemos ver a magia acontecendo em qualquer lugar!

E a magia acontecia ali, onde sem estrutura, sem dinheiro e sem muitas condições, professores e voluntários se reuniam com intuito de ajudar aquelas pequenas almas. Eles me ensinaram que a educação pode mudar o mundo, não todo o mundo, mas o mundo daquelas crianças que, em um país extremamente machista que ainda vive ilegalmente em um sistema de castas separatista, tinham oportunidade de atingir seus potenciais mesmo que sua deficiência interfira em alguns momentos.

Se aquilo não era motivo suficiente para acordar todos os dias, não sei mais o que é!

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8 comentários

Andreza Pereira Abril 22, 2016 at 4:08 am

Nossa eu chorei lendo o que você falou que lindo

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Zara Abril 23, 2016 at 12:25 pm

Que depoimento lindo! Tambem tenho vontade de fazer trabalho voluntario fora. Ja trabalhei na Aiesec e sempre escutei historias assim.

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Eliene Costa de Souza Maio 19, 2016 at 2:40 am

Sou professora de arte e adoraria fazer um trabalho voluntariado na IIndia. É possível mesmo não falando inglês?

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Giovanna Di Giacomo Maio 19, 2016 at 2:52 am

Linda experiência! Lindos aprendizados! Lindo texto! Obrigada 🙂

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Silvana Pontes Teixeira Junho 5, 2016 at 9:34 pm

Wow! Isso existe mesmo, é possível realizar o meu sonho de conhecer a Pátria amada de meu querido ‘Lobsang Rampa” Assim que terminar o curso de Psicologia tornar-me-ei mochileira. <3

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Larissa Julho 2, 2016 at 8:30 pm

Realmente a CI é maravilhosa, através dela trabalhei um ano como Au-Pair e posso dizer com toda a certeza que foi uma das melhores coisas que já fiz na vida, e agora estou me planejando justamente para fazer trabalho voluntário na Índia, o coração já quer pular de tanta felicidade.Obrigado pelo texto e por nos mostrar um pouco deste ato fabuloso que é o trabalho voluntário, boa sorte pra nós.

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Izabel guimaraes Janeiro 29, 2017 at 8:38 pm

Carolina, amei ler em seu texto o que um dia quero poder fazer, pessoas como você é minha inspiração a cada dia… Vejo mais e mais que o mundo não está perdido… Podemos encontrar amor nas coisas simples… Meu sonho é ir a Índia e poder ter minha própria experiência de vida lá, um dia dia todos irao ver minha visão de mundo, pois nao será só lá que irei começar minhas novas experiências…

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Adriane Outubro 9, 2017 at 8:05 pm

Carol, que história apaixonante,adorei bjos

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