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Itália

A eterna crise italiana

Este texto foi escrito pensando na enorme quantidade de dúvidas que recebo por email e por mensagem privada no facebook.

A pergunta começa sempre da mesma forma: “Tenho direito a cidadania italiana, quero fazer meus documentos e viver na Itália que é meu sonho. Vou conseguir um emprego por ai? Muitos ainda dizem: “Não falo italiano, falo um pouco de inglês, isto ajuda?”

As minhas respostas não são nada otimistas e normalmente as pessoas ficam nervosas como se eu estivesse desencorajando o sonho ou impedindo algo; entretanto a minha visão é extremamente realista, de quem está vivenciando na pele e vendo muita coisa acontecer.

Estima-se que existem em torno de 30 milhões de descendentes de imigrantes italianos.  Cerca de 15% da população brasileira tem direito a cidadania italiana por “jus sanguini”, ou seja por descendência de sangue sem limites de gerações, mas todavia o machismo sempre presente nos apresenta problemas de gênero, caso sua antepassada tenha tido filhos antes de 1948. Devido a estas possibilidades a pulguinha de fugir desesperadamente do Brasil começa a pipocar e muitos chegam aqui com o objetivo de ter documentos e ficar para morar sem nem raciocinarem direitos os riscos e perigos da empreitada.

Desde 2008 o cenário econômico tem apresentado um eterno declínio. O país parou de crescer e se encontra em estagnação e recessão. Mesmo ouvindo de vez em quando alguma voz otimista a Itália está cada vez mais longe dos seus anos dourados.

Um pequena análise de mercado mostra que o que domina por estas bandas são os setores agrícolas e o setor secundário (indústrias, artesãos e construção civil) que em sua maioria estão nas mãos de propriedades familiares, ou seja o ciclo familiar limita muito o ingresso de terceiros diminuindo a oportunidade de trabalho.

Atualmente a taxa de desemprego é de 12%, sem mencionar as pessoas inativas como mulheres e jovens em casa na qual estima-se que esta população em questão aumenta 1,4% por ano ou seja 196 mil pessoas a mais a cada ano em casa que não trabalham ou nunca trabalharam.

Além deste cenário o país tem problemas graves com o débito público, a evasão fiscal e o crime organizado. Pela posição estratégica por ser uma península facilitando a entrada por vias marítimas (leia-se refugiados e ilegais) e pelo excesso de descendentes de imigrantes italianos, atualmente o país recebe cerca de 150.000 mil clandestinos. E mais os 200 mil estrangeiros que entram e saem todos os dias, entre cidadãos de dentro e fora da UE que aqui chegam a trabalho, como turistas ou para estudos e também entre estes muitos permanecem e tentam a vida.

Refugiados - fonte pixabay.com
Refugiados – fonte pixabay.com

De acordo com o Istituto nazionale di statistica para os 36,2% de estrangeiros e o 22% de naturalizados, encontram dificuldades em reconhecimento dos estudos e na língua italiana e por não serem italianos de nascimento não conseguem trabalho.

E nesta onda de crise, aumenta cada vez mais o processo de imigração de italianos para países como Suíça, França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e para os mais sortudos, América do Sul.

Fonte: http://www.istat.it/it/istituto-nazionale-di-statistica

Com este panorama, respondo de modo pessoal e aberto como respondo para todos os curiosos e interessados em viver aqui na bota:

1- Vale a pena ir viver na Itália agora?

Não amigo, não vale. Se você não tem documentos que te permitem ficar legalizado, dinheiro no bolso, uma rede de apoio e a certeza de um trabalho aqui: nem tente, nem pense!

2- Vou conseguir um emprego por aí?

Pode ser que sorte olhe pra você, mas isto é raro. Os trabalhos que existem são “in nero” e sem confiança, te deixando a mercê de muitos riscos. As leis e incentivos não favorecem os trabalhadores abaixo dos 29 anos, e quando as empresas e comércio contratam são por tempo determinado, de no máximo 3 meses, com cargas horárias absurdamente malucas e principalmente o quesito horas/ salário é muito baixo. Aqui é muito normal o valor de 6€/ 7€ a hora em todas categorias, contratos antigos ainda preveem valores maiores de até ou mais 10€/ hora.

3- Tem campo na área de construção civil, doméstica, babá, auxiliar de cozinha e garçom?

