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Tailândia – Sak Yant: as tatuagens sagradas da Tailândia – Parte 2

Essa é a segunda parte de uma saga emocionante que eu vivi em Chiang Mai, na Tailândia à procura das tatuagens sagradas. Se você ainda não leu a primeira parte, corre e clica aqui para ficar por dentro de todos os detalhes e saber como você também pode fazer sua Sak Yant em terras tailandesas!

Nos aproximamos do templo onde estacionamos o tuque-tuque. Haviam alguns poucos monges no local, sentados ao sol e meditando. O motorista, em tailandês, perguntou ao monges sobre as tatuagens sagradas e assim, um deles nos acompanhou para dentro do templo e nos disse para esperarmos alguns instantes. Já não me sentia mais nervosa. Passados alguns momentos, um monge extremamente tatuado, careca, de manto laranja e cara de simpático abriu uma porta de correr ao meu lado e me pediu que entrasse.

Ele falava muito pouco inglês, nada que mímicas e bom humor não resolvessem. Me pediu para contar um pouco sobre mim e o que fazia na Tailândia.

Contei sobre o trabalho voluntário que eu havia realizado na Índia antes de chegar ali e sobre minhas viagens e para onde eu iria a partir dali.

Quando acabei de falar o monge, na maior naturalidade, como se eu ouvisse aquilo sempre, me disse que meu espírito era antigo e aventureiro desde muito tempo, uma eterna viajante do mundo e que eu estava destinada a desbravar o planeta. Disse que sempre conversava com os turistas que procuravam o templo para saber se realmente eram merecedores de suas bênçãos e que eu era, sim, merecedora das tatuagens dos antigos guerreiros pois eu tinha a coragem de um. Também disse que via que eu era a terceira geração viajante da família (gente, minha vó já viajou para quase todos os países do mundo, passou 46 anos viajando e minha mãe também era uma viajante compulsiva). Não satisfeito ele disse que uma geração me esperava em casa, enquanto a outra eu carregava comigo (gente, minha vó é viva e minha mãe já falecida). Eu senti que estava exatamente onde deveria estar, no lugar certo e na hora certa, uma paz muito grande tomou conta de mim.

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O templo onde a magia acontece. Fonte: Acervo pessoal.

Enquanto falava, ele mesmo preparava a tinta que aplicaria em minha pele, quando terminou pediu ao outro monge que me trouxesse água e que eu virasse de costas pois iria começar o desenho. E assim eu fiz, sem ter ideia do que ele tatuaria ali. Neste momento, uma frase que eu havia ouvido antes de viajar fez completo e total sentido, se tornando hoje uma de minhas frases preferidas: “Aprenda a confiar na jornada. Mesmo que esta não faça sentido ainda.” E foi exatamente o que eu fiz, eu entreguei e confiei.

As “pequenas” agulhas utilizadas para tatuar. Fonte: Acervo pessoal.

Enquanto me tatuava ia recitando mantras antigos, assoprando a fumaça de seu cigarro em minha pele e abençoando o desenho e meu corpo. Eu entrei em uma espécie de transe, os mantras pareciam uma música tranquila e, de repente, nada mais existia, só aquela sala, aquele momento, aquela benção, aquele ritual mágico que eu incorporava por completo.

Quando ele terminou, pediu meu celular e fotografou minha mais nova Sak Yant! Eu havia ganhado a que mais queria!!! A Hah Taew Yant. Cinco linhas sagradas que protegem contra maus espíritos, má sorte e pessoas mal-intencionadas, além de trazer energia boa, sucesso e carisma ao portador. Ele me explicou que as 5 cinco linhas tiveram origem nos quarto elementos (terra, ar, fogo e água) combinados com o quinto elemento, Buda. Cada uma das linhas confere uma proteção que em tradução livre significa:

  • A primeira linha protege contra injustiças, espanta a negatividade e protege o lugar que se vive.
  • A segunda linha protege contra má sorte, invertendo os fluídos negativos para positivos.
  • A terceira linha protege contra magia negra e qualquer pessoas que tente fazer algo contra você.
  • A quarta linha energiza sua boa sorte, sucesso e fortuna nas ambições e estilo de vida.
  • A quinta linha aumenta o carisma e atração nos relacionamentos amorosos.
Minha Sak Yant. Fonte: Arquivo pessoal.