Como disse acima, “in nero” pode até conseguir, mas o risco é grande e o milagre é muito.

Construção civil: com a crise muitas empresas de construção fecharam e é normalíssimo encontrar obras interrompidas por falta de dinheiro e completamente abandonadas.
Trabalhos domésticos: como muitas mulheres se encontram em casa sem trabalho o normal é que elas tomem conta dos próprios filhos e da casa, outra opção para os italianos é deixar os filhos e os cuidados da casa com os avós.
Auxiliar de cozinha e garçom: Na terra da boa comida existem cursos técnicos para trabalhar nestas áreas, todos os anos milhares de italianos se formam e dominam o mercado dificultando a entrada de imigrantes. Afinal obviamente um restaurante vai contratar um italiano formado na área ao invés de um imigrante.

4- Eu falo inglês, isto ajuda?

Não, não ajuda. Claro é um diferencial na luta constante por um trabalho, mas assim como você muitos falam, inclusive a maior parte dos estrangeiros tem como o inglês como língua mãe e muitas outras línguas na bagagem. Um exemplo são os indianos que estão em todas as partes por aqui. Então não pense que o seu curso de 10 anos no Fisk vai te ajudar a combater com eles.

5- Ah, mas você fala isto pois não esta no Brasil, aqui a coisa esta feia!

Sim, realmente não estou mas estive e acompanho constantemente, e com a minha vida de imigrante e a minha visão de mundo posso afirmar que as coisas não são o que parecem. O brasileiro tem que perder este eterno complexo de coitado vira lata.

6- Por que você não volta então ? (Adoro este chilique dos revoltados)

Não volto pois construí aqui uma vida com um cidadão europeu e já estou aqui há muitos anos. Simplesmente não cheguei “chegando” com o sonho na mão e a mala na outra, sempre tive e sempre terei aqui  uma rede de proteção e apoio que foi e continua sendo fundamental para a minha estadia e principalmente, sempre tive documentos.

Enfim, dito tudo isto meu conselho para quem realmente quer vir fazer a cidadania e tentar a vida é:

Aprenda o idioma, o italiano é muito mais do que mostram nas novelas da Globo. Traga dinheiro para pelo menos 6 meses a 1 ano e que neste valor esteja a soma para moradia, transporte e alimentação e eventualidades.

Venha sem família, para que assim você possa se estabelecer e ir trazendo com calma seu núcleo familiar. Não venha com marido, mulher e filhos na bagagem, pois com mais gente, mais dificuldade. Estabeleça um período de “prova“, e decida um tempo para tentar fazer as coisas darem certo, não venha com a mentalidade de “Deus ajuda”, pois você vai sofrer. Se as coisas não derem certo não tenha vergonha e volte para o Brasil, ou caso tenha documentos europeus tente outros países.

E principalmente não menos importante, não tire por base a vida de pessoas que estão aqui bem estabelecidas há muitos anos pois chegaram aqui em um cenário muito mais otimista.

Caso queira ler mais sobre as estatisticas italianas procure aqui.

Se quiser um pequeno resumo de custo de vida leia meu texto aqui

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20 comentários

Gilda Della Corte Abril 18, 2016 at 12:20 pm

Muito interessante este sites,assim nos mantém sempre informado.Adorei ler.

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Bruna Roland Abril 20, 2016 at 6:39 pm

Que bom, é um prazer! 🙂

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Mariana Abril 23, 2016 at 6:21 am

Olá, legal seu ponto de vista! Mas não vi em seu texto nenhuma menção sobre a violência na Italia em comparação com o Brasil. Ainda vale a pena sair do Brasil para viver em paz na Europa, ou isso tb é ilusão, assim como a crise? Tirando essa dificuldade de emprego e legalidade, por renda propria e cidadania, vc acha que ainda vale a pena pela qualidade de vida, sobretudo violência?

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Bruna Roland Abril 23, 2016 at 12:15 pm

Bom dia Mariana! Obrigado por ler o texto.
A crise não é uma ilusão é um fato. Existem milhares de brasileiros e italianos passando dificuldades. Um simples giro por grupos de brasileiros no facebook pode te ilustrar este cenário.
Quanto a violência ela existe sim; assaltos, roubos, furtos, estupros e todo o tipo de violência contra a mulher acontecem em grande ou menor proporção. Não é porque é “Europa“ que é um paraiso. No meu prédio mesmo só este ano já tentaram roubar umas 4 vezes e estou em uma zona tranquila.
Como mencionado no texto, existe uma quantidade muito grande de imigrantes chegando e assim como vem muita gente boa tem muita mas muita gente ruim e disposta a tudo, então imagine.
Não, eu não acho que vale a pena largar tudo no Brasil se você estiver ai bem estabelecida para vir para cá em busca de utopias.

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Luciano Abril 23, 2016 at 3:06 pm

Sou formado, tenho pós graduação. Em um ano de incessante procura por um emprego no Brasil consegui uma única entrevista pra ganhar 1200 reias. Com 40 dias de Itália, sem falar bem o italiano, consegui um emprego na sexta entrevista. 40 dias e já consegui um contato a tempo indeterminado. A entrevista que participei com o menor salário era pra ganhar 1300 euros líquido por mês. Não quer dizer que quem vir vai ter mesma sorte, cada área e cada região tem suas peculiaridades.
Vim pra cá pois sabia que a situação não é boa, pois no Brasil a situação está insuportável. O desemprego cada dia maior. Aí vem me dizer que o desemprego aqui é maior que no Brasil, só que aqui na Itália, quem recebe auxílio do governo, quem não quer trabalhar, quem está a mais de um mês procurando emprego e quem recebe seguro desemprego, ao contrário do Brasil, é considerado desempregado. O desemprego real do Brasil, sem ser maquiado pelo PT, dizem que passa dos 25%.
Comparando o custo de vida entre Bergamo e Curitiba, posso garantir que os mercados de Bergamo custam menos que os de Curitiba, isso convertido com o euro a 4 reais. Os itens que custam mais caro aqui é refrigerante e carne.
Insegurança, tem em todo lugar, aqui na Itália também tem, porém um simples assalto via manchete nos jornais não se comprara com o Brasil, lá já passou dos limites. É ruim estar longe de amigos e familiares mas a segurança que se tem aqui não tem preço.
Cada caso é um caso, fiz a escola certa, vim com cidadania, consegui emprego. Logo terei amigos morando aqui na Itália, minha família está se programado pra vir morar aqui também. Se alguém tem oportunidade de sair do Brasil, se programe, estude bem, faça todos os tipos de cálculos possíveis e vá adiante. O Brasil está falido, vai levar anos preá se reerguer

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Bruna Roland Abril 28, 2016 at 8:22 am

Bom dia Luciano, obrigada por ler o texto. Como mencionado no seu comentário cada caso é um caso. Você deu muita sorte e fico muito feliz por isto! Abraços.

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Francisco Nobre Abril 28, 2016 at 3:47 pm

Amigo, discordo em gênero, número e grau de seu pessimismo sobre o Brasil. Vivo por aqui desde sempre, tenho 49 anos, já vi ocasiões muito piores do que a atual, e, tirando a caótica situação da violência urbana (essa sim, a verdadeira praga para a qualidade de vida no Brasil), nunca deixaria de morar no nosso país, apesar de ter parentes morando no exterior e outros que já moraram por décadas. Se você não conseguiu emprego no Brasil, creio que isso foi circunstancial, ou porque você restringiu sua opção somente para a cidade que morava (não sei se você sabe, mas o Brasil é imenso, e muito maior que o Sul-Sudeste), ou lhe faltou qualificação para o que o mercado brasileiro pede no momento (salário de R$ 1.200,00 é salário de atendente de telemarketing, emprego que basta Ensino Médio para conseguir imediatamente (sem nenhuma desvalorização para a função)), ou por alguma falha em sua apresentação ao mercado. Quanto à estatística de desemprego no Brasil, que você tanto desconfia, elas são geradas pelo IBGE, instituição de renome internacional e não tem quadro técnico indicado politicamente (seus números tem validade oficial em órgãos como ONU e OCDE, sendo monitorado por tais órgãos. Duvido que eles seriam “comprados” pelo PT, como você sugere. Recomendo que não entre nesse discurso, que é pura paranoia), além de existir indicadores produzidos por órgãos independentes do governo e, em nenhum deles, o Brasil apresenta ou chega perto de desemprego de 25% (como ocorre na Espanha, por exemplo) como você sugere. Na verdade, ainda nem chegamos aos dois dígitos, como já tivemos em 2002 e em boa parte da década de 1990. Aliás, o indicador da FGV vem apresentando queda nas ultimas 4 amostras. Assim, a situação no Brasil, apesar de ruim, é perfeitamente contornável, bastando apenas o retorno da confiança mínima que se depositava aqui até meados de 2014 e que, em muito boa parte, foi perdida graças ao intenso bombardeio de noticias e profecias catastróficas autorrealizáveis disseminadas por toda a grande imprensa brasileira. O objetivo claro desse bombardeio (a deposição da Presidente) será conseguido em breve. Assim, com certeza, logo, logo o noticiário será revertido para o otimismo e a confiança (infelizmente, esse é o império do Quarto Poder, a Imprensa) e, em um ou dois anos, você verá como esses números reverterão. É assim que funciona amigo. A economia capitalista somente sobrevive pela ilusão da confiança. É muito tênue a linha divisória entre o boom e a crise. Boa sorte em sua empreitada na Itália.