As tatuagens não podem ser cobradas, os Ajarns devem oferecer suas bênçãos gratuitamente aos merecedores, por isso, é de bom tom levar uma doação ao templo e cigarros para os monges. Foi exatamente o que eu fiz, doei 1.000 baths tailandeses, mais ou menos 100 reais e levei um maço de biris (cigarros indianos que comprei em Dharamsala exatamente para esta ocasião). O monge ficou tão feliz com os biris que me presenteou com cigarros chineses. E nós fumamos juntos e recitamos mantras por alguns longos minutos.

Quando eu me despedi, o monge me fez prometer que eu voltaria ano que vem para que ele abençoasse a tatuagem novamente, também me disse que se eu voltasse, me presentearia com outra!

Foi, de longe, um dos momentos mais marcantes e mais incríveis que eu já tive a oportunidade de vivenciar em minha jornada. Eu me sentia totalmente protegida pela benção recebida e saí de lá confiante que minha viagem seria um grande sucesso dali para frente e, como se eu sempre soubesse, estava pronta para, mais uma vez, desbravar nosso pequeno grande mundo, pois eu sabia agora que essa era minha missão e que eu tinha a coragem de um guerreiro tailandês, a benção do monge e uma tatuagem mágica sagrada para completá-la.

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10 comentários

Tamara Setembro 11, 2016 at 7:09 pm

Te admiro muito menina linda!

Resposta
Amanda Outubro 27, 2016 at 1:36 pm

Você sabe o nome do templo?
Estou procurando templos para fazer a Sak Yant, porém não tenho encontrado indicações..

Resposta
Maria Rodrigues Novembro 15, 2016 at 1:31 pm

Também quero saber! Estou indo a Chiang Mai em dezembro e quero muito ter essa experiência… Seu relato esta excelente, parece ter sido um momento mágico! Só faltou colocar o nome do templo ou ao menos uma foto do local no Google Maps…

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Carolina Monzi Novembro 15, 2016 at 3:49 pm

Então, eu acredito que este Templo não possui um nome e seria impossível localiza-lo no Google Maps, era muito afastado de Chiang Mai. Eu não sei exatamente onde fica, foram horas de Tuk Tuk

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Carolina Monzi Novembro 15, 2016 at 3:48 pm

Não perguntei enquanto estava lá, acredito que não havia um nome

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Kerolayne Novembro 21, 2016 at 1:59 pm

Olá, estarei indo à Tailândia em março, para encontrar esse templo, o Tuk Tuk já levou você diretamente lá?

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Heloiza Fevereiro 17, 2017 at 9:27 am

Ola..Emocionada aqui com a sua experiencia e querendo ter essa vivencia na minha vida tambem.. Vi nos comentarios que vc nao sabe o Nome do templo, vc lembra Onde conseguiu o tuck tuck para chegar ate la? Estou indo agora em Marco. Obrigada

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Daniel Vaccari Abril 2, 2017 at 5:50 am

Olá Carolina!

De todos os relatos, o seu foi realmente o mais inspirador!
Não teria nada que ajudasse a localizar esse templo e ver se sou merecedor de passar por essa experiência?
Vou agora em abril, e gostaria muito disso!

Resposta
Rhuan Víctor Dezembro 13, 2017 at 4:32 pm

Oi Carolina,
Um pouco mais de um mês li vi uma citação das lindas tatuagens feitas pelos monges na Tailândia, na hora que as vi fiquei encantado com tudo, com o significado, com os detalhes, tudo. Não tenho nenhuma tatuagem no momento, tenho 21 anos! Mas, desde então já é um sonho ir e fazer a tatuagem. Escolhi uma e por coincidência foi a que ele fez em você, pelos seus relatos não escolhemos a tatuagem, rs…mas acredito como você na frase “Aprenda a confiar na jornada. Mesmo que esta não faça sentido ainda” e mesmo eu indo e não sendo lisonjeado com a tatuagem rs…estarei feliz e agradecido apenas conhecendo o lugar! Vou fazer de tudo pra fazer essa viagem!

Eu apenas ia te perguntar se no ano seguinte você voltou lá para ser abençoada, mas como viu, não consegui (rs). Então, no ano seguinte voltou?

Resposta
Liliane Oliveira Dezembro 13, 2017 at 7:07 pm

Olá Rhuan,
A Carolina Monzi parou de colaborar conosco, mas temos outras colunistas na Tailândia.
Você pode entrar em contato com elas deixando um comentário em um dos textos publicados mais recentemente no site.
Obrigada,
Edição BPM

Resposta

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