Resposta
Bruna Roland Abril 28, 2016 at 7:31 pm

Tiro meu chapéu para o seu comentário Francisco! Muito bacana. Concordo com o seu discurso. 🙂
E muito obrigada por nos acompanhar aqui no BPM!

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léo Fevereiro 20, 2018 at 11:48 pm

kkkkkk salário de R$ 1.200,00 é para nível médio… kkkkkkkkkk o cara tá totalmente fora da realidade. Salário para advogado: R$ 1.500,00, para arquiteto: R$ 2.000,00 para engenheiro: R$ 2.000,00…. lógico, a legislação fala em carga horária diária de 4 ou 6 horas e remuneração de 6 à 10 salários mínimos, dependendo da categoria. MAS ISSO NÃO EXISTE!!!!! O petê acabou com o Brasil nesses 14 anos, fez uma desconstrução social, instigando raça contra raça, a marxista ideologia de gênero, e com roubo de bilhões dos cofres para os membros do partido, republiquetas da américa latina, da África, a ditatorial Cuba e grupos econcomômicos que se deram muito bem. “A melhor maneira de escravizar um povo, não é economicamente, mas sim moralmente” – Karl Lixo Marx

Resposta
Elias Abril 24, 2016 at 2:44 am

Olá Bruna! É triste ver um país tão incrível passar por uma crise econômica. Mas na sua opinião, há perspectivas da Itália superar essa crise? O governo italiano tem feito esforços para reverter essa situação? Estou vendo que o crescimento econômico da Itália é modesto, mas positivo (1%). Pelos dados econômicos, pelo menos, a Itália tem mais perspectivas para superar a crise do que o Brasil.

Grazie! 🙂

Resposta
Bruna Roland Abril 28, 2016 at 8:19 am

Olá Elias! Muito obrigada por ler o texto. Então, os especialistas em economia “dizem“ que cada país tem o tempo de 10 anos para enfrentar e superar uma crise. Estou aqui desde o auge que foi 2010/2011 e posso afirmar que até agora poucas coisas mudaram. O giro de dinheiro existe, mas as pessoas não gastam como antes, aliás o dinheiro fica como mencionado no texto, entre as famílias. Acredito que ainda vai precisar de alguns longos anos para “talvez” voltar a ser como antes ou algo próximo do que já foi. O governo não se empenha muito, pelo contrário, esta matando os seus cidadãos de taxas e falta de incentivos, dificultando ainda mas o levantar de novas empresas e a superação da crise para outras. Do que tenho para comprar dos países o Brasil esta lindo em comparação com a Itália. A crise aqui é um fato, uma realidade.

Resposta
Emidio Britto Maio 19, 2016 at 7:16 pm

Bruna, você descreveu o Brasil! Aqui ninguém gasta dinheiro, pois este desapareceu! Aqui a crise não vai passar, até agora são mais de onze milhões de desempregados. Os economistas dizem que a crise será longa e se aprofundará em 2017. “O governo não se empenha muito, pelo contrário, está matando seus cidadãos com impostos e falta de incentivos, dificultando ainda mais o levantar de novas empresas e a superação da crise para outras”. Olha o Brasil aí de novo! A crise aqui no Brasil também é um fato, uma realidade. Junte-se a isso, a inflação galopante e a violência de uma guerra civil (cinquenta e seis mil assassinatos por ano).

Resposta
Lucas Maio 27, 2016 at 3:32 pm

Olá querida!
Tenho cidadania e várias parentes q moram na Itália, portanto posso afirmar: sim, a crise existe e não é modesta. Desemprego, estagnação econômica, empresas falindo, etc. No entanto, acho q foi um grande equívoco a frase “o Brasil está lindo comparado à Itália “. Comparar o Brasil à Itália é como comparar um bezerro a um boi, embora esse boi não esteja mais com a carne da melhor qualidade, rsrs.

E por quê? Simplesmente porque a Itália ainda é uma nação desenvolvida de acordo com as Nações Unidas, com o 27 maior IDH do mundo, 3 vezes superior ao Brasil. A renda per capita italiana é mais que o dobro da brasileira. Lá, pelo menos no norte do país há sim boa QUALIDADE DE VIDA e a sensação de segurança é sim muito grande. Nas cidades médias furtos são bem pontuais e quando ocorrem são cometidos por imigrantes; homicídios são raros (de acordo com um estudo, as taxas de homicídios das cidades médias do norte da itália estão entre as mais baixas da Europa Ocidental). Em Trento, onde tenho parentes, os caixas eletrônicos são nas ruas. Outro ponto importante: lá nao existe inflação de 2 dígitos como no Brasil, os preços dos alimentos e bens de consumo são estáveis.

Em suma, a maior dificuldade hj é encontrar um emprego na Itália. Mas quem encontrar sem dúvida vale à pena ir, a qualidade de vida é infinitamente superior a do Brasil.

Resposta
Bruna Roland Maio 27, 2016 at 7:35 pm

Oi Lucas, tudo bom? Obrigado por ler o texto.
Pois é opinião e experiência são coisas complicadas. Como você mesmo disse a Itália que você conhece é a Itália através dos olhos dos seus parentes, como vivo aqui tenho a opinião do texto.

Resposta
LUCAS Maio 31, 2016 at 5:27 pm

Olá Bruna!

Suas experiências descritas no texto são importantes e refletem em parte a situação italiana. Porém, qualificar a situação de uma nação inteira, baseando-se em experiências pessoais apenas por viver no local, pode ser uma análise eivada de subjetivismos. Já fiquei um mês na Comuni di Treviso em 2014, de fato até vi vários mendigos (todos estrangeiros).

Sim, a Itália enfrenta vários problemas e eu disse isso no meu texto. Contudo, comparar a segurança de um país onde os caixas eletrônicos são na rua (refiro-me ao norte da Itália) com a do Brasil, é um equívoco. De igual modo, mesmo com crise, recessão e desemprego (no Brasil estamos vivenciando queda de 4% no PIB , apenas nações em guerra estão pior e a Itália cresceu 0,8% em 2015 e previsão de 1,2% em 2016, uma das piores taxas da UE.), a renda per capita italiana é o triplo da Brasileira, e o IDH é bem maior.(27º contra 75º); inflação no Brasil será 7% em 2016, na Itália é de 1%. Meus parentes nunca precisaram pagar plano de saúde (pagam uma taxa por procedimento) na Itália e sempre elogiaram muito o atendimento das unidades na comuna onde residem.

A qualidade das estradas do norte da Itália são infinitamente superiores. Andei de transporte público em algumas cidades maiores do norte e estamos anos-luz atrasados, com nossos transportes em condições caóticas e super-lotados.

A Itália já viveu dias melhores e digo que realmente este momento não é o mais ideal para quem pretende ir para lá. Mas se vc consegue um emprego razoável vale a pena sim, a qualidade de vida É SIM maior que a do Brasil. Comparar Itália ao Brasil é um equívoco. Ambos os países estão em crise; a Itália só pode ser comparada a seus homólogos europeus em crise: Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal.

Resposta
Nana Agosto 12, 2016 at 12:56 pm

Obrigada pelo texto. Tento me informar e tomar a melhor decisão. Tenho cidadania. Estou querendo ir pra Itália, no norte, daqui um ano. Até lá já terei quase 3 anos de estudo da língua, Dinheiro pra ficar por 6 meses e um casal de amigos como apoio (uma brasileira e um italiano). Sou pós graduada em comunicação, trabalho em banco há 8 anos e há 3 com fotografia. Qual sua opinião sobre minhas chances de conseguir trabalho?

Resposta
Nana Agosto 12, 2016 at 1:01 pm

Só complementando : aqui não estamos desempregados, nao. Mas o problema eh a violência, assaltos em frente ao nosso prédio, por todo lugar… A qualquer hora do dia. Noite dessas acordamos super assustados com tiros e. Explosões… Eram bandidos explodindo caixa eletrônico e atirando com fuzil pra todo lado. Como criar nossa filha num lugar desses? Isso pq moramos em bairro nobre….

Resposta
Catarina Dezembro 14, 2016 at 4:15 pm

Oi Bruna,

Otimo texto! Morei na Italia por 3 anos e depois do meu mestrado consegui nao um, mas 2 trabalhos e pensei ‘uauu que crise o que’ mas como voce disse, in nero., sem estabilidade, sem perspectiva, trabalhando 10 horas por dia pra ganhar pouco.. Em cidades como Roma, pela minha experiencia, e’ possivel achar trabalho no setor do turismo e facilita falar outras linguas, Mas depois de um tempo assim e tentando trabalho na minha area a realidade bateu e concordo totalmente com vc, mudar pra Italia agora tem que ter muita conciencia da situacao. Eu fui com cidadania, queria regastar um pouco da cultura da minha familia, vivia somente entre italianos e me integrar nunca foi um problema (da minha parte) e foram poucos, mas anos maravilhosos. De la, como muitoooos, fui pra Londres onde imediatamente consegui um emprego com contrato, rapidamente fui promovida, e muitas oportunidades foram aparecendo, vim pra Holanda e mais uma vez em menos de um mes ja consegui um trabalho na area – veja bem, nao sao paises milagrosos mas a diferenca na economia e’ absurdamente grande. A verdade e’ que ate hoje, 3 anos depois, eu sinto muita falta da Italia e da maneria de viver no pais, mas por outro lado eu escolhi me desenvolver profissionalmente o que nao seria possivel la.. A minha dica quando me pergunta, e’, va’ se e’o seu sonho, aprenda a lingua, conheca a cultura, faca disso uma oportunidade – em Londres meus 2 primeiros empregos eram relacionados a Italia e precisava falar italiano e foram uma otima oportunidade de continuar meu contato com o pais e continuar me relacionando com italianos – mas va’ sem muita expectativa. Recebo frequentemente perguntas de amigos italianos/que vivem la Italia sobre a perspectiva profissional na Inglaterra ou na Holanda pq ‘a Italia nao tem mais jeito’. A crise existe sim, e ela afeta principalmente os jovens. As lojas continuam lotadas, as familias tradicionais continuam fechadas e tocando seus negocios entre eles, a cultura do Quem Indica continua fortissima e se ta dificil pra quem ansceu e cresceu no pais, pra quem vem de fora, tirando poucas excessoes, e’ realmente desesperador.

Mas claro, dependendo da sua area de atuacao talvez seja mais facil, cada caso um caso.
Enfim, queria deixar minha breve historia rs pra suportar o seu texto e dizer, que maravilha que voce pode continuar, pq e’ muito triste ter que deixar um lugar que a gente ama e se sente em casa como eu tive. – Ta ai mais um motivo pra ter em consideracao antes de ir 🙂

Resposta
Josean Boschetti Julho 26, 2017 at 3:15 pm

estava até interessante seu texto, mas sua arrogancia e falta de conhecimento do momento brasileiro desconsidero tudo, estive na Italia e a coisa não esta como vc descreve, não se compara Brasil e Italia hj, a taxa de desemprego aqui é maior e a vida muito pior.

Resposta
Douglas Dezembro 16, 2017 at 7:49 pm

É triste ver a morte lenta de países outrora importantes como Itália, Portugal e Espanha, hoje são países que estão na rabeira da Europa e expulsando moradores (como Portugal que já está a um passo do colapso total). Agora é impressionante ver a Itália tão mal na fita, foi o povo italiano que, em sua maioria, colonizou o Rio Grande do Sul e grande parte de SP, foram seus descendentes que fundaram cidades importantes que hoje são referência em qualidade de vida, que criaram impérios industriais como Marcopolo, Agrale e Tramontina. Isso me desperta a curiosidade, como que este povo pujante e trabalhador não consegue reagir diante da recessão que dura tanto tempo?!

Mas complementando, eu acho que isso é só a ponta do iceberg, futuramente outros países europeus virão a falir e perder influência no mundo, isso só vai acelerar ainda mais com o crescimento da China e da Índia, futuras potências mundiais.

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